A corrupção e a impunidade no Brasil são originárias de Portugal. A corte Portuguesa, ao vir para o Brasil, trouxe consigo toda uma cultura de protecionismo, nepotismo, falta de ética, corrupção, e impunidade.
O nosso subdesenvolvimento, ou podemos dizer “nosso atraso”, se deve à cultura Portuguesa, atrasada, antiga, arcaica, retrógrada.
Os Estados Unidos, “filhos da primeira democracia moderna, a Inglaterra” se desenvolveram porque tinham uma cultura liberal, fruto do Renascimento Francês, e sua colonização foi feita por honestos, trabalhadores protestantes, fugindo das perseguições na Europa, principalmente Inglaterra, Alemanha, Holanda, etc.
Assim, enquanto os colonos portugueses que vinham para o Brasil queriam ficar ricos rapidamente para voltar a Portugal e desfrutar sua fortuna, os colonos americanos vinham para ficar na América, constituir família, e fundar uma nação. E assim fundaram uma nação “dos livres, dos bravos, dos trabalhadores”. Baseada na meritocracia. Onde todos tinham a oportunidade de subir na vida. Onde a lei impera, onde a corrupção é controlada, onde a “ética protestante” é o valor supremo, onde a impunidade não existe.
Enquanto isso, “do lado de baixo do Equador”, tudo vale, tudo pode, e ninguém é punido.
Espero que tenha lido com cuidado tudo que está escrito acima, porque é tudo mito. Balela. Conversa para boi dormir. História para inglês ver.
O jornal O Estado de São Paulo de hoje publica interessante entrevista com o filósofo Roberto Romano, que repete mais uma vez os mitos históricos que nos foram incutidos desde o começo do século, e ainda hoje são objeto de longas teses acadêmicas para provar que o Brasileiro é corrupto por herança de Portugal, e os Estados Unidos são uma potência porque foram colonizados pelos “homens de olhos azuis” como diz Lula.
Isto não é verdade, e vou mostrar porque.
Antes, para que você acompanhe minha argumentação, vou colocar abaixo a entrevista de Roberto Romano. Ele é Professor titular de Ética e Filosofia Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, Doutorado em Filosofia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, e pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas, e autor de vários livros, entre os quais O Caldeirão de Medeia.
Veja com quem eu fui me meter... mas a discussão é boa, e tudo vale a pena... se a alma não é pequena...

Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009
''Vivemos com uma ética distorcida''
Roberto Romano: filósofo; O filósofo Roberto Romano diz que o foro privilegiado concedido aos políticos é uma licença para a delinqüência
Roldão Arruda
O sentimento de impunidade que alguns políticos brasileiros exibem, sustentando-se nos cargos mesmo debaixo de denúncias de desmandos, nepotismo e abuso de poder, é comparável ao dos nobres no período absolutista - considerado o mais corrupto da história moderna. Essa é a opinião do filósofo Roberto Romano, professor titular de Ética e Filosofia Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. Na entrevista abaixo, ele afirma que "até os garotos dessas dinastias políticas que se formam no Brasil têm certeza que o papai e o vovô não serão punidos".
Como explicar a permanência do presidente do Senado no cargo, após todas as denúncias contra ele e sua família, sem se sentir envergonhado e sem que a sociedade demonstre indignação? Na Inglaterra, um escândalo semelhante causou a queda de ministros e pedidos de desculpas.
Acho que vivemos numa sociedade com uma ética profundamente distorcida. Isso tem raízes históricas e raízes sociais propriamente brasileiras. Raízes históricas porque surgimos para a vida, enquanto gente, no período absolutista - um período de superconcentração de poderes na mão do rei; e da necessária bajulação do rei para se conseguir alguma coisa em termos de recursos, de glórias, etc. O nosso parâmetro original, portanto, já é o parâmetro do período absolutista, o mais corrupto da história moderna. Quando veio para o Brasil, d. João VI veio para evitar aquela "desgraça" da revolução puritana inglesa e das revoluções francesa e norte-americana. Veio estabelecer um Estado absolutista fora de tempo, anacrônico, ao qual o senhor seu filho, d. Pedro I, deu continuidade.
Mas depois veio a República.
No início da República tivemos um ensaio de liberalismo, uma tentativa de estabelecer um Estado minimamente democrático. Mas fracassou. Os costumes já estavam enraizados na ordem pública. Verifica-se então o retorno à prática antiga, dando-se ao presidente da República quase que as prerrogativas do imperador.
Vem daí a ? ética distorcida??
Ética é o conjunto de valores - ou de contravalores - que, de tão repetidos, se tornam automáticos, praticados até de forma inconsciente. E qual é a nossa memória? Ela é antiliberal, antidemocrática, não republicana. Quem está na escala hierárquica do poder não se julga obrigado a prestar contas a ninguém, como no sistema absolutista.
Quer dizer que, embora as pessoas digam que os políticos não têm ética, eles têm?
Eles têm essa ética aí, que estamos vendo. Com a centralização do poder e a falta de autonomia dos municípios e Estados, os políticos brasileiros atuam como mediadores com os donos do poder. Se um senador ou um deputado federal não traz obras para os município, ele não consegue se reeleger na sua base. Existe, portanto, um conúbio, uma cumplicidade, inconsciente muitas vezes, em que o eleitor colabora com o seu voto para o "é dando que se recebe", nesse sistema distorcido, sem federação e sem república. Para ter recursos, o político faz concessões e chantageia o Executivo. E ele ainda julga que faz um favor quando consegue uma creche.
Ele é um despachante de luxo?
Ele não se assume, de acordo com os preceitos do Estado Democrático de Direito, como fiscalizador e legislador. Veja a batalha que está ocorrendo no Congresso norte-americano, em torno da nomeação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte. O presidente tem maioria, mas a minoria questiona sem parar e a mulher se defende, luta pelo cargo. Compare com as audiências no Senado brasileiro para as nomeações de juízes do STF. Quando é mulher, a coisa chega ao nível do deboche. Elogiaram o vestido da Ellen Gracie, o penteado, a beleza. O discurso de um Wellington Salgado no Senado é de causar vergonha.
Dentro dessa ótica, como analisa a conversa debochada entre o neto de José Sarney e o pai, a respeito do seu emprego no gabinete do senador Epitácio Cafeteira?
É típico do Estado absolutista, em que os nobres se julgam acima das leis. Chamou minha atenção o que disseram do Cafeteira, que só faltou servir café para o menino. Ele não se mostrou um senador republicano, e sim um serviçal do clã.
O comportamento de políticos como Sarney é baseado no fato de se sentirem acima das leis?
Sim. Tudo piorou com o privilégio de foro (que permite permite aos políticos serem denunciados pelo procurador-geral da República e processados pelo Supremo). Privilégio de foro, numa República, é a mesma coisa que dar licença para a delinquência. Essas pessoas se julgam - e são efetivamente - impunes, inimputáveis. É piada dizer que o STF pode julgá-las. Até os garotos dessas dinastias políticas que se formam no Brasil têm certeza que o papai e o vovô não serão punidos.
Por que a sociedade não reage?
Entre outras coisas porque não temos partidos políticos democráticos e liberais no Brasil. Hoje o que predominam são federações de oligarquias. O DEM e o PMDB são duas grandes federações oligárquicas. Existe um PMDB no Rio Grande do Sul, outro no Rio de Janeiro, outro no Pará, outro no Maranhão... Os partidos são propriedades dessas federações, que não são democráticas, não realizam primárias, não fazem consultas para a modificação de programas, nem para a definição de candidatos. Nada mais igual aos partidos brasileiros do que os clubes de futebol: são os mesmos quadros dirigentes que estão lá há 50 anos, que controlam o caixa e o técnico, contratam jogadores, negociam. A torcida nunca é consultada.
Já tivemos a sociedade mobilizada, na época da ditadura.
A sociedade vive espasmos ciclotímicos. Numa hora todo mundo corre pelas Diretas Já, outra hora pelo impeachment do Collor e, na outra hora, fica no desânimo absoluto, como se estivéssemos condenados a esse destino da corrupção. É uma sociedade inoculada pelo vírus do absolutismo, do catolicismo conservador e da ausência de partidos políticos.
O senhor parece pessimista.
Existem coisas que, pela força do mercado, da urbanização, do avanço dos meios de comunicação, estão mudando, permitindo uma visão clara sobre o anacronismo entre a vida dos políticos e a vida real. As pessoas leem e ouvem os diálogos que vocês puseram na internet. Há uma consciência mais aguda.
Mas não suficiente?
Faça um levantamento de quantas ONGs existem na classe média e das que recebem recursos públicos. Vai entender porque as pessoas não vão às ruas. Ficaram realistas. E não há nada pior na democracia do que o realista, o sujeito que silencia diante das piores coisas da vida pública, com esperança de ter verba. Também considero alarmante e inaceitável o chefe de Estado, o presidente dizer que é preciso cuidado com a biografia de uma pessoa e de uma família com as características que vocês mostram, que a PF mostra.
Agora os comentários do Blog. Evidentemente o acadêmico tem impressionantes credenciais. Mas seu discurso é o mesmo de todos os professores do ramo, e de vários historiadores, sociólogos, etc. Em minha opinião, simplesmente ouvem e lêem e não tentam ir além do que lêem. Não tentam realmente aplicar os conceitos de Toynbee, de História Comparada das Civilizações. Ficam na superfície.
Vamos começar, para animar a conversa, com uma pergunta simples: Qual o país da Europa que corresponde à seguinte descrição:
a. Neste país europeu a corrupção é generalizada, desde o nível dos vereadores municipais, aos Governadores, ao Senado, Câmara de Deputados, e Chefe de Estado.
b. Além de levar propina, os políticos fazem tráfico de influência, colocam parentes, trocam favores.
c. Além dos itens a. e b. acima, o judiciário é frágil, impotente, e há décadas ninguém é punido por corrupção ou trafico de influencia.
d. O cidadão normal acha que a ética “é para os outros” e não para ele. Então, é comum ter um emprego público, ao qual não comparece, mas recebe o salário, e um emprego na iniciativa privada, e assim acumula dois salários e trabalha em apenas um lugar.
e. O cidadão comum tem uma cultura arraigada de “lei de Gerson”, ou seja, sempre “levar vantagem em tudo”. Assim, nos mínimos detalhes da vida diária, isto aparece. No estacionamento em fila tripla, do tipo “dane-se os outros”, nos pequenos roubos nas lojas, no acobertamento de pequenos crimes perpetrados por membros da família, etc.
f. A imprensa já está acostumada a este nível de corrupção, portanto não contribui para mostrar os erros e crimes, omite-se claramente.
g. A imprensa é de propriedade dos próprios políticos, que a usam em benefício próprio, e assim conseguem se perpetuar no poder.
h. Os dois principais partidos se alternam no poder, trocando favores e propinas, há mais de meio século.
i. E finalmente, apenas para dar o toque final, se alguém se engana ao dar o troco, o cidadão verifica o engano, e vai embora com o dinheiro indevido. E joga o papel de embrulho no chão e não no lixo.
O país descrito acima é a Itália. Pode ler de novo e verificará que estes itens retratam a Itália.
Enquanto isso, em Portugal, as ruas são limpas porque as pessoas são civilizadas e jogam o lixo no cesto, a imprensa é totalmente livre e não é dominada por políticos, os partidos de esquerda e de direita são adequadamente representados no Parlamento, a democracia não é manipulada.
O trânsito em Portugal é civilizado, como na maioria dos outros países da Europa – exceto Itália. As pessoas e as empresas adotam critérios éticos de procedimentos bem superiores aos da Itália, onde o Primeiro Ministro é um Bufão que promove festas com modelos e demonstra falta de higiene pessoal em público. Sem esquecer que a Itália é ainda o berço da Máfia.
Neste ponto, uma ressalva – não estou tentando denegrir ou menosprezar a Itália, mas estou tentando mostrar que não herdamos nossa cultura corrupta de Portugal, e sim de dois fatores: a imigração italiana e o ambiente geográfico.
Um dos maiores historiadores franceses, Fernand Braudel, escreveu uma obra-prima chamada “O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na época de Filipe II”.
Todo o primeiro volume, cerca de 500 páginas, ou seja, um terço da obra, é dedicado inteiramente ah descrição do ambiente geográfico do Mediterrâneo, e sua influencia sobre o homem, sobre os hábitos, os costumes, a cultura, a agricultura, o meio de vida, as relações entre os homens.
Apenas para mostrar a que nível de detalhe e de analise Braudel chega, eis alguns dos títulos dos capítulos:
As Penínsulas
Montanhas, Platôs, Planícies,
As estações
O clima
A Unidade Humana – Estradas de terra e estradas do mar
Navegação
Funções urbanas
O que Braudel mostra, com paciência e detalhe, é que a geografia é absolutamente fundamental no estudo da Historia e das mentalidades dos povos.
E no entanto, aqui no Brasil não se discute o impacto da geografia sobre o homem e a sociedade e ficamos com os chavões de que “Dom Joao VI” trouxe a corrupção.
Vejamos um pouco a influencia da geografia no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, o calor impede o trabalho intenso e como não existem estações frias, não existe necessidade de construir uma sociedade que armazene viveres para o inverno. O oposto ocorre nos Estados Unidos.
E mais – os Estados Unidos foram agraciados pela Natureza com as maiores jazidas de petróleo do mundo, de ouro, com as terras mais férteis (só a Ucrânia tem terras tão férteis) e alem do mais, terras planas (Iowa, Illinois, etc.) onde é fácil praticar a agricultura mecanizada e eficiente usando tratores e maquinas.
Observe que os latifundiários escravagistas do Nordeste do Brasil, os famosos "coronéis" do Nordeste, são exatamente iguais aos donos de fazendas de algodão no sul dos Estados Unidos - clima quente como no Nordeste, etc. Com uma diferença - nós nunca tivemos a Ku Klux Klan. O mesmo clima predomina no sul da Itália, onde nasceu a Máfia, e que ainda hoje é a região mais atrasada da Itália.
Aqui, apesar das dificuldades geográficas impostas pelos rios, enormes e caudalosos, os Portugueses mantiveram uma unidade cultural, lingüística, e política.
Os espanhóis tiveram nas Três Américas, da Florida ate a Patagônia, um Império muito maior. Que se esfacelou, passou por guerras civis – entre as diversas colônias de língua espanhola – e hoje é um conjunto de países desunidos e diversos.
Falemos da corrupção. Quando Napoleão Bonaparte veio da Itália trouxe 248 carruagens carregadas de tesouros saqueados das cidades italianas. O código de Hamurabi já estabelecia punições severas contra corrupção. A jurisprudência Romana já previa também punições contra os juízes e senadores venais, que ficavam impunes, porque compravam os Tribunos. Não sei se você sabe, mas para que um político romano conseguisse chegar ao Consulado, tinha de comprar um Tribuno que defendesse seus interesses.
Isto há mais ou menos dois mil anos.
Os colonos americanos se revoltaram contra a corrupção da corte do rei de Inglaterra – alem dos impostos, claro. O parlamento inglês era tão corrupto que alguns deputados representavam nada mais nada menos do que 15 ou trinta casinhas em um vilarejo, e para ganhar a eleição no tal vilarejo era suficiente comprar, literalmente, os chefes de família. Este votava em quem desse mais dinheiro.
E os franceses? Até a “Idealista” Revolução Francesa era corrupta. Georges-Jacques Danton, um dos lideres da Revolução, vendia-se a quem pagasse mais. O Império Russo se mantinha através de um mecanismo de toma-la-da-ca. E assim por diante. Não convém alongar demais o assunto.
O importante é mostrar que a Corrupção e mesmo a Impunidade, infelizmente, fazem parte da cultura Ocidental (no Japão e |China a coisa ‘e um pouco diferente, mas fica para outro artigo).
Então, como ficamos? Ficamos assim: O brasileiro não é preguiçoso porque quer e nem porque descende de portugueses. Nossos defeitos se devem a falta de necessidade de uma mais rígida organização da sociedade para a preparação da época do inverno.
Nossa corrupção não tem nada com Portugal. Se tivesse, seriamos mais honestos, e não menos honestos. Herdamos nossa corrupção e nossa desordem da Itália. Quer comprovar? Visite Portugal e visite a Itália, e logo ficara claro.
E finalmente, Corrupção e Impunidade são tão antigos quanto a Civilização, não foram inventados pela corte Portuguesa, que ao vir para o Brasil, ao contrario, para cá trouxe hábitos, costumes, idéias que acabaram levando a nossa Independência, ao desenvolvimento único nas Américas de uma unidade cultural e lingüística.
(E os Estados Unidos? Os Estados Unidos, se você não sabe, jamais tiveram uma unidade cultural, como não tem hoje. Existe a cultura negra, branca, alemã, índia, mexicana, porto-riquenha, etc.)
Fala-se francês na Louisiana, Espanhol na California e na florida, e assim por diante. E os políticos americanos são tão mais corruptos do que os nossos que eles, os políticos, reprimiram 30 mil – isso mesmo, 30 mil - greves nos séculos 19 e 20. Mas tiraram isso da historia.