quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ABBA - Fernando

sábado, 17 de janeiro de 2009

Andrew Wyeth deixa a paisagem americana aos 91 anos




O pintor mais popular dos EUA ficou conhecido pelo realismo de suas telas; ele morreu após breve enfermidade

Antonio Gonçalves Filho, de O Estado de S. Paulo 

Bill Ingraham/AP


SÃO PAULO - Ao morrer, nesta sexta-feira, aos 91 anos, em sua casa de Chadds Ford, Pennsylvania (EUA), após breve enfermidade, o pintor Andrew Wyeth já era uma espécie de monumento nacional americano. 

Tão popular era o realista Wyeth, autor de paisagens rurais de sua região, que Snoopy, o cãozinho criado por Charles M. Schulz, não teve dúvida em substituir uma tela de Van Gogh, queimada num incêndio, por uma do mais popular pintor figurativo de seu país numa de suas tirinhas. Popular, mas visto com maus olhos pelos críticos e historiadores, aliás. 

Eles não hesitam em compará-lo ao ilustrador Norman Rockwell toda vez que se referem ao artista, quando não dizem simplesmente que sua ingenuidade foi tão gritante quanto a de Grandma Moses (1860-1961), pintora popular que vendia suas telas por dois dólares antes de ficar famosa. Exagero. Andrew Wyeth não foi Edward Hopper, mas mereceu análises sérias de pintores como Rothko e exerceu forte influência no imaginário de cineastas como M. Night Shyamalan (especialmente no filme A Vila) e Philip Ridley.

Rothko, por exemplo, observou que Wyeth esteve à beira de um certo estranhamento que poderia ter mudado o rumo da pintura realista americana, não fosse sua resistência em assumir a solidão urbana como o fez Hopper e confrontar a angústia provocada pela desolada paisagem rural americana. Wyeth sempre deu um jeito de encaixar um elemento nessa paisagem, fosse uma casa ou uma garota, que acenasse com certa esperança no fundo da tela, enquanto Hopper preferiu ser o pintor da solidão da urbe. À medida que crescia a celebridade de Andrew Wyeth, menos ele pensava em desafiar o olhar do público, acomodado às suas paisagens bucólicas da Pennsylvania e do Maine, inicialmente feitas em aquarela e têmpera.

Seu único ato de ousadia foi o de criar a série de aquarelas e pinturas conhecida como Helga, em homenagem à vizinha europeia Helga Testorf. Pintada em segredo entre 1971 e 1985, a série de 247 pinturas foi comprada em 1986 pelo milionário americano Leonard E. B. Andrews. Sem o conhecimento do marido da modelo ou da mulher do pintor, ela foi crescendo até que a enfermeira Helga concordasse em tirar a roupa para Wyeth. De qualquer forma, não há nada de erótico nessas pinturas. Helga foi só um pretexto para estudos sobre luz, como foram as garrafas para Morandi. Prova disso são as alterações que fez em seu corpo (numa aquarela, ele a pinta de cabelos escuros para preservar sua identidade), contrariando sua vocação realista.

Wyeth começou a pintar cedo por influência do pai ilustrador. Não frequentou a escola por ser uma criança doente, mas o pai se encarregou de sua formação, colocando em suas mãos poemas de Frost e ensaios de Thoreau sobre a natureza. A música e o cinema fizeram o resto - e as paisagens de Wyeth revelam muito a influência dos filmes de John Ford. Wyeth, que expôs pela primeira vez em 1937, passou ao largo das discussões intelectuais que revolucionaram a arte americana e levaram ao advento do expressionismo abstrato nos anos 1950. Seu olhar denuncia certa nostalgia do mundo rural, incorporando o imaginário pastoral como se fosse um pintor do século 19, um Constable de cores claras e certa inclinação para o transcendentalismo. Nada disso diminui seu valor. Wyeth foi um bom pintor. E bons pintores são difíceis de achar.


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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

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"Estranho... Quanto mais lições damos a eles, menos eles aprendem..."


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How American News Media Works In Favor Of Israel











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Inglaterra comemora 200 anos de Darwin

Patricia Luna Em Londres

As teorias de Charles Darwin revolucionaram nosso conhecimento do mundo e suas ideias assentaram as bases da sociedade e da ciência modernas, pois nos ajudaram a compreender melhor nosso lugar no meio natural. São palavras do presidente do Museu de História Natural de Londres, Oliver Stocken, que explicam por que 2009 será um ano carregado de eventos, especialmente no Reino Unido, para comemorar o 200º aniversário de nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação de "A Origem das Espécies", cujo autor é considerado, ao lado de Newton, o cientista britânico mais importante de todos os tempos.

Com mais de 15 mil visitantes no primeiro mês de funcionamento, muito além das melhores previsões, "Darwin, a Grande Ideia" - a maior exposição organizada em torno da vida e do legado do cientista -, no museu citado, é uma das melhores cartas de apresentação do que será 2009.

Talvez porque a grande comemoração estivesse planejada antes que a crise econômica começasse, talvez porque não há discussão sobre a importância mundial da figura de Darwin, não se pouparam meios nem há organizações entre o longo elenco de instituições britânicas de reconhecido prestígio científico que ficaram à margem.

A Royal Society organizará pelo menos dois congressos científicos; a Universidade de Cambridge reúne em uma página da Internet (http://darwin-online.org.uk) quase toda a abundante bibliografia do autor, e também organiza um festival em julho (informações em www.darwin2009.cam.ac.uk) para divulgar a importância passada e futura da obra de Darwin. A Sociedade Lineana celebrará o aniversário da leitura da Teoria da Evolução pela Seleção Natural, que completou 150 anos em 2007, entregando as medalhas Darwin/Wallace em 12 de fevereiro, dia do aniversário de Darwin, em vez do 1º de julho habitual, e fazendo que o prêmio passe a ser entregue anualmente e não a cada 50 anos.

Down House, a casa na região de Kent onde Darwin viveu e desenvolveu muitas de suas teorias, as estufas em que cultivou orquídeas, os jardins por onde passeou durante os 20 anos em que se questionou se deveria publicar uma ideia que certamente escandalizaria a sociedade, estarão abertos ao público a partir de 3 de fevereiro. Nesse cenário, que espera ser declarado Patrimônio da Humanidade depois de uma longa reabilitação, poderão se realizar alguns dos experimentos que o cientista criou para provar sua teoria.

Também não ficará atrás sua cidade de origem, já que o Festival Shrewsbury Darwin voltará a trazer as ideias de Darwin para a cidade onde ele nasceu e cresceu. Este ano os eventos e as palestras têm a finalidade de divulgar entre o grande público a importância de suas teorias, e para isso reuniram prestigiosos e conhecidos cientistas.

E para completar o panorama, algo que coloca o acontecimento no alto da agenda social britânica: um documentário e séries especiais da BBC, incluindo uma de David Attenborough. Definitivamente, haverá um bocado de Darwin este ano.

"Estamos orgulhosos de que Darwin comunicasse pela primeira vez sua teoria sobre a seleção natural na Sociedade Lineana. Suas idéias têm uma grande clareza e uma incrível atualidade e continuam inspirando pesquisadores e membros de nossa sociedade", declarou seu presidente, David Cutler.

A exposição "Darwin, a Grande Ideia" pretende dar uma visão que une a vida de Darwin como cientista com suas inquietações como ser humano. Por isso, o relato da viagem no navio Beagle durante mais de cinco anos e a exposição de algumas das coleções trazidas somam-se à ambientação perfeita da sala onde ele criou suas teorias e coordenou suas obras, e também seus escritos pessoais. Neles se discute o momento do casamento e a conveniência do mesmo, e mais tarde se vê claramente a preocupação de sua mulher, Emma, porque o trabalho científico de Darwin e suas crenças o afastaram das ideias católicas, o que para ela significava que não poderiam compartilhar a eternidade depois da morte. Ciência e vida que caminham de mãos dadas, porque em poucos casos como este as teorias de um cientista serviram para mudar tanto o conceito do mundo.

Os pássaros que pela primeira vez fizeram Darwin pensar na teoria da evolução pela seleção natural, devido às diferenças entre duas aves de ilhas diferentes, são acompanhados no final da exposição com exemplares da coleção do Museu de História Natural, no qual se pode ver a obra chave de Darwin, "A Origem das Espécies", traduzida para o árabe, hebraico, islandês e braile, entre outros idiomas.

Não se deve esquecer que, como disse o famoso geneticista Theodosios Dobzhansky no início do século, "nada na biologia tem sentido se não for à luz da evolução".


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A Linguagem da Morte



Por Chris Hedges

O ataque a Gaza não é para destruir o Hamas. Não é para acabar com os foguetes sobre Israel. Não é para alcançar a Paz. A decisão Israelense de cobrir de morte e destruição a Faixa de Gaza, de empregar armas mortíferas usadas contra inimigos modernos e bem equipados contra uma população civil indefesa, é a fase final de uma campanha iniciada há décadas para fazer a limpeza étnica dos Palestinos. O ataque a Gaza é para criar guetos famintos, sem lei, e miseráveis, onde a vida dos Palestinos fique no limite da sobrevivência. É para formar enclaves Palestinos onde Israel sempre tenha condições de impedir o movimento de pessoas, alimentos, medicamentos e bens, a fim de perpetuar a miséria. O ataque Israelense em Gaza é para criar o Inferno na Terra.


É o movimento final Israelense para extinguir o Estado Palestino e esmagar ou expulsar o povo Palestino. As imagens de crianças Palestinas mortas, alinhadas como se estivessem dormindo, no chão do principal hospital de Gaza, são uma metáfora para o futuro. Israel irá, a partir de agora, falar aos Palestinos usando a Linguagem da Morte. E a Linguagem da Morte será a única que os Palestinos poderão usar para responder. O massacre – vamos parar de fingir que isto é uma guerra – está fortalecendo uma gama de radicais Islâmicos dentro e fora de Gaza. Está abalando de forma irreversível as frágeis fundações dos corruptos regimes seculares Árabes nas fronteiras de Israel, do Egito à Jordânia, da Síria ao Líbano. Irá criar um novo Oriente Médio, governado por ferozes radicais Islâmicos.

O Hamas irá vencer este conflito independentemente do que ocorrer. Movimentos militantes se alimentam de mártires, e Israel está fornecendo os mutilados e os mortos aos montões. Os combatentes do Hamas, armados com pouco mais do que armas leves, uns poucos foguetes e pequenos morteiros, estão lutando contra uma das mais sofisticadas máquinas militares do planeta. E a resistência firme destes condenados combatentes expõe, por todo o mundo Árabe, a falta de coragem dos ditadores como o do Egito, Hosni Mubarak, que se recusa a abrir a fronteira entre o Egito e Gaza apesar do massacre. Israel, quando bombardeou o Líbano há dois anos, queria destruir o Hezbollah. Quando finalmente se retirou havia aumentado a base de poder do Hezbollah e proporcionado a este um status heróico em todo o mundo Árabe. Israel agora está fazendo o mesmo com o Hamas.

A recusa por parte dos líderes políticos, começando por Barack Obama, e incluindo todos os membros do Congresso dos Estados Unidos, em se pronunciar através da grande mídia em defesa do império da lei e dos direitos humanos fundamentais expõe nossa covardia e nossa hipocrisia. Os que condenam abertamente os crimes de Israel, como Yuri Avnery, Tom Seger, Ilan Pappe, Gideon Levy e Amira Hass, bem como os íntegros Noam Chomsky, Dennis Kucinich, Norman Finkelstein e Richard Falk, são ignorados ou tratados como leprosos. Uma plataforma lhes é negada na imprensa. São práticamente colocados como sem voz. Falk, o Relator Especial da ONU para Direitos Humanos Nos Territórios Ocupados e ex-professor de Direito Internacional em Princeton, foi impedido de entrar em Israel em Dezembro, detido por 20 horas e deportado. E, no entanto, todas essas vozes são de Judeus.

Visitei Avnery em sua casa em Israel. Ele é a consciência de Israel. Avnery nasceu na Alemanha. Emigrou para a Palestina ainda criança junto com os pais. Abandonou a escola aos 14 anos e um ano depois se juntou ao grupo paramilitar clandestino conhecido como Irgun. Quatro anos depois, enojado com o emprego de violência, desligou-se da organização, que realizava ataques armados contra as autoridades de ocupação Britânicas e contra os Árabes. “Não me fale de terrorismo, eu fui um terrorista,” diz ele quando questionado sobre seus persistentes apelos em favor da Paz com os Palestinos. Avnery foi membro das Forças Especiais Raposas de Sansão durante a guerra de 1948. Compôs o hino da unidade de elite. Tornou-se, depois da guerra, uma força da esquerda política em Israel e um dos jornalistas mais importantes do país, dirigindo a revista alternativa HaOlan HaZeh. Foi membro do Parlamento Israelense, o Knesset. Durante o cerco a Beirute em 1982 encontrou-se com o líder da OLP, Yasser Arafat, desafiando abertamente a lei Israelense. Juntou-se aos protestos organizados pelos árabes em Israel nos últimos dias e denuncia o que chama “o instinto de emprego de força” de Israel em relação aos Palestinos e a “insanidade moral” do ataque a Gaza. Avnery, hoje com 85 anos, foi ferido gravemente em 1975 em um atentado realizado por um oponente Israelense, e em 2006 o ativista de direita Baruch Marzel chegou a pedir que o Exército de Israel realizasse um ataque para assassinar Avnery.


“O Estado de Israel, como qualquer outro Estado" diz Avnery, “não pode tolerar que seus cidadãos sejam alvos de tiros, bombas ou foguetes, mas ninguém tem tentado resolver o problema utilizando meios políticos, nem analisar de onde vem este fenômeno, o que o provocou. Os Israelenses, em geral, não conseguem se colocar no lugar dos outros. Somos muito centrados em nós mesmos. Não conseguimos nos colocar no lugar dos Palestinos ou dos Árabes e nos perguntar como iríamos reagir na mesma situação. Às vezes, bem raramente, isto ocorre. Anos atrás, quando Ehud Barak foi indagado como se comportaria se fosse Palestino, disse,” Eu me juntaria a uma organização terrorista. ” Se você não compreende o Hamas, se não compreende porque o Hamas faz o que faz, se não compreende os Palestinos, acaba usando o recurso à força bruta.”

O debate público sobre o ataque a Gaza parte do absurdo pretexto de que é Israel, e não os Palestinos, cuja segurança e dignidade estão sendo ameaçadas. Esta defesa cega da brutalidade Israelense em relação aos Palestinos é uma traição à memória dos que morreram em outros genocídios, desde o Holocausto, ao Camboja, a Ruanda e à Bósnia. A lição do Holocausto não é de que os Judeus são especiais. Não é de que os Judeus são as eternas vítimas. A lição do Holocausto é de que quando alguém tem condições de impedir um genocídio, e não o faz – independentemente de quem está praticando o genocídio ou de quem está sendo vitima – é culpado. E nós somos totalmente culpados. Os caças F-16, os helicópteros de ataque Apache, as bombas “inteligentes” de 100 kg são parte dos 2,4 bilhões de dólares em ajuda militar que os Estados Unidos dão a Israel. Os Palestinos estão sendo massacrados com armas fabricadas nos Estados Unidos. Estão sendo mortos por um exército Israelense que nós sustentamos com fartura. Mas talvez nossa cruel indiferença ao sofrimento humano deva ser esperada. Afinal, matamos mulheres e crianças em muito maior escala no Iraque e no Afeganistão. As mãos sujas de sangue de Israel refletem nossas próprias mãos.


Haverá mais crianças Palestinas mortas. Haverá mais casos como o da escola da ONU, usada como um santuário por famílias aterrorizadas e que foi pulverizada por bombas Israelenses, com mais de 40 pessoas mortas, metade mulheres e crianças. Haverá mais crianças emaciadas e órfãs. Haverá mais feridos gritando e em coma nos corredores dos superlotados hospitais de Gaza. E haverá mais artigos absurdos, como o da primeira página do New York Times com o titulo “Uma Guerra em Gaza cheia de Armadilhas e Truques”. Neste artigo, oficiais de inteligência Israelenses não identificados nos dão uma distorção dos fatos sobre a guerra digna das mentiras inventadas pela Casa Branca nas vésperas da Guerra do Iraque. Ficamos sabendo das pérfidas e sujas táticas dos combatentes do Hamas. Os jornalistas estrangeiros, impedidos de entrar em Gaza e incapazes de checar a veracidade da versão Israelense da guerra, abandonaram seu ofício como repórteres e tornaram-se estenógrafos que anotam o que lhes dizem. O cinismo de transmitir a propaganda como se fosse verdade, contanto que venha de boas fontes, é o veneno do jornalismo americano. Se isso é o que se tornou o jornalismo, se a indignação moral, a coragem de enfrentar os poderosos, o compromisso em dizer a verdade e de dar uma voz aqueles que sem nós não teriam voz, não importa mais, então nossas escolas de jornalismo deveriam se concentrar únicamente em ensinar taquigrafia para anotar rapidamente o que nos dizem. Parece que esta é a habilidade mais valorizada nos jornalistas atualmente, pela maioria dos editores-chefes e geradores de noticias.

Sempre houve poderosos líderes Israelenses, desde a fundação de Israel em 1948, que defenderam a remoção física total dos Palestinos. A limpeza étnica de cerca de 800.000 Palestinos pelas milícias judaicas em 1948 foi, para eles, apenas o começo. Mas também houve líderes Israelenses, incluindo o Primeiro Ministro assassinado Yitzhak Rabin, que achavam que Israel não conseguiria se arrancar para fora do mapa e mudar-se para outro ponto geográfico no Globo Terrestre. Israel, acreditava Rabin, teria de fazer a Paz com os Palestinos e com seus vizinhos Árabes para sobreviver. A visão de dois estados que Rabin tinha, no entanto, parece ter morrido com ele. A adoção da limpeza étnica em massa pelas lideranças e pelos militares Israelenses parece ser atualmente inquestionável.

“Parece” escreveu recentemente o historiador Israelense Ilan Pappe, “que até os mais horrendos crimes, como o genocídio em Gaza, são tratados como acontecimentos individuais, sem ligação com nada que tenha ocorrido no passado e sem ligação com qualquer ideologia ou sistema. ... Tal como a ideologia do Apartheid, explicada pelas políticas opressoras do governo da África do Sul, esta ideologia – em sua variante mais consensual e simplista – vem permitindo a todos os governos Israelenses do passado e do presente a desumanização dos Palestinos, onde quer que estejam, e buscar destruí-los. Os meios mudaram, de período a período, de local a local, bem como a narrativa para encobrir estas atrocidades. Mas está claro o objetivo [de genocídio]. ...

Gaza mergulhou no caos. O Hamas, que apesar do que diz a propaganda Israelense, nunca conseguiu preparar o nível de resistência duradoura que o Hezbollah teve durante a incursão Israelense no sul do Líbano, será dirigido no futuro por bandos antagonistas de chefes militares, clãs e máfias. Gaza será semelhante à Somália. E deste vácuo de poder nascerá uma nova geração de ferozes jihadistas, muitos do quais deixarão o Hamas em busca de organizações mais radicais. A Al-Qaida, que vem trabalhando para conseguir se implantar em Gaza, agora pode ter sua chance de se firmar.

“O Hamas irá vencer a guerra, independentemente do que acontecer,” diz Avnery. “Serão considerados por centenas de milhões de Árabes como heróis que recuperaram a dignidade e o orgulho das nações Árabes. Se ao final da guerra eles ainda estiverem de pé em Gaza isto será uma enorme vitória para eles, ter conseguido resistir ao enorme exército Israelense e ao seu poder de fogo, terá sido um grande feito. Eles ganharão muito mais prestigio do que o Hezbollah ganhou na última guerra.”

Israel tem a ilusão de que pode esmagar o Hamas e instalar um governo fantoche Palestino em Gaza e na Cisjordânia. Este governo fantoche seria dirigido, acredita Israel, pelo desacreditado líder da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, encolhido na Cisjordânia depois de ter sido expulso de Gaza. Abbas, como a maior parte da liderança corrupta do Fatah, é uma figura detestada. Ele é desprezado como o Marechal Pétain do povo Palestino (N.T. O Marechal Pétain foi o governante da França ocupada pelos Nazistas durante a Segunda Guerra, liderando um governo obediente a Hitler). Ou talvez como um Hamid Karzai ou um Nouri al-Maliki. É tão detestado como é impotente.

A destruição do Hamas por Israel e a reocupação de Gaza não trarão paz nem segurança a Israel. Irão apenas esmagar a única organização interna com estatura e autoridade suficiente em Gaza para manter a ordem. O ataque Israelense, ao destruir o Hamas como uma força de governo, abriu uma caixa de Pandora de desastres. A vida se tornará um pesadelo para a maior parte dos Palestinos, e nos próximos anos, para a maior parte dos Israelenses.


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Frio quando frio, Quente quando quente

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Cúmulo do Cinismo


Você acha que os funcionários da ONU, os dirigentes da ONU em Gaza, iriam permitir que um combatente do Hamas se abrigasse dentro do prédio da Organização das Nações Unidas?

 E que de dentro do prédio abrisse fogo contra soldados de Israel?

A versão do Exército de Israel é digna das mais deslavadas mentiras praticadas pelos Nazistas ao negarem o Holocausto. 

Leia abaixo, para sua indignação e para conhecer o nivel de mentira e cinismo Israelense.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009, 13:11 | Online

Hamas abriu fogo de dentro de prédio da ONU, acusa premiê

Olmert responsabiliza militantes pelo bombadeio do Exército israelense contra complexo na Cidade de Gaza

Agências internacionais


JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou nesta quinta-feira, 15, que o complexo da ONU foi bombardeado na Faixa de Gaza depois que militantes abriram fogo contra soldados de dentro do local. A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que o prédio da sede de sua Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA) foi atingido por um bombardeio israelense na Faixa de Gaza nesta manhã, deixando três feridos. Mais cedo, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu desculpas pelo incidente, reforçando a tese de que há fortes divergências sobre a ofensiva dentro do governo israelense. Olmert defende a continuação da ofensiva, enquanto Barak e a chanceler, Tzipi Livni, dizem que é melhor aceitar uma trégua antes que comecem a ocorrer mais baixas no lado israelense.

O complexo da ONU bombardeado é usado como abrigo por centenas de pessoas que fugiram de suas casas durante a ofensiva israelense. O local abriga, além da agência da ONU, outros escritórios e uma escola. O porta-voz da ONU Chris Gunness afirmou que grandes quantidades de ajuda humanitária, assim como caminhões de combustível, podem ser destruídos. A sede da ONU atacada é também o centro de operações de vários meios de comunicação árabes e ocidentais, entre eles as redes de televisão americana Fox, a britânica Sky News e a luxemburguesa RTL. Era lá que ficava a sede da agência de notícias Reuters, e as das redes árabes Al Arabiya e MBC. O hospital do Crescente Vermelho, na Cidade de Gaza, também foi atacado.


Durante encontro com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, Olmert afirmou que o bombardeio foi um "triste incidente", mas que os Hamas era responsável. A ONU nega as alegações israelenses de que militantes estariam no local. "Nós não queremos que incidentes desse tipo ocorram e peço desculpas, mas não sei se você sabe, mas o Hamas disparou do complexo da UNRWA", afirmou Olmert, referindo-se à agência da ONU para refugiados palestinos. "Esse é um incidente triste e eu me desculpo por ele."

Em vista a Israel Ban Ki-Moon disse ter protestado incisivamente junto a Barak, que chamou o incidente de "um grave erro". "Apresentei meu forte protesto e ultraje ao ministro da Defesa e à ministra de Relações Exteriores, e exigi uma plena explicação", disse Ban. "O ministro da Defesa me disse que foi um grave erro e que levou isso muito a sério. Ele me garantiu que será dada atenção extra às instalações e funcionários da ONU, e que isso não irá se repetir". Ban disse que o número de mortos atingiu "um ponto intolerável".

Christopher Gunness, porta-voz da UNRWA, disse após o ataque que a agência suspendera a movimentação de veículos, mas sem interromper as operações de ajuda. As forças israelenses aprofundaram a sua incursão na Cidade de Gaza, e os combates se intensificaram, ampliando a pressão sobre o Hamas num momento em que ambas as partes avaliam uma proposta de cessar-fogo. Os bombardeios da quinta-feira foram os mais violentos em três semanas de conflito.

No mesmo dia, um míssil ou foguete de Israel atingiu um edifício, no centro da Cidade de Gaza, onde funcionam as sucursais da Reuters e de vários outros meios de comunicação. Dois cinegrafistas de uma TV de Abu Dhabi ficou ferido. Um hospital do Crescente Vermelho Palestino também foi alvo de bombardeios do Exército israelense. Segundo o canal, que cita fontes do Crescente Vermelho Palestino, a farmácia do hospital e o segundo andar de um edifício que abriga vários escritórios administrativos no bairro de Tel Hawa estão em chamas, em consequência dos bombardeios.


Violação ao direito internacional


Também nesta quinta-feira, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma sessão de emergência na qual seu presidente acusou Israel de violar a legislação internacional ao fazer pressão com sua excessiva ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Um delegado israelense tentou obstruir a sessão com medidas de conduta, argumentando que, sob a Carta da ONU, a assembleia de 192 membros não pode intervir num assunto que já está sendo discutido pelo poderoso Conselho de Segurança.

A alegação de Israel, no entanto, foi repudiada e o presidente da assembleia, o nicaraguense Miguel d'Escoto Brockmann, abriu a sessão requerida por 118 Estados membros que formam o movimento de países não-alinhados. "Os ataques contra Gaza continuam sem cessar. Gaza está em chamas e se transformou em um verdadeiro inferno", disse D'Escoto.


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ONU acusa Israel de violar o direito internacional

NOVA YORK, Nações Unidas, 15 Jan 2009 (AFP) - 

O presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel d'Escoto, acusou Israel, nesta quinta-feira, de violar o direito internacional em sua ofensiva na Faixa de Gaza, que deixou mais de 1.000 mortos em 20 dias.

"As violações do direito internacional cometidas num ataque em Gaza foram devidamente anotadas: punição coletiva, uso desproporcionado da força e ataque a alvos civis, entre eles casas, mesquitas, universidades e escolas", declarou d'Escoto em uma reunião de urgência da Assembléia da ONU.

Esta reunião, convocada a pedido de vários Estados-membros como a Malásia, a Indonésia e a Síria, visa exigir o respeito ao pedido de cessar-fogo lançado em 8 de janeiro pelo Conselho de Segurança, em um ambiente pesado decorrente do bombardeio do quartel general da ONU em Gaza por Israel.

ONU acusa Israel de usar fósforo branco em ataque contra sede

JERUSALÉM - Porta-vozes da Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), da ONU, disseram nesta quinta-feira que fósforo branco foi aparentemente usado em um ataque atribuído a Israel contra um conjunto de instalações da agência na Faixa de Gaza. O fósforo branco é uma substância incendiária cujo uso em armas é proibido por leis internacionais. Israel já negou veementemente a acusação de usar o composto para fins bélicos.

Um porta-voz, Chris Gunness, disse à BBC que as chamas provocadas pelo bombardeio são difíceis de apagar e ainda ameaçam as cerca de 700 pessoas que estão abrigadas no complexo da agência. "Nós não podemos usar extintores convencionais, porque acreditamos que há fósforo branco. Você só consegue apagar fósforo branco com areia e nós não temos areia em quantidade suficiente para fazer isso."

"Setecentas pessoas estão lá. Não há nenhum lugar seguro para elas irem. Não podemos evacuá-los porque há confrontos do lado de fora", afirmou. A bomba com fósforo branco é lançada por aviões e interage quimicamente com o oxigênio, se incendiando e liberando uma fumaça branca.

Imperdoável

Uma preocupação da UNWRA é que há veículos com combustível dentro do complexo, e eles poderiam explodir com os ataques. Outro porta-voz da UNWRA, Johan Eriksson, disse que a agência da ONU entrou em contato com as forças de defesa de Israel e eles garantiram que não iriam disparar contra os prédios da agência enquanto um grupo de funcionário tentava colocar os veículos com combustíveis em um lugar mais seguro.

"Quando nós estávamos começando a fazer isso, mais fósforo branco atingiu o complexo, e nós tivemos que abortar essa tentativa de mudar os tanques". "Eles (israelenses) têm as coordenadas de GPS exatas de todos os nossos escritórios na Faixa de Gaza, eles estão disparando contra a parte mais frágil de nosso complexo e (...) esta conduta é imperdoável", afirmou à BBC.


Gaza arde em chamas com avanço de Israel ao centro da capital

Da EFE
Saud Abu Ramadan.


Gaza, 15 jan (EFE).- Gaza ficou cercada por chamas hoje, após o Exército de Israel iniciar seu avanço rumo ao interior da capital da Faixa, onde bombardeou uma sede da ONU, um hospital e um centro que abrigava diversos veículos de imprensa internacionais.

Colunas de fumaça subiram após os bombardeios que apoiaram a tomada dos bairros periféricos da cidade por parte de tropas e veículos blindados israelenses, que pela primeira vez penetraram no núcleo urbano, de onde fugiram milhares de habitantes.

Hoje, já chegaram lá seus projéteis de artilharia de 155 milímetros, que desde fora da Faixa atingiram a sede principal da agência da ONU para os refugiados, UNRWA (na sigla em inglês), provocando ferimentos a três pessoas e danos incalculáveis.

"A ajuda humanitária que entrou em Gaza nos últimos dias está ardendo", disse o porta-voz da agência, Adnan Abu Hasnan.

Junto com ela, arderam os depósitos de combustíveis reservados para a mudança da ajuda humanitária da ONU, no momento em que o secretário-geral da organização mundial, Ban Ki-Moon se reunia em Tel Aviv com a ministra israelense de Relações Exteriores, Tzipi Livni.

As forças israelenses também dispararam contra o hospital Al Quds no bairro de Tel Hawa, no leste da Cidade de Gaza, que recebeu quatro dos cerca de 50 tiros que as tropas israelenses dispararam nas suas imediações.

"Ocorreram várias explosões nos prédios do hospital, em onde em uma das paredes há um grande buraco. Há muita confusão", disse à agência Efe a voluntária australiana Sharon Locke, do interior do centro hospitalar.

"Algumas pessoas trataram de escapar e outras de entrar no hospital e buscar refúgio", explicou Locke, especificando que um dos projéteis alcançou o edifício onde se armazenavam os remédios, destruídos pelo fogo.

No interior do hospital permanecem encurraladas cerca de 500 pessoas e, segundo disse a voluntária duas horas depois do ataque -que aconteceu ao meio-dia (pelo horário local, 8h de Brasília)-, atiradores de elite do Exército não deixavam então que ninguém saísse do local.

"Não sabemos qual é a situação dos 500 pacientes, enfermeiras e pessoal médico", afirmou o diretor do hospital, Omer El-Azayza, de fora do complexo hospitalar.

A artilharia israelense ainda bombardeou um edifício de 14 andares na mesma área e no qual se concentram as sedes locais de dez de meios de comunicação internacionais, entre eles as redes de televisão ocidentais "Fox", "Sky News" e "RTL".

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Imagens de Gaza - 20 dias de Massacre

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Na estratégia de Israel, o auxílio da ONU aos Palestinos tem de ser impedido

Não é coincidência. Israel sistemáticamente vem atacando comboios da ONU, prédios, escolas, veículos, matando funcionários da ONU e da Cruz Vermelha, com isso conseguindo obrigar a organização internacional a suspender suas atividades em Gaza. 

Torna-se evidente que estes atos fazem parte da estratégia de genocídio contra os palestinos, visando inibir qualquer auxílio à população Palestina. Exatamente como Hitler fez ao criar campos de concentração, Israel cercou Gaza de um muro com 5 metros de altura, transformando Gaza em um enorme e único Campo de Concentração. 

Em seguida, tal como Hitler fez com os judeus, inicia uma série de ações visando a destruição sistemática do povo Palestino e de sua identidade.
 
É hora de o mundo dar um BASTA. Tal como em 1939 finalmente o mundo resolveu dar um BASTA aos Nazistas.



Ao lado, foto do incêndio no prédio da ONU em Gaza, onde centenas de toneladas de alimentos e remédios para a população de Gaza foram destruídos. Israel destroi sistematicamente qualquer forma de auxílio a Gaza. Seu objetivo é a Limpeza Etníca da Palestina

ONU para operações em Gaza após ter prédio atacado

AE - Agencia Estado 

TEL-AVIV - A agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) suspendeu hoje suas operações em Gaza depois de seu complexo ter sido atingido por várias bombas israelenses, ferindo três de seus funcionários. "As bombas disparadas por tanques israelenses caíram dentro do complexo da agência da ONU para refugiados palestinos em Gaza e feriram três de seus funcionários", disse Adnan Abu Hasna, porta-voz da instituição, à agência France Presse. "Nós decidimos suspender todas as nossas operações."

Um dos prédios, contendo "centenas de toneladas" de ajuda humanitária, pegou fogo enquanto outras partes do complexo foram danificadas pelos disparos, informou outro funcionário da UNRWA. Mais cedo, o local já havia sido atingido quando outra bomba israelense caiu nas proximidades do prédio, que fica perto da Universidade Islâmica, no centro da Cidade de Gaza. De acordo com Chris Gunness, porta-voz da agência em Jerusalém, centenas de pessoas se abrigavam no interior do complexo quando ele foi atingido.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse hoje que há elementos para encerrar "agora" os 20 dias da guerra de Israel na Faixa de Gaza. "Eu acredito que há elementos para encerrar a violência agora", afirmou. "Chegou a hora de a violência acabar e nós mudarmos fundamentalmente a dinâmica em Gaza para perseguir novamente as conversações de paz para uma solução de dois Estados, que é o único caminho para uma segurança duradoura para Israel", disse Ki-moon, em Tel-Aviv. As informações são da Dow Jones.


Ban Ki-moon mostra indignação com ataque israelense à UNRWA

Da EFE

Jerusalém, 15 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou hoje sua indignação por causa dos últimos ataques de Israel contra a sede da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos, UNRWA, e outros complexos humanitários.

"É preciso deter o fogo de maneira imediata e chegar a uma trégua, do resto, será possível falar depois", disse Ban, em entrevista coletiva, em Jerusalém, após manter uma reunião com a ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni.

O secretário-geral da ONU disse que "é inaceitável" o que está acontecendo em Gaza e que "o número de vítimas até agora é grande demais".

"Tenho que estar muito preocupado com a situação em Gaza. Muitos morreram e continuam morrendo", disse o secretário-geral da ONU, e pediu às duas partes que declarem o fim das hostilidades.

"Chamo a um cessar-fogo de forma imediata segundo a resolução 1.860 do Conselho de Segurança (aprovada na sexta-feira passada). É preciso voltar ao status quo", disse.

Pouco antes, em um encontro com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, o secretário-geral da ONU expressou sua indignação.

Segundo a edição on-line do "Yedioth Ahronoth", Barak lhe assegurou que o bombardeio contra a sede da UNRWA foi devido a "um grave erro".

"Expressei meu mais enérgico protesto e indignação ao ministro da Defesa e à ministra de Exteriores (de Israel), e exigi uma explicação exaustiva", disse Ban, em entrevista coletiva em Tel Aviv.

Ban, que realiza uma viagem pela região para apoiar os esforços internacionais para conseguir um cessar-fogo em Gaza, falou por telefone com Barak depois dos bombardeios israelenses desta manhã na faixa, e antes de começar uma entrevista com Livni em Tel Aviv.

Israel atacou hoje pela quarta vez desde 27 de dezembro, quando começou sua atual ofensiva em Gaza, uma instalação da UNRWA com, segundo esta organização, fogo de artilharia e bombas de fósforo. EFE

Veja outras matérias no Blog, que confirmam esta estratégia de Israel


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Egito e Arábia Saudita apoiam Israel

Não se iludam, os "esforços de mediação" do Egito são apenas "jogo de cena". 

Na verdade o governo do ditador Mubarak é fantoche de Israel, e faz o jogo de Israel. Durante o bloqueio de 18 meses imposto por Israel a Gaza, o Egito se recusou terminantemente a abrir sua fronteira com Gaza, desta forma deixando claro que estava ajudando o bloqueio israelense. Muitos em Gaza morreram em consequencia da atitude do governo Egipcio. Agora Mubarak e Arabia Saudita continuam apoiando Israel. O Egito porque não quer dar oportunidade à Irmandade Muçulmana, ligada ao Hamas, e que se opõe a Mubarak. A Arabia Saudita porque não quer perder as receitas da venda de petróleo aos Estados Unidos.

O povo egípcio tem feito enormes e indignadas passeatas contra o seu governo, reprimidas pela polícia egípcia. Mubarak não vê, mas seus dias estão contados, o povo egípcio está revoltado contra o cinismo de seu governo, e mais cedo ou mais tarde irá derrubá-lo. E colocar em seu lugar exatamente a Irmandade Muçulmana. E o Hamas sairá fortificado.
A miopia dos governos é trágica e impressionante.



Guerra causa racha diplomático entre árabes

Qatar quer sediar cúpula amanhã para tratar de Gaza, mas Arábia Saudita e Egito defendem outras propostas de encontro

Embate traduz divergências entre países favoráveis à firmeza contra Israel e governos que consideram o Hamas como uma ameaça

SAMY ADGHIRNI
DA REPORTAGEM LOCAL


Os ataques em Gaza acirram as profundas divergências geopolíticas no mundo árabe e sustentam a atual queda de braço diplomática entre os países coniventes com o objetivo israelense de enfraquecer o grupo islâmico Hamas e os partidários de uma ação diplomática mais firme contra Israel.

O racha na região está cristalizado em duas propostas rivais de cúpula para tratar dos ataques que deixaram até agora 1.024 palestinos mortos, despertando a fúria da opinião pública árabe e aumentando a pressão contra governos impopulares e ineficientes.

A primeira sugestão de um encontro de lideranças árabes partiu do Qatar, um país pequeno mas rico, adepto de uma diplomacia pró-árabe que a TV estatal Al Jazeera se encarrega de propagar por toda a região.

O governo qatariano convidou os líderes árabes a se reunirem amanhã em Doha para buscarem juntos maneiras de aumentar a pressão para o fim dos ataques israelenses.
Nas entrelinhas, o evento também pretende dar uma resposta às populações árabes, que exigem de seus governos atitudes mais contundentes.

Doha anunciou ontem ter recebido confirmação de participação de 15 dos 22 países da Liga Árabe, o que representaria o quórum suficiente de dois terços. Mas a Liga Árabe afirmou que o número de participantes confirmados é 13, dois a menos do que o necessário.

Egito e Arábia Saudita
As desistências -uma delas do Marrocos, a outra não especificada- resultam de pressões do Egito e da Arábia Saudita, as potências árabes aliadas de Washington que trabalham abertamente para minar os planos do Qatar.
O rei saudita, Abdullah al Saud, marcou ontem às pressas uma reunião para hoje com os vizinhos do golfo Pérsico.
Já o Egito quer tratar de Gaza às margens de uma cúpula econômica no Kuait, na próxima semana, agendada antes da crise. "Se formos a Doha, vamos matar a cúpula do Kuait", argumentou o chanceler egípcio, Ahmed Abul Gheit.
Segundo analistas, as manobras sauditas e egípcias visam acentuar as divisões entre árabes para dar tempo a Israel de continuar atacando o Hamas, considerado inimigo.
Apesar de ser o principal mediador na crise, o Egito atrai as maiores acusações de conivência com Israel. O governo do país árabe mais populoso vê o ataque a Gaza como maneira de acabar com o Hamas, ou no mínimo enfraquecê-lo, e, por tabela, desmoralizar a Irmandade Muçulmana, entidade oposicionista egípcia que inspirou o surgimento do grupo.
O Cairo também quer um Hamas mais fraco por considerá-lo um instrumento do Irã, rival persa do Egito na disputa por influência regional.


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Alisa Miller: Porque conhecemos o mundo cada vez menos



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Rainer Maria Rilke


ELEGIAS DE DUÍNO

PRIMEIRA ELEGIA
Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens 
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse 
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria 
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é 
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos, 
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha 
Destruir-nos. Cada anjo é terrível. 
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo

De obscuro soluço. Ah! A quem podemos 
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens, 
E os animais sagazes logo percebem 
Que não estamos muito seguros 
No mundo interpretado. Resta-nos talvez 
Alguma árvore na encosta que diariamente 
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem 
E a mimada fidelidade de um hábito, 
Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona. 
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços 
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada, 
Levemente decepcionante, que para o solitário coração 
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes? 
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte. 
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio 
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros 
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.

Sim, as primaveras precisavam de ti.Muitas estrelas 
Esperavam que tu as percebesses. Do passado 
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou 
Ao passares sob uma janela aberta, 
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre 
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse 
A bem amada? (onde queres abrigá-la 
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram 
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.) 
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito 
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento. 
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu 
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa 
Sempre de novo o louvor jamais acessível; 
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi 
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento. 
As amantes, porém, a natureza exausta as toma 
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las. 
Já pensaste pois em Gaspara Stampa 
O bastante para que alguma jovem, 
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo 
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela? 
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar 
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos, 
Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos 
Como a flecha suporta à corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma? 
Pois parada não há em /parte alguma.

Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente 
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo 
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados, 
inabaláveis, sem desviarem a atenção: 
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar 
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro, 
a incessante mensagem que nasce do silêncio. 
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas 
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti 
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa. 
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar 
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco 
O puro movimento de seus espíritos.

Certo, é estranho não habitar mais terra, 
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos, 
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas 
Não dar sentido do futuro humano; 
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo 
Não ser mais, e até o próprio nome 
Deixar de lado como um brinquedo quebrado. 
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho, 
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto 
No espaço. E estar morto é penoso 
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise 
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos 
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir. 
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes 
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna 
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades 
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo, 
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes 
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes 
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos, 
A primeira música ousando atravessou o árido letargo, 
Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente 
escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou 
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?

Traduções do poeta paraense Paulo Plínio Abreu publicadas no jornal "Folha do Norte" entre os anos de 1946 e 1948, realizadas em parceria com o antropólogo alemão Peter Paul Hilbert.


O mundo estava no rosto da amada
O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Tradução: Augusto de Campos)


Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)


Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.


Canção de Amor

Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.


De Cartas a um Jovem Poeta

Maio 14, 1904, Roma

Amar também é bom:
porque o amor é difícil.
O amor de duas criaturas humanas
talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,
a maior e última prova,
a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.
Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,
não sabem amar: tem que aprendê-lo.
Com todo o seu ser,
com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,
medroso e palpitante,
devem aprender a amar.
Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura.
Assim, para quem ama,
o amor,
por muito tempo e pela vida afora,
é solidão,
isolamento cada vez mais intenso e profundo.
O amor, antes de tudo,
não é o que se chama entregar-se,
confundir-se, unir-se a outra pessoa.
Que sentido teria, com efeito,
a união com algo não esclarecido,
inacabado, dependente?
O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer,
tornar-se algo em si mesmo,
tornar-se um mundo para si,
por causa de um outro ser;
é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,
uma escolha e um chamado para longe.
Do amor que lhes é dado,
os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos.
A fusão com outro, a entrega de si,
toda a espécie de comunhão não são para eles;
são algo de acabado para o qual,
talvez, mal chegue atualmente a vida humana.
Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso
em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão
profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.



Rainer Maria Rilke (Praga, 4 de dezembro de 1875 — Valmont, Suíça, 29 de dezembro de 1926) foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX.
Nasceu em Praga, na República Tcheca, então pertencente ao império austro-húngaro, e mudou seu nome, originalmente René, para Rainer.
Rilke fez seus estudos nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Em 1894 fez sua primeira publicação, uma coleção de versos de amor, intitulados Vida e canções (Leben und Lieder). Não exerceu nenhuma profissão, tendo vivido, sempre, à custa de amigas nobres.
Alguns anos depois, em 1899, Rilke viajou para a Rússia a convite de Lou Andreas-Salomé, a escritora e depois psicanalista, filha de um general russo, e que foi sua amante por longos anos. Sua passagem pela Rússia imprimiu uma inspiração religiosa em seus poemas. Rilke passou a enxergar a natureza, dada as dimensões e exuberância das paisagens russas, como manifestação divina presente em todas as coisas. Sobre este aspecto publicou em 1900 a coleção Histórias do bom Deus.
Em 1901 casou com Clara Westhoff, da qual logo se separou. O século XX trouxe para a poesia de Rilke um afastamento do lirismo e dos simbolistas franceses com os quais ele se identificara. Em 1905, publicou O Livro das Horas de grande repercursão à época. Nesta obra, seus poemas já apresentavam um estilo concreto, bem característico desta sua fase.

Em 1902 foi para Paris, onde trabalhou como secretário do escultor Auguste Rodin entre 1905 a 1906. Rodin exerceu grande influência sobre o poema de Rilke, que se reflete em suas publicações de 1907 a 1908.
Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, em 1914, Rilke morava em Munique e lá permaneceu durante todo o conflito. Antes de se mudar para Munique, ele viveu na região do Trieste e publicou, em 1913, a A vida de Maria (Das Merien Leben) e iniciou a redação de Elegias de Duíno (Duineser Elegien), texto que só viria a ser publicado em 1923. Duíno era um castelo na região de Trieste, Itália, onde Rilke morou por dois anos antes da Guerra, a convite da princesa Maria von Thurn und Taxis. Após o conflito na Europa, Rilke mudou-se para a Suíça, a última de suas pátrias de eleição, onde viveu até morrer.


Rilke possui uma obra original, marcada pelo tratamento da forma e pelas imagens inesperadas. Celebra a união transcendental do mundo e do homem, numa espécie de “espaço cósmico interior”. Sua poesia provocava a reflexão existencialista e instigava os leitores a se defrontarem com questões próprias do desencantamento da primeira metade do século XX. Sua obra influenciou muitos autores e intelectuais em diversas partes do mundo. No Brasil foram seus leitores Sérgio Buarque de Hollanda entre outros.

Obras principais

Leben und Lieder (Vida e Canções) - 1894
Das Buch der Bilder (O Livro das Imagens) - 1902
Stundenbuch (O Livro das Horas) - 1905
Neue Gedichte (Novos Poemas) - 1907-1908. Neles figuram os Ding-Gedichte (Poemas objetivos), e entre eles o “Archaischer Torso Apollos” (Torso Arcaico de Apolo), traduzido no Brasil por Manuel Bandeira.
Das Merien Leben (A Vida de Maria) - 1913
Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge (Os Cadernos de Malte Laurids Brigge) - 1910
Duineser Elegien (Elegias de Outono) - 1923
Sonette an Orpheus (Sonetos a Orfeu) - 1923
Briefe an einen jungen Dichter (Cartas a um Jovem Poeta) - 1929 – publicação póstuma.



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