A Companhia das Letras acaba de publicar uma excelente e bem documentada biografia de um dos mais incríveis exploradores e aventureiros de todos os tempos, Dom Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, de autoria de Paulo Markun. Leia a seguir a resenha do livro e logo em seguida o artigo que o blog publicou a respeito em outubro de 2008.Paulo Makun narra a incrível história de Cabeza de Vaca, intrépido desbravador do século XVI que, entre outras peripécias, sobreviveu a três naufrágios na América do Norte, viveu quase dez anos entre os índios, percorreu milhares de quilômetros a pé e tornou-se um mítico curandeiro.
Álvar Núñez Cabeza de Vaca foi tão ousado e persistente quanto seus contemporâneos Cristovão Colombo, Fernão de Magalhães, Hernán Cortés e Francisco Pizarro.
Pode ter tido menos fortuna e reconhecimento, se comparado a esses homens que mudaram o mapa do mundo, mas não lhe faltou sorte. Seu jogo de cintura, aliado a sinais da cruz, um grilo e um temporal, lhe permitiram escapar da morte diversas vezes, vivendo o suficiente para eternizar sua história singular.
Neto de um grande guerreiro, o fidalgo espanhol deixou sua casa em Jerez de la Frontera quando adolescente, para se tornar soldado profissional. Lutou na Itália e foi gravemente ferido. Recuperado, serviu como camareiro de um duque e envolveu-se em incidentes picantes. Depois de lutar contra um movimento rebelde, embarcou rumo à Flórida, na condição de tesoureiro real. Foi o início de uma odisseia.
A história é mesmo surpreendente: Cabeza de Vaca sobreviveu a três naufrágios, curou centenas de índios, atravessou, nu e desclaço, parte dos atuais Estados Unidos e México, voltou à Espanha e obteve um cargo como recompensa por suas desditas.
Depois de nova viagem, tomou posse de Santa Catarina, na condição de seu primeiro governador. Mas não sossegou: atravessou a pé o território brasileiro, chegando a Assunção. Dali, partiu novamente em busca de uma serra misteriosa, feita de prata, até ser imobilizado pela malária num pequeno forte no meio do nada.
Ao retornar à cidade, foi deposto por seus opositores. Passou quase um ano numa cela úmida e voltou para casa como traidor e prisioneiro, quando um terrível temporal mudou sua sorte mais uma vez.
Para reconstituir essa história fantástica, Paulo Markun cotejou a obra autobiográfica de Cabeza de Vaca com os depoimentos de mais de uma centena de testemunhas ouvidas em vários processos judiciais na Espanha. Confirmando ou desmentindo as afirmações do protagonista e de seu secretário particular nos Naufrágios e Comentários - obra pioneira da literatura de viagens -, o autor recupera a saga desse conquistador cuja vida atribulada e cercada pelo mito é ainda larga e injustamente ignorada.

Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2009 O sortudo e intrépido Cabeza de Vaca
Lendário aventureiro espanhol, presença misteriosa nos livros de História, tem sua saga incrível recontada por Paulo Markun
Jotabê Medeiros
O 12º livro do escritor e jornalista Paulo Markun trata de um personagem meio lenda meio fato histórico, o aventureiro e fidalgo espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, que viveu possivelmente entre 1485 e 1559 e cujo currículo inclui as seguintes credenciais: soldado, náufrago, escravo, comerciante, camareiro, curandeiro, governador, prisioneiro, escritor. Foi tesoureiro real na Flórida, nos Estados Unidos, e tornou-se o primeiro governador de Santa Catarina.
O misterioso Cabeza de Vaca é descrito por Markun (atual presidente da Fundação Padre Anchieta) como tão intrépido, ousado e persistente quanto Colombo, Pizarro ou Fernão de Magalhães. A Incrível Trajetória de Dom Álvar Núñez Cabeza de Vaca pelas Américas e Revelações Inéditas sobre Seu Julgamento será lançado hoje, com a presença do autor, na Saraiva Megastore do Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo.
Em Aguirre, A Cólera de Deus, de Werner Herzog, filme de 1972, o cineasta narra a lendária expedição de Pizarro em busca de El Dorado. Herzog se detém menos no aspecto histórico e busca evidenciar os efeitos mentais e emocionais sofridos por homens em situações-limite. O sr. busca um mote filosófico nos magníficos fracassos do seu biografado?
Não sou filósofo, nem acadêmico. Procurei apenas cotejar as afirmações do próprio Cabeza de Vaca e as de seu secretário particular e ghost-writer, Pero Hernández, com declarações de testemunhas ouvidas nos vários processos e probanzas (interrogatórios encomendados com a intenção de se provar determinada tese). Aqui e acolá, acrescentei raciocínios de pesquisadores do tema e eles se dividem em dois times, um a favor, outro contra Cabeza de Vaca. Procurei fugir desse jogo.
Sobre Cabeza de Vaca, García Márquez, Nobel de Literatura de 1982, disse que "aqui nas Américas os artistas não precisam inventar muito; ao contrário, o desafio é tornar verossímil a realidade". Mas pode-se confiar nos relatos de um homem que inventou quatro versões diferentes de suas aventuras?
Não existem muitas fontes disponíveis mais de quatro séculos depois. Há os documentos dos processos , e os apresentados pelos inimigos de Cabeza de Vaca são em maior número. Existem também pesquisas arqueológicas e antropológicas que confirmam muitas passagens dos Naufrágios, o livro que Cabeza de Vaca escreveu sobre suas experiências na América do Norte. Sua pergunta inclui a expressão "inventou". Pergunto: como podemos saber se ele inventou pura e simplesmente suas aventuras na América do Norte? Acho que como muitos de nós, jornalistas, ele deu é um acabamento para sua história. Certamente, para valorizar seus feitos. No caso dos Comentários, que tratam de sua passagem pela América do Sul, Pero Hernández, ou Cabeza de Vaca por trás do secretário particular, exagerou na dose.
Muitas versões sempre tingem as histórias dos grandes aventureiros do século 16. O sr. acredita que Cabeza de Vaca foi uma espécie de Forrest Gump das grandes navegações?
Não sei se esse tipo de metáfora procede. Quando comecei a pesquisa, acreditava que Cabeza de Vaca era, como diz Henry Miller, "um dos poucos homens deste grande hemisfério que agiu sempre sob estes princípios de fé" (caridade, amor, tolerância e indulgência, humildade, perdão, relaciona o autor de Sexus, Nexus, Plexus e Trópico de Câncer). Quase 10 anos depois, sei um pouco mais sobre ele, e tenho menos crenças.
Personagens secundários dão cor à epopéia, como Bofes de Bagaço, o navegador português João Dias de Solis, comido por índios no estuário dos Rios Uruguai e Paraná. O sr. teve de "escavá-los" ou eles naturalmente surgiram durante a investigação?
Os nomes citados são de personagens relevantes na história da conquista do Rio da Prata e são encontrados facilmente na literatura. Muito mais interessantes me parecem o banqueiro Jakob Fugger, Cristovão de Haro, o cristão novo que circulou entre Espanha e Portugal, como investidor ou testa de ferro de grandes financistas ou Gonçalo da Costa, piloto que viajou diversas vezes para a região e de quem quase nada sabemos. Sem falar no duque mentecapto e impotente a quem Cabeza de Vaca serviu como camareiro.
Em 10 anos, o sr. conta que "mudou muito a avaliação do autor em relação a Cabeza de Vaca", cujos planos para outro modelo de conquista mais humano teriam sido destruídos pela ganância dos subordinados. Chegou mesmo a acreditar que Cabeza de Vaca havia construído em sua mente uma espécie de utopia particular?
Cabeza de Vaca viveu na Espanha influenciada pelas ideias do frei Bartolomé de las Casas. Supõe-se, até, que eles tenham se encontrado. Há mais de uma tese de doutorado, que custou anos de pesquisa a professores com titulação respeitável, apontando nessa direção. No outro campo, existem estudiosos em menor número, mas não menos titulados, para quem Cabeza de Vaca foi um enganador. Costumo seguir uma regrinha elementar do jornalismo: antes de concluir, investigue.
Ele foi um dos primeiros autores bem-sucedidos das sagas das navegações?
Não. O livro dele vendeu pouco e passou décadas fora de catálogo, se é que a expressão se aplica ao século 16. Best-sellers foram Colombo, Marco Polo e Américo Vespúcio.
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Uma das maiores aventuras dos últimos séculos foi a viagem a pé de um Espanhol pelas Américas, percorrendo 1.500 km. (a pé – lembre-se) durante oito anos, entre 1528 e 1530.Foi o primeiro Europeu a ver as Cataratas do Iguaçu, e o primeiro Governador do Paraguai. Percorreu a pé os atuais estados americanos do Arkansas, Colorado, Novo México, Arizona e Califórnia e boa parte do México, até finalmente voltar à civilização.
E ele não era o comandante de uma frota, nem um militar, nem explorador, nem “Conquistador”.
Era o Contador do navio. O Tesoureiro, incumbido das despesas e da contabilidade.
Mas tinha uma tenacidade incrível, e sabia se adaptar às surpresas da vida.
Ele era neto por parte de pai de Pedro de Vera, Conquistador das Ilhas Canárias. O seu sobrenome materno, que ele usava, era Cabeça de Vaca, grafado assim, em Português (ou Gallego). Esse sobrenome foi uma honra concedida pelo Rei de Navarra a um de seus ancestrais, que guiou o rei e seu exército por uma passagem secreta através das montanhas para derrotar um exército Mouro.
A passagem pelas montanhas estava sinalizada por uma cabeça de vaca. O rei, em reconhecimento pelos serviços do guia, deu-lhe o sobrenome de Cabeça de Vaca.
Alvar Nuñez Cabeça de Vaca foi um dos quatro sobreviventes da expedição que descobriu a Flórida, comandada por Pánfilo Narvaez. Os outros três sobreviventes da expedição foram Alonzo del Castillo Maldonado de Salamanca, Estevanico, um escravo Mouro Africano nascido em Açamor (Marrocos) e Andrés Dorantes de Béjar.
Alvar Nuñez Cabeça de Vaca foi um dos quatro sobreviventes da expedição que descobriu a Flórida, comandada por Pánfilo Narvaez. Os outros três sobreviventes da expedição foram Alonzo del Castillo Maldonado de Salamanca, Estevanico, um escravo Mouro Africano nascido em Açamor (Marrocos) e Andrés Dorantes de Béjar.
Pánfilo Narvaez obteve do Rei de Espanha o direito de conquistar e colonizar as terras entre a Florida e o Rio de las Palmas na costa leste do México. A expedição com 600 soldados e colonos partiu da Espanha em cinco naves em Junho de 1527. Cabeza de Vaca foi nomeado Tesoureiro pelo Rei de Espanha.
A frota fez uma parada de 45 dias na ilha de Santo Domingo para se reabastecer. Mais de 140 membros da expedição desertaram nessa parada e resolveram ficar na ilha. A próxima parada foi em Cuba onde duas das cinco naus e sessenta homens pereceram em um furacão. Pánfilo Narvaez comprou mais naus e recrutou homens e cavalos, mas a expedição ficou reduzida a 400 homens apenas, em lugar dos 600 que haviam saído de Espanha. Ao sair de Cuba as naus foram levadas por uma forte tempestade até a Florida. A reduzida expedição chegou à Florida onde hoje é Tampa Bay.
Nessa altura as deficiências de Pánfilo Narvaez como líder tornaram-se críticas. Ele queria que a maioria dos homens desembarcassem e que apenas uma das naus fosse enviada para explorar a costa e descobrir um porto que o piloto acreditava existir. Cabeza de Vaca insistiu que os soldados não deveriam deixar as naus até que essas estivessem seguras em um porto e argumentou que na floresta, se a expedição se dividisse, jamais se juntaria de novo. Pánfilo Narvaez insistiu e fez valer sua decisão.
Trezentos homens desembarcaram em Tampa Bay naquele dia de 1528 e apenas quatro sobreviveram, regressando à civilização oito anos depois e milhares de quilômetros percorridos a pé, chegando finalmente à costa oeste do México onde hoje é o estado de Sinaloa.
O raio de exploração dos soldados que desembarcaram em Tampa Bay era bem limitado, já que deviam ficar próximos dos navios. Pánfilo Narvaez concebeu um plano de fazer os navios se deslocarem ao longo da costa em busca de um porto e os soldados e cavalaria iriam por terra tentando acompanhar as naus ao largo. Cabeza de Vaca poderia ter ficado embarcado, mas posteriormente escreveu em sua narrativa da aventura que o dever e a honra exigiam que se juntasse ao restante da força em terra.
Logo os soldados em terra perderam o rumo em relação ao mar e pequenos grupos tiveram de ser enviados em busca do mar e dos navios. Tinham de subsistir com os mantimentos trazidos dos navios, já que não encontravam comida em terra. Os nativos lhes deram algum alimento, principalmente milho, mas não suficiente para sustentar todos os 300 homens.
A partir daí os espanhóis se puseram a caminho, e tomaram a aldeia dos Apalachee, depois a de Aute. A essa altura muitos já estavam abatidos, cansados e doentes. Não havia cavalos suficientes para todos que necessitavam.
Finalmente chegaram ao mar e começaram a construir barcos para levá-los ao longo da costa até Nova Espanha. A construção dos barcos, na verdade jangadas, foi difícil já que não tinham nem ferramentas nem a experiência necessárias. Mas improvisaram. Construíram um fole para a fornalha com bambus e peles de animais. Todos os objetos de metal foram derretidos para fazer pregos. As camisas dos homens serviram para fazer velas. Os cavalos foram mortos e devorados. Seu couro foi usado para fazer, entre outras coisas, depósitos de água para a viagem. Chamaram o lugar em que estavam de Baía dos Cavalos.
Construíram cinco barcos. Cada um levava quase cinqüenta homens, o que era bem mais do que a embarcação poderia suportar. Logo acabou a comida e a água. O couro dos cavalos apodreceu e a água foi perdida. Tempestades os forçaram a abrigar-se em ilhas sem água e chegaram a ficar cinco dias sem qualquer água para beber. Alguns em desespero beberam água do mar, o que foi fatal para eles.
Encontraram nativos próximo da foz de um grande rio, o atual Mississipi. Prosseguiram na caminhada e eventualmente foram capturados por nativos, que os escravizaram. Os espanhóis foram espalhados pelas diversas aldeias. Cabeza de Vaca ficou quase um ano como escravo dos nativos, trabalhando para os índios. Várias vezes ficou dias sem se alimentar, e a única comida só podia ser encontrada a cinco dias de caminhada de onde estava. Finalmente conseguiu escapar e passou a comerciar entre as tribos, trocando produtos entre elas. Ficou entre estas tribos por mais cinco anos.
Durante sua estada entre essas tribos no atual estado do Texas, Cabeza de Vaca soube o ocorrido com os outros barcos e seus sobreviventes. Quando o barco do líder da expedição, o Governador Narvaez, chegou próximo da costa, Narvaez destituiu o segundo em comando e nomeou Pantoja em seu lugar. Pantoja tratava os homens muito mal e esses ficavam revoltados.
Quando o barco chegou à praia alguns dos ocupantes desembarcaram mas Narvaez decidiu ficar. Durante a noite uma forte ventania levou o barco para o alto mar com Narvaez a bordo. Na praia ficaram Esquivel, Pantoja e um oficial superior vindo de Cuba chamado Sotomayor. Sotomayor não suportou o tratamento de Pantoja e atacou-o, matando-o. O grupo ficou sem comida e quando um deles morria os outros o devoravam. Finalmente restaram apenas Esquivel e Sotomayor. Esquivel foi o último, devorou Sotomayor. Mais tarde os nativos encontraram Esquivel e o aprisionaram. Pouco depois os nativos mataram-no.
Restavam apenas quatro, da expediçao inicial. Castillo, Dorantes, Estebanico e Cabeza de Vaca. Finalmente os quatro conseguiram escapar dos nativos e da escravidão.
A esta altura Cabeza de Vaca havia aprendido a falar várias línguas nativas. Os quatro eram considerados como curandeiros pelos índios, e durante algum tempo viveram entre tribos amigas praticando curas e medicina improvisada.
Pouco tempo depois prosseguiram, cruzando o Texas e entrando no norte do México. Finalmente chegaram a Culiacan em 1536, onde hoje é o estado mexicano de Sinaloa. Após um período de descanso e recuperação em Culiacan, Cabeza de Vaca e os outros três foram para Guadalajara e de lá para a Cidade do México, de volta à civilização.
Cabeza de Vaca voltou à Espanha a fim de conseguir do rei sua nomeação como líder de uma expedição para converter os nativos sem violência, usando sua experiência durante aqueles anos todos. Mas o rei havia nomeado Hernan de Soto para a expedição seguinte. De Soto convidou-o para participar da expedição, mas Cabeza de Vaca recusou.
De volta à Espanha, foi nomeado governador do Paraguai em 1542. Numa escala da viagem, em Santa Catarina, soube pelos índios da existência de um caminho até Assunção. Enquanto sua frota prosseguia viagem, ele seguiu por terra numa jornada de 1500 quilômetros que durou dois anos. No caminho descobriu as Cataratas de Iguaçu – foi o primeiro europeu a ver as magníficas quedas.
Em Assunção, defendeu a liberdade dos índios, com os quais os espanhóis deveriam apenas comerciar. Em pouco tempo, os armazéns da vila estavam lotados. Montou uma expedição para chegar até os incas subindo o rio Paraguai, mas acabou se perdendo no Pantanal. De volta a Assunção, foi destituído pelos colonos. Enviado à Espanha, foi deportado para a África. Em 1555, publicou o livro Relación y comentários, relatando suas aventuras.
Entre seu retorno à Espanha e a partida para Asunción, escreveu um detalhado relato de suas aventuras, com o titulo de Relación. Nele descrevia não só suas peripécias, mas a fauna, flora, costumes dos nativos.
Voltou finalmente à Espanha, onde faleceu por volta de 1560. Ao contrário da cultura espanhola e européia da época, que considerava os índios como não-humanos, ele sempre defendeu uma atitude e um comportamento de respeito e consideração pelo povo e pela cultura nativa.
O documentário chama-se Conquistadors e é apresentado por Michael Woods, em quatro partes - A queda dos Aztecas, A Conquista dos Incas, A Busca do El Dorado, e Todo o Mundo é Humano (a história de Cabeza de Vaca está neste último episódio).


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