
Mas o que vimos nesta última semana parece ter muito mais em comum com os acontecimentos de cinqüenta e seis anos atrás, e não com os de trinta.
Em 1953, o governo dos Estados Unidos, a pedido da Grã-Bretanha, encarregou dois operadores da CIA, Kermit Roosevelt, Jr. e Donald Wilber de derrubar o governo democráticamente eleito do Irã, a fim de terminar o processo de nacionalização do petróleo pelo Primeiro-Ministro Mohammed Mossadegh. Este nacionalismo "escandalizou os britânicos, que tinham "comprado" o direito exclusivo de explorar o petróleo Iraniano do corrupto Xá, e também os americanos, que temiam que permitir a nacionalização no Irã incentivaria a esquerda em todo o mundo." O golpe de Estado, que foi executado em apenas três semanas, foi realizada em uma série de etapas. Em primeiro lugar, membros do Parlamento Iraniano e líderes dos partidos políticos foram subornados para se opor a Mossadegh públicamente, fazendo assim o governo parecer fragmentado e não unificado. Proprietários de jornais, editores, colunistas e repórteres foram comprados, a fim de espalhar mentiras e propaganda contra o Primeiro-Ministro.
Além disso, autoridades religiosas, influentes empresários, membros da polícia, forças de segurança, e militares foram também subornados. Roosevelt contratou líderes das gangues de rua em Teerã, usando-os para ajudar a criar a impressão de que o Estado de Direito havia se desintegrado totalmente no Irã e que o governo não tinha controle sobre sua população. Stephen Kinzer, jornalista e autor de Todos os Homens do Xá (All the Sha's Men) conta que uma vez, [Roosevelt] contratou uma gangue para correr pelas ruas de Teerã, surrando qualquer pedestre que encontrassem, quebrando vitrines, disparando suas armas em mesquitas, e gritando, "Nós amamos Mossadegh e o comunismo." Isto naturalmente iria colocar qualquer cidadão decente contra ele ". Em um golpe de gênio manipulador, Roosevelt, em seguida, contratou uma segunda multidão para atacar a primeira, dando assim ao povo Iraniano a impressão de que não havia presença policial e que a sociedade civil havia se desintegrado no caos total, com o governo totalmente incapaz de restabelecer a ordem. Kinzer conta:
Eles saiam destruindo tudo pelas ruas em dezenas de milhares. Muitos deles, acho, nunca souberam nem entenderam que estavam sendo pagos pela CIA. Só sabiam que tinham sido pagos por um dia de trabalho para ir para as ruas e gritar slogans.Muitos políticos incentivavam as multidões durante esses dias ...Começaram a invadir e vandalizar prédios do governo.Houve trocas de tiros em frente de edifícios importantes.
Quando terminou tudo, o Primeiro Ministro Mossadegh havia sido deposto e um golpe militar trouxe de volta a monarquia no Irã, instalando Mohammed Reza Pahlevi, totalmente pró-Ocidente, no trono do Pavão.A brutal e tirânica ditadura do Xá - implantada, apoiada e financiada pelos Estados Unidos - durou 26 anos. Em 1979 o povo Iraniano devolveu o favor.
Então o que estamos vendo acontecer no Irã esta última semana?
Considerando que há muito poucas provas de qualquer fraude ou de manipulação de urnas na recente reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o movimento popular que temos visto nas ruas de Teerã e em outras cidades está sendo tratado pela mídia americana como uma espécie de nova revolução; um esforço enérgico, vindo das bases, e espontâneo a fim de derrubar os líderes da Revolução Islâmica e colocar em seu lugar uma "democracia" secular, pró-Ocidente.
No entanto, há muitas evidências que sugerem que embora existam certamente milhares de sinceros e comprometidos ativistas e participantes nos protestos recentes, o que estamos vendo pode muito bem ser a etapa culminante de vários anos de infiltração Americana e de manipulação das estruturas e do público do Irã pelos Estados Unidos.
Já em 2005, o governo dos Estados Unidos já financiava grupos que designava de organizações terroristas para que realizassem ataques violentos dentro do Irã a fim de desestabilizar o governo Iraniano. Em 2007,a ABC News relatou que George W. Bush assinou uma "Ordem Presidencial", que autorizou a CIA a montar uma operação "Negra" clandestina para desestabilizar o governo Iraniano.Estas operações, de acordo com funcionários da área de inteligência tanto da ativa como aposentados, incluíam "uma campanha coordenada de transmissões de rádio e TV, plantar artigos de jornais com teor negativo, e a manipulação de moeda e das transações bancárias do Irã.
Em maio do mesmo ano, o jornal Telegraph publicou reportagem dizendo que o radical de conservador John Bolton, membro da administração Bush havia revelado que um ataque militar americano sobre o Irã seria "uma" última opção" após as sanções econômicas e as tentativas de fomentar uma revolução popular terem falhado."Duas semanas mais tarde, o Telegraph verificou de forma independente a notícia da ABC, dizendo que, "Mr. Bush assinou um documento oficial da CIA aprovando planos para uma campanha de propaganda e de desinformação com a finalidade de desestabilizar, e eventualmente derrubar, o regime teocrático dos mulás.
Daniel McAdams conta que, naquela época, "o presidente se reuniu com o Conselho Secreto do Congresso, o "bando dos 8" dos líderes da Câmara e Senado, e foi autorizado a usar U.S.$ 400 milhões entre outras coisas, segundo o Washington Post, em "atividades que vão desde a espionagem do programa nuclear do Irã até o apoio a grupos rebeldes que se opõem aos religiosos que governam o país..."
Mais tarde, no início de Maio de 2008, Andrew Cockburn revelava na revista Counterpunch que "Seis semanas atrás, o presidente Bush assinou uma diretriz secreta autorizando uma ofensiva clandestina contra o regime do Irã, que, segundo as pessoas que tiveram acesso ao seu conteúdo, era "sem precedentes" em seu escopo.
"A diretriz secreta de Bush abrange uma grande área geográfica - do Líbano até o Afeganistão - mas é também muito mais ampla quanto ao tipo de ações que permite serem tomadas - incluindo até o assassinato de membros do governo.Este escopo mais amplo autoriza, por exemplo, fornecer apoio total ao braço armado dos Mujahedin-e Khalq, o culto Iraniano de oposição, apesar de este grupo estar na lista de grupos terroristas do Departamento de Estado.
Da mesma forma, o fundos secretos podem agora ser destinados sem restrição ao Jundullah, ou exército de Deus,"um grupo Sunita militante no Baluquistão Iraniano - que atua junto à fronteira Afgã - cujo líder apareceu há pouco tempo no programa de TV Dan Rather Report cortando o pescoço do próprio cunhado.
Outros elementos que irão se beneficiar da generosidade e da assessoria dos americanos incluem os nacionalistas Kurdos Iranianos, bem como os Árabes Afaze do sudoeste do país.
Da mesma forma, o fundos secretos podem agora ser destinados sem restrição ao Jundullah, ou exército de Deus,"um grupo Sunita militante no Baluquistão Iraniano - que atua junto à fronteira Afgã - cujo líder apareceu há pouco tempo no programa de TV Dan Rather Report cortando o pescoço do próprio cunhado.
Outros elementos que irão se beneficiar da generosidade e da assessoria dos americanos incluem os nacionalistas Kurdos Iranianos, bem como os Árabes Afaze do sudoeste do país.
Evidentemente os funcionários americanos negaram qualquer "financiamento direto" do Jundallah, mas admitiram contatos regulares desde 2005 com o seu líder and el Malik Regi, cujo envolvimento no tráfico de heroína do Afeganistão é amplamente conhecido.As remessas teriam sido canalizadas através de exilados Iranianos com conexões na Europa e nos Emirados do Golfo.
Além disso, em 29 de junho de 2008, Seymour Hersh na revista New Yorker confirmou todos estes fatos, escrevendo, "No final do ano passado, o Congresso aprovou um pedido do Presidente Bush no sentido de custear uma grande escalada nas operações clandestinas contra o Irã, segundo fontes militares da ativa e da reserva, do setor de inteligência e do Congresso.Estas operações, para as quais o presidente solicitou até quatrocentos milhões de dólares, foram descritas em uma Diretriz Presidencial assinada por Bush, e se destinam a desestabilizar a liderança religiosa do país ". Entre as atividades citadas por Hersh estavam "obtenção de inteligência sobre o aparente programa de armas nucleares do Irã", "sabotar as ambições nucleares do Irã" e "tentar subverter o governo através de uma mudança de regime, trabalhando com grupos de oposição e enviando-lhes dinheiro."
Mas a campanha dos Estados Unidos contra o Irã não parou com a posse do Presidente Obama. Não há evidência para concluir que os US $ 400 milhões de dólares que Bush designou tenham sido usados de forma diferente (como, por exemplo, financiar escolas públicas ou o sistema de saúde.) No início de Junho de 2008, Justin Raimondo na revista Antiwar escreveu, "Obama, com seus acenos de paz (ao Irã) serve como o disfarce amistoso para ocultar atividades repugnantes. O governo dos Estados Unidos afirma que está lutando contra o terrorismo, e no entanto está patrocinando grupos que colocam bombas em mesquitas, seqüestram turistas e policiais Iranianos, e que financiam suas atividades com o tráfico de drogas, além de subsídios secretos dos Estados Unidos, cortesia dos contribuintes americanos. " Ele prossegue,
"O que está acontecendo no Irã hoje - uma campanha de terrorismo permanente dirigida tanto contra civis como instalações do governo - é a prova clara de que nada realmente mudou em Washington, pelo menos no que se refere à política americana em relação ao Irã.Estamos em rota de colisão com Teerã, e os dois lados sabem disso.A atitude pública de Obama em "estender a mão" aos Iranianos é uma fraude e proporções épicas.Embora seja verdade que nossos ataques terroristas clandestinos contra o Irã tenham sido iniciados no governo Bush, no governo Obama não está havendo nenhuma redução deste tipo de incidentes; na verdade estão até aumentando em freqüência e gravidade.
Poucos dias antes da eleição Iraniana, um atacante suicida matou pelo menos 25 pessoas e feriu mais 125, dentro de uma importante mesquita Xiitas na cidade de Zahedan, na provincia de Sistan-Baluquistão, no sudeste do país. O grupo rebelde sunita, Jundallah, ligado aos Estados Unidos, assumiu a responsabilidade pela explosão, que foi imediatamente seguida por ataques a bancos, instalações de tratamento de água, e outras pontos chave instalações de Zahedan, incluindo um ataque contra a sede local da campanha do Presidente Iraniano Mahmoud Ahmadinejad.No ano passado, Jundallah (que pretende estabelecer um Estado islâmico balúchi no sudeste do Irã e partes do Paquistão e que tem entre seus fundadores Khalid Sheikh Mohammed, famoso por ter sido torturado com simulação de afogamento e membro da Al Qaeda) seqüestrou 16 policiais Iranianos e gravou em vídeo sua execução.Também houve recentemente uma tentativa de explodir com uma bomba um avião Iraniano, que decolou da cidade de Ahvaz, no sudoeste da fronteira Iraquiana, e que tem uma grande população árabe. Estes acontecimentos recentes compõem o que Raimondo descreve como "uma insurgência em pequena escala" acontecendo nas províncias do sul do Irã.
Tanto a Casa Branca como o Departamento de Estado denunciaram imediatamente estes ataques e negaram qualquer envolvimento com o que eles chamaram "recentes ataques terroristas no interior do Irã". Além disso, houve relatos de que o governo Obama estava cogitando em colocar a Jundallah na lista de organizações terroristas do Departamento de Estado.No entanto,observa o analista Steve Weissman, "a administração de repente retrocedeu quanto a usar a designação de terrorismo ou de indicar que iria suspender com a campanha de desestabilização.
(Aliás, uma das duas únicas províncias do Irã que se colocaram a favor de Mousavi na última sexta-feira foi o Sistan-Baluquistão e multidões com cerca de 2.000 pessoas tomaram as ruas em Ahvaz desde as eleições.)
O apoio à Jundallah - que talvez atendendo uma hábil sugestão de relações públicas vinda do Pentágono, recentemente mudou seu nome para Movimento de Resistência do Povo Iraniano - é apenas das formas pelas quais os Estados Unidos vêm trabalhando no sentido de fomentar uma frente unida anti-Iraniana dentro do país às vésperas das eleições Presidenciais. Assim, segundo os relatos, "os Estados Unidos estão, na verdade, empenhados em uma guerra secreta contra Teerã, uma campanha clandestina destinada a recrutar as minorias étnicas e religiosas - e que chegam a ser a maioria da população em algumas regiões, como na fronteira com o Paquistão, no sudeste - em um movimento destinado a derrubar o governo de Teerã, ou, pelo menos, criar uma tal instabilidade que a intervenção americana "a fim de manter a ordem" se justifique.
Ken Timmerman, diretor executivo da Fundação direitista Foundation for Democracy in Iran, que é o Serviço Persa da Voz da América (VOA), "contou tudo sobre as atividades do outro lado das atividades intervencionistas americanas no exterior, chamada National Endowment for Democracy (Fundação de Apoio à Democracia)," diz McAdams. Timmerman aparentemente declarou que "existe um boato de uma "revolução verde em Teerã," o que levou McAdams a "imaginar de onde estes "boatos" estariam vindo. Timmerman, não parecia estar escrevendo a partir do Irã.McAdams prossegue,
Timmerman continua, com admirável franqueza e honestidade:
"A National Endowment for Democracy já gastou milhões de dólares durante a última década promovendo revoluções "coloridas" em lugares como a Ucrânia e a Sérvia, treinando operadores políticos em técnicas modernas de comunicação e organização.
"Uma parte deste dinheiro parece ter ido parar nas mãos de grupos pró-Mousavi, que têm ligações com ONGs fora do Irã que a National Endowment financia."
Ok, você pensa, mas o que um propagandista fervoroso como Timmerman sabe destas coisas?Bem, ele têm de saber!Sua misteriosa Fundação para a Democracia no Irã está com o focinho enfiado na lama das "ações clandestinas abertas" da NED contra o governo Iraniano.
Como é que a "Fundação para a Democracia no Irã" pretende "promover a democracia" no Irã com nossos impostos"O co-fundador da Fundação Joshua Muravchik nos dá uma pista com o título sutil que escolheu para um artigo seu no Los Angeles Times, "Bombardeiem o Irã."
Além disso, Weissman chama a atenção para a tortuosa sinceridade de Timmerman: "Notem que isso vem de um crítico de direita que conhece pessoalmente a comunidade expatriada Iraniana," diz ele. "É impossível saber quanto dinheiro do governo foi para estes grupos, pois o Congresso propositadamente isentou o National Endowment for Democracy de divulgar quanto gasta do dinheiro do contribuinte."
Ainda mais recentemente, o comentarista Stephen Lendman informou que General Reformado do Paquistão Mirza Aslam Beig declarou à Radio Pasto no dia 15 de junho que informes "indiscutíveis" provam a interferência da CIA nos assuntos internos do Irã. "Os documentos provam que a CIA gastou US$400 milhões no interior do Irã para provocar uma revolução colorida e vazia, logo após as eleições" e fomentar uma mudança para um regime pró-Ocidente.
Então, estamos finalmente vendo o resultado dos US$ 400 milhões no Irã?
Há muitas pistas que revelam como os protestos de rua no Irã que vimos diariamente no noticiário talvez não sejam o que nos dizem as autoridades ocidentais.Sem dúvida, o grande número de manifestantes é impressionante e qualquer pessoa que ache que houve uma injustiça certamente deve ir para a rua - sem ser sujeita à brutalidade policial - porém uma boa parte do que vimos e ouvimos nas últimas duas semanas mostra sinais de orquestração e tem as marcas digitais de manipulação de fora.
Muitos dos manifestantes que vimos são jovens bem vestidos e ocidentalizados em Teerã com placas escritas em inglês, com frases do tipo "Onde está meu voto?" e outros slogans semelhantes em Inglês. Se os jovens eleitores do Irã estavam trazendo suas reivindicações ao seu próprio governo, porque não estavam usando a língua persa? Manifestantes vistos nos vídeos do YouTube e entrevistados pela televisão americana também falam um Inglês perfeito. Uma primeira mensagem recebida através de uma rede social da Internet local após as eleições, enviada para o National Iranian American Council e posteriormente divulgada pela mídia americana, veio (supostamente) de um Iraniano em Teerã.
Dizia:
"Estou em Teerã. São 3:40 da manhã. Consegui me conectar na rede (enganando o filtro de mensagens do governo).Está uma enorme confusão aqui.As pessoas estão gritando de suas casas - "morte ao ditador". Estão montando um governo militar.Ninguém se atreve a sair. Ninguém viu Mousavi hoje. Os boatos dizem que eles prenderam ele. Eu não tenho um e-mail, mas entrarei em contato com você novamente.
Socorro."
A idéia de que um Iraniano, ciente da longa história de ingerência dos Estados Unidos nos assuntos Iranianos, pedindo socorro a um público americano, é, no mínimo, dúbia.
(O mesmo deve sem dúvida ser dito sobre uma recente artigo publicado na página de OpEd do New York Times supostamente escrito por "um estudante em Teerã." O artigo, claramente tentando mobilizar os leitores americanos a apoiarem firmemente os protestos pró-Mousavi contra o governo Iraniano, é quase surreal. Nele, o autor - curiosamente chamado "Shane M." que é talvez o nome menos Iraniano que já existiu - nega a precisão de pesquisas de opinião feitas antes da eleição dizendo "não vamos esconder os resultados com números que, como bagels (rosquinhas típicas de New York) estavam passadas na semana seguinte." Mais adiante, ele descreve uma cena das comemorações de rua pró-Mousavi em Teerã, incluindo esta observação: "Uma jovem estava pendurada em um carro bem ao estilo The Dukes of Hazzard (Os Gatões no Brasil, foi uma série exibida originalmente de 1979 a 1984 nos EUA.)" A probabilidade de que um "estudante Iraniano" se referisse casualmente a bagels e à serie de TV Dukes of Hazzard me parece remota, mas estes itens seriam bem familiares para vários agentes da CIA).
Quanto à alegação generalizada, publicada em quase todos os grandes jornais,de que Mousavi havia desaparecido, preso, ou colocado sob prisão domiciliar, obviamente não era verdade, considerando que no dia seguinte Mousavi discursou para uma multidão de dezenas de milhares no meio de Teerã em cima do teto de seu carro.
Além disso, as palavras de ordem que ouvimos de "morte ao ditador, morte a Ahmadinejad" não fazem muito sentido vindos de cidadãos Iranianos. Como salienta Craig Roberts, "Todos os Iranianos sabem que o Presidente do Irã é uma figura pública com poderes limitados. Sua principal função é a de levar pancada e evitar que as criticas se dirijam ao Supremo Aiatolá que realmente governa.Nenhum Iraniano, e nem um ocidental bem informado, poderia jamais crer que Ahmadinejad é um ditador. Mesmo o chefe de Ahmadinejad, Khamenei, não é um ditador, pois é nomeado por uma assembléia de notáveis que pode remo como ele é nomeado por um organismo governamental que pode destituí-lo" . Roberts prossegue,
Os protestos, como os de 1953, são destinados a desacreditar o Governo Iraniano e deixar claro para a opinião Ocidental que o governo é um regime repressivo que não tem o apoio do povo Iraniano. Essa manipulação da opinião configura o Irã como um outro Iraque governado por um ditador que deve ser derrubado por meio de sanções ou de uma invasão.
Os primeiros relatos das passeatas em Teerã revelaram que manifestantes pró-Mousavi estavam jogando pedras na polícia e forças de segurança Iranianas, bem como queimando motos da polícia, ônibus urbanos, e até mesmo prédios privadas e governamentais. Em contrapartida, também ouvimos noticias sobre a polícia anti-motim batendo em manifestantes, canhões de gás e de água sendo utilizados contra multidões, e grupos paramilitares Basiji abrindo fogo sobre manifestantes pacíficos. Apesar de funcionários Iranianos haverem culpado as recentes violências de rua sobre os partidários de Mousavi e os participantes das passeatas culparem gangues pró-governo, acusando-as de criar incidentes a fim de justificar uma maior repressão dos dissidentes, a verdade pode ser ainda mais sinistra. Como disse à Newsweek um partidário de Mousavi, que participou de todas as passeatas desta semana, "Acho que pequenos grupos terroristas e gangues criminosas estão se aproveitando da situação." Dinheiro americano bem gasto, talvez.
De acordo com os serviços nacionais de inteligência, foi descoberto um grupo de terroristas ligados aos Estados Unidos que tinha planejado explodir vinte bombas em Teerã. Mesmo assim, uma bomba explodiu próximo ao panteão do fundador da revolução Iraniana, Aiatolá Ruhollah Khomeini, matando uma pessoa e ferindo duas.
Apesar do aumento da violência na semana passada, Khamenei tem sempre diferenciado entre o que considera como grupos rebeldes e não-políticos e os " admiradores eleitorais e partidários" de Mousavi.Ele declarou que "aqueles que devastam os bens públicos e privados pertencentes ao povo estão perpetrando ações políticas sem qualquer finalidade política" e conclamou os candidatos presidenciais a usarem "meios legais" para levantarem suas queixas. Khamenei afirmou, "o destino das eleições será decididas no voto, não nas manobras de rua."
Funcionários do governo Iraniano estão bem conscientes, e com razão desconfiados, de interferência estrangeira nos seus assuntos domésticos. Ali Larijani, o pragmático, moderado conservador presidente do Parlamento e freqüente adversário de Ahmadinejad, disse recentemente em um discurso televisado ao vivo, "aqueles que sob a máscara de adeptos políticos de um movimento ou candidato causar prejuízo ah propriedade pública ou paralisar a vida quotidiana das pessoas comuns, não estão entre os manifestantes que querem os seus votos virtuosamente preservados ", acrescentando que" a liberdade de manifestação deve ser respeitada, e aqueles que são responsáveis pela emissão de autorizações para legitimar os comícios de protesto devem cooperar e emiti-los construtivamente. "
A mídia ocidental certamente não está ajudando.Deve ser lembrado, em primeiro lugar, que tanto a BBC como o New York Times desempenharam papel importante na derrubada do governo em 1953.O livro de Bill Van Auken " The New York Times and Iran: Journalism as State Provocation" (O New York Times e o Irã: o Jornalismo como Provocação de Estado) mostra como o jornalismo é o braço de mídia do estado imperial, incluindo a participação militar direta de um de seus repórteres ligados ah CIA no golpe contra Mossadegh.
Em 1953, o correspondente em Teerã (do New York Times) Kennett Amor, foi não apenas um conduto para a desinformação da CIA, mas também reconheceu sua participação direta no golpe.Ele escreveu posteriormente como deu instruções a uma coluna de tanques do Exercito Iraniano para atacar a casa de Mossadegh.Posteriormente, o Times comemorou o golpe e exigiu apoio incondicional para o regime do Xá.
Sabe-se bem da participação da BBC em liderar a campanha de propaganda britânica, transmitindo a palavra-código ("exactly")que iniciou o golpe propriamente dito. Mesmo o surgimento e a importância dos novos meios de comunicação tem de ser visto criticamente - algo em que os jornalistas ocidentais não são muito bons. A CNN recentemente criou um novo texto de isenção de responsabilidade para todo o material " não verificado" que vem transmitindo 24 horas por dia no esforço de apoiar os manifestantes e contra o governo do Irã.
O "boom do Twitter" foi ate certo ponto preparado por um pequeno grupo de ativistas anti-Ahmadinejad nos Estados Unidos e em Israel. Enquanto as organizações de mídia excitadamente mostra jovens Iranianos usando o Twitter nas ruas de Teerã, é claro que a maior parte desta atividade é de americanos " tweeting" entre si. Ainda assim, o governo americano solicitou ao Tweeter que adiasse uma interrupção programada para manutenção para que o tweeting vindo do Irã pudesse prosseguir sem interrupções. Mas, evidentemente, isto não é intromissão. Alem disso, Caroline McCarthy da CNET News relata que "usuários de todo o mundo estão mudando os dados de localização de seus perfis para Teerã, a capital do Irã, a fim de confundir as autoridades do Irã que possam estar tentando a ferramenta de micro-blogging para rastrear atividades de oposição."Embora eu não tenha certeza sobre a intenção de "confundir" as autoridades Iranianas, tenho certeza de ações como esta servem para exagerar o escopo, o alcance e a importancia das redes sociais e da mídia alternativa na política e no ativismo do Irã.As vozes do povo Iraniano devem, é claro, ser ouvidos e respeitadas -, mas a massa de apoio via twittering provocada por americanos, europeus e israelenses não pode ser considerada como falando em nome do povo Iraniano.
Uma declaração mal colocada do Presidente Obama pode nos dar algum insight. Nos primeiros dias dos protestos pós-eleições, ele declarou: "Não é produtivo, considerando a história das relações entre os Estados Unidos e o Irã, que sejamos percebidos como nos intrometendo nas eleições Iranianas. "
Intromissão americana, Mr. Obama? Nunca! Especialmente considerando que nosso governo é responsável por trinta anos de sanções, operações abertas e clandestinas para enfraquecer um dos poucos países que ousou enfrentar o imperialismo americano mesmo com todos os agressivos esforços para fomentar a divisão e promover mudança de regime.
*****
Não deixe de ler o excepcional artigo de Jeremy R. Hammond no Foreign Policy Journal, com o título "Has the U.S. Played a Role in Fomenting Unrest During Iran’s Election?" (Será que os Estados Unidos tiveram participação nos tumultos durante a eleição do Irã?)
Tradução: Virgilio Freire

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