quarta-feira, 29 de julho de 2009

ABBA - Take a chance on me

A Poesia de Eugénio de Andrade

As Palavras Interditas

Os navios existem e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E abrem-se janelas
mostrando a brancura das cortinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas minhas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens vivas, desenhadas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.



Adeus

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.



Retrato Ardente

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha



O Silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.



Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


José Fontinhas Rato (Fundão, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005), conhecido pelo pseudónimo de Eugénio de Andrade, foi um poeta português.

Nasceu na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Fixou-se em Lisboa aos dez anos, com a mãe, que entretanto se separara do pai.

Frequentou o Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado Narciso, publicou três anos mais tarde.

Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço. Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de Inspector Administrativo do Ministério da Saúde.

Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, numa casa que só deixou mais de quatro décadas depois, quando se mudou para o edifício da Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.

Durante os anos que se seguem até hoje, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como Joel Serrão, Miguel Torga, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luís Cernuda, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder, Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros.

Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Recebeu um sem número de distinções, entre as quais o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus(1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001).
Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.

Estreou-se em 1940 com a obra Narciso, torna-se mais conhecido em 1942 com o livro de versos Adolescente. A sua consagração acontece em 1948, com a publicação de As mãos e os frutos, que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio. A obra poética de Eugénio de Andrade é essencialmente lírica, considerada por José Saramago como uma poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua.

Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia, Os amantes sem dinheiro (1950), As palavras interditas (1951), Escrita da Terra (1974), Matéria Solar (1980), Rente ao dizer (1992), Ofício da paciência (1994), O sal da língua (1995) e Os lugares do lume (1998).
Em prosa, publicou Os afluentes do silêncio (1968), Rosto precário (1979) e À sombra da memória (1993), além das histórias infantis História da égua branca (1977) e Aquela nuvem e as outras (1986).

Foi também tradutor de alguma obras, como dos espanhóis Federico García Lorca e Antonio Buero Vallejo, da poetisa grega clássica Safo (Poemas e fragmentos, em 1974), do grego moderno Yannis Ritsos, do francês René Char e do argentino Jorge Luís Borges.
Em Setembro de 2003 a sua obra Os sulcos da sede foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube Português.

(Também devo à minha amiga Regiani Moraes a descoberta deste grande poeta português. À Regiani agradeço sinceramente tantas revelações no seu blog, Outros Ventos)

terça-feira, 28 de julho de 2009

É incrível como a Telefonica não perde uma oportunidade de se desmoralizar...

Telefônica não cumpriu exigências para a liberação do Speedy, diz Hélio Costa

Do Diário OnLine Com Agência Brasil

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou nesta terça-feira que a Telefônica ainda não cumpriu todas etapas para que o Speedy possa voltar a ser comercializado livremente. "Tive informações de que ainda precisa de mais participação da empresa", argumentou.

Na semana passada, Costa chegou a sugerir que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) revisse a proibição da comercialização do serviço de banda larga da Telefônica. À época, o ministro das Comunicações disse temer que a pena prejudicasse o usuário comum.

Com o objetivo de retomar as negociações, a Telefônica reuniu a imprensa em julho para informar que plano de estabilização do Speedy foi concluído dez dias antes do prometido para a Anatel. A companhia está proibida de vender o seu serviço de banda larga desde 22 de junho, por conta de um despacho da agência publicado no Diário Oficial da União.

"Nós cumprimos a nossa parte. Agora, é esperar pela avaliação da Anatel sobre a possibilidade de nós podermos voltar a vender o nosso serviço de banda larga", afirmou o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente.

Ou o Sr. Antonio Carlos Valente estava mentindo ou não tem a mínima idéia do que está acontecendo...

No total, o projeto de melhorias do Speedy tem um orçamento de R$ 75 milhões.

Realmente, os espanhóis e o sr. Valente não perdem uma única oportunidade de perder credibilidade.
Poderiam ter ficado calados.
Ainda não descobriram que "mentira tem pernas curtas".
A capacidade de enrolar-se com suas próprias declarações é incrível.
Com uma equipe de Dirigentes como esta, a Telefonica não precisa de inimigos...
Sugestão: Usem a "Estratégia Lula Durante O Mensalão" - digam sempre que não sabem de nada... fica melhor...

Perpetuum Jazzile e a universalidade da MPB


Parece um Coral de Brasileiros, mas é da longínqua e fria Eslovênia.

É o único coral de Jazz existente naquele país. Eles cantam bossa nova, Swing, funk, pop e gospel.

Tradução do nome da banda: Jazz Perpétuo

Site oficial: http://www.perpetuumjazzile.si/en /

Reparem a perfeição na dicção das palavras em português, nas músicas "Mais que Nada" e "Aquarela do Brasil".

Show de bola o grupo da frente , o BR6 que é brasileiro!

Fragonard

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Como fazer uma tempestade sem água



É impressionante a imitação da chuva e do trovão feito no palco - tem que ser ouvido com som alto devido ao efeito que eles dão à música.

Deleitem-se com a apresentação desse coro Perpetuum Jazzile - interpretando Africa.

Comércio 2.0


Internautas passam a comprar e vender produtos usado via web e estimulam o crescimento do comércio eletrônico no Brasil

segunda-feira, 20 de julho de 2009

porLucas Pretti, de O Estado de S. Paulo

No começo de 2005, havia seis sebos no Brasil com acervo disponível para compra online. Hoje, pela interferência direta e fundamental de um carioca de 31 anos, o número saltou para 1.486. São 24.766% de aumento - apenas mais uma porcentagem gigante no mundo dos negócios online. Mas este crescimento não diz respeito apenas à economia, mas também à inclusão digital, multiplicação de conhecimento e um modelo de negócios em que todos os envolvidos saem ganhando de fato.

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O Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br), que intermedeia as vendas dos sebos na internet, é o melhor exemplo do que se pode chamar de comércio colaborativo. Quem nunca foi comerciante tem usado a rede para se tornar um, mesmo que eventual, o que deixa produtos mais baratos, acessíveis, e cria uma espécie de mercado paralelo em que se vende de tudo.

No mercado de livros usados dá para dividir a história entre antes e depois de André Garcia. Administrador de empresas por formação, ele também é um intelectual incomodado com a organização do mundo, e que poucas vezes havia entrado num sebo antes de 2004, quando entrou na vida acadêmica.

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Após a frustrante experiência como funcionário de empresas de telecomunicações no Rio de Janeiro, André decidiu abandonar o que ele chama de “lógica acrítica” que lhe era imposta desde a faculdade de Administração (“um elogio ao sistema”, diz) até às corporações propriamente ditas, e começou a estudar Psicologia Social em São Paulo.

Enquanto garimpava livros de Marx, Freud, Marcuse e outros resistentes críticos com os quais se identificou, percebeu que toda a organização de livros usados em prateleiras errantes era péssima. Uma lombada para cada lado, livros perto do chão, nenhuma solução de busca e catalogação eficiente. Foi para a internet e se frustrou: apenas seis sebos vendiam online.

“São grandes empresas que tinham dinheiro para o desenvolvimento de um site bastante complexo, com busca, banco de dados e toda a programação para vender pela internet”, afirma André. É realmente caríssimo para mortais como donos de sebos pagar alguns milhares de reais para ter acervo online, fora que a cultura digital não é naturalmente impregnada nesse tipo de comerciante.

E se André também não tinha esse dinheiro, lhe sobrava inquietação intelectual. Trocou os livros de Freud por Javascript. Passou a estudar linguagens de programação - PHP/MySQL, C++ e outras dezenas de siglas de computação. Trucou. Fez ele mesmo toda a arquitetura do site, a busca de livros e o cadastro para sebos, além do sistema de e-commerce.

Quatro anos depois, os números falam pelo sucesso do negócio: 4,8 milhões de livros no acervo, 249 cidades, 300 mil buscas por dia, 97% de retornos positivos.

“Desbanquei a ‘elite’”, anuncia André, como se o feito fosse apenas este. Ele também propagou a cultura de troca de livros pela internet, inaugurou um mercado e incrementa o hábito de pechinchar preços. E cobra apenas 5% de comissão por venda e ainda estimula o comércio 2.0 puro. Leitores do site podem vender livros “de graça”, sem pagar comissão.

Todas as contas fecham na equação do Estante Virtual, que agora já tem uma ambição maior, obviamente não relacionada a dinheiro ou negócios ou outras coisas “acríticas”: “Queremos democratizar a leitura no País. Mas que leitura? Não é a de best-sellers”, diz André.


Internauta vira lojista quase que por acaso

Comércio eletrônico de nicho quase sempre começa com um hobby que, aos poucos, torna-se um negócio de fato

segunda-feira, 20 de julho de 2009 11:39

por Rafael Cabral e Bruno Galo, do Estado de S. Paulo

Olhando atônita para o “armário apertado” de seu apartamento, a publicitária Ana Luiza McLaren deu um basta: se livraria daquela tralha acumulada durante os anos. Vestidos há muito não usados, óculos que não saíam da caixinha e a calça para a qual não aguentava nem mais olhar - tudo seria vendido na internet. Em vez de apostar no já estabelecido site MercadoLivre, ela criou para isso o seu próprio negócio, ao lado de mais três amigas, o Enjoei.com.br. “Começamos mais pela necessidade de desocupar do que pela de vender”, brinca ela.

Com um investimento de R$140 (domínio e servidor), o site nasceu despretensioso. Abriria espaço para quem também quisesse vender, cobrando 15% do valor da peça. Logo no segundo mês de atividade, eram tantas pessoas interessadas que as amigas tiveram de contratar o seu primeiro funcionário, porque não estavam mais dando conta do volume de pedidos.

Os pequenos negócios, como o Enjoei, estão ganhando espaço no mercado online nacional. Os microempresários aumentaram seus lucros e ajudaram no crescimento anual de 25% do comércio eletrônico no país, segundo a consultoria E-bit. Já as dez maiores lojas brasileiras da web tiveram uma queda de 6,5% nas vendas no primeiro trimestre de 2009. O Ebay, o maior site de leilões do mundo, diminuiu em 32% o número de acessos que recebia por dia.

Para Gerson Rolim, diretor da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, o lucro dos pequenos reforça a tendência da segmentação. Em vez de caçar livros no Ebay ou no MercadoLivre, que vende de tudo, o brasileiro hoje prefere ir direto ao Estante Virtual, que só trata deles, por exemplo.

Rolim destaca, no entanto, que os sites nanicos dificilmente podem competir com os gigantes quando o assunto é preço. Os grandes compradores sempre terão mais controle sobre o valor dos seus itens. Para atender ao nicho, os sites precisam oferecer um diferencial, como produtos melhores e atendimento especializado.

É justamente nisso que aposta Laércio de Queiroz, de 45 anos, que desde 2006 mantém no MercadoLivre a sua Rare Records, pela qual vende vinis antigos para o Brasil e para o exterior. Além de vender discos exclusivos, Laércio capricha na embalagem e na segurança da entrega. “São os meus diferenciais, que fui desenvolvendo com os anos”, diz o carioca, que nunca teve uma loja física. “As vantagens são o baixo custo e o alcance mundial. A desvantagem maior é a falta de contato com o cliente, que pode dificultar uma venda”, explica.

Para diminuir esta distância, muitos pequenos comércios usam as redes sociais, como o Orkut e o Flickr, para manter contato com os compradores. “Com isso, eles percebem que a relação com o cliente é feita por pessoas, e não por um sistema", garante Ana Luiza, do Enjoei.


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Para o diretor geral da E-bit, Pedro Guasti, as redes sociais são uma importante arma na divulgação dos “nanicos”, mas podem elas mesmas servirem como canais de vendas.

O MercadoLivre, maior plataforma de compra e venda pela internet na América Latina, acredita que essas novas opções não são uma ameaça. “Diferentemente de qualquer outra plataforma, oferecemos incontáveis ferramentas para ajudar o usuário a fazer uma boa compra. Além disso, tudo que você faz dentro do nosso site é avaliado e fica no seu histórico”, afirma Helisson Lemos, diretor de marketing do MercadoLivre.

Apesar da propaganda do site de leilões, ele não faz mais sentido para muitos vendedores, que preferem redes menos abrangentes. O lojista Robson dos Santos, de Santo André, trabalha com discos e livros visando o mercado externo e já desistiu do MercadoLivre. Ele prefere anunciar seus produtos em comunidades especializadas, como o Geem.com e MusicShack.com, que seriam mais visadas pelos aficionados de fora do Brasil. “Setenta por cento do meu lucro vem de colecionadores da Europa e da Ásia, que me conhecem por causa dos sites”, afirma o comerciante, que mantém uma loja na Grande São Paulo praticamente só para comprar LPs mais baratos. Mais informado, o público da web cobraria mais. “Mantenho a loja apenas para captar material”, diz.

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Vender Online

Twitter – Magnífica solução para um problema que não existe...

Há duas semanas atrás, o Estadão publicou no suplemento LINK umas três páginas sobre o Twitter, “A nova sensação da Internet”,” Todo mundo tem Twitter”, os” Famosos”,” Ferramenta de Marketing,” “Sucessor do Facebook, Orkut, My Space”, e por ai afora.

Li com interesse e resolvi experimentar. Meu principal objetivo era atrair leitores para o Blog, já que é possível fazer com que toda vez que coloco um artigo no blog, apareça no Twitter o titulo e o link para quem quiser ler – legal, pensei.

O Twitter tem três características básicas:

a. Você não pode mandar mensagens com mais do que 140 caracteres
b. Você escolhe quais as pessoas que você quer “seguir”, ou seja, receber mensagens
c. Você envia mensagens com até 140 caracteres para as pessoas que te estão “seguindo”, ou seja, aguardando ansiosas quais as frases lapidares com até 140 caracteres que você ira enviar para seu” fã-clube”.

Como disse me pareceu interessante permitir que as pessoas pudessem saber em poucos minutos os títulos e os links dos artigos do blog. Poderia também enviar links interessantes meus “seguidores” com vídeos do YouTube, do Yahoo, etc. Poderia até colocar alguns pensamentos interessantes.

Coloquei um ícone do Twitter na barra lateral do blog, permitindo que as pessoas se inscrevessem e pudessem então “acompanhar” o blog.

Mas muito pouca gente se inscreveu para isso.

Começaram a aparecer figuras esquisitas, que tem mais de seis mil “seguidores”.

Descobri que como tudo nos Estados Unidos, isto é uma mania... então existe mais “spam” no Twitter do que coisa aproveitável. Eu recebia umas 30 “atualizadas” por dia, das quais 27 eram de “spam”, de algum débil mental me dizendo que ia dar banho no cachorro... ou algo assim, absolutamente imperdível. e o pior é que você clica no ícone do sujeito, manda desligar ele, e duas horas depois la está mais trinta atualizações idiotas dele, e você tem de clicar 30 vezes mais para apagar. Spam puro...

Ai é que parei para refletir – o verdadeiro objetivo do Twitter, é alguém dizer a você “o que está fazendo!!!!!!”

Será que eu preciso saber tudo que meus amigos estão fazendo? E de quebra, saber o que mais 30 desconhecidos querem me enviar?

E dizer isso em ate 140 caracteres!!!!!!

E alem disso tem uns debiloides que “colecionam” seguidores, para entrar no Guinesss, sei lá, e que descobriram como te inundar de SPAM!!!!

Ai pensei! Pra que que eu preciso do Twitter? Qual o problema que eu tenho e que ele resolve?

Nenhum. Só me criou problemas de Spam, me forçou a gastar tempo depurando quem é spam e quem não é, e considerando que recebi em uma semana cerca de 20 mensagens interessantes e 200 mensagens idiotas, não vale a pena. Taxa de aproveitamento de 10% é bem menos do que tenho nos meus emails.

Por isso resolvi cancelar minha conta, e agora sou feliz, não tenho de clicar em spam, não tenho de tentar colocar em 140 caracteres tudo que faço, e meu blog ficou mais leve...

Portanto, amigo, se você tem Twitter, pare para pensar se realmente ele esta te trazendo uma solução ou um problema...

domingo, 26 de julho de 2009

ABBA - I Do I Do I Do I Do I Do

Mesmo se eu pudesse


Mesmo se eu pudesse escolher onde nascer,
Mesmo se eu pudesse escolher meus pais,
Meus irmãos, minha sina, meus prazeres,
Meus defeitos, amores, erros, acertos.
Se ainda pudesse voltar no tempo,
Sacudir a poeira, dar a volta por cima,
Eu, sem pestanejar, continuaria em linha reta.
Mesmo sabendo que de reta ela não tem nada,
Pois, sorrateiros que somos no Universo,
No vácuo da existência é que caminhamos.
Daria tudo de mim outra vez, por mim, por você.
Não cantaria hinos ao meu epitáfio, ao meu amanhã,
Ao meu que ainda não aconteceu.
Ao contrário, ao invés, por que não cantar o agora,
O aqui?
Se tivesse de escolher, se obrigado fosse,
Faria tudo igual, faria as mesmas escolhas.
E só faria tudo igual porque não posso mais escolher no passado.
Só escolho o aqui, o agora.
Sem valor reclamar. Sem sentido arrepender-se.
O que vale é a escolha de agora, a semente que se planta.
Isso é a colheita. E se é a colheita, não há com o que se preocupar.
Afinal, se algo não tem solução, para que se preocupar?
E se algo tem solução, para que se preocupar?
Se eu pudesse escolher outra vez (sei que não posso), faria tudo de novo.
Não porque sou débil a ponto de repetir os erros.
Mas pelo simples fato de que não nego minha própria herança.
Nem meus próprios potenciais.
E respeito, acima de tudo, minhas escolhas de ontem.
O hoje a mim pertence.
E o amanhã...
O amanhã é o sopro do que meu pulmão traga agora.



Do Blog do Rodrigo Marques Barbosa, "Passa Boi, Passa Boiada"

2009: o ano em que todos podem ir para o espaço

Ano Internacional da Astronomia movimenta comunidade científica; atividades e ferramentas tornam todos os curiosos astrônomos em potencial

Tatiana de Mello Dias, de O Estado de S. Paulo

O ano era 1987. No dia 24 de fevereiro, uma estrela morreu na Via Láctea - e, quando as estrelas morrem, elas explodem e liberam uma quantidade imensa de energia: as supernovas. A explosão da supernova SN 1987A foi o evento mais importante da astrofísica, mas a notícia demorou a chegar.

"A notícia chegou a mim só dois dias depois, pelo Estadão", conta o engenheiro e astrônomo amador Tasso Napoleão, de 60 anos. Hoje, as notícias estrelares chegam mais rapidamente - e pelo celular. "Eu recebo avisos de explosões dos raios gama 12 minutos depois de serem detectados por um satélite", explica Napoleão, que é o organizador brasileiro do Ano Internacional da Astronomia.

Para o astrônomo, a internet ajuda a suprimir a lacuna deixada na educação desde que a disciplina de cosmografia foi retirada dos currículos escolares nos anos 40. Napoleão, porém, diz que o conteúdo na rede ainda não é suficiente - e é por isso que ele e outros astrônomos estão organizando o Ano Internacional da Astronomia.

O ano de 2009 foi escolhido porque há quatro séculos Galileu Galilei apontava sua luneta para o céu e descobria que a Terra não era o centro do universo. A descoberta da teoria heliocêntrica - de que os corpos celestes giravam em torno do Sol e não da Terra - revolucionou a astronomia e hoje, 400 anos depois, especialistas organizam uma maratona para democratizar o conhecimento dos astros.

Para se manter informado sobre as atividades relacionadas ao Ano, confira o site oficial do (www.astronomia2009.org.br). Além do calendário de eventos e observações, há mapas celestes, vídeos e apresentações introdutórias sobre astronomia.

Além disso, há links de vários blogs criados por professores, estudantes, e, claro, astrônomos. Eles, aliás, têm um blog colaborativo em que falam do espaço e de suas próprias vidas: o Cosmic Diary (www.cosmicdiary.org), feito por astrônomos do mundo inteiro, incluindo do Brasil. A comunidade virtual também tem um grupo no Facebook. No Brasil, os astrônomos discutem o espaço em fóruns, como o Cosmo Fórum (www.cosmobrain.com.br/cosmoforum), grupos no Yahoo e comunidades no Orkut ("Astronomia!" é a maior delas).


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Além das discussões e passeios no ambiente virtual, o Ano Internacional da Astronomia também tem, claro, atividades a céu aberto. Em abril, o projeto 100 Horas de Astronomia abriu as lentes de vários telescópios espalhados pelo mundo. Eles normalmente ficam restritos a pesquisadores, mas durante quatro dias visitantes tiveram acesso às imagens - tanto a olho nu como também via web, por transmissões em tempo real.

No Brasil foi criado um blog para divuglar as imagens: www.portasabertasnoopd.blogspot.com. Os telescópios já estão novamente fechados, mas o site www. 100hoursofastronomy.org fez uma galeria com as melhores fotos daqueles dias.

No Brasil, uma das principais atividades do Ano Internacional da Astronomia é a Maratona da via Láctea (leia abaixo), com observações guiadas em parques paulistanos. No próximo sábado ocorre a Star Party, em Brotas, no interior de São Paulo, uma espécie de "Campus Party" da astronomia.

A festa vai ter palestras do astrônomo Marcelo Gleiser e do astronauta Marcos Pontes e lançamento de foguetes, mas a principal atividade é mesmo a observação dos astros. A ideia é que o público fique até as seis da manhã de domingo vendo as estrelas. O evento foi criado em 2001 pela Fundação Céu, e vai ocorrer neste ano em comemoração ao Ano Internacional da Astronomia. "A nossa ideia é repetir o evento a cada dois anos", diz Paulo Pedrosa, astrônomo da Fundação.

Se as atividades do Ano Internacional da Astronomia despertarem em você vontade de prestar atenção no espaço, siga a recomendação dos especialistas: pense algumas vezes antes de comprar um telescópio. Vá a planetários, frequente sessões guiadas e, como explica Napoleão, acostume-se com o céu e perceba a diferença na posição dos astros em diferentes épocas do ano. Ele é observador do espaço desde criança e, por isso, já decorou a posição das estrelas. Enquanto isso, a internet pode ser uma boa parceira para começar.



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sábado, 25 de julho de 2009

Michael Merzenich sobre plasticidade cerebral



Para mostrar as legendas, clique em "VIEW SUBTITLES" e escolha Português

O mito da corrupção brasileira importada de Portugal


A corrupção e a impunidade no Brasil são originárias de Portugal. A corte Portuguesa, ao vir para o Brasil, trouxe consigo toda uma cultura de protecionismo, nepotismo, falta de ética, corrupção, e impunidade.

O nosso subdesenvolvimento, ou podemos dizer “nosso atraso”, se deve à cultura Portuguesa, atrasada, antiga, arcaica, retrógrada.

Os Estados Unidos, “filhos da primeira democracia moderna, a Inglaterra” se desenvolveram porque tinham uma cultura liberal, fruto do Renascimento Francês, e sua colonização foi feita por honestos, trabalhadores protestantes, fugindo das perseguições na Europa, principalmente Inglaterra, Alemanha, Holanda, etc.

Assim, enquanto os colonos portugueses que vinham para o Brasil queriam ficar ricos rapidamente para voltar a Portugal e desfrutar sua fortuna, os colonos americanos vinham para ficar na América, constituir família, e fundar uma nação. E assim fundaram uma nação “dos livres, dos bravos, dos trabalhadores”. Baseada na meritocracia. Onde todos tinham a oportunidade de subir na vida. Onde a lei impera, onde a corrupção é controlada, onde a “ética protestante” é o valor supremo, onde a impunidade não existe.

Enquanto isso, “do lado de baixo do Equador”, tudo vale, tudo pode, e ninguém é punido.

Espero que tenha lido com cuidado tudo que está escrito acima, porque é tudo mito. Balela. Conversa para boi dormir. História para inglês ver.

O jornal O Estado de São Paulo de hoje publica interessante entrevista com o filósofo Roberto Romano, que repete mais uma vez os mitos históricos que nos foram incutidos desde o começo do século, e ainda hoje são objeto de longas teses acadêmicas para provar que o Brasileiro é corrupto por herança de Portugal, e os Estados Unidos são uma potência porque foram colonizados pelos “homens de olhos azuis” como diz Lula.

Isto não é verdade, e vou mostrar porque.

Antes, para que você acompanhe minha argumentação, vou colocar abaixo a entrevista de Roberto Romano. Ele é Professor titular de Ética e Filosofia Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, Doutorado em Filosofia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, e pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas, e autor de vários livros, entre os quais O Caldeirão de Medeia.

Veja com quem eu fui me meter... mas a discussão é boa, e tudo vale a pena... se a alma não é pequena...


Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009


''Vivemos com uma ética distorcida''

Roberto Romano: filósofo; O filósofo Roberto Romano diz que o foro privilegiado concedido aos políticos é uma licença para a delinqüência

Roldão Arruda

O sentimento de impunidade que alguns políticos brasileiros exibem, sustentando-se nos cargos mesmo debaixo de denúncias de desmandos, nepotismo e abuso de poder, é comparável ao dos nobres no período absolutista - considerado o mais corrupto da história moderna. Essa é a opinião do filósofo Roberto Romano, professor titular de Ética e Filosofia Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. Na entrevista abaixo, ele afirma que "até os garotos dessas dinastias políticas que se formam no Brasil têm certeza que o papai e o vovô não serão punidos".

Como explicar a permanência do presidente do Senado no cargo, após todas as denúncias contra ele e sua família, sem se sentir envergonhado e sem que a sociedade demonstre indignação? Na Inglaterra, um escândalo semelhante causou a queda de ministros e pedidos de desculpas.

Acho que vivemos numa sociedade com uma ética profundamente distorcida. Isso tem raízes históricas e raízes sociais propriamente brasileiras. Raízes históricas porque surgimos para a vida, enquanto gente, no período absolutista - um período de superconcentração de poderes na mão do rei; e da necessária bajulação do rei para se conseguir alguma coisa em termos de recursos, de glórias, etc. O nosso parâmetro original, portanto, já é o parâmetro do período absolutista, o mais corrupto da história moderna. Quando veio para o Brasil, d. João VI veio para evitar aquela "desgraça" da revolução puritana inglesa e das revoluções francesa e norte-americana. Veio estabelecer um Estado absolutista fora de tempo, anacrônico, ao qual o senhor seu filho, d. Pedro I, deu continuidade.

Mas depois veio a República.

No início da República tivemos um ensaio de liberalismo, uma tentativa de estabelecer um Estado minimamente democrático. Mas fracassou. Os costumes já estavam enraizados na ordem pública. Verifica-se então o retorno à prática antiga, dando-se ao presidente da República quase que as prerrogativas do imperador.

Vem daí a ? ética distorcida??

Ética é o conjunto de valores - ou de contravalores - que, de tão repetidos, se tornam automáticos, praticados até de forma inconsciente. E qual é a nossa memória? Ela é antiliberal, antidemocrática, não republicana. Quem está na escala hierárquica do poder não se julga obrigado a prestar contas a ninguém, como no sistema absolutista.

Quer dizer que, embora as pessoas digam que os políticos não têm ética, eles têm?

Eles têm essa ética aí, que estamos vendo. Com a centralização do poder e a falta de autonomia dos municípios e Estados, os políticos brasileiros atuam como mediadores com os donos do poder. Se um senador ou um deputado federal não traz obras para os município, ele não consegue se reeleger na sua base. Existe, portanto, um conúbio, uma cumplicidade, inconsciente muitas vezes, em que o eleitor colabora com o seu voto para o "é dando que se recebe", nesse sistema distorcido, sem federação e sem república. Para ter recursos, o político faz concessões e chantageia o Executivo. E ele ainda julga que faz um favor quando consegue uma creche.

Ele é um despachante de luxo?

Ele não se assume, de acordo com os preceitos do Estado Democrático de Direito, como fiscalizador e legislador. Veja a batalha que está ocorrendo no Congresso norte-americano, em torno da nomeação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte. O presidente tem maioria, mas a minoria questiona sem parar e a mulher se defende, luta pelo cargo. Compare com as audiências no Senado brasileiro para as nomeações de juízes do STF. Quando é mulher, a coisa chega ao nível do deboche. Elogiaram o vestido da Ellen Gracie, o penteado, a beleza. O discurso de um Wellington Salgado no Senado é de causar vergonha.

Dentro dessa ótica, como analisa a conversa debochada entre o neto de José Sarney e o pai, a respeito do seu emprego no gabinete do senador Epitácio Cafeteira?

É típico do Estado absolutista, em que os nobres se julgam acima das leis. Chamou minha atenção o que disseram do Cafeteira, que só faltou servir café para o menino. Ele não se mostrou um senador republicano, e sim um serviçal do clã.

O comportamento de políticos como Sarney é baseado no fato de se sentirem acima das leis?

Sim. Tudo piorou com o privilégio de foro (que permite permite aos políticos serem denunciados pelo procurador-geral da República e processados pelo Supremo). Privilégio de foro, numa República, é a mesma coisa que dar licença para a delinquência. Essas pessoas se julgam - e são efetivamente - impunes, inimputáveis. É piada dizer que o STF pode julgá-las. Até os garotos dessas dinastias políticas que se formam no Brasil têm certeza que o papai e o vovô não serão punidos.

Por que a sociedade não reage?

Entre outras coisas porque não temos partidos políticos democráticos e liberais no Brasil. Hoje o que predominam são federações de oligarquias. O DEM e o PMDB são duas grandes federações oligárquicas. Existe um PMDB no Rio Grande do Sul, outro no Rio de Janeiro, outro no Pará, outro no Maranhão... Os partidos são propriedades dessas federações, que não são democráticas, não realizam primárias, não fazem consultas para a modificação de programas, nem para a definição de candidatos. Nada mais igual aos partidos brasileiros do que os clubes de futebol: são os mesmos quadros dirigentes que estão lá há 50 anos, que controlam o caixa e o técnico, contratam jogadores, negociam. A torcida nunca é consultada.

Já tivemos a sociedade mobilizada, na época da ditadura.

A sociedade vive espasmos ciclotímicos. Numa hora todo mundo corre pelas Diretas Já, outra hora pelo impeachment do Collor e, na outra hora, fica no desânimo absoluto, como se estivéssemos condenados a esse destino da corrupção. É uma sociedade inoculada pelo vírus do absolutismo, do catolicismo conservador e da ausência de partidos políticos.

O senhor parece pessimista.

Existem coisas que, pela força do mercado, da urbanização, do avanço dos meios de comunicação, estão mudando, permitindo uma visão clara sobre o anacronismo entre a vida dos políticos e a vida real. As pessoas leem e ouvem os diálogos que vocês puseram na internet. Há uma consciência mais aguda.

Mas não suficiente?

Faça um levantamento de quantas ONGs existem na classe média e das que recebem recursos públicos. Vai entender porque as pessoas não vão às ruas. Ficaram realistas. E não há nada pior na democracia do que o realista, o sujeito que silencia diante das piores coisas da vida pública, com esperança de ter verba. Também considero alarmante e inaceitável o chefe de Estado, o presidente dizer que é preciso cuidado com a biografia de uma pessoa e de uma família com as características que vocês mostram, que a PF mostra.

Agora os comentários do Blog. Evidentemente o acadêmico tem impressionantes credenciais. Mas seu discurso é o mesmo de todos os professores do ramo, e de vários historiadores, sociólogos, etc. Em minha opinião, simplesmente ouvem e lêem e não tentam ir além do que lêem. Não tentam realmente aplicar os conceitos de Toynbee, de História Comparada das Civilizações. Ficam na superfície.

Vamos começar, para animar a conversa, com uma pergunta simples: Qual o país da Europa que corresponde à seguinte descrição:

a. Neste país europeu a corrupção é generalizada, desde o nível dos vereadores municipais, aos Governadores, ao Senado, Câmara de Deputados, e Chefe de Estado.

b. Além de levar propina, os políticos fazem tráfico de influência, colocam parentes, trocam favores.

c. Além dos itens a. e b. acima, o judiciário é frágil, impotente, e há décadas ninguém é punido por corrupção ou trafico de influencia.

d. O cidadão normal acha que a ética “é para os outros” e não para ele. Então, é comum ter um emprego público, ao qual não comparece, mas recebe o salário, e um emprego na iniciativa privada, e assim acumula dois salários e trabalha em apenas um lugar.

e. O cidadão comum tem uma cultura arraigada de “lei de Gerson”, ou seja, sempre “levar vantagem em tudo”. Assim, nos mínimos detalhes da vida diária, isto aparece. No estacionamento em fila tripla, do tipo “dane-se os outros”, nos pequenos roubos nas lojas, no acobertamento de pequenos crimes perpetrados por membros da família, etc.

f. A imprensa já está acostumada a este nível de corrupção, portanto não contribui para mostrar os erros e crimes, omite-se claramente.

g. A imprensa é de propriedade dos próprios políticos, que a usam em benefício próprio, e assim conseguem se perpetuar no poder.

h. Os dois principais partidos se alternam no poder, trocando favores e propinas, há mais de meio século.

i. E finalmente, apenas para dar o toque final, se alguém se engana ao dar o troco, o cidadão verifica o engano, e vai embora com o dinheiro indevido. E joga o papel de embrulho no chão e não no lixo.


O país descrito acima é a Itália. Pode ler de novo e verificará que estes itens retratam a Itália.


Enquanto isso, em Portugal, as ruas são limpas porque as pessoas são civilizadas e jogam o lixo no cesto, a imprensa é totalmente livre e não é dominada por políticos, os partidos de esquerda e de direita são adequadamente representados no Parlamento, a democracia não é manipulada.
O trânsito em Portugal é civilizado, como na maioria dos outros países da Europa – exceto Itália. As pessoas e as empresas adotam critérios éticos de procedimentos bem superiores aos da Itália, onde o Primeiro Ministro é um Bufão que promove festas com modelos e demonstra falta de higiene pessoal em público. Sem esquecer que a Itália é ainda o berço da Máfia.

Neste ponto, uma ressalva – não estou tentando denegrir ou menosprezar a Itália, mas estou tentando mostrar que não herdamos nossa cultura corrupta de Portugal, e sim de dois fatores: a imigração italiana e o ambiente geográfico.

Um dos maiores historiadores franceses, Fernand Braudel, escreveu uma obra-prima chamada “O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na época de Filipe II”.

Todo o primeiro volume, cerca de 500 páginas, ou seja, um terço da obra, é dedicado inteiramente ah descrição do ambiente geográfico do Mediterrâneo, e sua influencia sobre o homem, sobre os hábitos, os costumes, a cultura, a agricultura, o meio de vida, as relações entre os homens.

Apenas para mostrar a que nível de detalhe e de analise Braudel chega, eis alguns dos títulos dos capítulos:

As Penínsulas
Montanhas, Platôs, Planícies,
As estações
O clima
A Unidade Humana – Estradas de terra e estradas do mar
Navegação
Funções urbanas

O que Braudel mostra, com paciência e detalhe, é que a geografia é absolutamente fundamental no estudo da Historia e das mentalidades dos povos.

E no entanto, aqui no Brasil não se discute o impacto da geografia sobre o homem e a sociedade e ficamos com os chavões de que “Dom Joao VI” trouxe a corrupção.

Vejamos um pouco a influencia da geografia no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, o calor impede o trabalho intenso e como não existem estações frias, não existe necessidade de construir uma sociedade que armazene viveres para o inverno. O oposto ocorre nos Estados Unidos.

E mais – os Estados Unidos foram agraciados pela Natureza com as maiores jazidas de petróleo do mundo, de ouro, com as terras mais férteis (só a Ucrânia tem terras tão férteis) e alem do mais, terras planas (Iowa, Illinois, etc.) onde é fácil praticar a agricultura mecanizada e eficiente usando tratores e maquinas.

Observe que os latifundiários escravagistas do Nordeste do Brasil, os famosos "coronéis" do Nordeste, são exatamente iguais aos donos de fazendas de algodão no sul dos Estados Unidos - clima quente como no Nordeste, etc. Com uma diferença - nós nunca tivemos a Ku Klux Klan. O mesmo clima predomina no sul da Itália, onde nasceu a Máfia, e que ainda hoje é a região mais atrasada da Itália.

Aqui, apesar das dificuldades geográficas impostas pelos rios, enormes e caudalosos, os Portugueses mantiveram uma unidade cultural, lingüística, e política.

Os espanhóis tiveram nas Três Américas, da Florida ate a Patagônia, um Império muito maior. Que se esfacelou, passou por guerras civis – entre as diversas colônias de língua espanhola – e hoje é um conjunto de países desunidos e diversos.

Falemos da corrupção. Quando Napoleão Bonaparte veio da Itália trouxe 248 carruagens carregadas de tesouros saqueados das cidades italianas. O código de Hamurabi já estabelecia punições severas contra corrupção. A jurisprudência Romana já previa também punições contra os juízes e senadores venais, que ficavam impunes, porque compravam os Tribunos. Não sei se você sabe, mas para que um político romano conseguisse chegar ao Consulado, tinha de comprar um Tribuno que defendesse seus interesses.

Isto há mais ou menos dois mil anos.

Os colonos americanos se revoltaram contra a corrupção da corte do rei de Inglaterra – alem dos impostos, claro. O parlamento inglês era tão corrupto que alguns deputados representavam nada mais nada menos do que 15 ou trinta casinhas em um vilarejo, e para ganhar a eleição no tal vilarejo era suficiente comprar, literalmente, os chefes de família. Este votava em quem desse mais dinheiro.

E os franceses? Até a “Idealista” Revolução Francesa era corrupta. Georges-Jacques Danton, um dos lideres da Revolução, vendia-se a quem pagasse mais. O Império Russo se mantinha através de um mecanismo de toma-la-da-ca. E assim por diante. Não convém alongar demais o assunto.

O importante é mostrar que a Corrupção e mesmo a Impunidade, infelizmente, fazem parte da cultura Ocidental (no Japão e |China a coisa ‘e um pouco diferente, mas fica para outro artigo).
Então, como ficamos? Ficamos assim: O brasileiro não é preguiçoso porque quer e nem porque descende de portugueses. Nossos defeitos se devem a falta de necessidade de uma mais rígida organização da sociedade para a preparação da época do inverno.

Nossa corrupção não tem nada com Portugal. Se tivesse, seriamos mais honestos, e não menos honestos. Herdamos nossa corrupção e nossa desordem da Itália. Quer comprovar? Visite Portugal e visite a Itália, e logo ficara claro.

E finalmente, Corrupção e Impunidade são tão antigos quanto a Civilização, não foram inventados pela corte Portuguesa, que ao vir para o Brasil, ao contrario, para cá trouxe hábitos, costumes, idéias que acabaram levando a nossa Independência, ao desenvolvimento único nas Américas de uma unidade cultural e lingüística.

(E os Estados Unidos? Os Estados Unidos, se você não sabe, jamais tiveram uma unidade cultural, como não tem hoje. Existe a cultura negra, branca, alemã, índia, mexicana, porto-riquenha, etc.)

Fala-se francês na Louisiana, Espanhol na California e na florida, e assim por diante. E os políticos americanos são tão mais corruptos do que os nossos que eles, os políticos, reprimiram 30 mil – isso mesmo, 30 mil - greves nos séculos 19 e 20. Mas tiraram isso da historia.

A iluminação do ladrão

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

SHE - Alfonso Gugliucci

O dia em que conheci meu pai

Terça-Feira, 21 de Julho de 2009

Meu pai foi um mistério em minha vida; não nos comunicávamos bem. Ele era o perigo de castigos, o Supremo Tribunal que julgava meus erros. Por isso, ao escrever este artigo, sinto seu olhar por cima do meu ombro. Escrevo de novo sobre ele porque o filme que termino agora nasceu talvez de sua presença poderosa - eu, minha mãe, minha irmã, girávamos em torno dele como satélites. Naquela época, o pai de família era uma bússola de todos - viver era aceitá-lo ou contrariá-lo.

Eu sempre quis que ele me aprovasse, receber um elogio, um beijo espontâneo que nunca vinha. Ele parecia saber de algum crime que eu cometera, mas não dizia qual era. Eu sofria: "O que foi que eu fiz?" Meu pai ria pouco, como se o riso fosse um luxo, mas eu me empolgava quando ele chegava num avião de combate, coberto de dragonas douradas no uniforme da Aeronáutica, ele, meu herói que conquistara o pico do Papagaio como jovem alpinista e que fazia acrobacias de cabeça para baixo nos aviõezinhos do Correio Aéreo. Quando peguei coqueluche, ele me levou num bimotor a 4 mil metros de altura, pois diziam que isso curava a tosse renitente. O avião subiu com meu pai pilotando, um sargento e minha mãe num casaco de pele, com o cabelo preso num coque alto chamado "bomba atômica", cruel homenagem da moda à destruição de Hiroshima. De repente, a porta do avião se abriu a 4 mil metros e eu teria sido chupado para fora, não fosse a rápida ação do sargento.

Até hoje, não sei se isso realmente aconteceu, pois meu pai sempre me causava fantasias de extinção. Ele era um árabe alto, nariz de águia, bigodinho ralo, cabelo reluzente de Glostora, óculos Ray-Ban, sapatos de borracha Clark, da Casa Polar.

Hoje, entendo que ele queria fazer de mim um homem - a severidade ocultando o amor. Sei que ele queria dar-me exemplos de espartana resistência, de chorar sem lágrimas. Claro que virei artista, por formação reativa, claro que quando ele me deu um livro (nunca aberto) sobre mineração de carvão eu ia ler Rimbaud e escrever poesias. Com minha mãe superprotetora, se eu bobeasse, hoje estaria cantando boleros, drag queen com o codinome Neide Suely.

Minha vida se organizou para ser tudo o que ele não era - uma maneira de obedecê-lo em revolta. Ele era moralista? Eu defendia sacanagens e palavrões. Ele era da UDN? Entrei para o PCB aos 18 anos. Então, comecei a despertá-lo da letargia desatenta a mim, provocando-o, esculhambando americanos e militares, culpando a Aeronáutica pelo suicídio do Getúlio. Aí, conseguia berros à mesa de jantar, com minha mãe pálida, sussurrando: "Olha os vizinhos!"

Queriam-me diplomata? Ah... hoje eu poderia ser um pobre itamarateca alcoólatra... Fui ser nada, maluco, comuna na UNE; depois, por acaso, acabei cineasta... O tempo foi passando. Papai aposentou-se cedo demais e aquele projeto de "picos do Papagaio", de aviões em parafusos, de um heroísmo guerreiro virou um silêncio aterrador no apartamentozinho de Copacabana, onde o tempo parecia parar. Entre as poltronas dos anos 40, entre os vasos de flores de minha mãe, a presença de meu pai era quase abstrata, vendo TV de tarde, de pijama, em meio a minhas visitas, quando eu tentava alguma coisa que mudasse aquela paralítica tragédia, aquele relógio do avô que batia o pêndulo em vão.

Todos os dias eram iguais; só minha mãe mudava, cada vez mais perto da senilidade, visitando a médium "linha branca? que lhe dava conselhos com voz grossa de caboclo. Eu queria que alguma coisa acontecesse, queria vê-los dentro da vida da cidade, mas só saíam para comer num sinistro restaurante "a quilo", de fórmica rosa e amarela.

Um dia, nasceu-me a primeira filha. Foi um momento de vida e luz, mas, logo depois, meu pai caiu doente, com uma enigmática infecção pulmonar, que não passava. Médicos se sucediam: tuberculose, enfisema? O quê? Foi uma revolução cultural no apartamentinho de Copacabana: aquele rei silencioso estava caído no divã, cuspilhando, febre permanente, precisando de ajuda. Então, a força estava fraca? O pai virara filho? Minha mãe pirou mais ainda, sem saber lidar com tanto poder que ganhara, tanta liberdade súbita. Eu também estranhava aquele titã caído. Um dia, o médico decretou: "Está muito anêmico... Precisa de transfusão de sangue." Fui levá-lo à Casa de Saúde S. José, onde minha primeira filha tinha nascido, pouco antes. Deixei meu pai na cama de um quarto, com a bolsa de sangue pingando-lhe nas veias e, para evitar o silêncio triste da lenta transfusão, saí pelos corredores, para dar uma volta sem rumo. De repente, ouço dois tiros. Sim, dois tiros de revólver.

E foi aí que minha vida começou a mudar. Pela porta do quarto ao lado, olho e vejo dois homens caídos no chão branco de fórmica, boiando em duas imensas poças de sangue. Um já estava morto e o outro agonizava de boca aberta, emitindo um soluço com um assobio assustador, como um peixe morrendo fora d?água. Enfermeiros acorreram e eu soube que tinha sido um crime passional. Um médico matara o outro e suicidara-se em seguida. Nada mais fora de lugar que um assassinato no hospital. Tudo se juntava, meus fantasmas acorriam todos, num clímax de vida e morte. Vi, espantado, que um deles era o ginecologista que tratava de minha mãe e que estava ali, boiando no próprio sangue, no hospital onde acabara de nascer a minha filha. A transfusão acabou, as ambulâncias levaram os corpos e ficamos, eu e meu pai, assustados, sozinhos ali no quarto. O mundo tinha mudado.

Então, não sei por quê, comecei a sentir um imenso carinho por meu pai, ali, fraquinho, cabelo branco. Ajudei-o a se arrumar, fechei-lhe o paletó e voltamos para casa, como cúmplices mudos de um crime, de um jorro de morte que destruiu nossa melancolia e nos uniu de uma forma misteriosa. Nunca entendi bem o que aconteceu - só sei que não houve mais silêncios tristes entre nós dois.

Ao pé do farol

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Prêmio "Alice no País das Maravilhas" desta semana

O Blog acaba de criar o Prêmio "Alice no País das Maravilhas".

Para participar As condições para participar são simples:

Basta que

a. A pessoa ou entidade deve estar vivendo em um mundo em que o que é alto vira baixo, o que é baixo vira alto, e assim por diante. Deve viver em um mundo que seja o “espelho” da vida real.

b. Deve demonstrar total perda de contato com a realidade de nosso mundo.

Essa semana, o Prêmio Alice vai para...

O Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo!

Venceu por votação unânime do júri. Leia o resumo e veja se concorda.

Há 50 anos o Rio Tietê, que corta a Capital de São Paulo, era límpido, limpo, tinha peixes, animais, plantas, árvores, frutas. Minha querida e saudosa Maria Lenk, nadadora olímpica brasileira, treinava natação no Tietê. As competições de remo eram também nele.

Embora seja um dos rios mais importantes economicamente para o estado de São Paulo e para o país, o rio Tietê ficou mais conhecido pelos seus problemas ambientais, especialmente no trecho em que banha a cidade de São Paulo.

Não faz muito tempo que o rio Tietê se tornou poluído. Ainda na Década de 1960, o rio tinha até peixes no seu trecho da capital. Porém, a degradação ambiental do rio Tietê tem início de maneira sutil na década de 1920, com a construção da Represa de Guarapiranga, pela empresa canadense Light, para posterior geração de energia elétrica nas usinas hidrelétricas Edgar de Souza e Rasgão, localizadas em Santana de Parnaíba. Esta intervenção alterou o regime de águas do rio na capital e foi acompanhada de alguns trabalhos de retificação também pela Light, que deixaram o leito do rio na área da capital menos sinuoso, nas regiões entre Vila Maria e Freguesia do Ó.

Porém, ainda nas décadas de 1920 e 1930, o rio era utilizado para pesca e atividades desportivas: eram famosas as disputas de esportes náuticos no rio. Nesta época, clubes de regatas e natação foram criados ao longo do rio, como o Clube de Regatas Tietê e Espéria, clubes que existem até hoje.

O processo de degradação do rio por poluição industrial e esgotos domésticos no trecho da Grande São Paulo tem origem principalmente no processo de industrialização e de expansão urbana desordenada ocorrido nas décadas de 1940 a 1970, acompanhado pelo aumento populacional ocorrido no período, em que o município evoluiu de uma população de 2.000.000 de habitantes na década de 1940 para mais de 6.000.000 na década de 1960.

Este processo de degradação a partir da década de 1940 também afetou seus principais afluentes, como o rios Tamanduateí e Aricanduva, sendo no primeiro particularmente mais perigoso, pois o Tamanduateí trazia da região do ABC os esgotos industriais das grandes fábricas daquela região. A política de permitir uma grande expansão do parque industrial de São Paulo sem contrapartidas ambientais acabou por inviabilizar rapidamente o uso do rio Tietê para o abastecimento da cidade e inclusive para o lazer.

A partir das décadas de 1960 e 1970, a falta de vontade política dos então governantes, aliada a uma certa falta de consciência e educação ambiental da população (agravadas pela ditadura militar) anulou qualquer iniciativa em gastar recursos em sua recuperação, o que aliado à crescente demanda (fruto da expansão econômica e populacional da cidade), degradou o rio a níveis muito intoleráveis nas décadas de 1980.

Na década de 1980 o Governo do Estado contratou os estudos do SANEGRAN (Saneamento da Grande São Paulo), efetuados pela ENGEVIX, sob a coordenação do engenheiro sanitarista Jorge Paes Rios, todavia as obras não foram executadas devido aos enormes custos e a falta de vontade política.

Em setembro de 1990, a Rádio Eldorado fez um programa especial ao vivo, com dois repórteres: um, da própria Rádio Eldorado, estava em São Paulo, navegando pelo rio Tietê e comentando sobre a poluição e deterioração das águas: o outro, do serviço brasileiro da emissora de rádio britânica BBC, navegava nas águas límpidas e despoluídas do rio Tâmisa de Londres, Inglaterra, comentando sobre a qualidade daquele rio, que passou por um processo de recuperação desde a década de 1950.

Tal programa de rádio provocou grande repercussão em outros órgãos de imprensa, principalmente o jornal "O Estado de S. Paulo", do mesmo grupo da rádio.

Uma organização não governamental, Núcleo União Pró-Tietê, liderada por Mário Mantovani, foi criada, canalizando a pressão popular por um rio mais limpo. A sociedade civil chegou a colher mais de um milhão de assinaturas, um dos maiores abaixo-assinados já realizados no país.
Diante de tais pressões populares, em 1991, o governador de São Paulo eleito em outubro de 1990, ordenou à Sabesp - empresa de saneamento básico do estado, que se comprometesse a estabelecer um programa de despoluição do rio.

O estado buscou recursos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento - o BID e montou um projeto de recuperação do rio, baseado nos estudos anteriores do SANEGRAN. A difícil tarefa de acabar com a poluição gerada por esgotos na Região Metropolitana de São Paulo recebeu o nome de Projeto Tietê. Não é um projeto exclusivamente governamental, já que conta com intensa participação de organizações da sociedade civil. Atualmente, o Projeto Tietê é o maior projeto de recuperação ambiental do país.

Passados mais de 16 anos, a despoluição do rio Tietê ainda está muito aquém dos níveis desejados, mas já foram feitos progressos animadores. No final da década de 1990, a capacidade de tratamento de esgotos foi ampliada: a Sabesp realizou a ampliação da capacidade de tratamento da Estação de Tratamento de Esgotos de Barueri, a 20 km a jusante do município de São Paulo e inaugurou as Estações de Tratamento de Esgoto Parque Novo Mundo, São Miguel e ABC, que ficam a montante do município de São Paulo.

No início do programa, o percentual de esgotos tratados em relação aos esgotos coletados não ultrapassava os 20% na Região Metropolitana de São Paulo. Em 2004, esse percentual estava em 63% (incluindo tratamento primário e secundário). Espera-se que até o final do programa, esse índice alcance os 90%. Atualmente, o programa está em sua terceira fase.

A mancha de poluição do rio Tietê, que na década de 90 chegou a 100 km, tem se reduzindo gradualmente no decorrer das obras do Projeto Tietê.

Por outro lado, é preciso lembrar que ao longo de todo o rio, fora da Região Metropolitana, todos os municípios da bacia possuem coleta de esgotos mas nem todos tem seus esgotos devidamente tratados, o que mostra que muito ainda há para ser feito.

Além do tratamento de esgoto (com construção de ligações domiciliares, coletores-tronco, interceptadores e estações de tratamento de esgotos), o programa de despoluição do Tietê também foca no controle de efluentes das indústrias.

De acordo com o governo estadual, através da Cetesb, agência ambiental paulista, mil e duzentas indústrias, correspondente a 90% da carga poluidora industrial lançada no rio Tietê, aderiram ao projeto e deixaram de lançar resíduos e toda espécie de contaminantes no curso d'água.
Desde o início do programa de despoluição em 1992, já foram gastos mais de US$ 1,5 bilhão de dólares.

Esta semana a Prefeitura e o Governo do Estado anunciaram a construção de um enorme e belo parque, ao longo do Tietê renovado, com 75 km. de comprimento. Árvores, frutas, plantas, flores, pistas de caminhada, lazer, crianças, tudo de volta.

Eis que O Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo entra na justiça contra a execução do Parque. Exige na Justiça a imediata paralisação das obras.

Então, ficamos assim: O Sindicato dos Arquitetos ficou 50 anos sem dar um pio, sem reclamar da poluição, sem pedir nem sequer exigir nem entrar na justiça exigindo a despoluição do Rio. A limpeza do ambiente. Nada.

Agora, que o Governo da Cidade e do Estado estão agindo, os “ambientalistas” entram em ação. Estão preocupados porque uma jaqueira vai ser derrubada.
Mas nunca notaram que milhões de peixes, plantas, árvores, foram mortos nesses anos todos. E agora querem parar o trabalho de limpeza do rio.

Por quê?
Que interesses econômicos estão envolvidos?
Alguém está lucrando com isso, nem que seja o Sarney.
Ou outro alguém.
Mas das duas uma: ou o Sindicato dos Arquitetos é totalmente alienado da realidade, formado por garis que se disfarçaram de arquitetos (costuma acontecer) ou alguém está levando muito dinheiro nessa jogada.

Mas leva sem dúvida o Premio Alice No País das Maravilhas da Semana.

Leia a notícia original abaixo..



Sindicato e ONGs contestam estudo de impacto ambiental da Prefeitura; Estado alega que influência é local e Município apenas acelerou processo

Felipe Oda

O Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, com o apoio de mais quatro organizações não governamentais (ONGs), impetrou uma ação civil pública, na 12º Vara da Fazenda Pública, para interromper as obras de ampliação da Marginal do Tietê.

Segundo a Procuradoria-Geral do Estado, a Prefeitura de São Paulo foi notificada ontem e tem 72 horas para se pronunciar.

Há vários questionamentos de ilegalidades no processo, incluindo a discussão de competência para elaboração do EIA-Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental). O atual EIA-Rima foi produzido pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo e não pelo Estado.

(Fato gravissimo!!!!! Inaceitavel! Tem de parar imediatamente! O importante é cumprir a burocracia corretamente, a salvação do Rio e o Parque para a populaçào são secundários! Cortem-lhe a cabeça, ordenou a Rainha!)

De acordo com Daniel Amor, (Devia se chamar Daniel Raiva) presidente do sindicato, as cinco entidades representam outras 175 organizações contrárias ao processo de licenciamento ambiental emitido pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente à empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) e à Prefeitura - responsáveis pelas obras.

Não entendo mais nada, realmente estamos no País de Alice...

"A licença ambiental não é válida, pois o Município não tem competência para realizar o estudo de impacto ambiental das obras", alega a ação.

Ah, bom então tá, vamos aguardar mais uns dez anos para regularizar as coisas....


As entidades exigem que a Justiça declare ilegal o projeto e o suspenda.

"Também queremos restabelecer as condições ambientais e urbanísticas anteriores ao início das obras, com indenização pelos danos ambientais, um novo estudo sobre o impacto ecológico e audiências públicas", afirma Amor.

Para ele, o EIA-Rima deveria ser realizado pelo governo estadual, uma vez que a obra é da Dersa e o impacto não se limita à capital. "Pela grandeza da obra, ela trará impactos para toda a Região Metropolitana."

Em nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente afirma que participou, em conjunto com a pasta municipal, das audiências públicas e acompanhou o processo de licenciamento. Segundo o governo, como é uma obra de impacto apenas no Município, cabe à Prefeitura conceder o parecer - o que permitiu acelerar a obra. Com essa decisão, foi possível em tempo recorde preparar um relatório, aprovando a obra em apenas seis meses e com apenas uma audiência pública.


Ampliação está em site e Twitter

O governo estadual lançou ontem o site http://www.novamarginal.sp.gov.br
A página foi criada para esclarecer dúvidas sobre as interdições e obras na via, além de expor detalhes do projeto de ampliação, divulgar reportagens e vídeos. Será possível acompanhar o replantio de árvores e conhecer o projeto do parque linear na região da Várzea do Tietê, na zona leste, área de compensação ambiental. O governo ainda anunciará o andamento do projeto na ferramenta virtual Twitter (twitter.com/novamarginal).

Tietê, maior parque linear do mundo

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Segunda-Feira, 20 de Julho de 2009


Estado assina hoje convênio com 8 prefeituras para criar área ecológica ao longo do rio, com 75 km de extensão

Eduardo Reina

Entre Salesópolis, na Região Metropolitana de São Paulo, e a Barragem da Penha, na zona leste da capital, o Rio Tietê nasce e morre em apenas 75 quilômetros. Trecho insignificante perto de seus vastos 1,1 mil km ao longo de todo o Estado, mas grandioso o suficiente para dar origem ao maior parque linear do mundo. Hoje, o governo estadual assina convênio com as prefeituras de oito municípios para preservar as várzeas, recuperar a drenagem do rio e melhorar as condições ambientais. O Parque Várzeas do Tietê terá 107 km² de área verde e 33 núcleos com equipamentos de lazer, cultura, arte e esporte.

A iniciativa surge 33 anos depois da inauguração do Parque Ecológico do Tietê, criado para ajudar no controle de inundações. As obras dos novos núcleos serão divididas em três fases, e a primeira já começou, entre a barragem e o limite com Itaquaquecetuba. O parque - também nos territórios de Guarulhos, Poá, Suzano, Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim - tem previsão de conclusão em 2016. "Haverá uma ciclovia com 230 km ao redor do parque e uma via-parque, estrada que ligará todos os núcleos. Vamos mudar a paisagem da zona leste. Esses núcleos vão ajudar na sustentabilidade ambiental", diz Dilma Pena, secretária estadual de Energia e Saneamento. As ciclovias ficarão a 50 metros de cada margem do rio.

O projeto está orçado em R$ 1,7 bilhão. A primeira etapa já tem reservados R$ 450 milhões. "(Esses recursos) não são suficientes para tudo o que está previsto nesta fase. Buscamos financiamento no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). A carta-consulta deve ser aprovada pelo Cofiex (Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento) em setembro. Representantes do banco já estiveram aqui, sobrevoaram a área e aprovaram o programa", garante Dilma.

As obras de construção do primeiro trecho da ciclovia e da via-parque tiveram início no mês passado e devem estar concluídas em janeiro de 2010, provavelmente no dia 25 de janeiro - aniversário de São Paulo. "Será o Núcleo Vila Jacuí, com churrasqueiras, lanchonetes, telecentro de educação ambiental, atividades comunitárias, playground, quadras poliesportivas, campo de futebol, pistas de bicicross e skate, lagoa, arena e outros equipamentos", cita a secretária. Tudo ficará numa área de 140 mil m².

A Vila Jacuí é o antigo Jardim Pantanal, ao lado do Complexo Viário Jacu-Pêssego, na zona leste. As casas da comunidade passam por revitalização, em um projeto assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake, e algumas já receberam pintura colorida. A maioria das residências de frente para o futuro núcleo já foi pintada. A construção do núcleo está em fase adiantada. As demarcações de engenharia mostram os espaços onde serão erguidos todos os equipamentos. A terraplenagem chegou à fase final. O Córrego Jacuí está sendo canalizado.

Um canal ao redor do núcleo já está pronto. O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ubirajara Tannuri Felix, conta que um grande canal construído no entorno do Parque Ecológico do Tietê evitou que moradias ocupassem as áreas de matas ciliares. "Vamos adotar a circunvalação em toda a extensão do novo parque para evitar ocupação próxima do leito", diz Felix. Serão 12 km de canal a serem construídos, segundo os engenheiros responsáveis pela projeto, desde a Barragem da Penha até Itaquaquecetuba.

CICLOVIA E VIA-PARQUE

Em janeiro, serão entregues 8,5 km de ciclovia e via-parque desde a Barragem da Penha até o Bairro dos Pimentas, em Guarulhos. Somente no lado da capital, porém, as obras estão em andamento, pois ainda falta a definição da obra na cidade vizinha com a assinatura do convênio hoje. Esse trecho de estrada-parque já existe hoje. "Estamos remodelando a pista, construindo a ciclovia e calçada para pedestres até a região da USP Leste. Dali para a frente, a estrada será totalmente nova, margeando o rio", diz Felix.

Na região do Jardim Pantanal será necessário fazer remoção de algumas habitações que estão à beira do Rio Tietê para o andamento das obras do Núcleo Jacuí. De acordo com o governo do Estado, o programa todo prevê a remoção de 3,1 mil habitações. Há previsão para plantar 67 mil mudas de árvores, como forma compensatória à obra de ampliação das pistas da Marginal do Tietê.

No total, estão previstos sete núcleos de uso múltiplo em território paulistano, cinco em Guarulhos, quatro em Itaquaquecetuba, um em Poá, quatro em Suzano, cinco em Mogi das Cruzes, três em Biritiba Mirim e quatro em Salesópolis. Todos os 33 núcleos terão 67 campos de futebol e 129 quadras poliesportivas. Os campos ficarão propositalmente em local de alagamento para que seja retida água nos períodos de chuva e enchentes. "É uma forma de recuperar a vocação natural do Tietê como rio de planície", explica a secretária.

Otto Dix e o horror da guerra

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Otto Dix (Gera, 2 de Dezembro 1891 — Singen, 25 de Julho 1969) foi um pintor expressionista alemão. Veterano da Primeira Guerra Mundial, a sua obra é dominada pela temática antibélica. Pintou um famoso tríptico onde retrata a miséria do pós-guerra nos anos 30 e o aparecimento do jazz: Os Noctívagos (1927-1928).

Filho de Franz Dix (1862-1942) e Louise Amann (1864-1953) nasceu em Gera, Alemanha, em 1891. Depois do ensino fundamental ele trabalhou localmente até 1910 quando ele se tornou um estudante na Escola Dresden de Artes e Ofícios. Para ajudar em sua educação, ele aceitou comissões e pintou retratos de pessoas locais.

No desencadeamento da Primeira Guerra Mundial em 1914 Dix se voluntariou para o Exército Alemão e foi designado para um regimento de artilharia de campo em Dresden. No Outono de 1915 Dix foi enviado para a Frente Ocidental quando ele serviu como um oficial não-comissionado com uma unidade metralhadora. Ele estava no Somme durante a ofensiva aliada maior durante o Inverno de 1916. Dix foi ferido várias vezes durante a guerra. Em uma ocasião ele quase morreu quando um estilhaço de granada o atingiu no pescoço.

Em 1917 lutou na Frente Oriental e depois de a Rússia negociar a paz com Alemanha, Dix retornou para a França onde ele participou da Ofensiva de Primavera Alemã. Até o fim da guerra em 1918 Dix tinha ganho a Cruz de Ferro (segunda classe) e alcançou o posto de vice-sargento-major.

Depois da guerra Dix desenvolveu visões de esquerda e suas pinturas e desenhos se tornaram gradativamente políticos. Como outros artistas alemães como John Heartfield e George Grosz, Dix se revoltou com a maneira com que os ex-soldados feridos e aleijados eram tratados na Alemanha. Isto se refletiu nas suas pinturas como Aleijados na Guerra (1920), Açougue (1920) e Ferido na Guerra (1922).

Em 1923 a pintura de Dix, A Trincheira foi adquirida pelo Museu Wallraf-Richartz. Quando a pintura foi exibida em 1924 a sua retratação de corpos decompostos em uma trincheira alemã criou tanto alarde público que o diretor do museu, Hans Secker, foi obrigado a pedir demissão. Em 1924 Dix se juntou com outros artistas que tinham lutado na Primeira Guerra Mundial para uma exibição móvel de pinturas chamada Chega de Guerra! Dix também produziu um livro de gravuras, A Guerra (1924) que foi mais tarde descrita por um crítico como “talvez a maior e mais poderosa declaração anti-guerra da arte moderna”.

Durante este período, Dix fez grande uso de fotografias tiradas de soldados alemães que foram severamente desfigurados pela guerra. Muitas dessas fotografias foram mais tarde usadas por outro artista alemão anti-guerra, Ernst Friedrich, em seu livro Guerra Contra a Guerra! (1924).
Dix trabalhou por seis anos no que é considerado suas duas grandes obras-primas, Metrópole (1928) e Guerra de Trincheiras (1932). No painel do lado esquerdo de Metrópole, Dix se mostra como um aleijado na guerra entrando em Berlim e sendo recepcionado por uma fileira de prostitutas que o chamavam. Guerra de Trincheiras também é tripla (uma pintura com três painéis lado a lado) e trata mais diretamente da Primeira Guerra Mundial. O painel da esquerda mostra soldados alemães marchando para longe da guerra, o painel central é uma cena de casas destruídas e corpos entrelaçados, e o painel do lado direito mostra soldados se esforçando para voltar para casa vindo da guerra.

Em 1933 Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha. Hitler e seu governo nazista não gostavam das pinturas anti-militares de Dix e providenciaram que ele fosse demitido de seu posto como tutor de arte na Academia Dresden. A carta de demissão de Dix dizia que seu trabalho “ameaçava minar a vontade do povo alemão de se defender”.

Dix saiu de Dresden e foi viver perto do Lago Constance no sudeste da Alemanha. Logo depois, duas das pinturas de Dix, A Trincheira e Aleijados na Guerra, apareceram em uma exibição nazista para descreditar a arte moderna. A apresentação chamada Reflexos da Decadência foi realizada na Câmara Municipal de Dresden. Mais tarde, várias das pinturas anti-guerra de Dix foram destruídas por autoridades nazistas na Alemanhas.

Dix respondeu à exibição Reflexos da Decadência pintando outra poderosa pintura anti-guerra, Flanders (1934). Inspirada por uma passagem de Le Fe, um romance da Primeira Guerra Mundial escrito pelo soldado francês, Henri Barbusse, a pintura mostra uma cena da Frente Ocidental. Na pintura cadáveres flutuam em um rio cheio de cartuchos de balas enquanto aqueles soldados ainda vivos se assemelham com tocos de árvores apodrecidos.

Depois que os nazistas subiram ao poder artistas na Alemanha só podiam trabalhar como um artista, comprar materiais ou mostrar seu trabalho, se eles fossem membros da Câmara Imperial de Belas Artes. A associação era controlada pelo governo nazista e em 1934 Dix obteve a permissão de se tornar um membro entre troca de concordar em pintar paisagens ao invés de assuntos políticos.

Apesar de Dix principalmente pintar paisagens durante este período, ele ainda produzia pinturas ocasionais que continham ataques codificados ao governo nazista. Em 1938 várias dessas pinturas, incluindo Flanders, apareceram em uma exibição de um homem em Zurique.

Em 1939 Dix foi preso e indiciado com envolvimento em um complô contra a vida de Hitler.

Entretanto, ele foi consequentemente solto e as acusações foram retiradas. Na Segunda Guerra Mundial Dix foi recrutado no Volkssturm (Guarda Nacional Alemã). Em 1945 Dix foi forçado a se juntar ao Exército Alemão e no fim da guerra foi capturado e posto em um campo para prisioneiros de guerra.

Solto em Fevereiro de 1946, Dix retornou para Dresden, uma cidade que foi virtualmente destruída por bombardeio pesado. A maioria das pinturas pós-guerra de Dix eram religiosas. Entretanto, pinturas como Emprego (1946), Máscaras em Ruínas (1946) e Ecce Homo II (1948) lidavam com o sofrimento causado pela Segunda Guerra Mundial. Otto Dix morreu em 1969.