quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sua atitude determina sua altitude

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Veja o que o governo do PSDB fez com o metrô de São Paulo



O PSDB governa São Paulo há 14 anos ininterruptamente.

Veja no vídeo como está o metrô de São Paulo, e pense nisso na hora de votar.

O responsável pelo caos chama-se José Serra.

É candidato a Presidente do Brasil, para fazer no país o que fez em São Paulo...

Para 'Time', Brasil é 'primeiro contrapeso real aos EUA no Ocidente'

Revista americana diz que Lula se tornou 'o mais efetivo intermediário entre Washington e a esquerda anti-EUA na região'.

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira na edição online da revista americana "Time" diz que, ao mediar a crise hondurenha, o Brasil se tornou "o primeiro contrapeso real" à influência americana "no hemisfério ocidental".

Considerando que o Brasil foi "trazido" para o coração do imbróglio pelos vizinhos, mais especificamente pela Venezuela do presidente Hugo Chávez, a revista diz que "Brasília se vê no tipo de centro das atenções diplomático do qual no passado procurou se afastar".

Entretanto, diz a "Time", o país "não deveria se surpreender" com o fato de ser chamado a assumir tal responsabilidade.

Para a publicação americana, "nos últimos anos, a potência sul-americana tem sido reconhecida como o primeiro contrapeso real aos EUA no hemisfério ocidental - e isto significa, pelo menos para outros países nas Américas, assumir um papel maior e mais pró-ativo em ajudar a resolver distúrbios políticos do Novo Mundo, como Honduras".

"Lula e Obama são colegas e almas gêmeas de centro-esquerda, mas quando Obama disse, no mês passado, que aqueles que questionam sua resolução em Honduras são hipócritas, porque são 'os mesmos que dizem que nós estamos sempre intervindo na América Latina'", recorda a reportagem, "ele estava incluindo o Brasil, que expressou sua preocupação em relação aos esforços dos Estados Unidos".

Diplomacia ativa

Citando a participação brasileira em crises regionais, como os conflitos diplomáticos envolvendo Colômbia e Venezuela, e a liderança das tropas do país no Haiti, a revista nota que a diplomacia brasileira é "dificilmente ociosa" na América Latina. "E Lula, um dos mais populares chefes de Estado do mundo, se tornou talvez o mais efetivo intermediário entre Washington e a ressurgente esquerda antiamericana latino-americana".

A reportagem discute a preferência da diplomacia brasileira por atuar nos bastidores, e sua autodefinição como sendo "decididamente não-intervencionista".

"Ao mesmo tempo, Lula está em uma cruzada para tornar o Brasil, que tem a quinta maior população mundial e a nona economia do mundo, um ator internacional sério", diz o texto.

"É difícil manter uma tradição não-intervencionista pristina com ambições como estas - e, cada vez, o hemisfério está dizendo ao Brasil que é um tanto ingênuo insistir que é possível fazer as duas coisas."

Para a "Time", "goste ou não, agora o Brasil está enfiado até o pescoço em Honduras, e o hemisfério está esperançoso de que isto signifique melhores prospectos para um acordo negociado entre Zelaya e os líderes golpistas".

"Porque acreditam que o golpe hondurenho envia um recado perigoso para as nascentes democracias da região, muitos analistas acham que ter o peso do Brasil jogado mais diretamente na situação pode ajudar as negociações."

Aos 60 anos, Exército chinês exibe sua força

Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2009

Aniversário da revolução, amanhã, mostrará arsenal que inclui mísseis e submarinos nucleares

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE, PEQUIM

Após ganhar o maior número de medalhas de ouro na Olimpíada de Pequim e assumir o posto de terceira economia do planeta, a China mostra ao mundo amanhã seu crescente poderio militar, alimentado por um orçamento anual que há duas décadas cresce a taxas de dois dígitos. O desfile que marcará os 60 anos de fundação do país também reafirmará a supremacia do Partido Comunista, ao qual está subordinado o Exército de Libertação Popular - as Forças Armadas do país não são uma instituição do Estado, mas do partido.

untitledA parada apresentará 52 tipos de armas desenvolvidas e fabricadas na China, 90% das quais serão mostradas ao público pela primeira vez. O arsenal inclui novos mísseis nucleares intercontinentais e caças.

"Temos quase todos os equipamentos avançados que países ocidentais desenvolvidos possuem. Essa é uma conquista extraordinária, que revela o grau de nossa modernização militar", disse, na semana passada, o ministro da Defesa Liang Guanglie . A China tem o maior Exército do mundo, com 2,3 milhões de pessoas, mas ainda está longe da sofisticação tecnológica das Forças Armadas dos EUA ou de países europeus.

Pequim também tem um número crescente de submarinos e, em breve, deverá ter a maior frota do mundo. Analistas afirmam que pelo menos 2 dos estimados 60 submarinos chineses têm poder de disparar mísseis nucleares. Os EUA sustentam que os gastos militares da China são superiores aos declarados oficialmente e afirmam que o fortalecimento do Exército pode desestabilizar a região Ásia-Pacífico. Será o 14º desfile militar que a China realiza desde 1949. Cerca de 5.000 soldados ensaiam há quatro meses para o evento, que terá a participação apenas de convidados do governo. A população verá o desfile pela TV.

Vingança contra a United Airlines



Um músico profissional viajava de avião num trecho nos states pela United Airlines.

Embarcou, mas a empresa devolveu o seu violão quebrado.

Ele tentou de todo jeito ser indenizado. O conserto ou a troca do violão ficava em + ou - US$2.000,00.

Depois de várias tentativas e muita canseira com as recusas, ficou revoltado.

Fez um clip baratinho e postou no YouTube.

Pois é, mais de 10.5 milhões de acessos e 30 mil avaliações 5 estrelas. Virou hit!

Agora a United Airlines quer fazer um acordo para tirar o clip do ar, já apresentou várias propostas.

Mas, segundo o músico, o tempo dos "espertos" da United passou.

O clip continua no ar e é muito bom..

25 teses mais ou menos sérias sobre a série '24 Horas'

Haroldo Ceravolo Sereza

Editor da home page do UOL

1) Em '24 Horas', o terror é dialético. Sem o apoio das informações de "traidores" e "infiltrados", os terroristas não poderiam ser tão ousados. Sem o terrorismo, Jack Bauer e colegas não teriam emprego.

2) Quanto mais perigoso o ataque terrorista, mais perigoso fica Jack Bauer. Quanto mais perigoso Jack Bauer, maior o risco de uma catástrofe.

3) Palmer é o presidente corajoso que comete as maiores atrocidades. Logan é o presidente covarde que comete as mesmas atrocidades. O que nos faz torcer pelo primeiro?

4) A propaganda que Kiefer Sutherland fez no Brasil radicaliza o clima de '24 Horas'. Dentro do carro, Sutherland-Bauer é capaz de manter a tranqüilidade. Mas não pode abrir a porta.

5) Bauer é um herói derrotado. Trabalha com a convicção de que seu esforço apenas adiará a tragédia - mas sabe que nunca vai conseguir evitá-la completamente.

6) A principal personagem de '24 Horas' é a informação: é por ela que todos, terroristas e agentes, se mobilizam.

7) '24 Horas' é uma série didática. Ela nos ensina não o que o Estado faz, mas o que o Estado pode, se quiser, fazer. Nossa sorte é que o Estado, para horror do neoliberalismo, é preguiçoso.

8) '24 Horas' nos ensina também que somos muito improdutivos. Temos o mal hábito de dormir entre um dia e outro. Jack Bauer nunca dorme, no máximo toma café da manhã.

9) Há bons e maus árabes na série. Em geral, todos se dão mal.

10) A família e os inocentes são os valores que Bauer e seus amigos defendem. Nem que, para isso, seja necessário torturar e assassinar inocentes e familiares.

11) Numa temporada, Bauer estraga um abajur para dar choques elétricos no ex-marido da namorada. E depois dizem que Freud não explica nada.

12) Se os roteiristas de '24 Horas' fizessem terroristas menos megalomaníacos, eles teriam causado muito mais estrago.

13) Ninguém respeita a hierarquia na CTU. Todos conspiram contra todos.

14) Na CTU, as possibilidades de ascensão são enormes. Em um dia, pode-se ir de estagiário a diretor, passando pelo cargo de conspirador.

15) Assim como a boca de Mônica Waldvogel parece estar sempre sorrindo, mesmo quando ela noticia uma tragédia, a boca de Sutherland está sempre para baixo, mesmo quando fazem cócegas nos seus pés.

16) Viciado em heroína por necessidade, Jack Bauer tem crises de abstinência apenas quando o horário permite.

17) Na CTU, não apenas os funcionários são corrompidos: até os arquivos são corrompidos e manipuláveis.

18) Até mesmo funcionários altamente especializados em lidar com com esses arquivos corrompidos, como a loira Chloe, precisam pegar em armas.

19) Em '24 Horas', todos são nerds e todos entendem os computadores. Mesmo os agentes de campo são especialistas em computação.

20) É sempre possível mudar de lado, do terror para a repressão. E da repressão para o terror. Basta uma motivação pessoal ou familiar. Ou uma boa sessão de tortura.

21) Tudo muda de uma temporada para a outra em '24 Horas'. Menos o modelo dos aparelhos de telefonia fixa da CTU.

22) Todos os celulares estão grampeados. Mas há sempre uma linha "segura" disponível.

23) Nunca sobra tempo para o mocinho Jack Bauer namorar. Quanto mais para fazer sexo.

24) Um episódio de '24 Horas' tem de ocorrer no fim do horário de verão. Para ele ter 25 horas.

25) Esta observação fica para quando a idéia do item 24 se concretizar.

Mães morrem quando querem

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Brasil e a crise em Honduras

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Mais um artigo do Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha

O original está aqui

Brasília emerge como a voz do Sul Global

por Pedro Aguiar

Rio de Janeiro --Tem sido uma semana marcante para a geopolítica latino-americana. Com a decisão do Brasil de hospedar o presidente derrubado Manuel Zelaya em sua embaixada em Tegucigalpa até ele ser restaurado ao poder (do qual foi removido por um golpe em 28 de junho), o continente finalmente mudou seu centro de gravidade do norte do Rio Grande para o coração do sul.

O golpe cívico-militar em Honduras foi o primeiro na América Latina desde a redemocratização da região nos anos 80 e 90 (sem contar o proclamado autogolpe de Fujimori no Peru em 1992) e recebeu condenação unânime. A tradição histórica do continente de golpes militares foi desafiada pela primeira vez. Depois da guinada à esquerda no início dos anos 2000, os atuais governos na região consideram que seriam vergonhoso e humilhante serem depostos à força. É um medo natural para eles que, se tolerarem um golpe, poderão ser os próximos.

Embora os Estados Unidos de Barack Obama tenham publicamente se juntado à unanimidade hemisférica para condenar o golpe, a palavra de que o Departamento de Estado e a CIA deram apoio à derrubada de Zelaya se espalhou pelas nações latino-americanas, causando desde suspeita a forte convicção. Embora nenhuma prova de interferência dos Estados Unidos tenha sido encontrada até agora, a história secular de apoio logístico e financeiro de Washington a "rupturas da ordem constitucional" (para usar um eufemismo) funciona como testemunha de acusação.

De outra parte, Luís Inácio Lula da Silva do Brasil emergiu como a voz líder dos governos da América Latina pedindo a imediata restauração do presidente democraticamente eleito de Honduras ao posto que lhe pertence. Dessa vez, não foi o teatral Hugo Chávez quem denunciou os Estados Unidos como diabo geopolítico, nem os tímidos diplomatas de centro-esquerda do Chile lideraram o enfrentamento contra forças reacionárias da região. Foi o presidente de uma estrela em ascensão, a brasileira.

Com sua economia rapidamente se recuperando da crise capitalista e praticamente reconquistando o milhão de empregos perdidos desde 2008, o Brasil se apresenta como a melhor coisa na cena global. O país é agora uma voz ativa para os países em desenvolvimento no G-20, nos BRICs (com Rússia, Índia e China) e no IBAS (com Índia e África do Sul), enquanto as chamadas para cooperação Sul-Sul finalmente se materializam com investimentos cruzados e um lobby unido na Organização Mundial do Comércio. Historicamente, os diplomatas do Brasil (faz tempo chamado de "gigante adormecido") tem deliberado sobre como transformar a maré alta econômica em poder político nas relações internacionais.

Parece que os problemas de auto-confiança estão sendo resolvidos agora. O Itamaraty, como o ministério das Relações Exteriores é chamado, decidiu adotar uma posição firme contra o golpe e a ajudar Zelaya a retomar o poder. O Brasil dá abrigo ao presidente derrubado em sua embaixada em Tegucigalpa, onde afirma que ele chegou "por meios próprios" -- embora se saiba que é altamente improvável que Brasília estava completamente desinformada sobre a chegada dele, o que o Itamaraty nunca vai admitir. Além disso, Lula usou seu discurso de abertura na Assembléia Geral para exigir o retorno imediato de Zelaya a seu posto, enquanto o Brasil pedia uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. Mesmo outras entidades internacionais como a Organização dos Estados Americanos e o Fundo Monetário Internacional, que no passado apoiaram regimes autoritários, se juntaram à condenação.

Qualquer coisa mais que isso seria interferir nos assuntos internos de uma nação estrangeira. Lula tem dito repetidamente que não cruzará esse limite, mas ao mesmo tempo se negou a sentar sobre suas mãos. No entanto, isso é exatamente o que as elites conservadoras do Brasil alegam. No último sábado, a revista brasileira de ultra-direita Veja publicou uma capa acusando o Brasil de "imperialismo megalomaníaco" -- sem dedicar uma linha à tradição centenária de imperialismo dos Estados Unidos. Os partidos de oposição, PSDB e Democratas, criticam o Itamaraty por hospedar o presidente legal de Honduras. No telejornal diário a TV Globo colocou uma reportagem na sexta-feira argumentando que o que havia acontecido em Honduras em junho "tecnicamente não foi um golpe", citando texto da Constituição de Honduras. O artigo 239 diz que qualquer presidente que propor alterar o banimento da reeleição seria automaticamente removido, mas a emissora omitiu que Zelaya nunca fez isso, apenas propôs um referendo.

O que todos omitem, no entanto, é que o Brasil não tem outros interesses em Honduras, mas o de usar sua força política na região, algo que não pode ser visto como ameaça, mas como uma questão de interesse da Nação. Além disso, o Brasil não está agindo apenas em sua defesa, mas em defesa do Sul global como um todo. É a primeira vez que nações pobres levantam uma única voz contra o uso da força bruta na política. E o isolamento que os governos regionais impuseram ao governo de fato em Honduras é sem precedentes, mesmo contando o que aconteceu com Cuba no início dos anos 60.

Com Fidel Castro envelhecendo e oficialmente fora do poder, o papel antagonista no script geopolítico das Américas era de Hugo Chávez da Venezuela. Mas talvez o estilo bombástico de Chávez tenha sido contraproducente para sua própria política externa e para a esquerda em geral, enquanto o papel mais discreto de Lula -- ainda que direto -- se provou bem sucedido em outras crises regionais como as da Bolívia, Equador e Haiti, onde o Brasil tem 1.200 soldados sob capacetes azuis das forças de paz da ONU desde 2004.

Que fique claro: Zelaya não é um esquerdista ideológico, mas um líder populista na mesma tradição à qual a América Latina está acostumada. Mas ideologia não é a questão central aqui: trata-se de mandar uma mensagem aos militares para que fiquem nos quartéis. Se tivesse acontecido a um governo liberal ou conservador, o grito contra a remoção ilegal de um chefe de Estado eleito seria o mesmo -- talvez em tom menor.

Mesmo que haja um impasse nos próximos dias que evite que Manuel Zelaya saia da embaixada brasileira e caminhe em triunfo até o palácio presidencial em Tegucigalpa, a ponte foi atravessada quando se trata da mudança nos poderes regionais. Qualquer derrota de Zelaya agora não seria exatamente uma derrota do Itamaraty, mas reforçaria sua vitória moral: conseguiu forjar uma unidade sem precedentes no continente e deixou claro que a idade dos golpes militares na América Latina acabou.

BBC cria o maior zoológico online do mundo

por Heloisa Lupinacci



A BBC criou um enorme zôo virtual, o BBC Wildlife Finder, alimentado por fotografias e vídeos de natureza.







É como um zôo, mas com algumas vantagens, para compensar a óbvia desvantagem da ausência real dos bichos: o leão nunca está dormindo naquela toca atrás da árvore no fundo da jaula; os animais pequenos são fotografados ou filmados com lentes de aumento; e os hábitos noturnos são capturados com câmeras infra-vermelhas (aquelas que enxergam tudo verde no escuro).










Com 370 espécies, o zôo virtual crescerá a cada dia, promete a BBC. Para quem gosta de bicho, é para gravar no favoritos.

O protagonismo do Brasil em Honduras modifica sua tradição

Deu no Vi O Mundo, do Luiz Carlos Azenha

Reorientação do Itamaraty. Além de liderar a Unasul, o presidente Lula projeta seu país como protagonista crucial da crise centro-americana

Por Jorge Castro, no diário argentino El Clarin

O original está aqui

A decisão do governo do Brasil de abrir sua embaixada em Tegucigalpa para o derrubado presidente Manuel Zelaya a utilize em seu retorno como posto de ação é sem dúvida um acontecimento maior -- tão importante quanto o regresso do mandatário hondurenho -- que modifica uma das políticas fundamentais do Itamaraty nos últimos cem anos.

Essa política, estabelecida pelo barão de Rio Branco (1902-1912) ao largo de quatro mandatos sucessivos (Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca) e continuada durante os cem anos posteriores, com governos de distinta orientação política e ideológica, estabelecia que, na América Central e no Caribe, o Brasil reconhecia a primazia dos Estados Unidos na resolução diplomática ou pela força das crises e conflitos na região. Rio Branco transferiu o eixo da política externa brasileira de Londres a Washington; e Joaquim Nabuco, primeiro embaixador brasileiro na capital norte-americana, foi o executor dessa mudança estratégica primordial, que decidiu a inserção do Brasil no mundo.

Rio Branco foi o primeiro estadista sul-americano que compreendeu que o triunfo dos Estados Unidos na guerra de Cuba (1898) e sua posterior e decisiva mediação no Extremo Oriente, que pôs fim à guerra da Manchúria entre Rússia e Japão (1905), convertia a nação americana em uma potência global e modificava, ao mesmo tempo e para sempre, o sistema de poder internacional, que adquiria uma escala irreversivelmente mundial.

Assim, a "aliança não escrita" com os Estados Unidos se converteu na viga central da política externa do Brasil; e Rio Branco incorporou a potência norte-americana no equilíbrio de poder da América do Sul, com o objetivo -- que conquistou -- de somá-la à disputa com a Argentina pela supremacia sul-americana.

Rio Branco deu respaldo ao "corolário Roosevelt" à Doutrina Monroe, pelo qual o mandatário norte-americano Theodore Roosevelt (1901-09) legitimou a utilização do poder militar (fuzileiros navais americanos) para restabelecer a ordem ou derrubar governos não confiáveis na América Central e no Caribe. Este é o antecedente direto do reconhecimento da primazia norte-americana na América Central e no Caribe, que tem sido uma constante da política externa brasileira até segunda-feira desta semana.

A "aliança não escrita" com os Estados Unidos alcançou um segundo momento de apogeu com Getúlio Vargas, durante o governo de Franklin Delano Roosevelt (1933-45), com a instalação no Nordeste de três bases militares norte-americanas (Belém, Natal e Recife), a declaração de guerra ao Eixo (31 de agosto de 1942) e o envio de um contingente militar para combater na Europa (Força Expedicionária Brasileira), como parte do Quarto Exército estadunidense.

A política exterior do Itamaraty -- desde Fernando Henrique Cardoso a Lula -- tem como prioridade readquirir relevância internacional e resulta numa estratégia de aproximação indireta ao poder mundial (Estados Unidos-G7), fundada na construção na América do Sul de uma plataforma de projeção ao mundo. Neste período, a premissa dessa política exterior tem sido que, na América Latina, há uma fratura profunda entre a América Latina do Norte e a do Sul. Por isso a política impulsionou a criação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).

Agora o Brasil saiu do Sul e se tornou um protagonista fundamental da principal crise da América Latina do Norte. Está no centro dos acontecimentos em Honduras. Não atua de forma compartilhada ou multilateral, mas individualmente, como grande potência.

É uma novidade histórica. O Brasil é hoje a representação da comunidade internacional em uma crise que se aprofunda, se polariza e se amplia.

Drogas - legalizar tudo, para acabar com o tráfico


10 RAZÕES PARA LEGALIZAR AS DROGAS


1 – ENCARAR O VERDADEIRO PROBLEMA
Os burocratas que constroem as políticas sobre drogas têm usado a proibição como uma cortina de fumaça para evitar encarar os fatores sociais e econômicos que levam as pessoas a usar drogas. A maior parte do uso ilegal e do uso legal de drogas é recreacional. A pobreza e o desespero estão na raiz da maioria do uso problemático da droga, e somente dirigindo-se a estas causas fundamentais é que poderemos esperar diminuir significativamente o número de usuários problemáticos.

2 – ELIMINAR O MERCADO DO TRÁFICO
O mercado de drogas é comandado pela demanda e milhões de pessoas demandam drogas atualmente ilegais. Se a produção, suprimento e uso de algumas drogas são criminalizados, cria-se um vazio que é preenchido pelo crime organizado. Os lucros neste mercado são de bilhões de dólares. A legalização força o crime organizado a sair do comércio de drogas, acaba com sua renda e permite-nos regular e controlar o mercado (isto é prescrever, licenciar, controle de venda a menores, regulação de propaganda, etc..).

3 – REDUÇÃO DRÁSTICA DO CRIME
O preço de drogas ilegais é determinado por um mercado de alta demanda e não regulado. Usar drogas ilegais é muito caro. Isto significa que alguns usuários dependentes recorrem ao roubo para conseguir dinheiro (corresponde a 50% do crime contra a propriedade na Inglaterra e é estimado em 5 bilhões de dólares por ano). A maioria da violência associada com o negócio ilegal da droga é causada por sua ilegalidade. A legalização permitiria regular o mercado e determinar um preço muito mais baixo acabando com a necessidade dos usuários de roubar para conseguir dinheiro.Nosso sistema judiciário seria aliviado e o número de pessoas em prisões seria reduzido drasticamente, economizando-se bilhões de dólares. Por causa do preço baixo, os fumantes de cigarro não têm que roubar para manter seu hábito. Não há também violência associada com o mercado de tabaco legal.

4 – USUÁRIOS DE DROGA ESTÃO AUMENTANDO
As pesquisas na Inglaterra mostram que quase a metade de todos os adolescentes entre 15 e 16 anos já usou uma droga ilegal. Cerca de 1,5 milhão de pessoas usa ecstasy todo fim de semana. Entre os jovens, o uso ilegal da droga é visto como normal. Intensificar a guerra contra as drogas não está reduzindo a demanda. Na Holanda, onde as leis do uso da maconha são muito menos repressivas, o seu uso entre os jovens é o mais baixo da Europa. A legalização aceita que o uso da droga é normal e que é uma questão social e não uma questão de justiça criminal. Cabe a nós decidirmos como vamos lidar com isto. Em 1970, na Inglaterra, havia 9.000 condenações ou advertências por uso de droga e 15% de novas pessoas tinham usado uma droga ilegal. Em 1995 os números eram de 94.000 e 45%. A proibição não funciona.

5 – POSSIBILITAR O ACESSO A INFORMAÇÃO VERDADEIRA E A RIQUEZA DA EDUCAÇÃO
Um mundo de desinformação sobre drogas e uso de drogas é engendrado pelos ignorantes e preconceituosos burocratas da política e por alguns meios de comunicação que vendem mitos e mentiras para benefício próprio. Isto cria muito dos riscos e dos perigos associados com o uso de drogas. A legalização ajudaria a disseminar informação aberta, honesta e verdadeira aos usuários e aos não-usuários para ajudar-lhes a tomar decisões de usar ou não usar e de como usar. Poderíamos começar a pesquisar novamente as drogas atualmente ilícitas e descobrir todos seus usos e efeitos – positivos e negativos.

6 – TORNAR O USO MAIS SEGURO PARA O USUÁRIO
A proibição conduziu à estigmatização e marginalização dos usuários de drogas. Os países que adotam políticas ultra-proibicionistas têm taxas muito elevadas de infecção por HIV entre usuários de drogas injetáveis. As taxas de hepatite C entre os usuários no Reino Unido estão aumentando substancialmente. No Reino Unido, nos anos 80, agulhas limpas para usuários e instrução sobre sexo seguro para jovens foram disponibilizados em resposta ao medo do HIV. As políticas de redução de danos estão em oposição direta às leis de proibição.

7 – RESTAURAR NOSSOS DIREITOS E RESPONSABILIDADES
A proibição criminaliza desnecessariamente milhões de pessoas que, não fosse isso, seriam pessoas normalmente obedientes às leis. A proibição tira das mãos dos que constroem as políticas públicas a responsabilidade da distribuição de drogas que circulam no mercado paralelo e transfere este poder na maioria das vezes para traficantes violentos. A legalização restauraria o direito de se usar drogas responsavelmente e permitiria o controle e regulação para proteger os mais vulneráveis.

8 – RAÇA E DROGAS
As pessoas da raça negra correm dez vezes mais risco de serem presas por uso de drogas que as pessoas brancas. As prisões por uso de droga são notoriamente discriminatórias do ponto de vista social, alvejando facilmente um grupo étnico particular. A proibição promoveu este estereótipo das pessoas negras. A legalização remove um conjunto inteiro de leis que são usadas desproporcionalmente no contato de pessoas negras com o sistema criminal da justiça. Ajudaria a reverter o número desproporcional de pessoas negras condenadas por uso de droga nas prisões.

9 – IMPLICAÇÕES GLOBAIS
O mercado de drogas ilegais representa cerca de 8% de todo o comércio mundial (em torno de 600 bilhões de dólares ano). Países inteiros são comandados sob a influência, que corrompe, dos cartéis das drogas. A proibição permite também que os países desenvolvidos mantenham um amplo poder político sobre as nações que são produtoras com o patrocínio de programas de controle das drogas. A legalização devolveria o dinheiro perdido para a economia formal, gerando impostos, e diminuiria o alto nível de corrupção. Removeria também uma ferramenta de interferência política das nações estrangeiras sobre as nações produtoras.

10 – A PROIBIÇÃO NÃO FUNCIONA
Não existe nenhuma evidência para mostrar que a proibição esteja resolvendo o problema. A pergunta que devemos nos fazer é: Quais são os benefícios de criminalizar qualquer droga? Se após analisarmos todas as evidências disponíveis concluirmos que os males superam os benefícios, então temos de procurar uma política alternativa. A legalização não é a cura para tudo, mas nos permite encarar os problemas criados com o uso da droga e os problemas criados pela proibição. É chegada a hora de uma política pragmática e eficaz sobre drogas.

Texto original de:
Comandante John Grieve
Unidade de Inteligência Criminal,
Scotland Yard, Channel 4 1997.
(traduzido por Luis Verza)


Tráfico, guerras e despenalização

Racismo, xenofobia, negócios e moralismo são as raízes da atual conjuntura proibicionista. As drogas - que sempre fizeram parte da cultura humana - foram divididas em lícitas e ilícitas por motivos arbitrários e políticos. A problematização da proibição e a tentativa de encontrar soluções são vitais para a superação dessa utopia punitiva

POR THIAGO RODRIGUES*

Na passagem do século XIX para o século XX, drogas como a maconha, a cocaína e a heroína não eram proibidas. Ao contrário, elas eram produzidas e vendidas livremente ou com muito pouco controle. No entanto, passaram a ser alvo de uma cruzada puritana, levada adiante por agremiações religiosas e cívicas dedicadas a fazer lobby pela proibição. Nos Estados Unidos, as campanhas contra certas drogas psicoativas foram, desde o início, mescladas a preconceitos, racismo e xenofobia. Drogas passaram a ser associadas a grupos sociais e minorias, considerados perigosos pela população branca e protestante, majoritária no país: mexicanos eram relacionados à maconha; o ópio vinculado aos chineses; a cocaína aos negros; e o álcool aos irlandeses.(1) Esta última, aliás, foi a primeira droga amplamente visada pelos proibicionistas americanos. E com sucesso: em 1919, eles conseguiram aprovar a Lei Seca, que proibia toda a economia do álcool no país (produção, distribuição, venda, consumo, importação e exportação). Pela sua abrangência e intenções, a Lei Seca é considerada o paradigma do proibicionismo: a meta de extinguir completamente das práticas sociais uma substância psicoativa e os hábitos relacionados a ela. Extirpar o vício.

Quando a Lei Seca foi aprovada, a movimentação internacional proibicionista tinha dado seus passos iniciais. Em 1909, aconteceu em Xangai, China, a primeira conferência internacional para discutir o controle de drogas, mais especificamente do ópio e seus derivados (como a morfina e a heroína). Cedendo a pressões dos EUA, países como o Reino Unido, França, Alemanha e Holanda, cujas empresas coloniais lucravam muito com o comércio de ópio, comprometeram-se vagamente a limitar seu negócio. Apesar de pouco objetiva, a conferência foi o primeiro de uma série de encontros diplomáticos que aprofundaram as limitações proibicionistas, até que, em 1961, a Convenção Única da ONU (Organização das Nações Unidas) universalizou o proibicionismo(2). Esse tratado consolidou o modo de lidar com psicoativos ilegais – e as pessoas envolvidas com eles – que, em linhas gerais, perdura até hoje: apenas as drogas com uso médico comprovado poderiam ser legais. Logo, todos os outros fins relacionados às sensações derivadas de estados alterados de consciência deveriam ser proibidos, e as pessoas relacionadas a eles, punidas.


A PRODUÇÃO DE CRIMINOSOS

Muitos criminosos foram fruto da proibição: produtores, negociantes e consumidores de drogas foram lançados na ilegalidade. A utopia proibicionista apostou que, combinando leis punitivas com repressão policial, eliminaria hábitos relacionados a drogas que eram, muitas vezes, seculares. Não conseguiu. Ao contrário, abriu um campo de ilegalidade que apenas cresceu nas décadas de vigência da proibição. Há alguns anos, foi veiculada no Brasil uma campanha que acusava o usuário de financiar o tráfico. No entanto, o consumo de psicoativos existia antes da proibição e continuou sob ela, só que um mercado inteiro passou à ilegalidade e, com isso, inúmeras pessoas, com seus hábitos e negócios, tornaram-se criminosas. O mercado de drogas não foi eliminado por decreto nem por repressão. Assim, o que financia o tráfico de drogas não é o usuário, mas a proibição.

Na busca por extinguir perigos para a sociedade, a proibição acabou por criminalizar condutas, mas nem todos, na prática, são alvos da lei. Seletivamente, a maioria dos novos criminosos foi encontrada entre as classes pobres (negros, nordestinos, mexicanos etc.) e entre subversivos (contestadores, hippies, artistas e "desajustados"). Nos Estados Unidos, a maioria dos presos por crimes relacionados a drogas é negra ou hispânica, apesar de ambos os grupos serem minorias no país(3) Uma pesquisa nos dados prisionais brasileiros revelaria algo similar, com negros, mulatos, favelados e migrantes sem dinheiro. Quase todos muito novos.

Jovens pobres são convocados pelos chamados partidos ou comandos do crime como soldados e aspirantes a chefetes efêmeros. Jovens pobres se alistam como soldados das forças policiais e almejam ingressar em tropas de elite para lutar contra o narcotráfico. Na guerra cotidiana entre a policia e traficantes, e entre grupos rivais do trafico, pessoas vão sendo eliminadas com balas certeiras e perdidas. Ou são detidas para – estigmatizadas e marcadas – dificilmente deixar a prisão um dia, mesmo se forem soltas ou fugirem.


UMA GUERRA NA GUERRA

Em 1972, o presidente Richard Nixon declarou guerra às drogas, consideradas por ele uma ameaça à segurança nacional americana. A partir de então, os EUA se identificavam como um país consumidor de drogas produzidas em outros lugares e que, por causa disso, tinha o direito de defender suas fronteiras e, quando necessário, atacar as fontes dessas substâncias. Ainda que essa divisão estanque entre países produtores e países consumidores não tenha se sustentado diante das evidências (maconha cultivada nos EUA e no Canadá, drogas sintéticas produzidas nesses dois países e também na Europa), a lógica da war on drugs complementou o proibicionismo diplomático já consolidado(4).

Como numa efetiva guerra, os Estados Unidos investem, há quase 40 anos na militarização do combate ao narcotráfico. Desde as ações bélicas americanas nos Andes, na década de 1980, passando pelo Plano Colômbia, lançado em 1999, até à recente Iniciativa Mérida - versão mexicana do plano colombiano, iniciada em 2008 -, bilhões de dólares têm sido destinados para o combate militar ao narcotráfico. E, ainda assim, o mercado ilícito de drogas não deixou de se adaptar e expandir.

Desse modo, a guerra às drogas, alçada á posição de questão geopolítica crucial neste início do século XXI, se apresenta infindável em sua violência e muito interessante para potencializar negócios: a indústria bélica vende para os dois lados (traficantes e forças de segurança); as indústrias químicas, idem (por exemplo, precursores para a fabricação de psicoativos e desfolhantes para fumegar plantações de coca); as empresas de segurança privada protegem criminosos e oleodutos, enquanto os bancos lavam dinheiro. O combate ao narcotráfico se constituiu como uma guerra em muitas: em vielas, favelas, fronteiras e através das fronteiras. E quanto mais se aposta na utopia proibicionista, mais rentável e interminável a guerra às drogas tem se mostrado.


REFORMAR OU OUSAR?

Diante da constatação de que a guerra às drogas não alcançou seu objetivo declarado, especialistas, autoridades e personalidades públicas passaram a defender a reforma do proibicionismo. A partir dos anos 1980, por exemplo, liberais como o economista Milton Friedman e os editores da revista The Economist retomaram argumentos utilitaristas para afirmar que o uso de drogas não era o ideal, mas que a proibição era pior pelos custos que gerava (em violência, dinheiro e violação das liberdades individuais). A ilegalidade apenas produzia criminalidade e descontrole (de uso e de mercado). Então, a melhor maneira de controlar as drogas seria legalizando-as. Com isso, o grande mercado ilícito seria suprimido, empresas legais poderiam se dedicar ao negócio, o direito dos consumidores seria respeitado e os impostos gerados com a tributação serviriam para financiar campanhas de conscientização contra as drogas e para tratamento de adictos.

Friedman e a The Economist defenderam a legalização de todas as drogas ilícitas. Hoje, personalidades como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Ernesto Zedillo (México) defendem a descriminalização do uso das chamadas "drogas leves", principalmente da maconha. Descriminalizar o uso significa não tratar o usuário como criminoso, o que não implica "deixá-lo livre": ao ser considerado "usuário", o indivíduo passa a ser capturado por um circuito de penas alternativas (prestação de serviços á comunidade ou, até mesmo, tratamento médico compulsório). Para os traficantes permanece a punição prisional, e para as drogas, mantém-se a proibição.

Tanto os argumentos liberais quanto tais discursos a favor da descriminalização não são apologistas das drogas. Pelo contrário, consideram os psicoativos nocivos e indesejáveis. Dessa forma, poderíamos dizer que, em geral, esses pontos de vista são desfavoráveis ao consumo, mas consideram o proibicionismo um modo pouco eficaz para controlá-lo. Seus defensores argumentam que seria preciso considerar as drogas como um problema de saúde publica e não de segurança publica.

Nesse sentido, a nova lei brasileira sobre drogas – aprovada em 2006 e que segue proibicionista - estabelece que a quantidade de droga flagrada com alguém determinaria se a pessoa é "usuária" ou "traficante". Como essa lei não define esses números, no dia-a-dia fica a cargo dos policiais e do delegado registrar a categoria. Nessa brecha, segue a prática da seletividade penal, marcando a diferença social e de cor entre "usuários" e "traficantes". Hoje, é provável que aquele que não se enquadre no estereótipo de "usuário" ou "traficante" não tenha problemas com a polícia. Para quem não tem essa sorte ou recursos (para eventuais subornos ou advogados), o proibicionismo funciona. E funciona seletivamente, sustentando a violência e grandes negócios.

Saber que a proibição se estruturou historicamente a partir de camadas de moralismo, racismo, seletividade penal e preocupação com a saúde pública é fundamental para que o debate sobre as drogas seja problematizado, evitando as polêmicas estéreis e sensacionalistas que geralmente dominam a discussão. É importante para que se tenha em mente que passos estratégicos podem ser dados para enfrentar o proibicionismo, sem considerar propostas de legalização ou de descriminalização do uso como panacéias progressistas deslocadas das práticas sociais e históricas em que se inscrevem.

O psiquiatra americano Thomas Szasz provocou discussão ao afirmar que a verdadeira legalização das drogas aconteceu quando substâncias que não eram reguladas pelo direito passaram a sê-lo diretamente pela via da proibição.(5) As bases mais elementares do proibicionismo - moralismo, racismo, defesa de uma certa saúde universal-não são abaladas por propostas de legalização para o mercado ou descriminalização que mantém a proibição. Seria então o caso de tentar um deslocamento, uma mudança de ângulo, reparando nos argumentos dos abolicionistas penais, como o jurista holandês Louk Hulsman, que diante do excesso de penalizações e soluções pretensamente universais, nos convidou a pensar fora do campo penal, despenalizando condutas e situações para encontrar encaminhamentos singulares que solucionem situações particulares, utilizando, por exemplo, recursos do direito civil, como a conciliação e as compensações".(6)

O filósofo Michel Foucault afirmou que o frustrava que "sempre o problema das drogas seja tratado em termos de liberdade ou proibição". Isso, porque, segue Foucault, "as drogas são parte de nossa cultura. Da mesma forma que não podemos dizer que somos 'contra' a música, não podemos dizer que somos 'contra' as drogas" (7).

A busca de soluções universais é o vício que aflige até mesmo sinceros críticos da proibição. E há traficantes de sonhos e propostas aos borbotões. No entanto, a tarefa de problematizar o proibicionismo e as propostas antiproibicionistas parece vital para que essa utopia punitiva não seja contraposta a outras soluções também pretensamente universais. Essa tarefa é incômoda, mas importante para mostrar como a proibição não é natural ou inevitável. Ela tem uma história política que é preciso conhecer para enfrentar.

*Thiago Rodrigues é professor credenciado do Programa de Pós-graduação em Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, membro do Nu-Sol/PUC-SP e pesquisador associado ao NEST/UFF e GAPCon/ Ucam. É coordenador licenciado do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina (Fasm).


1 Antônio Escohotado, Historia Elemental de Ias drogas, Barcelona, Anagrama, 1996.

2 William McAIlister, Drug diplomacy in the Twentieth Century, Nova Iorque, Routledge. 2000; e Thiago Rodrigues, Narcotráfico, uma guerra na guerra, São Paulo. Desatino, 2003.

3 Ver John S. Robey. 'A war on drugs or a war on minorities?" em Stuart Nagel (org.), Handbook of legal policy, Nova York, Marcel Dekker Inc., 2000. Consulte também Beatriz Labate, Sandra Goular, Maurício Fiore, Henrique Carneiro e Edward McRae (orgs.), Drogas e cultura, novas perspectivas, Salvador. Edufba, 2008.

4 Edson Passetti, Das "fumeries” ao narcotráfico, São Paulo, Educ. 1991; e Thiago Rodrigues, Política e drogas nas Américas, São Paulo, Educ/Fapesp. 2004.

5 Thomas Szasz, Nuestro derecho a Ias drogas, Barcelona, Anagrama, 1993.

6 Para discussão sobre a perspectiva abolicionista penal, consulte o site do Núcleo de Sociabilidade Libertária (Nu-Sol) - www.nu-sol.org - em especial os "Verbetes abolicionistas" e as edições da revista Verve. Consulte também Edson Passetti (org.). Curso livre de abolicionismo penal, Rio de Janeiro/São Paulo, Revan/Nu-Sol, 2002.

7 Michel Foucault, "Michel Foucault, uma entrevista: sexo, poder e política". Tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Em Verve, São Paulo. Nu-Sol, v. 5. 2004, pp. 264-65.

Bonito, Mato Grosso do Sul



Pólo do ecoturismo em nível mundial, suas principais atrações são as paisagens naturais, os mergulhos em rios de águas transparentes, cachoeiras, grutas, cavernas e dolinas. É a principal atividade da região há muito tempo, além de estar em constante evolução buscando a interferência mínima na natureza.

Bonito reúne um conjunto de equipes, empresas, ONGs e órgãos governamentais que buscam organizar e coordenar o ecoturismo, visando sempre a sustentabilidade local e a conservação da natureza.

As agências da cidade organizam passeios para todo tipo de público, como o mergulho da superfície ou flutuação, rapel, passeios a pé e a cavalo, que permitem conhecer suas atrações naturais e o cotidiano das fazendas. Nos roteiros culturais, conhece-se as lendas, músicas e costumes regionais. É o centro da prática de esportes na natureza, oferecendo grande número de atividades em diferentes atrativos, como:

Gruta do Lago Azul: foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, sendo inscrita em três dos quatro livros do Tombo, o etnográfico, paisagístico e arqueológico.

Rio Sucuri.

Gruta de São Miguel.

Abismo Anhumas: caverna com acesso apenas com rapel e também possui um lago para mergulho e snorkeling.

Lagoa Misteriosa: Situada no município de Jardim, a 42 km de Bonito, dolina de cerca de setenta metros de profundidade que possui uma lagoa no fundo. Uma lagoa de águas azuis impressionante. A visibilidade da água passa de 40 metros. Megulhadores profissionais já desceram a mais de 220 metros de profundidade nesta lagoa e não encontraram fundo. As suas águas vem de fontes subterrâneas, ela circulam lentamente.

Estância Mimosa Ecoturismo: Passeio com trilha na mata ciliar do Rio Mimoso e banho em sete cachoeiras de águas cristalinas, ao final é servido um almoço típico d fazenda preparado em fogão a lenha.

Aquário Natural - Baia Bonita

Rio do Peixe

Boca da Onça Ecotur

Passeio de Bote no Rio Formoso

Boia Cross

Arvorismo

Cavalgada

Mergulho com cilindro

Observação de aves

Publicidade criativa

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nosso Ministro da Defesa é uma anta!

A situação do impasse diplomático em Honduras está se complicando a cada dia, quase a cada hora.

Hoje os golpistas fecharam a emissora de rádio Globo de Tegucigalpa, que seria um dos últimos meios de oposição ao regime que funcionava no país, segundo a AFP, e a emissora de TV "36".

No domingo, por decreto, o governo suspendeu durante 45 dias as garantias constitucionais. A medida restringe as liberdades de circulação e expressão, e proíbe as reuniões públicas, entre outras medidas.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) fez uma convocação urgente hoje ao Conselho Extraordinário para analisar a situação em Honduras depois de o governo golpista negar a entrada de uma missão do organismo ao país no domingo.

Roberto Micheletti impediu a entrada no país de três funcionários da OEA e mais dois da Embaixada da Espanha. Micheletti justificou a medida afirmando que este não era o momento oportuno.

Ao mesmo tempo, o governo golpista sustentou que a Embaixada do Brasil perderá o status diplomático em 10 dias se não definir a situação do presidente deposto, Manuel Zelaya, que na segunda-feira passada retornou ao país e se estabeleceu na embaixada brasileira.

Considerando este contexto, o Brasil evidentemente deve manobrar de forma inteligente e estratégica.

Qualquer observador da conjuntura internacional pode observar que os países “sérios” sabem fazer a coordenação entre sua atuação diplomática e movimentos militares destinados a fortificar a posição diplomática. Vejo no noticiário de hoje, por exemplo, a seguinte manchete:

“Irã exibe força antes de diálogo nuclear com grandes potências”.
O Irã testou nesta segunda-feira mísseis que, segundo um comandante da Guarda Revolucionária, poderia alcançar qualquer alvo na região, em uma exibição de força antes das negociações nucleares desta semana com potências mundiais.

Ou seja, o Irã sabe usar da ameaça militar para reforçar sua diplomacia.
Tomemos outro exemplo.

O presidente Barack Obama, evidentemente nem cogita em invadir o Irã, ou atacar o país. Mas sempre que indagado sobre a posição americana em relação à construção de uma bomba nuclear pelo Irã, responde que "as negociações vão prosseguir, mas todas as opções estão na mesa, inclusive a opção militar”.

Outro exemplo – há alguns meses, Israel fez uma “exercício militar” simulando um ataque ao Irã, divulgado amplamente na mídia. É um claro recado ao Irã, e faz parte de um trabalho de reforço da atuação diplomática de Israel.

Em suma, o poderio militar de um país não existe necessariamente para ser usado, mas freqüentemente para servir de reforço a sua diplomacia e, portanto obter os resultados estratégicos desejados.

Agora leiam a declaração do nosso Ministro da Defesa hoje:

“Nelson Jobim, descartou a possibilidade de enviar força militar brasileira para defender a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"Isso não é possível. Não podemos entrar com força em país estrangeiro. A não ser que declaremos guerra, o que é inviável. A solução é exclusivamente diplomática", disse, após participar da abertura da Conferência Internacional Nuclear no Rio de Janeiro.

De acordo com o ministro, a solução para o impasse será negociada exclusivamente pelo Ministério de Relações Exteriores.”

Se cair de quatro, não levanta.

Deixou a nossa diplomacia completamente sem apoio, sem força.

Mesmo sendo verdade o que ele disse, jamais deveria ter dito. Poderia ter ficado calado. Ou dizer algo ambíguo, como Obama, do tipo “O Ministério da Defesa do Brasil está preparado para cumprir qualquer missão que o Presidente da Republica lhe entregar”.

Mas o advogado incompetente Nelson Jobim não consegue pensar estrategicamente, não observa os movimentos diplomáticos e militares no mundo, considera que nossos militares existem para desfilar no Sete de Setembro.

Desculpem repetir, mas é importante deixar claro - é plenamente aceitável que o Brasil não queira empregar seus militares em ação, mas país nenhum diz isso claramente! Faz parte do jogo geopolítico mundial deixar o adversário na dúvida, e com isso facilitar o trabalho dos diplomatas!

Jobim deu um tiro na nossa diplomacia, e foi desleal com Lula, que tem mantido uma posição firme e propositadamente ambígua sobre o uso de meios militares. Jobim nem poderia fazer esta declaração, pois pode vir a ser atropelado pelos fatos, se a OEA ou a ONU decidirem enviar forcas para Honduras.

Tranquilizou os golpistas de Honduras. Nada a temer do Brasil...

Com um Ministro da Defesa destes, o Brasil não precisa de inimigos...

HONDURAS: O BRASIL ACERTOU

Mário Augusto Jakobskind, no Direto da Redação

O desespero da direita brasileira, hoje representada em grande escala pela mídia hegemônica e alguns políticos do gênero senso comum, é visível. No jornalismo diário os reflexos são visíveis, como no caso da embaixada brasileira em Honduras, episódio tratado de forma a confirmar que a imprensa deixou de ser quarto poder para se tornar aparelho ideológico do capital.

O despeito se reflete até nas manchetes dos jornais e alguns questionamentos dos colunistas de sempre. Um deles, que faz o gênero panfletário a favor, considerou o golpe militar que derrubou o presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya, como um “golpe democrático”, um conceito que remete ao Brasil de abril de 1964 e aos editoriais dos principais jornais em apoio à derrubada do presidente constitucional João Goulart.

A mídia e políticos sem bandeira, sobretudo do Demo e do PSDB, consideram que o governo Lula agiu de forma “chavista” ao permitir o ingresso de Zelaya na representação diplomática brasileira em Tegucigalpa. O que eles queriam? Que os diplomatas entregassem ao cadafalso o presidente constitucional de Honduras?

Associados a direita encontram-se atualmente os ex-comunistas do PPS. O Deputado Roberto Freire, o tal que entregou de bandeja à Fundação Roberto Marinho os arquivos do Partido Comunista Brasileiro, e o parlamentar Raul Jungmann fizeram pronunciamentos vergonhosos, somando-se aos boquirrotos da direita que pedem a convocação do Ministro Celso Amorim no Congresso para explicar se o ingresso de Zelaya na Embaixada brasileira estava ou não acertado de antemão. Freire é um exemplo concreto de que na fauna política o pior que existe são os ex, especialmente os ex-comunistas.

Convocar Amorim, um dos principais quadros da diplomacia brasileira dos últimos tempos, não passa de uma provocação barata de políticos sem bandeira que se desesperam diante da evidência de que Lula é realmente uma liderança mundial, considerado por órgãos de imprensa insuspeitos do exterior, como a revista estadunidense Newsweek, o político mais popular do planeta.

Os brasileiros só têm de se orgulhar do posicionamento incisivo do governo Lula de condenação total do golpe militar e apoio a Manuel Zelaya, inclusive colocado com muita clareza no Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo Ministro Celso Amorim, que aceitou os argumentos, embora a manchete de O Globo, na linha da direita, como sempre, tenha dito que “a ONU não condena no tom que o Brasil queria”. Se dependesse apenas da mídia golpista brasileira, nada teria acontecido na ONU.

A fauna de críticos despeitados da política externa do governo Lula ficaria incompleta se não fossem mencionados diplomatas que serviram ao governo FHC, entre os quais Luiz Felipe Lampreia, não ficando atrás o ex-Ministro Celso Lafer, para quem não se lembra, o cara que tirou os sapatos na alfândega dos Estados Unidos para ser revistado, isso durante a gestão que exercia no mandato do presidente Cardoso. Para eles, da mesma forma que a oposição de direita da Câmara dos Deputados e Senado, a presença de Zelaya na embaixada em Tegucigalpa prejudica o Brasil, quando acontece exatamente o contrário.

Não há como prever o desfecho do caso hondurenho, pelo menos no momento que esta reflexão estava sendo elaborada, neste domingo (27). Um fato grave que obriga o governo brasileiro a adotar uma posição ainda mais incisiva em relação aos golpistas.

O ministro-conselheiro de Negócios do Brasil em Honduras, Francisco Catunda confirmou o lançamento de gases tóxicos no local, como denunciou o Presidente Manuel Zelaya, que provocou problemas de saúde nas pessoas que lá se encontravam. Trata-se de um ato de guerra, que precisa ser respondida a altura. O que aconteceria se os golpistas hondurenhos fizessem isso na Embaixada dos Estados Unidos? O mundo ia abaixo e nesta altura do campeonato não seria surpresa se os marines estadunidenses desembarcassem por lá.

Os gases tóxicos desovados na embaixada são de fabricação israelense e entraram no país em vôos clandestinos. É preciso apurar a denúncia e punir com rigor os responsáveis, para começar um tal de Yehuda Leitner, terrorista israelense que age na América Central com o apoio da CIA e do Mossad, os respectivos serviços secretos dos Estados Unidos e Israel que derramam sangue pelo mundo.

A crise em Honduras é extremamente grave. Os golpistas sob o comando de Ricardo Micheletti não querem deixar o poder que pegaram a força. Matam, torturam e amordaçam a imprensa, segundo denúncias de entidades defensoras dos direitos humanos. Falam em eleições em novembro, algo absolutamente ilegítimo em função do clima repressivo que se abateu sobre o país. A comunidade internacional não reconhecerá quem for eleito.

É o caso de perguntar: e a saída, onde se encontra a saída? Num debate realizado na TV Cidade Livre, a TV Comunitária de Brasília, apareceu uma sugestão que poderia ser encampada pelo governo brasileiro e pela comunidade internacional: o envio imediato de capacetes azuis das Nações Unidas, como aconteceu em Timor Leste, que dariam segurança para a realização de eleições presidenciais e permitiram um ponto final ao violento esquema repressivo que se abateu sobre o povo hondurenho.

Se o governo brasileiro bancar a idéia, Lula vai ganhar mais pontos ainda no tabuleiro internacional e o Brasil, como nunca em sua história, consolidará a liderança que ocupa, não apenas na América Latina como agora em todo o mundo

A verdade sobre Honduras

Do blog Cidadania.com, de Eduardo Guimarães

Nunca será demais dizer a verdade sobre o que está acontecendo nas Honduras da América Central, bem como pesar que conseqüências podem advir do desfecho de tais acontecimentos. Tentarei, pois, fazer este registro histórico da forma mais simples possível, sem rebuscar na linguagem ou me estender demasiadamente em pormenores, visando a fácil compreensão, por qualquer um, da situação política naquele país.

Também julgo importante, para um registro desta natureza, apresentar somente fatos inquestionáveis, de forma que, ao leitor, fique a decisão sobre que parte envolvida tem razão ou se alguma das partes a tem.

Será importante registrar, também, como os formadores de opinião (imprensa e classe política) no Brasil vêm tratando o assunto. Este país acabou assumindo um dos papéis protagonistas nessa crise – para o bem, no entender de alguns, e para o mal no entender de outros – ao conceder abrigo ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na representação diplomática do Brasil naquele país.

Vamos, pois, aos fatos.

Numa madrugada de junho de 2009, soldados hondurenhos invadiram a casa do então presidente de Honduras, Manuel Zelaya. Foram ao seu quarto e o surpreenderam dormindo ao lado de sua mulher. Sob a mira de armas, levaram-no ao aeroporto de pijamas e o deportaram do próprio país, deixando a família para trás.

Em seguida, a Justiça e o Legislativo de Honduras apresentaram suposta carta de renúncia de Zelaya – carta que, desde o primeiro momento, ele nega ter escrito – e, sem votação popular alguma, “elegeram” presidente um dos opositores políticos do presidente deposto. Ou seja: o grupo que depôs Zelaya escolheu o novo presidente entre seus membros e deu posse a ele sem consultar a população.

Há que ressaltar bem a situação: o presidente eleito pela maioria dos hondurenhos foi tirado do cargo sem que tivesse tido julgamento de qualquer espécie e, assim, oportunidade de se defender das acusações que seus adversários lhe fizeram para justificar as sanções que lhe foram impostas. São acusações de ter cometido crimes que justificariam sua deposição. Elas, porém, contrastam com a opção por deportá-lo em lugar de prendê-lo e julgá-lo.

Acusaram o presidente deposto de ter convocado um plebiscito, uma consulta ao povo hondurenho sobre se o seu país deveria ou não convocar uma assembléia constituinte, ou seja, uma reunião de legisladores para escrever e votar uma nova constituição, e de Zelaya pretender que essa assembléia votasse uma lei que lhe permitisse disputar novo mandato.

Vale dizer que a vigente constituição de Honduras proíbe reforma constitucional e propositura de reeleição de um presidente, e determina que o ocupante de cargo público que proponha tal coisa perca o cargo e fique inelegível por dez anos.

Zelaya afirma que esse trecho da constituição de seu país vale para funcionários públicos de escalões inferiores e não para o presidente da República, e a comunidade das nações considerou ilegal a destituição do presidente sem o devido processo legal e amplo direito de defesa do processado, e rejeitou que a pena tenha sido aplicada antes de qualquer julgamento.

Por conta disso, nenhum país reconheceu o novo governo e sanções econômicas dessa comunidade internacional se sobrepuseram contra Honduras sob a exigência de que os que derrubaram Zelaya lhe devolvam o poder.

Os que perpetraram o que todas as instituições e países do mundo consideraram “golpe de Estado”, devido à crescente pressão internacional adotaram a estratégia de tentar legitimar pelo voto popular a interrupção de um mandato concedido de forma inquestionável pela maioria dos hondurenhos: convocaram eleição para presidente no próximo mês de novembro.

A ONU, a OEA, a União Européia e todas as demais instituições multilaterais mais importantes, bem como a totalidade dos países – Estados Unidos incluídos –, rejeitaram uma eleição comandada pelos que interromperam um mandato popular por meio de armas e de constrangimento físico sem dar ao detentor daquele mandato a chance de se defender num processo legal de perda de mandato.

Além disso, as forças de repressão do regime que se instalou depois da deposição de Zelaya passaram a atacar a tiros e a prender indiscriminadamente os milhares de cidadãos que protestam contra a deposição do presidente que apóiam, e tais forças passaram a proteger manifestações pró regime orquestradas por este regime, manifestações flagrantemente caracterizadas por empresários e pelas camadas mais ricas da sociedade hondurenha.

É neste ponto que surge uma divergência espantosa entre gigantes. Todas as instituições multilaterais e chefes de Estado de todas as grandes democracias do mundo se contrapõem aos maiores meios de comunicação de grande parte dos países (sobretudo dos meios da América Latina), que têm preferido apontar os “crimes” de Zelaya ou sua "militância política" na embaixada do Brasil, o que fazem em benefício do processo ilegal de sua destituição.

Na América Latina, primordialmente, as oposições aos governos tidos como de esquerda na região unem-se à imprensa na preferência por aqueles que a comunidade das nações chama de golpistas, termo que inclusive é adotado pela mesma imprensa que surgiu com a tese de “golpe corretivo”, ou seja, um golpe que dura apenas o suficiente para derrubar um governo que uma parte da sociedade julgue que não deve prosseguir, mas sem a menor garantia de que aquela decisão seja apoiada pela maioria.

Um fato inquestionável: a imprensa latino-americana apoiou golpes de Estado na região durante o século passado todo, tendo, inclusive, apoiado tentativas de golpe neste século, como aconteceu na Venezuela em 2002, onde uma tentativa de golpe foi defendida por meios de comunicação de vários países, inclusive o nosso.

No Brasil, políticos e jornalistas de esquerda dizem abertamente que as grandes tevês comerciais, os grandes jornais e as grandes revistas semanais apóiam o golpe em Honduras porque acalentam a idéia de que golpes como o hondurenho possam ser dados no Brasil se um governante algum dia adotar medidas que firam interesses do grupo social a que pertencem os donos desses meios de comunicação.

Também ressalta o crime internacional cometido pelo regime dito golpista, que, violando acordos internacionais, ataca com guerra psicológica e gases tóxicos a embaixada brasileira em Tegucigalpa, num desafio aberto à comunidade das nações. Os ataques derivam de o presidente deposto ter voltado a Honduras e se abrigado em nossa representação diplomática naquele país.

Manuel Zelaya foi derrubado, segundo certa corrente de pensamento, porque vinha adotando políticas sociais e econômicas inspiradas nas de seu então homólogo venezuelano, Hugo Chávez, despertando na direita hondurenha (empresariado e classes sociais mais altas) temor de “socialização” de um país que figura entre os campeões de concentração de renda no mundo, tal como o Brasil.

Não se trata de uma invenção de ninguém em particular o que todas as grandes democracias, a Organização das Nações Unidas, a Comunidade Européia, a Organização dos Estados Americanos – e quantos mais quiserem pôr na lista – concordam, ou seja, que a deposição de Zelaya, tal como foi feita, constitui ameaça ao direito dos povos do mundo inteiro de escolher governantes e de essa escolha ser respeitada.

Escrevi este texto inspirado em dúvidas manifestadas por enfermeiras da Unidade de Terapia Intensiva do hospital Santa Catarina, em São Paulo, onde minha filha de dez anos está internada. Elas manifestaram dúvidas sobre “quem teria razão” nesse caso da crise política e institucional em Honduras.

As enfermeiras disseram-se cheias de dúvidas depois de assistirem comigo, no quarto de minha filha no hospital, reportagem do Jornal Nacional sobre o assunto. Espantou-me a dúvida delas sobre quem teria razão, a Globo ou Lula. Ficou-me claro que entenderam que a emissora apóia os que derrubaram Zelaya e que Lula apóia o presidente deposto.

O claro apoio de grandes meios de comunicação e de políticos de direita a golpe de Estado num continente como a América Latina, que já sofreu tantos golpes de direita apoiados por grandes meios de comunicação, constitui-se num clichê latino-americano surrado, o das repúblicas bananeiras, imagem criada para designar republiquetas centro-americanas em que governos surgem e somem ao sabor de decisões de gabinete.

Estes são os fatos sobre Honduras. Nada do que escrevi aqui pode ser questionado. Espera-se, pois, que este texto simples e direto possa ajudar na difusão de fatos que todo brasileiro precisa entender bem, pois o processo em Honduras pode influenciar nosso futuro de maneira determinante, sobretudo se passar despercebido daquela parte enorme da população que pouco se informa.

Brasil rejeita ultimato para definir situação de Zelaya

'Não aceito ultimato de um governo golpista', diz Lula, sobre prazo de dez dias dado por Micheletti

Efe e Agência Estado

Fernando Llano/AP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 27, que não aceita o ultimato de dez dias dado pelo governo de facto de Honduras para que o Brasil defina o status do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, que está na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"Não aceito ultimato de um governo golpista", disse Lula em Porlamar, na Venezuela, onde participa da Cúpula América do Sul-África.

Em entrevista coletiva, Lula disse que o deposto líder hondurenho é o presidente legítimo de Honduras e que seu status é hóspede da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"Zelaya foi expulso do poder da maneira mais vergonhosa possível", disse Lula. "Para mim, a solução é simples: os golpistas devem sair do palácio presidencial", afirmou Lula.

Segundo o presidente, Zelaya deve retornar ao poder e convocar eleições presidenciais para definir seu sucessor. "Se os golpistas convocarem eleições, muito poucos países reconheceriam (os resultados)", comentou o presidente. Para Lula, poucas vezes na história houve tanto consenso na postura internacional contra o governo golpista.

Em comunicado emitido ontem à noite, o Ministério de Exteriores de Micheletti indicou que novamente solicitava ao governo do Brasil que defina o status de Zelaya dentro de um prazo de até dez dias. "Se não for assim, seremos obrigados a tomar medias adicionais", acrescentou a nota.

O Itamaraty informou hoje que não reconhece como legítimo o comunicado no qual o atual governo de Honduras teria dado um prazo de dez dias para o Brasil definir as condições da presença do presidente deposto Manuel Zelaya na embaixada brasileira localizada em Tegucigalpa. De acordo com a Agência Brasil, o Itamaraty informou que não dará qualquer resposta ao posicionamento do presidente interino Roberto Micheletti, uma vez que o País não reconhece como legítimo o governo instaurado após o golpe que tirou Zelaya do poder.


Comentário do Blog: Os golpistas de Honduras se colocaram em uma situação complicada. Ousar dar um ultimato a um país do tamanho do Brasil é arriscado. Muito arriscado. Seria humilhante e impensável o Brasil sequer cogitar de cumprir o ultimato - só cumpre ultimato quem é fraco.

Assim, ao fim do prazo de dez dias, os golpistas vão ter de "fazer algo". Podem tentar expulsar o presidente Zelaya usando gás lacrimogêneo, por exemplo.
Caso decidam invadir a nossa embaixada, que pelas leis internacionais é território brasileiro. Portanto, invadir a nossa embaixada é invadir o Brasil.

Se a crise diplomática continuar a se agravar, me parece que o cenário mais provável será a OEA, Organização dos Estados Americanos, assumir um papel mais ativo. A OEA poderá decidir um bloqueio econômico de Honduras, eventualmente apoiado pela UE e os Estados Unidos.

E poderá iniciar a organização de uma Força Interamericana de Intervenção, cuja missão seria a invadir Honduras , depor os golpistas e recolocar o presidente Zelaya no posto. O Presidente Chavez da Venezuela já começou a "falar grosso" com os golpistas, e adoraria uma oportunidade de mobilizar suas novas fragatas, tanques e seu exército.


O exército de Honduras possue 20.000 homens, todos recrutas de 18 anos, com pouco treinamento, convocados para o serviço militar por menos de um ano. (Veja foto abaixo) Provávelmente parte destes homens estão favoráveis a Zelaya. Grande parte da população também está contra os golpistas, o que dificulta as ações do exército de Honduras. A Marinha de Honduras possue 31 barcos patrulha (equipados apenas com metralhadoras de 20 mm.).

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O exército brasileiro 250 mil, e os Fuzileiros Navais do Brasil 15.000 profissionais de carreira, treinados e preparados para combate imediato. Podem ser transportados pelos navios transporte de tropas da Marinha de Guerra.

Os Fuzileiros podem mobilizar de imediato pelo menos 5.000 homens, e o Exercito mais 30 mil, incluindo Forças Especiais, helicópteros , paraquedistas, artilharia, blindados, transportados pela Marinha e desembarcando em EDVPs (Embarcações de Desembarque de Viaturas e Pessoal)

Para ver imagens de Operações Anfíbias dos Fuzileiros Navais, clique aqui.


Do blog Cidadania.com, de Eduardo Guimarães

A “solução” militar

Estou cada vez mais convencido de que a crise político-institucional em Honduras pode degringolar para um conflito armado entre o evidentemente bem montado exército golpista e uma força internacional de paz, provavelmente da ONU.

Como se sabe, as forças de repressão hondurenhas foram treinadas pela Escola das Américas, instituição mantida pelos EUA que ministra “cursos” sobre assuntos militares à outros países, entre os quais está Honduras, que, inclusive, tem efetivos militares norte-americanos em seu território.

A despeito do governo Barack Obama, a história da ingerência militar americana na América Central vem de décadas e mais décadas e as forças armadas da superpotência, como se sabe, identificam-se e atuam no mesmo tom que a ultra-direita americana, que tem defendido o golpe hondurenho.

Vejo que a comunidade internacional ainda reluta em tratar do assunto e entendo ser compreensível, mesmo sendo inaceitável.

No Brasil, fustigado por uma imprensa que vem apoiando os golpistas hondurenhos, o governo Lula hesita em cogitar reação que poucos países deixariam de cogitar ao se verem esbofeteados por um regime ilegal, ditatorial e que já dá passos como censura, tortura e assassínio indiscriminado.

A meu juízo, enfim, o regime hondurenho pode estar disposto a ir muito mais longe do que simplesmente violar a liberdade de imprensa e os direitos humanos. Vejo possibilidade crescente de esse regime se confrontar militarmente com países vizinhos, sobretudo com a Nicarágua e com a Venezuela.

Você sabia que a introdução do Hino Nacional Brasileiro tem uma letra?



Veja a Sra. Ana Arcanjo, nascida em Santos, e membro da Cruz Vermelha durante a Revolução Constitucionalista, contar que a introdução do nosso Hino Nacional tem uma letra, que até a década de 30 ou 40 era cantado. Vale a pena um movimento propondo a execução do Hino com toda a letra cantada, incluindo a Introdução.

A incrível velocidade das mudanças na distribuição de informação

Fotos no segundo exato

domingo, 27 de setembro de 2009

Jerusalém em tensão antes do Yom Kippur

27/09 - 14:33 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel


Escrevo de Jerusalém pouco antes do começo do Yom Kippur, Dia do Julgamento, no qual, na tradição judaica, Deus decide como será o próximo ano. De forma geral, é um período de absoluta tranquilidade. A rotina da vida muda. A grande maioria dos judeus está em sinagogas. Mas, desta vez, ha tensão.

Na manhã deste domingo, houve choques entre policiais muçulmanos e judeus. A verdade do que aconteceu só será compreendida a partir da noite de segunda-feira, final do dia santo. Mas não as consequências que são imprevisíveis. Os choques foram na esplanada onde ficam Al Aksa, grande mesquita e terceiro lugar mais sagrado do Islã, depois de Meca e Medina. Encostado a tal local, a Colina da Casa de Deus, segundo os judeus, fica o Murro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.

O dia do Julgamento deixa os judeus ortodoxos perto do histerismo. Depois do Julgamento não há apelo. Está decidido quem viverá e quem morrerá, quem será bem sucedido e quem fracassará. Tudo... È crença tão antiga que mesmo os descrentes não a ignoram. Mas são confusas as versões. A esplanada muçulmana estaria recebendo visita de turistas franceses. Judeus, acusam os muçulmanos. Nada disso, insistem judeus. Pedradas foram trocadas. A Policia terá recorrido a gazes para dispersar multidões. Jerusalém está lotada de forças de segurança. Grupos muçulmanos insistem num ato judeu de desrespeito a Al Aksa.

Seria o momento para se precipitar uma nova revolta, nova intifada palestina. A versão que enfatiza a ameaça a Al Aksa correu o mundo árabe e talvez o muçulmano. O que se diz na Internet, roda o mundo em segundos. A tensão é uma preocupação a mais para os países que terça-feira estarão reunidos para discutir a questão do Irã que, como é sabido, é dos financiadores dos grupos muçulmanos mais radicais.

A mídia de Israel estará fora do ar até a noite de segunda-feira. A estrangeira opera. Há correspondentes até de emissoras árabes, como Al Jazira.

Espero para não ter más noticias a transmitir. O ultimo Yom Kippur confuso foi em 1973, data da guerra iniciada no dia sagrado. Não acredito que se vá tão longe. Mas, também ninguém imaginou o Brasil numa confusão em Honduras.

Duas trajetórias distintas

Do Blog do Emir, no site da Agência Carta Maior

Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas - de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.

No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.

Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores.

José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE.

Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.

No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.

No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade.

Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida.

Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.

Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.

No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela e o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que seqüestrada, desaparecia, fuzilava, torturava.

Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil.

Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?


Emir Simão Sader (São Paulo, 13 de julho de 1943) é um sociólogo e cientista político brasileiro. De origem libanesa, é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em filosofia política e doutor em ciência política por essa mesma instituição.


Nessa mesma universidade, trabalhou ainda como professor, inicialmente de filosofia e posteriormente de ciência política. Trabalhou também como pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile e foi professor de Política na Unicamp. Atualmente, é professor aposentado da Universidade de São Paulo e dirige o Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde é professor de sociologia.


É autor de "A Vingança da História", entre outros livros.
Pensador de orientação marxista, Sader colabora com publicações nacionais e estrangeiras e é membro do conselho editorial do periódico inglês New Left Review. Presidiu a Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS, 1997-1999) e é um dos organizadores do Fórum Social Mundial.



Bibliografia

Latinoamericana (com Ivana Jinkings, Rodrigo Nobile e Carlos Eduardo Martins, org.). Boitempo Editorial, 2006.
A vingança da história. Boitempo Editorial, 2003.
Século XX - Uma biografia não-autorizada. Ed. Fundação Perseu Abramo, 2000.
O Anjo Torto (Esquerda e Direita no Brasil). Ed. Brasiliense, 1995
Estado e Política em Marx (Ed. Cortez)
A transição no Brasil: da ditadura à democracia?' (Ed. Atual)
Cuba, Chile e Nicarágua: o socialismo na América Latina (Ed. Atual)
Que Brasil é este? (Ed. Atual)
O poder, cadê o poder? (Ed. Boitempo)
A Revolução Cubana (Ed. Scritta)
Democracia e Ditadura no Chile (Ed. Brasiliense)
Governar para todos (Ed. Scritta)
Da independência à redemocratização (Ed. Brasiliense)
Fidel Castro (seleção e introdução) - Ed. Atica - São Paulo - 1986
Fogo no Pavilhão - Ed. Brasiliense - São Paulo - 1987
Movimentos sociais na transição democrática (org.) - Cortez Editora - São Paulo - 1987
Constituinte e democracia no Brasil hoje (org.) - Ed. Brasiliense - São Paulo - 1985
E agora, PT? (org.) - Ed. Brasiliense - São Paulo - 1987
O socialismo humanista do Che (org. e introdução) - Ed. Vozes - Petrópolis - 1990
Gramsci: poder, política e partido - (org. e introdução) - Ed. Brasiliense - São Paulo - 1990
Without Fear of Being Happy - Ed Verso - Londres - 1991
Chile (1818-1990) - Da independência à redemocratização - Ed. Brasiliense - São Paulo - 1991
Por que Cuba? (org.) - Ed. Revan - Rio de Janeiro - 1992
Idéias para uma alternativa de esquerda à crise brasileira (org). Ed. Relume-Dumará - Rio de Janeiro - 1993
Pós-neoliberalismo - As políticas sociais no Brasil - Ed. Paz e Terra - São Paulo - 1995
O mundo depois da queda (org.) - Ed. Paz e Terra - São Paulo - 1995
Karl Marx - Bibliografia (org.) - Programa de Pós-graduação do Departamento de Sociologia - FFLCH - USP - São Paulo - 1995
Vozes do Século (org.) - Ed. Paz e Terra - São Paulo - 1997
Cartas a Che Guevara - O mundo trinta anos depois - Ed. Paz e Terra - São Paulo - 1997
Nelson Mandela (org) - Ed. Revan - 1998
A opção brasileira - (co-autor) - Ed. Contraponto - Rio de Janeiro - 1998
Sem perder a ternura – O livro de pensamentos de Che Guevara – organizador – Ed. Record - 1999
Contraversões – com Frei Betto – Ed. Boitempo – São Paulo - 1999
A Nova Toupeira: Os Caminhos da Esquerda Latino-Americana – Ed. Boitempo – São Paulo - 2009