domingo, 31 de maio de 2009

Fifa revela as cidades da Copa do Mundo de 2014 no Brasil

SÃO PAULO - O Comitê Executivo da Fifa anunciou na tarde deste domingo as 12 cidades brasileiras que sediarão a Copa do Mundo de 2014.

Sem muitas surpresas, São Paulo foi confirmado, com o Estádio do Morumbi, enquanto o Rio de Janeiro sediará o evento através do Estádio do Maracanã.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, foram escolhidas as cidades de Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador, Cuiabá, Manaus e Natal. Ficaram de fora na disputa Campo Grande, Belém, Rio Branco, Goiânia e Florianópolis.

"É um grande prazer estar em contato direto com o continente do futebol, e olha que eu não me refiro apenas à América do Sul, mas também ao Brasil, que é um continente", explicou o presidente da Fifa, Joseph Blatter. "Gostaria de expressar todo meu sentimento de simpatia e agradecer aos brasileiros por tudo o que eles fizeram", completou.


Investimento em São Paulo para o Mundial: R$ 27 bilhões

Investimentos do governo devem abranger obras no Metrô, aeroporto, estradas e para melhorar o caótico trânsito

Amanda Romanelli

Capital dos negócios e principal destino de visitantes da América do Sul, São Paulo irá concentrar seus esforços naquele que considera o seu maior desafio para a Copa de Mundo de 2014: a infraestrutura e a mobilidade urbana. Para tanto, investirá vultosos R$ 27 bilhões em obras que pretendem ordenar o caótico trânsito da cidade e da região metropolitana, além de dar melhores condições para quem utiliza o transporte público de massa. O valor, apurado pelo Estado, já está garantido nos orçamentos municipal, estadual e federal.

Morumbi será reformado para receber a Copa


"O grande legado de um evento da grandeza de uma Copa não está em equipamentos esportivos - até porque, muitas vezes, eles viram elefantes brancos. O importante é aquilo que fica para o cidadão ao fim do evento", pondera Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo e coordenador do projeto paulista.

O "pacotão" contempla uma série de obras em andamento, como a ampliação das linhas 2 (verde) e 4 (amarela) do Metrô. Esta última terminará na Estação Vila Sônia, a pouco mais de 1 km da entrada do Estádio do Morumbi. Também inclui o término do Rodoanel, importantíssima via para a interligação das várias estradas que chegam à cidade, e criação de ramais de trens até os aeroportos de Congonhas e Cumbica. Outras intervenções estão por vir. Avenidas da zona sul, importantes no acesso à arena paulistana, serão prolongadas. Túneis serão construídos, como o que ligará a Rodovia Raposo Tavares à Marginal Pinheiros.

O governo estadual também espera pelo anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) específico para a Copa do Mundo, prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já tem uma lista pronta de projetos, orçados em cerca de R$ 12 bilhões.

Para ter um sistema de transporte considerado impecável, São Paulo também espera a efetivação dos planos do Governo Federal para a estrutura aeroportuária. A Infraero prevê melhorias no Aeroporto Internacional de Guarulhos - com a construção de nova pista e do terceiro terminal de passageiros - que poderá receber 30 milhões de pessoas em 2012 (hoje, são 10 milhões a menos). Já Viracopos, em Campinas, é visto como estratégico, porque pode ampliar, e muito, a quantidade de vôos da região. Em quatro anos, passará a comportar 8 milhões de passageiros por ano, número 5 vezes maior que o atual.

A capital paulista é o primeiro destino turístico da América do Sul em número de visitantes. De acordo com levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), 11 milhões de pessoas estiveram na cidade em 2008. Para 2014, serão 13 milhões - o fluxo será acentuado para 600 mil apenas no período da Copa.

Para Carvalho, São Paulo não terá problemas para absorver tantos visitantes. "Em hotelaria e entretenimento, somos imbatíveis." São 42 mil quartos de hotel, 12,5 mil restaurantes e 32 mil táxis. Na rede hospitalar, 17 centros com certificação internacional garantirão o atendimento - dois deles (Albert Einstein e São Luiz), a cinco minutos do do Morumbi.

A nova monarquia

João Ubaldo Ribeiro

A gente tem a impressão de que o governo já entrou em campanha eleitoral faz algum tempo, mas ele nega, de forma que deve ser mentira, porque o governo não mente aos cidadãos. Contudo, assim ou assado, mentira ou não, o assunto tem sido bastante discutido, geralmente levando ao debate sobre o terceiro mandato do presidente Lula, que ele, com o ar docemente constrangido e aparentando, não sei se intencionalmente, uma convicção bem menos incisiva que em relação a quase tudo mais, diz que não quer. Na quase impossível hipótese de ele me dizer isso pessoalmente, eu fingiria acreditar por uma questão de educação e respeito ao cargo dele. Mas claro que, como venho dizendo há bastante tempo, não boto fé nessa negativa - para mim está feericamente estampada no semblante dele a vontade de ficar até quando Deus permitir. Acho que nunca vi alguém tão feliz da vida quanto ele, subindo e descendo em aviões e entrando e saindo de castelos e palácios, claro que ele está num barato permanente.

Também como antes, não acho tão improvável assim que um terceiro mandato se concretize, nos moldes de uma das muitas fórmulas a que se pode recorrer, inclusive um mandato-tampão, enquanto se elabora e vota uma nova constituição, seguido de ainda outro mandato para o mesmo ocupante, o que naturalmente, seria facultado pela nova carta. Surpresa nenhuma. Já aconteceu conosco e, em linhas gerais, acontece em toda parte, geralmente em países atrasados. Para mim, golpe; para outros, manobra legítima, contanto que respeitados os rituais que nos acostumamos a identificar com a democracia e que, muitas vezes, são tão democráticos quanto as eleições a bico de pena da Velha República, por exemplo.

Ouso oferecer a hipótese, que acredito ser amplamente corroborada pelos fatos, de que a verdadeira vocação do presidente Lula não é ser presidente. Para isso ele não tem muita paciência, ainda mais com esse negócio de sentar para despachar, estudar, debater, resolver. Deve ser por isso que tem tantos ministros. Aparece um problema e, se ele, muito implausivelmente, já não tem um Ministro Especial para Problemas que Aparecerem, cria um num piscar d?olhos. Acredito piamente que, se ele pudesse mandar sem governar, ficaria ainda mais feliz. Mandar é ótimo, ter poder é indescritível. Governar é que é chato, não só porque é trabalho, ainda mais para quem nunca trabalhou na vida, como também só traz dor de cabeça, provoca inimizades, chateia nas horas mais incômodas e assim por diante.

A verdadeira vocação dele, continua minha hipótese, é ser rei. Excetuando o feio hábito de não aparecer pessoalmente nos locais de calamidades públicas e tragédias, hábito este que acho que já começou a rever, ele faz com extraordinário gosto tudo o que um rei contemporâneo faz. Livre das amarras dos despachos e da burocracia, podendo até falar mal dos governantes, já que não administraria e seria vitalício e estes são passageiros, terá condição de dedicar-se em tempo integral ao que de fato gosta de fazer e, a seu modo, sabe fazer. Não deixa de ser uma ideia. Por que não, afinal? Somente porque alguns descompreendidos e eu não queremos? Creio (no meu caso, melhor trocar de verbo e botar "receio") que, se for realizado um plebiscito, também identificado bobamente com democracia, a ideia do terceiro mandato seria aprovada, talvez até retumbantemente.

E não há por que supor que, com essa permanência no poder, pois ninguém sabe hoje em quanto ela se prolongará, uma tal pressão internacional de que já ouvi da boca de um comentarista limitará a permanência do presidente no poder. Tampouco creio que vá haver pressão internacional alguma. Da mesma forma que velho rico é excêntrico e o mesmo velho, se pobre, é bronco e chato, arranjariam logo um nome artístico para o novo regime que mascararia o fato de estarmos ingressando numa era neoperonista, e dando um enorme passo atrás. "Esse é o cara", disse o presidente Obama e a exegese correta é a mais óbvia. Lula era um problema iminente, pois viria para reformar a fundo, para mudar e contrariar interesses arraigados e poderosos. Como se vê, não é nada disso, antes pelo contrário, é agir "como sempre se fez neste país". Quem era poderoso ficou mais, quem era rico ficou mais. Os ricos continuam a não pagar impostos e os pobres e remediados custeiam sem saber uma "distribuição de renda" que não existe para os ricos. Ou seja, ele passou de problema a solução, menos um peso enorme no já carregadíssimo balaio de preocupações, não apenas de Obama, mas dos europeus, dos banqueiros, das grandes empresas, de todo mundo que estava preocupado em ser incomodado ou contrariado com a ascensão da "esquerda" ao poder. Arrenego da esquerda. O presidente que nós temos é o que eles pediram a Deus.

Tudo bem, é uma. Mas esquerda não. Lula talvez tenha vindo para reformar, mas, assim que se viu no poder, seu olhar mudou, numa prova viva de que a sociologia do conhecimento ainda tem terreno fértil para estudos de caso. A verdade tem uma cara quando se está por baixo, outra quando se está por cima. Nada como a posição social do indivíduo, dizia-se antigamente. Pois é, vista de cima a realidade é percebida por outra ótica e o operário utópico, visionário e agitador deu lugar ao bom burguês bonachão e paternal, que chegou, não para mudar, mas para conservar e aperfeiçoar o que já está aí. Tenho grandes reservas sobre como está sendo feita essa conservação e, notadamente, o aperfeiçoamento, que me parece somente adiar ou, ao longo prazo, agravar nossos problemas. Mas é melhor, por via das dúvidas, irmos nos acostumando à ideia de um terceiro mandato. E um quarto, um quinto, um sexto, etc.

Jovem Guarda - Eternamente

Cecília Meireles (2)

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Atitude

Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.

E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.


Herança

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?


Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

— palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

— que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

— e um dia me acabarei.


Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Apontando para a lua

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sábado, 30 de maio de 2009

Decifrando a notícia – Jogo de cena dos Estados Unidos com a Coréia do Norte

Veja abaixo notícia de hoje da Reuters (certamente com a colaboração “desinteressada” da CIA)

Em meio à crise com a Coréia do Norte, EUA enviam caças para o Japão

Envio de aviões foi acertado entre Obama e Taro Aso.



Na semana em que a Coréia do Norte fez testes nucleares, os Estados Unidos decidiram reforçar a sua presença no Pacífico com o envio de 12 caças F-22 Raptors ao Japão.

Os primeiros aviões militares, que decolaram do estado americano da Virgínia, chegaram nesse sábado (30) à base aérea de Kadena, na província japonesa de Okinawa.

O envio dos caças supersônicos acontece em meio à escalada de tensão na região, onde a Coréia do Norte lançou vários mísseis nas últimas semanas.

Segundo fontes do Departamento de Defesa, os aviões que partiram em direção ao Japão fazem parte dos dois esquadrões que a Força Aérea americana montou nos últimos quatro meses com objetivo de reforçar a segurança no Pacífico Ocidental.

A agência de notícias Reuters informou ainda que o envio dos aviões foram acertados após uma conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos Barack Obama e o premiê japonês Taro Aso.
Mais cedo, ainda nesse sábado, em Cingapura, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou que os EUA responderão "rapidamente" se as ambições nucleares da Coréia do Norte ameaçarem o país ou seus aliados na Ásia.

"Não ficaremos parados" enquanto a Coréia do Norte desenvolve capacidade para semear a destruição, disse Gates numa conferência asiática sobre segurança.

Para entender a notícia, vamos comparar o poderio de combate de 22 caças Raptor com a capacidade militar (não-nucler) da Coréia do Norte.

A Coréia do Norte possui um exército de 1.200.000 homens, o 5º maior do mundo.

Os Estados Unidos têm 1,473,000 homens em armas, o segundo maior do mundo, logo atrás da China. Esta força militar americana é pulverizada no mundo, em 820 bases e 39 países. Ou seja, os Estados Unidos têm no momento 880.000 homens em território americano.

O Império Americano já está lutando duas guerras convencionais, no Iraque e no Afeganistão. Estas guerras desencadeadas pelo governo Bush reduzem a capacidade de atuar em novos teatros de guerra. No Iraque tem 162 mil homens, no Afganistão 60 mil. Sua capacidade de luta convencional está sensivelmente reduzida.

Por outro lado, se os Estados Unidos se moverem significativamente contra a Coréia, o Irã irá aproveitar e desenvolver sua capacidade militar. Logo, os americanos não podem deixar os iranianos saberem que irão comprometer recursos significativos na Coréia, porque isso significaria enfraquecer a capacidade de pressionar o Irã, e principalmente a capacidade de proteger Israel. O lobby Sionista jamais deixará isso acontecer.

Em 2009 a Força Aérea da Coréia do Norte possuía 80 bombardeiros, 525 caças supersônicos, 84 helicópteros de ataque, 318 transportes, 282 helicópteros, 70 bases aéreas. Possui uma das mais densas e eficazes defesas aéreas do mundo, com 8.800 Canhões Anti-Aéreos, mísseis de longo alcance terra-ar, e equipamento de rastreamento de invasão aérea.

A proximidade da Coréia do Norte com a China, que a apóia estrategicamente, é uma das dificuldades que os Estados Unidos enfrentam para conseguir fazer de fato algo para evitar que a Coréia do Norte passe a ser uma potência nuclear.

Washington não pode invadir a Coréia porque a China iria intervir. Além disso, qualquer ofensiva séria contra a Coréia do Norte iria provocar a destruição literal da Coréia do Sul, uma das maiores economias da Ásia e do mundo (Samsung, LG, Hyundai, Kia, computadores, etc.)

E com o 5º exército do mundo e uma das mais bem equipadas estruturas de defesa aérea, para de fato assustar os coreanos o Império Americano teria de se dispor a colocar no ar não 22 caças e sim centenas deles. Mais bombardeiros. Mais porta-aviões. E principalmente apoio terrestre que iria implicar em mais americanos mortos.

Até aqui analisamos apenas o aspecto militar. E a área econômica?

Os Estados Unidos estão em Depressão, sua economia encolheu 15% nos últimos três meses.
O desemprego já é maior do que o no Brasil, e continua aumentando.
Com a retração da economia, menos impostos, e menos capacidade de investimentos militares.
Na verdade será necessário cortar gastos e fechar bases.
A China, aliada da Coréia do Norte, é o maior credor dos Estados Unidos, cuja divida é nada menos do que um PIB.
Para a China conseguir reduzir significativamente a capacidade militar americana, não precisa disparar um tiro – basta vender uma parte dos títulos do tesouro americano que possui, fazendo com isso os títulos se desvalorizarem, o dólar despencar, e a capacidade de compra do povo e do governo americano desabarem.
Tio Sam terá de cortar fundo os gastos militares. O governo americano está nas mãos da China, que por sua vez defende a Coréia...

Portanto, a noticia acima é para assustar os trouxas.

A Coréia do Norte vai continuar a testar mísseis, a produzir bombas nucleares, a ONU vai fazer barulho, e tal como Israel, que já descumpriu mais de 300 resoluções da ONU, a Coréia também não dará importância à ONU.

A China continuará a protegê-la, e quando o atual ditador Kim Jong-i falecer – talvez nos próximos dez anos – haverá um movimento natural de renovação, como houve em Cuba, na União Soviética, na Alemanha, e dentro de 15 anos a Coréia será reunificada, não pelos países do Ocidente, que não têm interesse em vê-la fortificada, mas pelos próprios esforços dos coreanos, como foi o caso da Alemanha.

É a marcha da historia, que não aceita atalhos...

Psicologia evolucionária explica tendências inatas do ser humano



Terça-feira, 10/02/2009
A psicologia evolucionária é uma nova ciência que descende da teoria da evolução de Charles Darwin. O cientista Steven Pinker fala sobre a relevância de Darwin para a psicologia contemporânea.

História de uma rã


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Na data de hoje, há 578 anos, era sacrificada a Padroeira da França

Joana d'Arc (em francês Jeanne d'Arc) (Domrémy-la-Pucelle, 6 de janeiro 1412 — Rouen, 30 de maio 1431), por vezes chamada de donzela de Orléans, é a santa padroeira da França e foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos, durante a qual tomou partido pelos Armagnacs, na longa luta contra os borguinhões e seus aliados ingleses.

Descendente de camponeses, gente modesta e analfabeta, foi uma mártir francesa canonizada em 1920, quase cinco séculos depois de ter sido queimada viva.

Segundo a escritora Irène Kuhn, Joana d'Arc foi esquecida pela história até o século XIX, conhecido como o século do nacionalismo, o que pode confirmar as teorias de Ernest Gellner. Irène Kuhn escreveu: Foi apenas no século XIX que a França redescobriu esta personagem trágica.

François Villon, nascido em 1431, no ano de sua morte, evoca sua lembrança na bela «Ballade des Dames du temps jadis» ou seja, «Balada das damas do tempo passado» -

Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine?
Mais où sont les neiges d'antan?

Antes aos fatos relacionados, Shakespeare tratou-a como uma bruxa; Voltaire escreveu um poema satírico, ou pseudo-ensaio histórico, que a ridicularizava, intitulado «La Pucelle d´Orléans» ou «A Donzela de Orléans pervervativus cuetara»

Depois da Revolução, o partido monárquico reavivou a lembrança da boa lorena, que jamais desistiu do retorno do rei.

Joana foi recuperada pelos profetas da «França eterna», em primeiro lugar o grande historiador romântico Jules Michelet. Com o romantismo, o alemão Schiller fez dela a heroína da sua peça de teatro "Die Jungfrau von Orléans", publicada em 1801.

Em 1870, quando a França foi derrotada pela Alemanha - que ocupou a Alsácia e a Lorena - "Jeanne, a pequena pastora de Domrémy, um pouco ingênua, tornou-se a heroína do sentimento nacional". Republicanos e nacionalistas exaltarão aquela que deu sua vida pela pátria.

Durante a primeira fase da Terceira República, no entanto, o culto a Joana d'Arc esteve associado à direita monarquista, da qual era um dos símbolos, como o rei Henrique IV, sendo mal vista pelos republicanos.

A Igreja Católica francesa propôs ao Papa Pio X sua beatificação, realizada em 1909, num período dominado pela exaltação da nação e ao ódio ao estrangeiro, principalmente Inglaterra e Alemanha.

O gesto do papa inspirou-se no desejo de fazer a Igreja de França entrar em mais perfeito acordo com os dirigentes anticlericais da III República, mas só com a Primeira Guerra Mundial de 1914 a 1918, Joana deixa de ser uma heroína da Direita. Segundo Irène Kuhn,a partir daí "os postais patrióticos mostram Jeanne à cabeça dos exércitos e monumentos seus aparecem como cogumelos por toda a França. O Parlamento francês estabelece uma festa nacional em sua honra no 2º domingo de maio.

Em 9 de maio de 1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada, sendo canonizada pelo papa Bento XV - era a Santa Joana d'Arc. A canonização traduzia o desejo da Santa Sé de estender pontes para a França republicana, laica e nacionalista. 

Em 1922 foi declarada padroeira de França. Joana d´Arc permanece como testemunha de milagres que pode realizar uma pessoa, ainda que animada apenas pela energia de suas convicções, mesmo adolescente, pastora e analfabeta, de modo que seu exemplo guarda um valor universal.

Joana nasceu em Domrémy, na região de Lorena (ou Lorraine) na França. Posteriormente a cidade foi renomeada como Domrémy-la-Pucelle em sua homenagem (pucelle; donzela em português). A data de seu nascimento é imprecisa, de acordo com seu interrogatório em 24 de fevereiro de 1431, Joana teria dito que na época tinha 19 anos portanto teria provavelmente nascido em 1412.

Filha de Jacques d'Arc e Isabelle Romée, tinha mais quatro irmãos: Jacques, Catherine, Jean e Pierre, sendo ela a mais nova dos irmãos. Seu pai era agricultor e sua mãe lhe ensinou todos os afazeres de uma menina da época.

Em seu julgamento Joana d'Arc afirmou que desde os 16 anos ouvia vozes divinas. Segundo ela em seu julgamento, a primeira vez que escutou a voz, ela vinha da direção da igreja e acompanhada de claridade e uma sensação de medo. Dizia que as vezes não a entendia muito bem e que as ouvia duas ou três vezes por semana. Entre as mensagens que ela entendeu estavam conselhos para frequentar a igreja, que deveria ir a Paris e que deveria levantar o domínio que havia na cidade de Orléans. Posteriormente ela identificaria as vozes como sendo do arcanjo São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida.

O arcanjo São Miguel é o líder dos exércitos celestiais. Santa Catarina é definida as vezes como uma figura apócrifa a cavalo dos séculos III e IV que morreu com uma idade similar à de Joana; também erudita (patrona de muitas especialidades intelectuais), persuadiu o imperador Maximiliano II que deixasse de perseguir os cristãos. Foi condenada a morrer na roda (um sistema de tortura que fraturava os ossos). A lenda de Margaret diz que ela foi uma mulher depreciada pela sua fé católica ao que lhe ofereceram matrimônio em troca da renúncia a esta fé. Ante sua negação, foi torturada escapando milagrosamente diversas vezes, até sua morte definitiva. Assim morreu virgem e mártir


Batalha de Crécy

Desde quando o Duque da Normandia, Guilherme, o Conquistador se apoderou da Inglaterra em 1066, os monarcas ingleses passaram a controlar extensas terras no território francês. Com o tempo, passaram a ter vários ducados franceses: Aquitânia, Gasconha, Poitou, Normandia, entre outros. Os duques, apesar de vassalos do rei inglês, acabaram tornando-se seus rivais.

Quando a França tentou recuperar os territórios perdidos para Inglaterra, originou-se um dos mais longos e sangrentos conflitos da história da humanidade: a Guerra dos Cem Anos, que durou na realidade 116 anos, e que produziu milhões de mortos e a destruição de quase toda a França setentrional.

O início da guerra aconteceu em 1337. Os interesses mais que evidentes de unificar as coroas concretizaram-se na morte do rei francês Carlos IV em 1328. Filipe VI, sucessor graças à lei sálica (Carlos IV não tinha descendentes masculinos), proclamou-se rei da França em 27 de maio de 1328.

Felipe VI reclamou em 1337 o feudo da Gasconha ao rei inglês Eduardo III, e no dia 1 de novembro este responde plantando-se às portas de Paris mediante ao bispo de Lincoln, declarando que ele era o candidato adequado para ocupar o trono francês.

A Inglaterra ganharia batalhas como Crécy (1346) e Poitiers (1356). Uma grave enfermidade do rei francês originou uma luta pelo poder entre seu primo João I de Borgonha ou João sem Terra, e o irmão de Carlos VI, Luís de Orléans.

No dia 23 de novembro de 1407, nas ruas de Paris e por ordem do borguinhão, se comete o assassinato do armagnac Luís de Orléans. A família real francesa estava dividida entre os que davam suporte ao duque de Borgonha (borguinhões) e os que o davam ao de Orléans e depois a Carlos VII, Delfim de França (armagnacs ligados à causa de Orléans e à morte de Luís). Com o assassinato do armagnac, ambos os bandos se enfrentaram numa guerra civil, onde buscaram o apoio dos ingleses. Os partidários do Duque de Orléans, en 1414, viram recusada uma proposta pelos ingleses, que finalmente pactuaram com os borguinhões.

Com a morte de Carlos VI, em 1422, Henrique VI da Inglaterra foi coroado rei francês, mas os armagnacs não desistiram e mantiveram-se fiéis ao filho do rei, Carlos VII, coroando-o também em 1422.


Joana reconhece o rei Carlos VII em Chinon.

Aos 16 anos, Joana foi a Vaucouleurs, cidade vizinha a Domrèmy. Recorreu a Robert de Baudricourt, capitão da guarnição armagnac estabelecida em Vaucouleurs para lhe ceder uma escolta até Chinon, onde estava o delfim, já que teria que atravessar todo o território hostil defendido pelos aliados ingleses e borguinhões. Quase um ano depois, Baudricourt aceitou enviá-la escoltada até o delfim. A escolta iniciou-se aproximadamente em 13 de fevereiro de 1429. Entre os seis homens que a acompanharam estavam Poulengy e Jean Nouillompont (conhecido como Jean de Metz). Jean esteve presente em todas as batalhas posteriores de Joana d'Arc.
Portando roupas masculinas até sua morte, Joana atravessou as terras dominadas por Borguinhões, chegando a Chinon, onde finalmente iria se encontrar com Carlos, após uma apresentação de uma carta enviada por Baudricourt.

Chegando a Chinon, Joana já dispunha de uma grande popularidade, porém o delfim tinha ainda desconfianças sobre a moça. Decidiram passá-la por algumas provas. Segundo a lenda, com medo de apresentar o delfim diante de uma desconhecida que talvez pudesse matá-lo, eles decidiram ocultar Carlos em uma sala cheia de nobres ao recebê-la. Joana então teria reconhecido o rei disfarçado entre os nobres sem que jamais o tivesse visto antes. Joana teria ido até ao verdadeiro rei, curvado e dito: "Senhor, vim conduzir os seus exércitos à vitória".

Sozinha na presença do rei, ela o convenceu a lhe entregar um exército com o intuito de libertar Orléans. Porém, o rei ainda a fez passar por provas diante dos teólogos reais. As autoridades eclesiásticas em Poitiers submeteram-na a um interrogatório, averiguaram sua virgindade e suas intenções.

Convencido do discurso de Joana, o rei entrega-lhe às mãos uma espada, um estandarte e o comando das tropas francesas, para seguir rumo à libertação da cidade de Orléans, que havia sido invadida e tomada pelos ingleses havia oito meses.

Munida de uma bandeira branca, Joana chega a Orléans em 29 de abril de 1429. Comandando um exército de 4000 homens ela consegue a vitória sobre os invasores no dia 9 de maio de 1429. O episódio é conhecido como a Libertação de Orléans (e na França como a Siège d'Orléans). Os franceses já haviam tentado defender Orléans mas não obtiveram sucesso.

Exitem histórias paralelas a esta que informam que a figura de Joana era diferente. Ela teria chegado para a batalha em um cavalo branco, armadura de aço, e segurando um estandarte com a cruz de Cristo, circunscrita com o nome de Jesus e Maria. Segundo esta outra versão, Joana apenas arrastada pelo fascínio sobrenatural de seus sonhos e proposta de missão a cumprir segundo a vontade divina e sem saber nada sobre arte de guerra comandou os soldados rudes, com ar angelical, na qual em sua presença ninguém se atrevia a dizer ou praticar inconveniências. Ela apresentava-se extremamente disciplinada.

Após a libertação de Orléans, os ingleses pensaram que os franceses iriam tentar reconquistar Paris ou a Normandia, e ao invés disto, Joana convenceu o Delfim a iniciar uma campanha sobre o rio Loire. Isso já era uma estratégia de Joana para conduzir o Delfim a Rouen.

Joana dirigiu-se a vários pontos fortificados sobre pontes do rio Loire. Em 11 e 12 de junho de 1429 venceu a batalha de Jargeau. No dia 15 de junho foi a vez da batalha de Meung-sur-Loire. A terceira vitória foi na batalha de Beaugency, nos dias 16 e 17 de junho do mesmo ano. Um dia após sua última vitória se dirigiu a Patay, onde sua participação foi pouca. A batalha de Patay, única batalha em campo aberto, já se desenrolava sem a presença de Joana.


Coroação de Carlos VII

Cerca de um mês após sua vitória sobre os ingleses em Orléans, ela conduziu o rei Carlos VII à cidade de Reims, onde Carlos VII é coroado em 17 de julho. A vitória de Joana d'Arc e a coroação do rei acabaram por reacender as esperanças dos franceses de se libertarem do domínio inglês e representaram a virada da guerra.

O caminho até Reims era considerado difícil já que várias cidades estavam sob o domínio dos borguinhões. Porém, a fama de Joana tinha se estendido por boa parte do território e fez com que o exército armagnac do delfim fosse temido. Assim, Joana passou sem problemas por sucessivas cidades como Gien, Saint Fargeau, Mézilles, Auxerre, Saint Florentin e Saint Paul.
Desde Gien, foram enviados convites a diversas autoridades para assistir à consagração do delfim. Em Auxerre chegou-se a pensar em resistência por parte de uma pequena tropa inimiga que se encontrava na cidade. Após três dias de negociação foi possível por lá passar sem qualquer problema. O mesmo aconteceu em Troyes, cujas negociações duraram cinco dias. A chegada a Ruão foi em 16 de julho.

Sabe-se que o dia da consagração definitiva do rei francês em Ruão foi em 17 de julho e não foi a cerimônia mais esplêndida do momento, já que as circunstâncias da guerra impediam o contrário. Joana assistiu à consagração de uma posição privilegiada, acompanhada de seu estandarte.

Teoricamente Joana já não tinha nada mais que fazer no exército já que havia cumprido sua promessa perfeitamente, havia cumprido corretamente as ordens que as vozes lhe haviam dado. Mas ela, como muitos outros, viu que enquanto a cidade de Paris estivesse tomada pelas tropas inglesas, dificilmente o novo rei poderia ter claramente o controle do reino de França.

No mesmo dia da coroação, chegaram emissários do Duque de Borgonha e se iniciaram as negociações para se chegar a paz, ou a uma trégua, que foi finalmente o que se pactuou. Não foi a paz que Joana desejava, mas pelo menos ela houve durante quinze dias. Entretanto a trégua não foi gratuita, já que houve interesses políticos por trás desta. Carlos VII necessitava tomar Paris para exercer sua autoridade de rei mas não queria criar uma imagem ruim com uma conquista violenta de terras que passariam a ser seu domínio. Foi isto que o que motivou a firmar a trégua com o Duque de Borgonha. Foi uma necessidade de ganhar tempo.

Durante a trégua, Carlos VII levou seu exército até Île-de-France (região francesa que abriga Paris). Houve alguns enfrentamentos entre os armagnacs e a aliança inglesa com os borguinhões. Os ingleses abandonaram Paris dirigindo-se a Ruão (ou Rouen em francês). Restava então derrotar os borguinhões que ainda ficaram em Paris e na região.

Joana foi ferida por uma flecha durante uma tentativa de entrar em Paris. Isto acelerou a decisão do rei em bater em retirada no dia 10 de setembro. Com a parada o rei francês não expressava a intenção de abandonar definitivamente a luta, mas optava por pensar e defender a opção de conquistar a vitória mediante a paz, tratados e outras oportunidades no futuro.

Na primavera de 1430, Joana d'Arc retomou a campanha militar e passou a tentar libertar a cidade de Compiègne, onde acabou sendo dominada e capturada pelos borguinhões, aliados dos ingleses, em 1430.


Foi presa em 23 de maio do mesmo ano. Entre os dias 23 e 27 foi conduzida à Beaulieu-lès-Fontaines. Joana foi entrevistada entre os dias 27 e 28 pelo próprio Duque de Borgonha, Felipe, o bom. Naquele momento Joana era propriedade do Duque de Luxemburgo. Joana foi levada ao Castelo de Beaurevoir, onde permaneceu todo o verão, enquanto o duque de Luxemburgo negociava sua venda. Ao vendê-la aos ingleses, Joana foi transferida a Rouen.

Joana foi presa em uma cela escura e vigiada por cinco homens. Em contraste ao bom tratamento que recebera em sua primeira prisão, Joana agora vivia seus piores tempos.

O processo contra Joana teve início no dia 9 de janeiro de 1431, sendo chefiado pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. Foi um processo que passaria à posteridade e que converteria Joana em heroína nacional, pelo modo como se desenvolveu e trouxe o final da jovem, e da lenda que ainda nos dias de hoje mescla realidade com fantasia.

Dez sessões foram feitas sem a presença da acusada, apenas com a apresentação de provas, que resultaram na acusação de heresia e assassinato.

No dia 21 de fevereiro Joana foi ouvida pela primeira vez. A princípio ela se negou a fazer o juramento da verdade, mas logo o fez. Joana foi interrogada sobre as vozes que ouvia, sobre a igreja militante, sobre seus trajes masculinos. No dia 27 e 28 de março, Thomas de Courcelles fez a leitura dos 70 artigos da acusação de Joana, e que depois foram resumidos a 12 , mais precisamente no dia 5 de abril. Estes artigos sustentavam a acusação formal para a Donzela buscando sua condenação.

No mesmo dia 5, Joana começou a perder saúde por causa de ingestão de alimentos venenosos que a fez vomitar. Isto alertou Cauchon e os ingleses, que lhe trouxeram um médico. Queriam mantê-la viva, principalmente os ingleses, porque planejavam executá-la.

Durante a visita do médico, Jean d’Estivet acusou Joana de ter ingerido os alimentos envenenados conscientemente para cometer suicídio. No dia 18 de abril, quando finalmente ela se viu em perigo de morte, pediu para se confessar.

Os ingleses impacientaram-se com a demora do julgamento. O Conde de Warwick disse a Cauchon que o processo estava demorando muito. Até o primeiro proprietário de Joana, Jean de Luxemburgo, apresentou-se a Joana fazendo-lhe a proposta de pagar por sua liberdade se ela prometesse não atacar mais os ingleses. A partir do dia 23 de maio, as coisas se aceleraram, e no dia 29 de maio ela foi condenada por heresia.

Joana foi queimada viva em 30 de maio de 1431, com apenas dezenove anos. A cerimônia de execução aconteceu na Praça do Velho Mercado (Place du Vieux Marché), às 9 horas, em Rouen.
Antes da execução ela se confessou com Jean Totmouille e Martin Ladvenu, que lhe administraram os sacramentos da Comunhão. Entrou, vestida de branco, na praça cheia de gente, e foi colocada na plataforma montada para sua execução. Após lerem o seu veredito, Joana foi queimada viva. Suas cinzas foram jogadas no rio Sena, para que não se tornassem objeto de veneração pública. Era o fim da heroína francesa.

A revisão do seu processo começou a partir de 1456, quando foi considerada inocente pelo Papa Calisto III, e o processo que a condenou foi considerado inválido, e em 1909 a Igreja Católica a beatifica. Em 1920, Joana d'Arc é declarada santa pelo Papa Bento XV.

Temos outra versão que informa que vinte anos após a sua condenação a fogueira, os pais pediram que o papa da época, Calisto III autorizou uma comissão que, numa pesquisa serena e profunda, reconheceu a nulidade do processo por vício de forma e de conteúdo. Joana d´Arc desta maneira teve sua honra reabilitada, e o nome feiticeira, e bruxa foi apagado para que ela fosse reconhecida por suas virtudes heróicas, provenientes de uma missão divina.

Ela foi proclamada Mártir pela Pátria e da Fé.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Continua o declínio americano

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Veja no gráfico acima o resultado do PIB americano no Primeiro Trimestre de 2009. Queda de 5,7%.
No mês anterior caiu 6.3%. O que nos últimos trimestres dá mais de 15%. Pense bem, uma economia cair em três meses 15% é um desastre irrecuperável. Com consequências geo-políticas importantes e também irreversíveis. Veja algumas:

- Vai faltar dinheiro para obras públicas.
- Com menos obras públicas, aumenta o desemprego.
- Com maior desemprego, maior recessão.
- Com maior recessão, menor a capacidade dos Estados Unidos pagarem suas dívidas.
- A confiança do mundo no dólar despenca.
- O dólar deixa de ser moeda internacional.
- Falta dinheiro para as forças armadas, programas militares, etc.
- Com a perda de poder militar, Coréia e Iran ficam livres para se armar nuclearmente
- Com o fortalecimento de Coréia e Iran, e falta de dinheiro nos Estados Unidos para sustentar os gastos de Israel, este último vai entrar em recessão, e muitos israelenses irão emigrar.
- Israel vai perder força na geopolítica mundial.
- Os árabes vão ganhar
- O Brasil, China, e Índia também
- E o Império Americano desaba até 2011

Beethoven - Concerto No 5 para piano e orquestra, "Imperador"

Beethoven era um homem melancólico, irritável, às vezes sombrio, deprimido pelo avanço inexorável da surdez, pelas tristezas da vida, pela solidão, e por isso mesmo é incrível a genialidade deste compositor em obras como o Concerto Imperador para Piano e Orquestra, No 5, onde mistura passagens fortes com trechos de uma ternura e de uma singeleza impressionantes.

Ele era capaz de transmitir em música todos os estados de espírito possíveis, e este concerto é uma prova disto. Ouçam o grande pianista Claudio Arrau interpretando o Concerto Imperador, talvez um dos mais belos já compostos para este instrumento. E se deixe levar pela melodia e pela paz que as notas trazem ao coração e da alma.












Ludwig van Beethoven (Bonn, 16 de dezembro de 1770 — Viena, 26 de março de 1827) foi um compositor erudito alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem, como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos. “O resumo de sua obra é a liberdade,” observou o crítico alemão Paul Bekker (1882-1937), “a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida.”

Beethoven foi batizado em 17 de Dezembro de 1770, tendo nascido presumivelmente no dia anterior, na Renânia do Norte (Alemanha). Sua família era de origem flamenga, cujo sobrenome significava horta de beterrabas e no qual a partícula van não indicava nobreza alguma. Seu avô, Lodewijk van Beethoven - também chamado Luís na tradução -, de quem herdou o nome, nasceu na Antuérpia, em 1712, e emigrou para Bonn, onde foi maestro de capela do príncipe eleitor.

Descendia de artistas, pintores e escultores, era músico e foi nomeado regente da Capela Arquiepiscopal na corte da cidade de Colónia. Na mesma capela, seu filho, o pai de Ludwig, era tenor e também leccionava. Foi dele que Beethoven recebeu as suas primeiras lições de música, o qual o pretendeu afirmar como menino prodígio ao piano, tal seria a facilidade demonstrada desde muito cedo para tal. Por isso o obrigava a estudar música todos os dias, durante muitas horas, desde os cinco anos de idade. No entanto, seu pai terminou consumido pelo álcool, pelo que a sua infância se manifestou como infeliz, por isso.

Sua mãe, Maria Magdalena Kewerich (1746-1787), era filha do chefe de cozinha do príncipe da Renânia, Johann Heinrich Keverich. Casou-se duas vezes. O primeiro marido foi Johann Leym (1733-1765). Tiveram apenas um filho, Johann Peter Anton, que nasceu e morreu em 1764. Depois da morte do marido, Magdalena, viúva, casou-se com Johann van Beethoven (1740-1792). Tiveram sete filhos: o primeiro, Ludwig Maria, que nasceu e morreu no ano de 1769; o segundo Ludwig van Beethoven (1770-1827), o compositor, que morreu com 56 anos; o terceiro, Kaspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) que também tinha dotes para a música e que morreu com 41 anos; o quarto, Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848), que se tornou muito rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 anos; a quinta, Anna Maria, que nasceu e morreu em 1779; o sexto, Franz Georg (1781-1783), que morreu com dois anos de idade e a sétima, Maria Magdalena (1786-1787), que morreu com apenas um ano de idade. Portanto, Beethoven – que foi o terceiro filho da sua mãe e o segundo do seu pai – teve sete irmãos, cinco dos quais morreram na infância. Quanto aos irmãos vivos, Beethoven foi o primeiro, Kaspar foi o segundo e Nicolaus o terceiro.

Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados, mas sempre revelou um talento excepcional para a música. Com apenas oito anos de idade, foi confiado a Christian Gottlob Neefe (1748-1798), o melhor mestre de cravo da cidade, que lhe deu uma formação musical sistemática, e lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da música. Numa carta publicada em 1780, pela mão de seu mestre, afirmava que seu discípulo, de dez anos, dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e que o apresentava como um segundo Mozart.

Compôs as suas primeiras peças aos onze anos de idade, iniciando a sua carreira de compositor, de onde se destacam alguns Lieds. Os seus progressos foram de tal forma notáveis que, em 1784, já era organista-assistente da Capela Eleitoral, e pouco tempo depois, foi violoncelista na orquestra da corte e professor, assumindo já a chefia da família, devido à doença do pai - alcoolismo. Foi neste ano que conheceu um jovem Conde de Waldstein, a quem mais tarde dedicou algumas das suas obras, pela sua amizade. Este, percebendo o seu grande talento, enviou-o, em 1787, para Viena, a fim de ir estudar com Joseph Haydn. O Arquiduque de Áustria, Maximiliano, subsidiou então os seus estudos. No entanto, teve que regressar pouco tempo depois, assistindo à morte de sua mãe. A partir daí, Ludwig, com apenas dezessete anos de idade, teve que lutar contra dificuldades financeiras, já que seu pai tinha perdido o emprego, devido ao seu já elevado grau de alcoolismo.


Foi o regresso de Viena que o motivou a um curso de literatura. Foi aí que teve o seu primeiro contacto com Ideais da Revolução Francesa, com o Iluminismo e com um movimento literário romântico: Sturm und Drang - Tempestade e Ímpeto/Paixão; dos quais, um dos seus melhores amigos, Friedrich Schiller, foi, juntamente com Johann Wolfgang von Goethe, dos líderes mais proeminentes deste movimento, que teria uma enorme influência em todos os sectores culturais na Alemanha.

Em 1792, já com 21 anos de idade, muda-se para Viena onde, afora algumas viagens, permanecerá para o resto da vida. Foi imediatamente aceito como aluno por Joseph Haydn, o qual manteve o contacto à primeira estadia de Ludwig na cidade. Procura então complementar mais os seus estudos, o que o leva a ter aulas com Antonio Salieri, com Foerster e Albrechtsberger, que era maestro de capela na Catedral de Santo Estêvão. Tornou-se então um pianista virtuoso, cultivando admiradores, os quais muitos da aristocracia. Começou então a publicar as suas obras (1793-1795). O seu Opus 1 é uma colecção de 3 Trios para Piano, Violino e Violoncelo. Afirmando uma sólida reputação como pianista, compôs suas primeiras obras-primas: as Três Sonatas para Piano Op.2 (1794-1795). Estas mostravam já a sua forte personalidade.

Foi em Viena que lhe surgiram os primeiros sintomas da sua grande tragédia. Foi-lhe diagnosticado, por volta de 1796, tinha Ludwig os seus 26 anos de idade, a congestão dos centros auditivos internos, o que lhe transtornou bastante o espírito, levando-o a isolar-se e a grandes depressões.

Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas acções; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos.

— Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, a 6 de Outubro de 1802

Consultou vários médicos, inclusive o médico da corte de Viena. Fez curativos, realizou balneoterapia, usou cornetas acústicas, mudou de ares; mas os seus ouvidos permaneciam arrolhados. Desesperado, entrou em profunda crise depressiva e pensou em suicidar-se.

Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!

— Ludwig van Beethoven, in Testamento de Heilingenstadt, a 6 de Outubro de 1802



Embora tenha feito muitas tentativas para se tratar, durante os anos seguintes, a doença continuou a progredir e, aos 46 anos de idade (1816), estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Ludwig jamais perdeu a audição por completo, muito embora nos seus últimos anos de vida a tivesse perdido, condições que não o impediram de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas.

No entanto, o seu verdadeiro génio só foi realmente revisado com a publicação das suas Op. 7 e Op. 10, entre 1796 e 1798: a sua Quarta Sonata para Piano em Mib Maior, e as suas Quinta em Dó Menor, Sexta em Fá Maior e Sétima em Ré Maior Sonatas para Piano.

Em 2 de Abril de 1800, a sua Sinfonia nº1 em Dó maior, Op. 21 faz a sua estreia em Viena. Porém, no ano seguinte, confessa aos amigos que não está satisfeito com o que tinha composto até então, e que tinha decidido seguir um novo caminho. Em 1802, escreve o seu testamento, mais tarde revisto como O Testamento de Heilingenstadt, por ter sido escrito na localidade austríaca de Heilingenstadt, então subúrbio de Viena, dirigido aos seus dois irmãos vivos: Kaspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) e Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848).

Finalmente, entre 1802 e 1804, começa a trilhar aquele novo caminho que ambiciona, com a apresentação de Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, Op.55, intitulada de Eróica. Uma obra sem precedentes na história da música sinfônica, considerada o início do período Romântico, na Música Erudita. Os anos seguintes à Eroica foram de extraordinária fertilidade criativa, e viram surgir numerosas obras-primas: a Sonata para Piano nº 21 em Dó maior, Op.53, intitulada de Waldstein, entre 1803 e 1804); a Sonata para Piano nº 23 em Fá menor, Op.57, intitulada de Appassionata, entre 1804 e 1805; o Concerto para Piano nº 4 em Sol Maior, Op.58, em 1806; os Três Quartetos de Cordas, Op.59, intitulados de Razumovsky, em 1806; a Sinfonia nº 4 em Si bemol Maior, Op.60, também em 1806; o Concerto para Violino em Ré Maior, Op.61, entre 1806 e 1807; a Sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op.67, entre 1807 e 1808; a Sinfonia nº 6 em Fá maior, Op.68, intitulada de Pastoral, também entre 1807 e 1808; a Ópera Fidelio, Op.72, cuja versão definitiva data de 1814; e o Concerto para Piano nº 5 em Mi bemol Maior, Op.73, intitulado de Imperador, em 1809.

Ludwig escreveu ainda uma Abertura, música destinada a ilustrar uma peça teatral, uma tragédia em cinco actos de Goethe: Egmont. E muito se conta do encontro entre Johann Wolfgang von Goethe e Ludwig van Beethoven.

"Uma criatura completamente indomável."

— '''Johann Wolfgang von Goethe, sobre Ludwig van Beethoven'


Depois de 1812, a surdez progressiva aliada à perda das esperanças matrimoniais e problemas com a custódia do sobrinho levaram-o a uma crise criativa, que faria com que durante esses anos ele escrevesse poucas obras importantes.

Neste espaço de tempo, escreve a Sinfonia nº 7 em Lá Maior, Op.92, entre 1811 e 1812, a Sinfonia nº 8 em Fá Maior, Op.93, em 1812, e o Quarteto em Fá Menor, Op.95, intitulado de Serioso, em 1810.

A partir de 1818, Ludwig, aparentemente recuperado, passou a compor mais lentamente, mas com um vigor renovado. Surgem então algumas de suas maiores obras: a Sonata nº 29 em Si bemol Maior, Op.106, intitulada de Hammerklavier, entre 1817 e 1818; a Sonata nº 30 em Mi Maior, Op.109 (1820); a Sonata nº 31 em Lá bemol Maior, Op.110 (1820-1821); a Sonata nº 32 em Dó Menor, Op.111 (1820-1822); as Variações Diabelli, Op.120 (1819.1823), a Missa Solemnis, Op.123 (1818-1822).

A culminância destes anos foi a Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 (1822-1824), para muitos a sua maior obra-prima. Pela primeira vez é inserido um coral num movimento de uma sinfonia. O texto é uma adaptação do poema de Friedrich Schiller, "Ode à Alegria", feita pelo próprio Ludwig van Beethoven.

Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até à morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

— parte do verso da Ode à Alegria, de Friedrich Schiller, utilizado por Ludwig van Beethoven.
A obra de Beethoven refletiu em um avivamento cultural. Conforme o historiador Paul Johnson, “Existia uma nova fé e Beethoven era o seu profeta. Não foi por acidente que, aproximadamente na mesma época, as novas casas de espetáculo recebiam fachadas parecidas com as dos templos, exaltando assim o status moral e cultural da sinfonia e da música de câmara.”

Os anos finais de Ludwig foram dedicados quase exclusivamente à composição de Quartetos para Cordas. Foi nesse meio que ele produziu algumas de suas mais profundas e visionárias obras, como o Quarteto em Mi bemol Maior, Op.127 (1822-1825); o Quarteto em Si bemol Maior, Op.130 (1825-1826); o Quarteto em Dó sustenido Menor, Op.131 (1826); o Quarteto em Lá Menor, Op.132 (1825); a Grande Fuga, Op.133 (1825), que na época criou bastante indignação, pela sua realidade praticamente abstrata; e o Quarteto em Fá Maior, Op.135 (1826).

De 1816 até 1827, ano da sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais. Sua influência na história da música foi imensa. Ao morrer, a 26 de Março de 1827, estava a trabalhar numa nova sinfonia, assim como projectava escrever um Requiem. Conta-se que cerca de dez mil pessoas compareceram no seu funeral, entre elas Franz Schubert. Faleceu de cirrose hepática, após contrair pneumonia.

A sua vida artística poderá ser dividida - o que é tradicionalmente aceite desde o estudo, publicado em 1854, de Wilhelm von Lenz - em três fases: a mudança para Viena, em 1792, quando alcança a fama de brilhantíssimo improvisador ao piano; por volta de 1794, se inicia a redução da sua acuidade auditiva, facto que o leva a pensar em suicídio; os últimos dez anos de sua vida, quando fica praticamente surdo, e passa a escrever obras de carácter mais abstracto.

Em 1801, Beethoven afirma não estar satisfeito com o que compôs até então, decidindo tomar um "novo caminho". Dois anos depois, em 1803, surge o grande fruto desse "novo caminho": a sinfonia nº3 em Mi bemol Maior, apelidada de "Eroica", cuja dedicatória a Napoleão Bonaparte foi retirada com alguma polémica. A sinfonia Eroica era duas vezes mais longa que qualquer sinfonia escrita até então.

Em 1808, surge a Sinfonia nº5 em Dó menor (sua tonalidade preferida), cujo famoso tema da abertura foi considerado por muitos como uma evidência da sua loucura.
Em 1814, na segunda fase, Beethoven já era reconhecido como o maior compositor do século.

Em 1824, surge a Sinfonia nº9 em Ré Menor. Pela primeira vez na história da música, é inserido um coral numa sinfonia, inserida a voz humana como exaltação dionisíaca da fraternidade universal, com o apelo à aliança entre as artes irmãs: a poesia e a música.

Beethoven começou a compor música como nunca antes se houvera ouvido. A partir de Beethoven a música nunca mais foi a mesma[carece de fontes]. As suas composições eram criadas sem a preocupação em respeitar regras que, até então, eram seguidas. Considerado um poeta-músico, foi o primeiro romântico apaixonado pelo lirismo dramático e pela liberdade de expressão.

Foi sempre condicionado pelo equilíbrio, pelo amor à natureza e pelos grandes ideais humanitários. Inaugura, portanto, a tradição de compositor livre, que escreve música para si, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre. Hoje em dia muitos críticos o consideram como o maior compositor do século XIX, a quem se deve a inauguração do período Romântico, enquanto que outros o distinguem como um dos poucos homens que merecem a adjectivação de "génio".


Ludwig era canhoto e devido à sua tez morena e cabelos muito negros, tratavam-no de "o espanhol".
Dentre seus problemas de saúde, ficou com o rosto marcado pela varíola.
Otto Maria Carpeaux, na sua obra Uma Nova História da Música, afirma que Ludwig assistiu à primeira apresentação pública da sua 9ª Sinfonia, ao lado de Umlauf, que a regeu - como ficou registrado por Schindler e mais tarde por Grove -, mas abstraído na leitura da partitura, não pôde perceber que estava sendo ovacionado até que Umlauf, tocando no seu braço, voltou a sua atenção à sala, e então Beethoven inclinou-se diante do público que o aplaudia.

Hans von Bülow refere-se a Beethoven como um dos "três Bs da música" (os outros dois seriam Bach e Brahms), considerando as suas 32 sonatas para piano como o Novo Testamento da música.

Existem especulações históricas sobre um provável encontro entre Beethoven e Wolfgang Amadeus Mozart, mas não existe nenhum fato histórico que possa comprovar esta hipótese. No entanto, existem histórias de seu encontro, como por exemplo, uma que refere um Mozart absorto no seu trabalho, na composição de Don Giovani, que não terá tido tempo de lhe prestar a devida atenção. Uma outra, bem mais interessante, relaciona, não só o seu encontro, como o seu envolvimento, ao qual se refere a seguinte frase:

"Não o percam de vista, um dia há-de dar que falar."

— Mozart, sobre Beethoven

Você está sendo enganado

Sexta-feira, 4 de janeiro de 2002

Segredos e mentiras

Jornalista reúne colegas e acadêmicos para fazer um "guia da desinformação".

Nos bastidores da notícia Por Marcel Plasse, Para o Valor

Você está sendo enganado. O jornalista Russ Kick, colunista do "Village Voice", tem certeza disso. Após ler as 400 páginas de "You Are Being Lied To" (The Disinformation Company, US$ 19,95), você também terá. É a tese e a razão da publicação do livro, uma coletânea de textos de jornalistas e acadêmicos, alguns muito famosos e outros radicalmente alternativos. O livro é um projeto do website Disinformation. Kick, que se especializou em mídia alternativa (tem dois livros sobre o assunto), edita com faro de jornalista investigativo e também com uma queda pelo exótico e o sensacional. O conceito trata da velha pulga atrás da orelha: há mais coisa entre o fato e a notícia do que supõe a nossa vã filosofia.

Descrito como um "guia da desinformação", o livro não traz as respostas a tudo o que "eles" não contam. Mas irriga a semente da dúvida em mentes inquiridoras. As credenciais de colaboradores como o lingüista Noam Chomsky, que escreve sobre a transformação do noticiário em propaganda, e o cientista político Howard Zinn, sobre a verdadeira história de Cristóvão Colombo, dão consistência intelectual ao projeto.

Além de questionar os noticiários, a obra discute "verdades" há muito incorporadas pelo senso comum, como os Alcoólatras Anônimos e a teoria do Big Bang. Alguns textos podem parecer ficção científica - ou até novela, caso do alerta sobre a clonagem humana. Não faltam teorias de conspiração. Mas, afinal, por que os museus se recusam a exibir artefatos que contradigam a teoria da evolução? Por que a revelação do envolvimento da CIA no comércio de drogas não foi mais bem explicado? Por que o governo americano comprou os direitos de todas as fotos de satélite tiradas do Afeganistão após o início dos bombardeios ao país? Kick garante que nada é resultado de pura especulação: "You Are Being Lied To" compila dados substanciais, a ponto de o leitor se sentir meio Fox Moulder, acreditando que "A Verdade está lá fora".

Em entrevista por e-mail, o editor diz que a verdade pode estar na internet - em sites noticiosos como o disinfo.com e o alterNewswire. Mas muito raramente na CNN. "You Are Being Lied To" ensina a duvidar de tudo o que a grande mídia ensina e encoraja as pessoas a buscarem novos ângulos e julgarem por si próprias se estão, ou não, sendo enganadas. Em outras palavras: acredite se quiser.

Valor: Como surgiu o livro? Foi um passo natural para o website Disinformation ou evoluiu a partir de seu projeto anterior, "Outposts"?

Russ Kick: Ambos. As pessoas que dirigem o Disinformation (www.disinfo.com) queriam se aventurar no mercado editorial e eu já estava escrevendo críticas para o site. Depois que fiz "Outposts" e sua seqüência, "Psychotropedia", estava pronto para outro livro, mas pretendia usar uma abordagem diferente. Em vez de escrever um guia a livros alternativos, queria editar uma coleção de artigos reveladores. Assim, o livro foi uma progressão natural tanto para o Disinformation quanto para mim.

Valor
: Como você compara "You Are Being Lied To" e "Outposts: a Catalog of Rare and Disturbing Alternative Information"?

Kick: O projeto anterior cobria qualquer ponto de vista, contanto que não fosse ortodoxo, e se baseava em publicações independentes e alternativas. "You Are Being Lied To" é mais seletivo. A coleção de artigos de mais de 50 escritores (eu, entre eles) foca fatos e teorias mais interessantes, importantes e embasadas, que residem fora do "mainstream".

Valor: O título surgiu de imediato?

Kick: O título surgiu na minha mente logo que comecei a burilar o projeto. Achei que "You Are Being Lied To" era descomprometido e confirmava o que muitos estão sentindo - que não estão lhes contando a verdade.

Valor: A informação não é apenas informação? Por que chamá-la de informação alternativa?

Kick: Há uma enormidade de informação que as pessoas desconhecem por uma variedade de razões. Na maioria das vezes é porque ela embaraçaria interesses poderosos. É por isso que não se ouve dizer que o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter era, na verdade, um inimigo dos direitos humanos, que o senador John McCain teve sucesso em bloquear a liberação de informação sobre prisioneiros americanos de guerra ou que a família do presidente Bush construiu sua fortuna a partir do comércio com os nazistas. É por isso também que as bancas de jornal ignoram que uma gigantesca corporação alimentícia dos EUA matou, recentemente, 15 pessoas com carne contaminada e que Israel comanda o maior círculo de espionagem já descoberto nos EUA. "Informação alternativa" é o tipo de informação que alguém tenta esconder.

Valor: Em seu ensaio, Kenn Thomas escreve: "A internet parece cada vez mais com as bancas de jornal antiquadas, em que todas as revistas reportam as mesmas notícias sob o mesmo ângulo, ou com a cobertura das redes de TV antes do cabo." O que essa uniformidade significa para o futuro do "web journalism"?

Kick: Se você for além dos websites das grandes organizações de notícia dos EUA, como a CNN, o "New York Times" e a ABC News, acho que encontrará diversidade de notícias. O problema, porém, é que os sites alternativos e estrangeiros são tantos que se torna impossível checá-los rotineiramente. De um modo geral, acho que a web é e será um bem para o jornalismo, em especial quando alguém descobrir como ganhar dinheiro com sites de notícias. Uma vez que isso aconteça, haverá mais incentivo para mídias independentes abrirem sites com grande variedade de reportagens originais.

Valor: Como funciona o seu site de notícias?

Kick: O alterNewswire (www.alternewswire.com) é um site que comecei em resposta ao problema de ter de vasculhar tantas fontes de notícias - "mainstream" e alternativas, nacionais e estrangeiras, etc. Visito tantos sites de notícias quanto posso e "linko" as melhores histórias, especialmente as que são ignoradas pela CNN e pela grande mídia. Costumava atualizar os links semanalmente, mas tenho deixado o site em hiato enquanto trabalho na seqüência de "You Are Being Lied To".

Valor: Você já está trabalhando na seqüência?

Kick
: Sim. Chama-se "Everything You Know Is Wrong" e será publicado pela Disinformation em março ou abril. Alguns dos tópicos cobertos são lavagem de dinheiro, Olimpíada, doença da vaca louca, prostituição, a explosão do vôo 103 da PanAm, a guerra das drogas, os ataques de 11 de setembro e os acidentes nas usinas nucleares.

Valor
: A mídia costuma ser chamada de "O Quarto Poder". Quão poderosa ela se tornou?

Kick: É difícil superestimar o poder da mídia. Ao menos nos EUA, ela institui a agenda do que a maioria considera importante. O presidente ou o Congresso pode fazer as piores coisas imagináveis, mas, se a grande mídia não cobrir, a maioria ficará sem saber o que está acontecendo. Por outro lado, a mídia às vezes chama a atenção para algo que precisa ser discutido, como o plano de tribunais militares secretos para suspeitos de terrorismo.

Valor: Não deveríamos ter mais jornalismo investigativo na grande mídia?

Kick
: Parte disso tem a ver com restrições de tempo e dinheiro. É muito mais fácil papagaiar os releases de imprensa das corporações e do governo do que batalhar duro pela verdade. Jornalismo investigativo demanda longo tempo, custa dinheiro e corre o risco de precipitar ações na Justiça. Também pode afastar anunciantes. Além disso, uma vez que os grandes distribuidores de notícias são de enormes corporações - como a General Electric -, não demonstram demasiada ansiedade para perturbar a ordem das coisas. Essas corporações gigantes estão "doando" tanto dinheiro aos políticos, com o objetivo de comprar influência, que não vão querer sua imprensa batendo forte com reportagens que embaraçariam esses políticos ou as outras grandes corporações.

Valor
: O jornalismo virou parte do jogo corporativo? A Time-Warner é um exemplo do que o futuro aguarda para os grandes jornais e revistas?

Kick
: Sim, definitivamente. Nos EUA, todos os grandes jornais, revistas e emissoras de notícias pertencem a grandes corporações. Outros países estão enfrentando o mesmo, embora acredite que a maioria ainda tenha alguma mídia independente de peso - como o jornal "The Guardian", na Grã-Bretanha.

Valor: Qual notícia foi a maior farsa de 2001?

Kick
: Sem dúvida a afirmação de que os ataques de 11 de setembro pegaram o governo dos EUA totalmente de surpresa. Num artigo para o meu próximo livro, demonstro que isso é uma mentira deslavada.

Valor: Após o colapso do World Trade Center, a CNN e as redes de TV dos EUA decidiram não veicular mais tapes de Ossama Bin Laden, com a desculpa de evitar mensagens em código para terroristas. Foi um caso bem conhecido de autocensura. Acha que o público percebeu que não estava tendo toda a informação e a verdade dos noticiários?

Kick: Esse exemplo de censura foi assumido, mas diversos casos similares não. Considero muito perturbador que os EUA tenham comprado todas as imagens de satélite de alta-resolução do Afeganistão, significando que nenhum noticiário ou indivíduo poderá ver imagens aéreas claras da destruição. O governo fez isso logo que as primeiras reportagens de vítimas civis começaram a aparecer. A mídia americana ignorou esse desdobramento. Tive de descobrir isso lendo o "Guardian", de Londres.

Valor
: Como a imprensa deveria se comportar em eventos de guerra?

Kick: Deveria reportar sempre a verdade e ajudar a alimentar debates. A única coisa que não deveria fazer é informar movimentos de tropa e planos para ataques específicos. Todo o resto - vítimas civis, mortes por "fogo amigo", as razões reais para a guerra - deveria ser coberto em sua totalidade.

Valor: Há uma novela na TV brasileira sobre um clone humano. De acordo com "You Are Being Lied To", isso não é tão fantasioso. Se um experimento dessa magnitude pode ser feito hoje, por que os cientistas não se apresentam para reivindicar os créditos da criação do primeiro clone humano? O pioneiro não se tornaria mundialmente famoso?

Kick: Acho que eles preferem a cautela, porque, pelo que eu saiba, não foi permitido a nenhum clone se desenvolver como um ser humano completo. Foram todos destruídos quando eram embriões. Além disso, as empresas de clonagem têm preferido manter um "low profile" porque há pessoas que são violentamente contra a clonagem humana. Elas podem ser tão violentas como as que se opõem ao aborto e jogam bombas em clínicas que o praticam. Na verdade, parece que parte da violenta oposição ao aborto vem das mesmas pessoas que ameaçam oposição violenta à clonagem.

Almir Sater, "Tocando em Frente"


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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cidade das formigas

No dia de hoje, há 138 anos, terminava o primeiro Governo Operário da História

A Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante à invasão alemã.


Barricadas erguidas pelos communards em frente a La Madelaine.

A história moderna registra algumas experiências de regimes comunais, impostos como afirmação revolucionária da autonomia da cidade. A mais importante delas - a Comuna de Paris - veio no bojo da insurreição popular de 18 de março de 1871. Durante a guerra franco-prussiana, as províncias francesas elegeram para a Assembléia Nacional uma maioria de deputados monarquistas francamente favorável à capitulação ante a Prússia. A população de Paris, no entanto, opunha-se a essa política. Thiers, elevado à chefia do Gabinete conservador, tentou esmagar os insurretos. Estes, porém, com o apoio da Guarda Nacional, derrotaram as forças legalistas, obrigando os membros do governo a abandonar precipitadamente a capital francesa, onde o comitê central da Guarda Nacional passou a exercer sua autoridade. A Comuna de Paris - considerada a primeira República Proletária da história - adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional.

O poder comunal manteve-se durante cerca de 40 dias. Seu esmagamento revestiu-se de extrema crueldade. De acordo com a Barsa mais de 20.000 communards foram executados pelas forças de Thiers.

O governo durou oficialmente de 26 de março a 28 de maio, enfrentando não só o invasor alemão como também tropas francesas, pois a Comuna era um movimento de revolta ante ao armistício assinado pelo governo nacional (transferido para Versalhes) após a derrota na Guerra Franco-Prussiana. Os alemães tiveram ainda que libertar militares franceses feitos prisioneiros de guerra, para auxiliar na tomada de Paris.

A população francesa já havia enfrentado, após a Revolução, uma grande revolta em 1848, responsável por destituir o rei-cidadão Luís Filipe d'Orleans. Após a formação de uma segunda república e o golpe de Napoleão III, a França ainda se envolveu em atritos constantes com a Alemanha, relacionados à sucessão espanhola. (veja Guerra Franco-Prussiana). Com um telegrama falsificado por Otto Von Bismarck, extremamente ofensivo ao povo francês. Napoleão III declara guerra.

O exército alemão no entanto estava mais bem preparado, e vence facilmente os franceses. O imperador francês é feito prisioneiro em Sedan ao que se declara novamente a república na capital francesa e se legitima um Governo Provisório de Defesa Nacional para o qual Louis Adolphe Thiers se elege como novo presidente.

Wilhelm I foi coroado Imperador da Alemanha no Palácio de Versalhes. Bismarck ao centro, de branco.

O Governo Provisório, com sede no Hôtel de Ville, iniciou um processo de capitulação da França entregando a maior parte de seu exército permanente bem como suas armas a contragosto da população parisiense. O único contingente agora armado era a Guarda Nacional formado em sua maior parte por operários e alguns membros da pequena burguesia.

Convictos na resistência ao exército estrangeiro a Guarda Nacional assaltou o Hotel de Ville e expulsou os membros da assembleia que se instalariam em Versalhes. A administração pública de Paris agora se encontrava nas mãos do Comitê Central da Guarda Nacional que manteria conversações com Versalhes até 18 de março, quando Thiers manda desarmar a Guarda Nacional numa operação sigilosa durante a madrugada daquele dia. Pegos de surpresa, a população parisiense expulsa o contingente de Thiers dando início à independência política de Paris frente à Assembléia de Versalhes culminando com a eleição e a declaração da Comuna em 26 e 28 de março.

Apesar da evidente disposição do povo parisiense em resistir, a Assembleia de Versalhes acabou assinando a paz com os alemães. Num episódio humilhante, Wilhelm I, o soberano alemão, foi coroado imperador do Segundo Reich na sala dos espelhos do Palácio de Versalhes.
Realizações da Comuna


A Comuna de Paris DECRETA: O alistamento obrigatório é abolido; a guarda nacional é a única força militar permitida em Paris; todos os cidadãos válidos fazem parte da guarda nacional.

O governo revolucionário foi formado por uma federação de representantes de bairro (a guarda nacional, uma milícia formada por cidadãos comuns). Uma das suas primeiras proclamações foi a "abolição do sistema da escravidão do salário de uma vez por todas". A guarda nacional se misturou aos soldados franceses, que se amotinaram e massacraram seus comandantes. 

O governo oficial, que ainda existia, fugiu, junto com suas tropas leais, e Paris ficou sem autoridade. O Comitê Central da federação dos bairros ocupou este vácuo, e se instalou na prefeitura. O comitê era formado por Blanquistas, membros da Associação Internacional dos Trabalhadores, Proudhonistas e uma miscelânea de indivíduos não-afiliados politicamente, a maioria trabalhadores braçais, escritores e artistas.

Eleições foram realizadas, mas obedecendo à lógica da democracia direta em todos os níveis da administração pública. A polícia foi abolida e substituída pela guarda nacional. A educação foi secularizada, a previdência social foi instituída, uma comissão de inquérito sobre o governo anterior foi formada, e se decidiu por trabalhar no sentido da abolição da escravidão do salário. 

Por sugestão do revolucionário Gustave Courbet as pedras da coluna Vendôme derrubada pelos "communards" seriam utilizadas para a reconstrução do hotel de la Monnaie, que a época servia de abrigo para inválidos.

Noventa representantes foram eleitos, mas apenas 25 eram trabalhadores, e a maioria foi constituída de pequenos-burgueses. 

Entretanto, os revolucionários eram maioria. Em semanas, a recém nomeada Comuna de Paris introduziu mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores combinados:

1. O trabalho noturno foi abolido;
2. Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;
3. Residências vazias foram desapropriadas e ocupadas;
4. Em cada residência oficial foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;
5. Todas os descontos em salário foram abolidos;
6. A jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de oito horas;
7. Os sindicatos foram legalizados;
8. Instituiu-se a igualdade entre os sexos;
9. Projetou-se a autogestão das fábricas (mas não foi possível implantá-la);
10. O monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos;
11. Testamentos, adoções e a contratação de advogados se tornaram gratuitos;
12. O casamento se tornou gratuito e simplificado;
13. A pena de morte foi abolida;
14. O cargo de juiz se tornou eletivo;
15. O calendário revolucionário foi novamente adotado;
16. O Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado;
17. A educação se tornou gratuita, secular, e compulsória. Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de sexo misto;
18. Imagens santas foram derretidas e sociedades de discussão foram adotadas nas Igrejas;
19. A Igreja de Brea, erguida em memória de um dos homens envolvidos na repressão da Revolução de 1848 foi demolida. O confessionário de Luís XVI e a coluna Vendome também;
20. A Bandeira Vermelha foi adotada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade;
21. O internacionalismo foi posto em prática: o fato de ser estrangeiro se tornou irrelevante. Os integrantes da Comuna incluíam belgas, italianos, poloneses, húngaros;
22. Instituiu-se um escritório central de imprensa;
23. Emitiu-se um apelo à Associação Internacional dos Trabalhadores;
24. O serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos;
25. Todas as finanças foram reorganizadas, incluindo os correios, a assistência pública e os telégrafos;
26. Havia um plano para a rotação de trabalhadores;
27. Considerou-se instituir uma Escola Nacional de Serviço Público, da qual a atual ENA francesa é uma cópia;
28. Os artistas passaram a autogestionar os teatros e editoras;
29. O salário dos professores foi duplicado.


Cadáveres de communards

O governo oficial, agora instalado em Versalhes e sob o comando de Thiers, fez a paz com a Alemanha para que tivesse tempo de esmagar a Comuna de Paris. A Alemanha libertou prisioneiros de guerra para compor as forças que o exército francês usaria contra a Comuna. Esta, perdeu terreno rapidamente, pois possuía menos de 15 mil milicianos defendendo a cidade contra 100 mil soldados de Versalhes. 

Durante a lenta derrota, os revolucionários atearam fogo aos símbolos do Império francês - os prédios administrativos, o palácio do governo - e executaram seus reféns, compostos em sua maioria por clérigos, policiais e juízes. 

A defesa também sofreu pela incompetência militar dos representantes escolhidos para organizá-la. Ao todo, a Comuna executou 100 pessoas e matou 900 na defesa de Paris. As tropas de Thiers, por outro lado, mataram de 50 a 80 mil parisienses, tanto nos combates quanto nas execuções sumárias que se seguiram. 40 mil pessoas foram presas, e muitas pessoas foram executadas por terem sido confundidas com membros da Comuna. 

As execuções só pararam por medo de que a quantidade imensa de cadáveres pudesse causar uma epidemia de doenças. Vista pela esquerda a Comuna foi a primeira experiência moderna de um governo realmente popular. Um extraordinário acontecimento histórico resultante da iniciativa de grupos revolucionários e do espontaneísmo político das massas, combinando patriotismo, republicanismo e socialismo, em meio à circunstâncias dramáticas de uma guerra perdida (Franco-Prussiana) e de uma guerra civil em curso.