domingo, 31 de janeiro de 2010

Amazonas

sábado, 30 de janeiro de 2010

Inaugurado na China trem de alta velocidade mais rápido do mundo

A China deixa claro que optou pelo transporte ferroviário, muito mais barato do que o transporte aéreo, tanto para cargas como para passageiros.

Enquanto isso, o Brasil se mantém fiel ao modelo copiado dos americanos, de transporte rodoviário, com autos e caminhões que exigem enormes investimentos não sòmente na implantação, mas na manutençao.

A cada três anos é necessário quase que reconstruir as estradas do país. O modelo de transporte rodoviário está ultrapassado, com o alto custo das estradas, o aumento do petróleo, e os custos dos congestionamentos.

No ano 2000 a participação do transporte ferroviário nos Estados Unidos era de 38%. Na União Européia, a participação do transporte ferroviário vem caindo nos últimos anos, mas existe uma constatação de que a ferrovia é mais barata nos custos por passageiro/km e por tonelada/km - a Europa está concentrando investimentos nas ferrovias a fim de alcançar 15% de participação no transporte de carga e 12% no de passageiros em 2020.

De acordo com a Confederação Nacional do Transporte – CNT, o transporte sobre trilhos no Brasil representa aproximadamente 20,86% da matriz de cargas e 1,37% da matriz de passageiros, incluindo transporte metro e ferroviário. (Note a minúscula participação das ferrovias no transporte de passageiros. Nas últimas décadas, milhares de km. de ferrovias foram destruídos por serem "ineficientes". Com isso, ficamos à mercê dos automóveis. É importante considerar os reflexos econômicos nas pequenas localidades da chegada da ferrovia de passageiros, criando empregos, ativando a economia local e aumentando o transporte de cargas e produtos locais.

Segundo o GEIPOT - 2001 (Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes), o modal rodoviário participou na matriz de transporte de carga do Brasil com o percentual de 60,49% contra apenas 20,86% do ferroviário, considerando o total da carga transportada no país. Sendo que o custo do transporte de cargas por ferrovia é bem menor e menos poluente, uma vez que o gasto com combustível é inferior. Outra vantagem é a baixa incidência de acidentes, o que torna os seguros mais baratos.

O jornal "Folha S. Paulo" de 19 de agosto de 2007, verificou que "o minúsculo Japão tem 23 mil quilômetros de estradas de ferro de boa qualidade. A Argentina tem 34 mil quilômetros; a Austrália, 41 mil; a Alemanha, 45 mil; a Índia, 63 mil; o Canadá, 64 mil; a China, 71 mil; a Rússia, 87 mil, e os Estados Unidos, quase 200 mil quilômetros." Já o Brasil tem 29 mil quilômetros de ferrovias precárias, pois o governo dá condições de produção, mas não há condições de escoamento.

Essa realidade se reflete nas recomendações de investimentos em infra-estrutura de transportes do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), que envolve os agentes públicos e privados, parceiros e faz parte do processo de planejamento permanente, participativo, integrado e interinstitucional no âmbito dos Ministérios dos Transportes e da Defesa.

O PNLT recomenda mais de R$ 172 bilhões em investimentos até 2023, sendo R$ 72 bilhões destinado a todos os modais no período de 2008 a 2011, o que representa 42,2% do total recomendado. Já para o transporte ferroviário projetou-se R$ 50,5 bilhões, com aporte de 33,6% para os anos de 2008 a 2011. Números bastante expressivos.



De Agencia EFE

Pequim, 26 dez (EFE).- A inauguração hoje da linha de trem de alta velocidade mais rápida do mundo, que une em 3 horas as cidades de Wuhan (centro) e Cantão (sul), revelou de novo a aposta de Pequim pelo transporte ferroviário em concorrência com o aéreo, informou o jornal "China Daily".

Os trabalhos para esta parte do trajeto, que em uma segunda fase unirá Pequim com Cantão, de 1.069 quilômetros e que o trem percorre a uma média de 350 km/h, começaram em 2005.

Segundo o jornal, a concorrência entre linhas aéreas e ferroviárias alcançou um novo marco com a inauguração do trajeto entre as duas metrópole chinesas, capitais respectivas das províncias de Hubei e Cantão, e que se reduz em 7 horas em relação aos comboios tradicionais.

Uma rede de alta velocidade de 16 mil quilômetros com trens circulando a uma média de 350 km/h será construída na China na próxima década e em 2012 deverão estar completados 13 mil quilômetros, segundo o Ministério da Ferrovia.

I'm Alive

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O cartel dos bancos sob ataque da indústria e do governo

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Os bancos no Brasil formam um cartel compacto, teóricamente "secreto", que toma as decisões sempre no sentido de manter a lucratividade nos maiores patamares possíveis, o que é demonstrado pelos recordes anuais de lucratividade.

O cartel assegura que não exista competição entre eles, de forma a não afetar os valores de juros cobrados.

A cada ano que passa, o número de bancos diminue, com as fusões e absorções, o que facilita ainda mais a atuação do cartel.

O governo sabe mas não fala, a imprensa sabe e não divulga, e nem o CADE, responsável por evitar a criação de cartéis, ousa enfrentar os bancos. O Ministério Público também tem medo do cartel bancário. No Congresso e no Senado, os bancos distribuem "gorjetas" e "mensalões" que em comparação com as fraudes até agora investigadas pelas CPIs são dezenas de vezes maiores.

Estes juros artificialmente elevados garantem que os Bancos sempre vão bem, estão entre os mais lucrativos do mundo (estranho, não? Esta enorme "eficiência" dos bancos brasileiros).

No entanto, com isso toda a economia do País sofre. A indústria, a agricultura, o consumidor. Isto trava o desenvolvimento e a expansão da economia.

Como o governo Lula sabe que pode crescer 6% no ano que vem, sabe também que isso só será possível se o crédito for oferecido a taxas bem menores do que hoje, a fim de alavancar os outros setores da economia.

O Governo já está usando os Bancos estatais - Banco do Brasil, Caixa Econômica - para forçar uma competição, mas os resultados ainda são pífios. Será necessário muita coragem e apoio político para enfrentar e derrotar o cartel.

É possível fazer isto. E parece que o Governo Lula quer deixar de herança para o Brasil um nível de taxa de juros compatível com os cobrados pelos bancos de outros países.

Domingo, 27 de Dezembro de 2009

Spread bancário custa R$ 261 bi aos brasileiros

Estudo da Fiesp mostra que spread no País é o maior entre 40 países com igual metodologia de cálculo

Marcelo Rehder

Em 12 meses de crise financeira global, o chamado spread bancário custou R$ 261,7 bilhões às empresas e consumidores brasileiros, cujo pagamento deve ser feito ao longo de dois anos. Se a diferença entre a taxa de juros cobrada por bancos e financeiras e a taxa que eles pagam para captar recursos (spread) seguisse os padrões internacionais, esse custo cairia para R$ 71,5 bilhões, o que representa uma redução de R$ 190,2 bilhões.

untitled41As informações são de um estudo inédito feito por José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o trabalho mostra que o spread médio brasileiro é o maior em um grupo de 40 países cujas metodologias de cálculo dos juros se assemelham à adotada pelo Banco Central do Brasil (média ponderada).

Em agosto, o spread médio cobrado no País era de 26,77 pontos porcentuais, enquanto no Chile estava em 6,04 pontos e na Itália, em 4,39 pontos. O custo mais baixo foi apurado no Japão, onde o spread representava apenas 1,28 ponto porcentual. "Confirmamos o que já é um consenso: o spread brasileiro é uma aberração", afirma Roriz Coelho.

untitled42De acordo com ele, mais preocupante que isso é o "gigantesco custo" que o spread representa para os brasileiros. Supondo que todo o crédito concedido no período analisado (entre agosto de 2008 e setembro de 2009) fosse pré-fixado, o trabalho indica que a diferença entre o spread do Brasil e o da média dos cinco países da amostra que constam no Índice Fiesp de Competitividade das Nações (Chile, Itália, Japão, Malásia e Noruega) representa um custo adicional ao País de R$ 227 bilhões.

"Isso equivale a 42,6% de tudo o que é investido no Brasil em formação bruta de capital fixo e a 12,3% do consumo das famílias", diz o diretor da Fiesp.

COMPETITIVIDADE

Roriz Coelho admite que a comparação com os países não é exata. Mas argumenta que os números se aproximam bastante da realidade, já que, do montante de R$ 1,873 trilhão em créditos novos concedidos no País entre setembro de 2008 e agosto de 2009, nada menos que R$ 1,405 trilhão refere-se a operações pré-fixadas, o que representa 77% do valor global.

Nesse período, de acordo com o trabalho, os brasileiros pagaram spread médio de 28,4 pontos porcentuais, oito vezes mais alto que o valor cobrado nos cinco países que constam do índice de competitividade da Fiesp, cujo spread médio no período foi de 3,5 pontos porcentuais. Entre todos os 40 países pesquisados, essa média ficou em 7,3 pontos porcentuais.

untitled44Para o diretor da Fiesp, a consequência disso é a perda da competitividade do produto brasileiro. "A redução do spread bancário para níveis adequados liberaria recursos para mais investimentos e consequentemente haveria melhora de produtividade", diz. "Assim, reduziria pressões inflacionárias e permitiria o aumento sustentado da nossa competitividade, com maior geração de renda e mais emprego".

Em outubro, último dado divulgado pelo Banco Central, o spread já estava em 25,97 pontos porcentuais, abaixo dos 26,4 pontos observados em setembro de 2008, período que antecedeu o aprofundamento dos efeitos no País da crise financeira mundial. Mesmo assim, o spread representou 72,9% do valor dos juros para o total das operações de crédito livre em outubro.

"Não existem razões para essa brutal diferença nos spreads bancários brasileiros em relação a todos esses países comparados", afirma Roriz Coelho. "Primeiro porque o risco Brasil hoje é muito menor do que era cinco anos atrás", analisa.
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ESCALA

A inadimplência, que representa 37,4% da composição do spread bancário - o maior peso entre os componentes -, aumentou menos no Brasil do que nos países analisados, informa Roriz Coelho. Além disso, diminuiu o volume de recursos para provisões de crédito inadimplentes nos últimos cinco anos, o que significa menor custo para os bancos.

Para o diretor da Fiesp, também não se pode atribuir o elevado nível do spread bancário aos custos administrativos. "O volume de crédito concedido no Brasil vem de um contínuo crescimento desde 2002, e não é menor do que o dos países comparados. Portanto, não temos problema de escala", avalia.

Por último, enumera o diretor, a carga tributária diminuiu com a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Já o compulsório remunerado foi reduzido para os níveis de 2001, enquanto o compulsório não remunerado, de maior custo para os bancos, está em seus menores níveis desde o início da década.

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Spread na mira do governo em 2010

Ofensiva pode incluir divulgação das taxas cobradas pelos bancos e forçar instituições públicas a baixar juros

Fernando Nakagawa

O spread bancário deve voltar à agenda do Banco Central e do Ministério da Fazenda no próximo ano, após a interrupção das discussões em meio à crise econômica. O tema deve se tornar mais relevante em 2010 porque há expectativa de aumento da taxa Selic. Nesse contexto, o governo entende que a redução dos spreads poderia amenizar parte do impacto do aperto monetário no crédito. A história mostra, porém, que antigas iniciativas governamentais deram pouco resultado na diminuição dos spreads.

O assunto tem retornado às conversas da equipe econômica porque o juro básico da economia segue estacionado em 8,75% desde julho e essa estabilidade tem reduzido o fôlego das instituições financeiras em cortar o juro ao consumidor. Tanto é que em outubro o custo do crédito e o spread aumentaram após dez meses seguidos de queda. O movimento chamou a atenção do governo.

Por isso, segundo uma fonte da equipe econômica, há tentativa de retomar as ações que estavam sendo desenhadas antes da crise, até setembro de 2008. Uma das principais medidas estava sendo traçada pelo BC. Dias antes da quebra do Lehman Brothers, o presidente da instituição, Henrique Meirelles, informara que estavam sendo concluídos os trabalhos para reformular a forma de cálculo e a divulgação dos spreads. A intenção era tornar os números mais abrangentes e claros.

Havia, inclusive, desejo de divulgar um ranking dos spreads cobrados por cada banco.

Segundo a fonte, a divulgação mais detalhada dos spreads pode ser uma das linhas de atuação. Para parte do governo, se o consumidor conhecer a margem que os bancos cobram nos financiamentos, a concorrência seria incentivada e, em tese, haveria redução dos spreads. Outra frente não descartada é usar mais uma vez os bancos públicos para uma nova grande rodada de redução de juro e spread, o que moveria os privados a fazerem o mesmo.

A aprovação do cadastro positivo, banco de dados em que são listados os bons pagadores e que, por essa condição, podem ter juros mais baixos, é ainda outra iniciativa para diminuir os spreads.

Fez parte dessa estratégia a divulgação nos últimos dias de um grande estudo anual que desconstrói alguns dos argumentos repetidos pelos bancos privados. O levantamento mostra, por exemplo, que as alíquotas do depósito compulsório respondem por menos de 2% do spread, o que rebate argumento dos banqueiros para manter a margem elevada. Por outro lado, o estudo mostra também que o governo precisa fazer sua parte, já que 22,78% da margem cobrada pelos bancos vai para o pagamento de impostos.

PROMESSAS

Nos últimos anos, o spread sempre foi atacado duramente pelo governo. O problema é que, a despeito da grita dos governantes, as iniciativas surtiram pouquíssimo efeito. Uma das primeiras na história recente aconteceu há dez anos, em outubro de 2000, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso chamou o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do BC, Armínio Fraga, para cobrar a redução mais rápida dos spreads. Na época, estava em 27,2 pontos porcentuais. No ano seguinte, os atentados terroristas nos Estados Unidos derrubaram todos os mercados globais e, no turbilhão da crise, o spread rondava os 29 pontos. Veio a eleição presidencial de 2002, o temor dos investidores com as urnas, e a margem atingiu o maior patamar da série: 33 pontos.

No governo do presidente Lula, a equipe econômica se debruçou várias vezes sobre o tema. No fim de 2006, o governo disse que usaria seriamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal nessa empreitada. Na época, o spread era de 27 pontos. No ano passado, o presidente Lula cobrou novamente que os dois bancos reduzissem as margens e o BC reduziu o depósito compulsório dos bancos em R$ 100 bilhões. Mesmo assim o spread oscilou pouco e, em outubro de 2009, estava em 26 pontos, apenas 1,2 ponto abaixo do patamar que motivou a reunião entre FHC, Malan e Fraga há uma década.

Custo de crédito no País é um dos mais altos do mundo

Marcelo Rehder

O custo de crédito no Brasil é um dos mais altos do mundo. Na pessoa jurídica, a taxa média é mais de dez vezes superior à americana e na pessoa física a diferença é ainda maior. Parte da causa das distorções está na falta de transparência e flexibilidade do mercado de crédito no País.

A afirmação é do consultor Roberto Troster, ex-economista chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Para ele, enquanto há uma oferta rápida e generosa das linhas de crédito caras e demoradas, a oferta de linhas baratas é travada.

Troster cita o exemplo da conta garantida, um recurso emergencial para as empresas, que representa 16,5% do total de crédito pessoa jurídica e responde por 42,7% da receita líquida (spread) desse total. Detalhe: o spread médio cobrado nessas operações é 70,6% ao ano.

Para se ter ideia do que isso significa, o economista explica que a receita líquida de cada R$ 1 na conta garantida equivale ao mesmo que R$ 2,5 no desconto de duplicata, R$ 3,6 em capital de giro e R$ 38 na aquisição de bens. "Eles (os bancos) ganham muito dinheiro com a conta garantida", afirma o economista. "Poucos (16,7%) carregam 42,7% do piano".

Troster pondera não ser razoável que tomadores de crédito optem por linhas mais caras, existindo alternativas mais atraentes. Para ele, a solução seria que os bancos só pudessem fixar limites globais para cada tomador de acordo com seus critérios internos, enquanto a escolha da linha de financiamento seria decidida pelo devedor e não pela instituição.

"Assim, consumidores e empresas pendurados no cheque especial e na conta garantida poderiam mudar rapidamente para um financiamento mais conveniente." Para ele, essa medida apenas, se todos escolhessem migrar, faria o spread de pessoa jurídica recuar de 17,7% para 10,6%. Na pessoa física, a redução seria ainda maior.

Além disso, Troster observa que a falta de transparência nos preços cobrados pelo crédito possibilita abusos e limita a capacidade de escolha do tomador. Segundo ele, cada cliente deveria ter claro qual é sua categoria de risco, a explicação da classificação, e as instituições teriam uma tabela única de taxas por categoria de risco e por tipo de produto.

Enquanto os ventos sopram...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cleonice Berardinelli mostra a sua paixão pela literatura



Aos 93 anos ela foi eleita para a Academia Brasileira de Letras. Cheia de vida, especialista em autores como Fernando Pesssoa ou Camões, Cleonice Berardinelli tem uma paixão por livros desde criança, incentivada pelos pais. Ela queria fazer Engenharia, mas acabou fazendo Letras.

Pesquisas testam ômega 3 contra epilepsia resistente

São Paulo, sábado, 09 de janeiro de 2010

Suplementos são associados à medicação para diminuir frequência de crises

Estudos feitos com animais apontam que o óleo reduz a hiperexcitação do cérebro de quem tem a doença e atua na formação neuronal

JULLIANE SILVEIRA DA REPORTAGEM LOCAL

Pesquisadores brasileiros estudam o uso de suplementos do ácido graxo ômega 3 em combinação com o tratamento convencional para tratar pacientes com epilepsia refratária -quando as crises persistem mesmo com uso de remédios.

Uma pesquisa em andamento na USP de Ribeirão Preto em parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) avaliará até o fim do ano 50 crianças com epilepsia resistente aos medicamentos. Entre as que já estão recebendo ômega 3, a resposta tem sido boa, com redução na frequência das crises epilépticas.

"Precisamos ver se essa resposta vai se manter a longo prazo. O tratamento ainda não é reconhecido como eficaz, não é oferecido como uma medicação. Mas as crianças que apresentam boa resposta vão continuar tomando ômega 3 por tempo indeterminado", diz Vera Cristina Terra, neurologista e coordenadora do Centro de Cirurgia de Epilepsia em Crianças do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto.

Um outro trabalho, realizado pela Universidade de Mogi das Cruzes, mostrou que o óleo favoreceu a redução das crises em até 75% e melhorou a qualidade de vida de nove adultos que receberam suplementos durante seis meses. Eles continuam ingerindo as cápsulas.

Em ambos os estudos, os pacientes recebem 3 gramas de ômega 3 por dia, distribuídos em três cápsulas que são ingeridas com as refeições.

"O ômega 3 tem capacidade anti-inflamatória e atua na formação de novos neurônios. Há estudos em várias partes do mundo não só com pacientes com epilepsia mas também com depressão e Alzheimer, com bons resultados", afirma a neurologista Marly de Albuquerque, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes.

Estudos em animais também apontaram que o óleo reduz a excitação cerebral característica de pessoas com epilepsia. Esse processo inibitório provavelmente faz parte dos mecanismos que levam à diminuição da frequência de crises.

Segundo o neurofisiologista Fúlvio Alexandre Scorza, professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp, alguns especialistas costumam receitar suplementos de ômega 3 para pacientes que não respondem bem aos remédios. "Além disso, também oriento a dieta, sugerindo o consumo de peixes como salmão três vezes por semana e de linhaça, para que o paciente aumente o aporte do nutriente", complementa Albuquerque.

No entanto, os suplementos não substituem as drogas antiepilépticas, que devem ser ingeridas rigorosamente conforme a prescrição médica para evitar crises mais graves, que podem causar lesões.

Tratamento
Pacientes com epilepsia refratária podem receber indicação de cirurgia para a retirada da parte hiperexcitada do cérebro quando a doença acomete somente um lado do órgão, com sucesso em cerca de 90% dos casos. No caso de epilepsias bilaterais (quando ocorre nos dois lados do cérebro), a operação não é indicada, pois pode trazer sequelas.

De acordo com os pesquisadores, os suplementos de ômega 3 trouxeram resultados para os dois tipos da doença (unilateral e bilateral).

A epilepsia é a doença neurológica crônica grave mais comum, atingindo 1% da população de países desenvolvidos e 2% dos habitantes de países em desenvolvimento. "Nossa incidência é maior porque há mais neuroinfecções, principalmente a neurocisticercose, que podem levar à doença", acrescenta Scorza.

No entanto, o problema tem bom prognóstico -até 70% dos pacientes respondem bem ao tratamento com remédios antiepilépticos, podendo ficar livres das crises.

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Você tem experiência?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

An Islamic History of Europe



In this 90-minute documentary, Rageh Omaar uncovers the hidden story of Europe's Islamic past and looks back to a golden age when European civilisation was enriched by Islamic learning.

Rageh travels across medieval Muslim Europe to reveal the vibrant civilisation that Muslims brought to the West.

This evocative film brings to life a time when emirs and caliphs dominated Spain and Sicily and Islamic scholarship swept into the major cities of Europe.

His journey reveals the debt owed to Islam for its vital contribution to the European Renaissance.

Um ano depois,Gaza ainda espera auxílio

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Siria - Jordânia

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Richard Dawkins sobre o nosso estranho universo



O biólogo Richard Dawkins defende o "pensamento do improvável" ao observar que a perspectiva humana limita nossa percepção do universo.

As melhores fotos de 2009

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Raymond Kurzweil - No futuro o homem e a máquina serão um só



O engenheiro, futurólogo e visionário Raymond Kurzweil criou termos como transhumanismo e a famosa singularidade tecnológica, quando a humaninade evoluirá a ponto de mesclar homem e máquina.

Fernando Pessoa - Hora Absurda

HORA ABSURDA

O TEU SILÊNCIO é uma nau com tôdas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraiso...

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e
entanto
Tu és a tela irreal em que erro em côr a minha arte...

Abre tôdas as portas e que o vento varra a idéia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões...
Minha alma é uma caverna enchida p'la maré cheia,
E a minha idéia de te sonhar uma caravana de histriões...

Chove ouro baço, mas não no lá-fora...É em mim...Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e tôda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Hoje o céu é pesado como a idéia de nunca chegar a um pôrto...
A chuva miúda é vazia...A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer coisa como leitos para as naus!...Absorto
Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...

Tôdas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias tôdas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,
E a minha bondade inversa não é nem boa nem má...

Os feixes dos lictores abriram-se à beira dos caminhos...
Os pendões das vitórias medievais nem chegaram às cruzadas...
Puseram in-fólios úteis entre as pedras das barricadas...
E a erva cresceu nas vias férreas com viços daninhos...

Ah, como esta hora é velha!... E tôdas as naus partiram!
Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam
De longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram
Aquela angústia de sonhar mais que até para si calam...

O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo... Ninguém ergue o olhar da estrada
E sente saudade de si ante aquêle lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...

A doida partiu todos os candelabros glabros,
Sujou de humano o lago com cartas rasgadas, muitas...
E a minha alma é aquela luz que não mais haverá nos
candelabros...
E que querem ao lago aziago minhas ânsias, brisas fortuitas?...

Por que me aflijo e me enfermo?...Deitam-se nuas ao luar
Tôdas as ninfas... Veio o sol e já tinham partido...
O teu silêncio que me embala é a idéia de naufragar,
E a idéia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido...

Já não há caudas de pavões tôdas olhos nos jardins de outrora...
As próprias sombras estão mais tristes...Ainda
Há rastros de vestes de aias (parece) no chão, e ainda chora
Um como que eco de passos pela alamêda que eis finda...

Todos os ocasos fundiram-se na minha alma...
As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...
Secou em teu olhar a idéia de te julgares calma,
E eu ver isso em ti é um pôrto sem navios...

Ergueram-se a um tempo todos os remos...pelo ouro das searas
Passou uma saudade de não serem o mar...Em frente
Ao meu trono de alheamento há gestos com pedras raras...
Minha alma é uma lâmpada que se apagou e ainda está quente...

Ah, e o teu silêncio é um perfil de píncaro ao sol!
Tôdas as princesas sentiram o seio oprimido...
Da última janela do castelo só um girassol
Se vê, e o sonhar que há outros põe brumas no nosso sentido...

Sermos, e não sermos mais!... Ó leões nascidos na jaula!...
Repique de sinos para além, no Outro Vale... Perto?...
Arde o colégio e uma criança ficou fechada na aula...
Por que não há de ser o Norte e Sul?... O que está descoberto?...

E eu deliro... De repente pauso no que penso...Fito-te...
E o teu silêncio é uma cegueira minha...Fito-te e sonho...
Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
E a tua idéia sabe à lembrança de um sabor de medonho...

Para que não ter por ti desprêzo? Por que não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore...O teu silêncio é um leque ---
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque...

Gelaram tôdas as mãos cruzadas sôbre todos os peitos....
Murcharam mais flôres do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncio eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas com fim...

Alguém vai entrar pela porta...Sente-se o ar sorrir...
Tecedeiras viúvas gozam as mortalhas de virgens que tecem...
Ah, o teu tédio é uma estátua de uma mulher que há de vir,
O perfume que os crisântemos teriam, se o tivessem...

É preciso destruir o propósito de tôdas as pontes,
Vestir de alheamento as paisagens de tôdas as terras,
Endireitar à fôrça a curva dos horizontes,
E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...

Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo mundo amanhã --- como

nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio, auréola negra...

Suave, como ter mãe e irmãs, a tarde rica desce...
Não chove já, e o vasto céu é um grande sorriso imperfeito...
A minha consciência de ter consciência de ti é uma prece,
E o meu saber-te a sorrir é uma flor murcha a meu peito...

Ah, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...
Ah, se fôssemos as duas côres de uma bandeira de glória!...
Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia batismal,
Pendão de vencidos tendo escrito ao centro êste lema --- Vitória!

O que é que me tortura?... Se até a tua face calma
Só me enche de tédios e de ópios de ócios medonhos...
Não sei...Eu sou um doido que estranha a sua própria alma...
Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos...

4-7-1913
Fernando Pessoa


Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.
É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".

Por ter crescido na África do Sul, para onde se mudou aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa foi alfabetizado em Inglês. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma.

Durante sua discreta vida, atuou no Jornalismo, na Publicidade, no Comércio e, principalmente, na Literatura. Como poeta, desdobrou-se em diversas personas conhecidas como heterónimos, em torno das quais se movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente".

Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").

60 anos da Revolução Chinesa

domingo, 24 de janeiro de 2010

O OUTRO 11 DE SETEMBRO...

RÚSSIA, CHINA E IRÃ REDESENHAM O MAPA DA ENERGIA

Deu no Vi O Mundo, o blog do Luiz Carlos Azenha

Rússia, China e Irã redesenham o mapa energético

8/1/2010, M K Bhadrakumar, Asia Times Online

A inauguração do gasoduto Dauletabad-Sarakhs-Khangiran anteontem, conectando o norte do Irã, região do mar Cáspio, com os vastos campos de gás do Turcomenistão, talvez passe sem ser noticiada na cacofonia da mídia ocidental, para a qual o regime islâmico de Teerã estaria vivendo momento de “apocalipse now”.

O evento, contudo, é mensagem com poderoso significado para a segurança local. No período de três semanas, o Turcomenistão comprometeu com China, Rússia e Irã, todas as suas exportações de gás. Assim sendo, não há qualquer necessidade urgente dos gasodutos que EUA e União Europeia têm oferecido. Estaremos ouvindo os primeiros acordes de uma sinfonia Rússia-China-Irã?

O gasoduto turcomano de 182 quilômetros começa a bombear modestos 8 bilhões de metros cúbicos (bmc) [ing. billion cubic meters (bcm)] de gás turcomano. Mas tem capacidade para bombear anualmente 20 bmc – com o que serão atendidas todas as necessidades da região do Cáspio iraniano, e Teerã poderá dirigir para a exportação toda a produção dos campos do sul do país.

Os interesses dos dois lados estão em perfeita harmonia: Ashgabat [capital do Turcomenistão] consegue um mercado cativo, na porta ao lado; o norte do Irã pode consumir sem medo de racionamentos de inverno; Teerã passa a gerar excedentes para exportar; o Turcomenistão pode buscar vias de exportação para o mercado mundial, via Irã; e o Irã pode aspirar a extrair vantagens de sua excelente localização geográfica, como eixo para as exportações turcomanas.

Estamos assistindo à constituição de um novo padrão de cooperação energética em plano regional que dispensa negócios com ‘as grandes do petróleo’. A Rússia tradicionalmente dá o primeiro passo; China e Irã seguem a trilha já aberta. Rússia, Irã e Turcomenistão são donos, respectivamente, da primeira, segunda e terceira maiores reservas mundiais de gás. E a China, nesse século, será consumidora par excellence. Todo esse arranjo regional terá profundas consequências sobre a estratégia global dos EUA.

pipelinerussia3070110O gasoduto turcomano-iraniano ri-se da política dos EUA para o Irã. Os EUA ameaçam o Irã com novas sanções e bradam que o Irã estaria “cada vez mais isolado”. Mas o jato presidencial de Mahmud Ahmadinejad voa para a Ásia Central, pousa no tapete vermelho de Ashgabat para ser acolhido pelo presidente Gurbanguly Berdymukhammedov do Turcomenistão e... forma-se novo eixo econômico. A diplomacia de coerção e ameaças de Washington não funcionou. O Turcomenistão, com PIB de US$18,3 bilhões, desafiou a única superpotência (PIB de $14,2 trilhões) – e, ainda melhor, fez a coisa parecer rotina.

Há também subtramas. Teerã anuncia negociações com Ancara para transportar o gás turcomano até a Turquia pelos já existentes 2.577 quilômetros de gasoduto que ligam Tabriz, no noroeste do Irã, e Ancara. De fato, a diplomacia turca segue orientação de política exterior independente. A Turquia também aspira a operar como eixo de distribuição para fornecer energia para a Europa. A Europa pode estar perdendo a batalha pelo estabelecimento de acesso direto ao Cáspio.

Em segundo lugar, a Rússia não dá sinais de qualquer incômodo por a China aproveitar-se da energia gerada na Ásia Central. As importações europeias de energia russa caíram, e os produtores de energia na Ásia Central têm batido às portas do mercado consumidor chinês. Do ponto de vista dos russos, as importações chinesas não privarão a Rússia nem da energia de que precisa para consumo, nem da que precisa para exportar. A Rússia já está implantada com suficiente profundidade no setor energético da Ásia Central e do Cáspio, para saber que não enfrentará racionamentos de energia.

O que realmente interessa à Rússia é não comprometer seu papel de maior fornecedor de energia para a Europa. Enquanto os países da Ásia Central não precisarem de novos gasodutos transcaspianos financiados pelos EUA, tudo continuará perfeitamente bem do ponto de vista dos russos.

Em recente visita a Ashgabat, o presidente russo Dmitry Medvedev normalizou os contatos energéticos entre Rússia e Turcomenistão. A restauração desses laços é importante conquista política para os dois países. Primeiro, porque depois do reaquecimento dessas relações, o Turcomenistão manterá suprimento anual de 30 bcm de gás para a Rússia.

Segundo, nas palavras do presidente Medvedev, "Pela primeira vez na história das relações Rússia-Turcomenistão, o gás será negociado por preços absolutamente alinhados com as condições do mercado europeu.” Analistas russos dizem que a [empresa] Gazprom acabará por descobrir que comprar gás turcomano é mau negócio; e que, se Moscou escolheu pagar preço mais alto, é, sobretudo, porque decidiu não deixar para trás nenhum gás que possa ser distribuído para outros consumidores, sobretudo pelos gasodutos alternativos do Projeto Nabucco financiado pelos EUA.

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Em terceiro lugar, ao contrário da propaganda ocidental, o Turcomenistão não vê o gasoduto chinês como substituto para a [empresa] Gazprom. A política de preços da Rússia assegura que, do ponto de vista do Turcomenistão, a Gazprom continua a ser consumidor insubstituível. O preço do gás turcomano de exportação para a China ainda está sendo negociado e simplesmente não pode alcançar a oferta russa.

Em quarto, Rússia e Turcomenistão reiteraram seu compromisso com o Gasoduto Cáspio Costeiro [ing. Caspian Coastal Pipeline] (que corre ao longo da costa leste do Cáspio, para a Rússia) com capacidade para 30 bcm. Evidentemente, a Rússia espera obter gás adicional da Ásia Central, do Turcomenistão (e do Cazaquistão).

Em quinto, Moscou e Ashgabat concordaram em construir juntos um gasoduto leste-oeste conectando todos os campos turcomanos de gás a uma única rede, de modo que os gasodutos que andam em direção à Rússia, Irã e China possam receber gás de todos os campos.

De fato, contra o pano de fundo da intensificação dos movimentos dos EUA em direção à Ásia Central, a visita de Medvedev a Ashgabat tem impacto sobre toda a segurança regional. Na conferência conjunta de imprensa com Medvedev, Berdymukhammedov disse que as posições de Turcomenistão e Rússia nos processos regionais, particularmente na região da Ásia Central e do Cáspio, são em geral idênticas. Sublinhou que os dois países entendem que a segurança de um não pode ser obtida à custa do outro. Medvedev concordou que havia semelhança ou unanimidade entre os dois países nas questões relacionadas à segurança, e confirmou a disposição para agirem juntos.

A diplomacia dos EUA para o gasoduto no Cáspio, que visava passar ao largo da Rússia, deslocar a China e isolar o Irã fracassou. A Rússia planeja agora duplicar o gás importado do Azerbaijão, cortando ainda mais os esforços ocidentais para conquistar Baku como fornecedor para o Projeto Nabucco. Em linha com a Rússia, o Irã também está emergindo como consumidor do gás do Azerbaijão. Em dezembro, o Azerbaijão firmou acordo para fornecer gás ao Irã através dos 1.400 quilômetros do gasoduto de Kazi-Magomed-Astara.

O “grande quadro” mostra que as correntes Sul e Norte Russas – que fornecem gás para o sul e o norte da Europa – estão ganhando força irreversível. Os obstáculos que havia na Corrente do Norte foram superados quando a Dinamarca (em outubro), a Finlândia e a Suécia (em novembro) e a Alemanha (em dezembro) aprovaram o projeto do ponto de vista ambiental. Na próxima primavera, o gasoduto começará a ser construído.

O projeto conjunto para que a Gazprom, a alemã E.ON Ruhrgas e a BASF-Wintershall construam o gasoduto de $12 bilhões, e a empresa de transporte Gasunie evita as rotas de passagem da era soviética via Ucrânia, Polônia e Belarus e parte do porto russo de Vyborg, no noroeste da Rússia, para o porto alemão de Greifswald, em rota de 1.220 km que cruza o Mar Báltico. A primeira perna do projeto, com capacidade para transportar anualmente 27,5 bmc de gás, estará pronta no próximo ano; e até 2012 a capacidade estará duplicada. Essa Corrente Norte afetará profundamente a geopolítica da Eurásia, as equações transatlânticas e os laços que aproximam Rússia e Europa.

Não há dúvidas de que 2009 foi ano de fortes emoções na “guerra da energia”. Com o gasoduto chinês inaugurado pelo presidente Hu Jintao dia 14 de dezembro; com o terminal petroleiro próximo ao porto de Nakhodka, no extremo oriente da Rússia inaugurado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin dia 27 de dezembro (que será alimentado pelo oleoduto-gigante de $22 bilhões, desde os novos campos da Sibéria e alcança os mercados do Pacífico asiático); e com o gasoduto iraniano que Ahmadinejad inaugurou anteontem, dia 6 de janeiro – não há dúvidas de que o mapa energético da Eurásia e do Cáspio foi virtualmente redesenhado.

O ano novo de 2010 começa com uma questão fascinante: Rússia, China e Irã saberão operar em movimentos coordenados ou, pelo menos, saberão harmonizar seus interesses concorrentes?


Embaixador M. K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira no Ministério do Exterior Indiano. Serviu na União Soviética, Coréia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuait e Turquia.

Ilusões de ótica - em caminhões

sábado, 23 de janeiro de 2010

Raymond Kurzweil faz uma análise sobre o futuro da humanidade



O engenheiro e visionário Raymond Kurzweil afirma que, em 2029, a tecnologia terá o alcance da inteligência humana. Para ele, os homens serão mais máquinas e menos carne no ano de 2045.

Al Qaeda tem apoio popular, diz analista iemenita

São Paulo, sexta-feira, 08 de janeiro de 2010

SAMY ADGHIRNI DA REPORTAGEM LOCAL

A rede terrorista Al Qaeda só conseguiu transformar o Iêmen em sua principal base no Oriente Médio porque se beneficia do apoio de parte da população do país. O diagnóstico é de Abdul-Ghani Al Iryani, um dos mais proeminentes analistas iemenitas. Embora seja de uma família ligada ao clã governante, Al Iryani disse, em entrevista à Folha por telefone ontem, que a incapacidade das autoridades de atender às necessidades populares levou muita gente a apoiar grupos extremistas.


FOLHA - O Iêmen se tornou mesmo a nova base da Al Qaeda?
ABDUL-GHANI AL IRYANI - A Al Qaeda está no Iêmen há muito tempo. Um de seus maiores ataques foi contra o [destróier americano] USS Cole, em 2000. A presença foi aumentando na medida em que o cerco se fechava no Paquistão e no Afeganistão. Com isso, muitos militantes fugiram para o Iêmen e para a Somália. A grande virada ocorreu depois que a Arábia Saudita lançou repressão implacável contra militantes no seu território. Os quadros da rede se estabeleceram no Iêmen, onde se aliaram a radicais locais, com quem anunciaram no ano passado a formação da Al Qaeda da península Arábica.

FOLHA - De que maneira a Al Qaeda opera no território do Iêmen?
AL IRYANI - A rede mantém vários campos de treinamento no país. Alguns já foram destruídos pela ofensiva do governo nos últimos dias. O primeiro a ser atingido foi de Abyan, numa operação conjunta americano-iemenita no último dia 2. Os militantes também têm bases em áreas tribais no leste do país e nos arredores da capital, e usam madrassas [escolas religiosas] para propagar sua visão extremista do islã. O funcionamento da Al Qaeda no Iêmen se baseia no apoio de tribos locais.

FOLHA - Então a população iemenita apoia a Al Qaeda?
AL IRYANI - A empatia de parte da população com a Al Qaeda resulta do fracasso do governo em cumprir funções básicas. As autoridades não têm nenhuma legitimidade por causa da corrupção que o domina. O extremismo islâmico se aproveita disso. A Al Qaeda não será derrotada enquanto o Estado não se tornar mais eficiente e respeitado pelos cidadãos.

FOLHA - A Al Qaeda virou uma espécie de selo apropriado por grupos diversos ou estamos diante da mesma rede original de Bin Laden?
AL IRYANI - É a Al Qaeda de antigamente que está viva. Mas sobraram apenas algumas centenas de militantes históricos em seu núcleo. Há mais alguns milhares de extremistas ligados à Al Qaeda sem ser parte dela.

FOLHA - Como avalia a reação de Sanaa contra grupos radicais com os quais é acusada de ser conivente?
AL IRYANI - Até agora o governo tem sido muito firme contra os extremistas, e a ofensiva lançada vem obtendo sucesso. O que houve no passado foi uma posição pela qual as autoridades faziam vista grossa para o que estava acontecendo em áreas tribais no sul do país para poder concentrar esforços contra a insurgência xiita, ao norte. Mas isso acabou. A pressão internacional exigiu do governo que reprimisse [todos os radicais].

FOLHA - Há alguma ligação entre o fortalecimento da Al Qaeda no Iêmen e a atual geopolítica da região?
AL IRYANI - A Al Qaeda e o extremismo islâmico em geral se alimentam do sentimento de injustiça em relação aos palestinos. Enquanto a questão palestina não for resolvida, haverá extremismo radical. O que acontece no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão contribui para acirrar os ânimos, mas a questão central é a Palestina.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

E se o clima na Terra estiver esfriando, e não aquecendo?

Quinta-feira, 7 de janeiro de 2010, 09:32 Online

Cientistas detectam resfriamento no norte da Antártida

Temperaturas mais baixas complicam debate sobre aquecimento global, diz pesquisador brasileiro

Carlos Orsi, do estado.com.br

Levantamento de cientistas brasileiros aponta tendência de resfriamento de 0,6º C por década na região

SÃO PAULO - O norte da Península Antártica vem se resfriando em tempos recentes. Dados meteorológicos da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), a base brasileira no continente gelado, indicam uma tendência de resfriamento de 0,6º C por década, nas temperaturas registradas nos últimos 14 anos. A Península Antártica, como um todo, é uma das regiões do planeta que mais se aqueceu no século 20, acumulando uma elevação de temperatura de 3º C.

"Infelizmente, não tenho um termômetro para medir as variações causadas por fenômenos naturais e outro, para a influência do homem", diz o pesquisador Alberto Setzer, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é o coordenador do projeto de meteorologia em Ferraz, ao comentar o que o resfriamento recente poderia representar no debate sobre o aquecimento global. "Temos variações naturais que criam um ruído muito grande". Dados acumulados de 65 anos ainda indicam tendência de aquecimento, a despeito do resfriamento recente.

O cientista americano Marco Tedesco, do City College de Nova York, que estudou a relação entre fenômenos climáticos como o El Niño e o degelo na Antártida, lembra que ainda existem muito poucas informações sobre o continente, que começou a ser pesquisado há relativamente pouco tempo. Ele diz que, no Ártico, os sinais da mudança climática "são muito mais claros, e altamente significativos". "Na Antártida, as causas dos fenômenos climáticos são muito menos conhecidas".

Para 2010, Setzer espera um ano um pouco mais quente em Ferraz. "É difícil prever, mas se tivesse de chutar, diria que 2010 vai ficar na média das temperaturas, ou um pouco acima. É o que geralmente acontece, depois de um ano muito frio", diz ele. E 2009 foi excepcionalmente frio na EACF, com uma temperatura média de 2,6º C negativos. Neste século, apenas 2007 foi mais frio, com temperatura média de 3,1º C negativos.

Novembro teve a temperatura mais baixa para o mês em 11 anos, e dezembro, além de ter a terceira temperatura média mais baixa desde 2001, trouxe aos brasileiros que passaram lá o Natal e o ano-novo uma surpresa: neve, algo incomum para essa época do ano, de verão no hemisfério sul.

Segundo Heber Passos, o encarregado da estação meteorológica de Ferraz, e que ainda se encontra na Antártida, a neve foi o "destaque" do Natal. "Tivemos forte nevasca na noite de 25 e por todo o dia 26", disse ele, via e-mail. "A neve depositada na frente e no entorno da estação resistiu a 12 dias de temperaturas que superaram os 2º C positivos".

"Até boneco de neve do lado do mastro da bandeira fizemos", acrescenta o físico Luciano Marani, que está em Ferraz para cuidar do projeto de monitoramento da camada de ozônio, também do Inpe. Marani conta que também nevou no dia 31 inteiro. "Brinquei de escrever 'Feliz 2010' na rampa do heliponto", acrescenta.


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Sexta Feira, 1 de Janeiro de 2010


O ano de 2009 foi mais um de resfriamento global, em que diversos recordes de baixas temperaturas e de acúmulo de neve foram superados.

Os canais da Holanda congelaram pela primeira vez em 12 anos, um recorde de temperaturas mínimas ocorreu na própria cidade natal de Al Gore, e ironicamente uma tempestade de neve coloriu de branco a cidade de Copenhagen onde ocorria a reunião dos líderes mundiais com o intuito de parar o aquecimento global.

O ano foi tão frio que até a BBC se viu forçada a indagar o que ocorrera com o aquecimento global?

O Climategate - assim chamado por analogia ao escândalo Watergate no governo Nixon - revelou que os cientistas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) vêm trabalhando ativamente para esconder evidencias do esfriamento global.

Mas as provas oriundas das observações não podem ser ignoradas.

A verdade é que não conseguimos explicar a ausência de aquecimento no momento e isto é uma inversão inexplicável"
- Kevin Trenberth, um dos autores do Relatório Sobre o Aquecimento Global do IPCC


Veja abaixo a lista de 375 notícias publicadas em 2009 sobre ocorrências recordes de baixas temperaturas, resfriamento global, etc. Todas as notícias podem ser lidas apenas clicando no título.

Popular net Global Cooling in 2009


O gráfico abaixo mostra as temperaturas médias globais, e a linha verde deixa claro uma tendência de queda das temperaturas

1998-2009 Temperatures


A figura abaixo mostra as temperaturas na troposfera inferior, deixando claro que a partir de 2005 a terra dissipou no espaço a maior parte do calor que acumulou a partir de 1980

global temperature 1979-2008


Temperaturas médias na superfície dos oceanos

HADSST2 Global Sea Surface Temp


Temperaturas médias na troposfera inferior

RSS MSU Lower Tropospheric Temp
A imagem abaixo, produzida pela NASA, mostra em azul as zonas de resfriamento no Globo Terrestre. Para ver detalhes, clique aqui

Dangerous cooling


Nos vídeos abaixo, você tem trechos do programa de entrevistas de Lou Dobbs, na CNN.

A conclusão dos entrevistados, todos especialistas em clima, é de que está ocorrendo um resfriamento global, e não um aquecimento.

O programa foi ao ar no dia 13 de Janeiro de 2009. Joseph D’Aleo, diretor executivo o Projeto Internacional para Avaliação da Mudança Climática e Ambiental (ICECAP), explica que com base em dados de satélites, que são os mais confiáveis e que fornecem a melhor cobertura do globo, 2008 foi o ano mais frio nos últimos 30 anos.

Segundo D’Aleo, o pico de temperaturas nos levantamentos da NOAA é resultado de mudanças na localização dos equipamentos de medição.

Segundo ele, ocorreu um aumento de pontos de medição localizados em zonas urbanas e uma redução dos pontos localizados em zonas rurais, resultando em um aparente aquecimento.
Na entrevista ele diz “até você, Lou, sabe que nas regiões rurais é mais frio do que nos subúrbios de New York. E no momento temos muito mais peso dos dados dessas regiões urbanas, o que provoca uma tendência de aparente aquecimento.

Outro fator que contribui para o resfriamento global é a redução no número de manchas solares, segundo Jay Lehr, pesquisador sênior e diretor científico do Instituto Heartland.

Segundo ele, “é importante observar a atividade solar, e nos últimos anos observamos uma atividade extremamente baixa de manchas solares, o que nos traz – em minha opinião – não apenas a um período de resfriamento, mas indica que permaneceremos nele por várias décadas.”

Lehr insistiu na “ingenuidade” de não incluir o impacto do sol sobre o clima da Terra – um fator freqüentemente ignorado por muitos dos que adotam posições alarmistas a respeito da mudança climática. Ele mencionou o meteorologista Chad Myers, que afirma “a teoria de que o aquecimento global é provocado pelo homem é “arrogante”.

“É ingenuidade não reconhecer que o clima da Terra é determinado pelo Sol”, disse Lehr. “Chad Myers no mês passado mostrou que realmente é uma atitude arrogante a humanidade achar que controla o clima do universo. Apenas 4 por cento do nosso gás estufa é composto por dióxido de carbono. Noventa por cento é vapor de água sobre o qual não temos qualquer impacto.”







Ilusão de ótica

Saint-Exupery , O Pequeno Principe

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Paz a Cada Passo



Documentário sobre Thich Nhat Hanh (Thây), momentos antes da guerra do golfo, durante retiros para veteranos da Guerra do Vietnã e para ativistas do meio ambiente. Neste vídeo pode ser encontrado um pouco da história e da visão do budismo engajado, tal como preconizado por Thây, além de vários depoimentos de ex-soldados e pessoas do movimento ambientalista.

FISK: A FALTA DE OBJETIVIDADE DA CIA

Deu no blog do Luiz Carlos Azenha, o VioMundo

A ânsia dos EUA, de serem amados e temidos, rouba há muito tempo a objetividade da CIA

6/1/2010, Robert Fisk, The Independent, UK

No imenso prédio da embaixada dos EUA nas colinas nos arredores de Amã, capital da Jordânia, há uma sala especial, onde trabalha um oficial das Forças Especiais dos EUA, em escritório também ‘diferente’. Ele compra informação de oficiais da inteligência e do exército jordaniano – paga em dinheiro, é claro –, mas também ajuda a treinar policiais e soldados afegãos e iraquianos. Não lhe interessam só informações sobre a al-Qa'ida, mas também sobre os próprios jordanianos, sobre a lealdade do exército ao rei Abdullah, sobre os guerrilheiros antiamericanos que vivem na Jordânia, sobretudo os iraquianos, e também sobre os contatos entre a al-Qa'ida e o Afeganistão.

É fácil subornar oficiais do exército no Oriente Médio. Os norte-americanos gastaram boa parte de 2001 e 2002 subornando senhores-da-guerra afegãos. Pagaram a soldados jordanianos para unir-se ao exército norte-americano de ocupação no Iraque – motivo pelo qual a embaixada jordaniana em Bagdá foi implacavelmente bombardeada pelos inimigos de Washington.

O que o agente duplo da CIA Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi fez – era médico, como tantos seguidores da al-Qa'ida – foi serviço de rotina. Trabalhava para os dois lados, porque os inimigos dos EUA estão há muito tempo infiltrados entre os ‘aliados’ de Washington nas forças de inteligência árabes. Abu Musab al-Zarqawi, que efetivamente liderou o ramo da al-Qa'ida da guerrilha iraquiana, ele próprio cidadão jordaniano, manteve contatos com o Departamento Geral de Inteligência de Amã, cujo oficial responsável n. 1, Sharif Ali bin Zeid, foi assassinado com sete norte-americanos, essa semana, no maior desastre da CIA desde que a embaixada dos EUA em Beirute foi bombardeada em 1983.

Mas nada há de romântico em torno dos espiões, no Oriente Médio. Muitos dos homens da CIA mortos no Afeganistão eram, de fato, mercenários contratados; e os espiões “mukhabbarat” jordanianos, para os quais ambos, bin Zeid e al-Balawi trabalhavam, são torturadores muito experientes, para quem a tortura é rotina; de fato, sempre torturaram gente que, também rotineiramente, foi levada para Amã pela CIA do governo Bush.

O mistério, porém, não está na existência de agentes duplos dentro do aparelho de segurança dos EUA no Oriente Médio. O mistério está em que utilidade teria, no Afeganistão, uma ‘mula’ jordaniana. Poucos árabes falam pashtun ou dari ou urdu, embora muitos afegãos falem árabe. A coisa toda sugere, isso sim, que houve laços muito mais íntimos entre os guerrilheiros iraquianos anti-americanos baseados em Amã e no Afeganistão.

O que se vê é que – apesar do enorme Irã que separa os dois países – agentes iraquianos e afegãos da al-Qa’ida tem trabalhado juntos. Em outras palavras, enquanto a CIA simploriamente assume que poderia ‘ser amiga’ e confiar na inteligência local no mundo muçulmano, os grupos guerrilheiros bem podem ter resolvido trabalhar pelo mesmo plano. A presença de um espião jordaniano antiamericano no Afeganistão – capaz de ofercer-se ao martírio tão longe de casa – prova o quanto são profundos os laços entre os inimigos dos EUA em Amã e no Afeganistão oriental. Não exageraria quem sugerisse que os jordanianos antiamericanos têm conexões até em Islamabad.

Quem veja aí excesso de fantasia, lembre que assim como a CIA apoiou os combatentes árabes contra o exército soviético no Afeganistão, assim também os mesmos combatentes árabes eram pagos com dinheiro saudita. No início dos anos 80s, o próprio comandante da inteligência saudita mantinha reuniões regulares com Osama bin Laden na embaixada saudita em Islamabad e com o serviço secreto paquistanês – que dava apoio logístico aos “mujahedin” e, depois, aos Talibã – como até hoje. Se os norte-americanos creem que os sauditas não mandam dinheiro para os inimigos dos EUA no Afeganistão – ou para outros inimigos dos EUA também fundamentalistas no Iraque e na Jordânia –, então a CIA ainda não faz nem ideia do que está acontecendo no Oriente Médio.

Infelizmente, a CIA, provavelmente, ainda não faz nem ideia etc. O desejo dos norte-americanos, de serem ao mesmo tempo amados e temidos, há muito tempo tem arrastado a inteligência norte-americana a confiar nos ‘amigos’ ostensivos e, simultanemante, a seviciar, violentar, bestializar os pressupostos inimigos. Foi precisamente o que aconteceu no Líbano antes de um suicida-bomba muçulmano xiita fazer explodir a embaixada dos EUA em Beirute em 1983 – num momento em que quase todos os agentes da CIA em operação no Oriente Médio lá estavam reunidos. A maioria deles morreu ali. A entrada principal dos escritórios da CIA na parte fronteira da embaixada estavam bem protegidos. Mas a CIA recrutara, como agentes locais no Líbano, homens e mulheres que trabalhavam para os dois lados: para Israel e para o que, então, era a versão inicial do Hizbollah. O pessoal de apoio local da inteligência dos EUA na embaixada em Beirute encontrava-se com mulheres libanesas cuja existência a inteligência dos EUA ignorava.

Mas o eixo jordanianos-norte-americanos era diferente. Aqui, a CIA operava em ambiente quase totalmente muçulmano sunita, entre jordanianos que, ao mesmo tempo em que embolsavam o dinheiro da CIA, tinha centenas de motivos para opor-se às políticas de Washington e do rei da Jordânia. Minoria significativa dos “muhabarrat” jordanianos são de origem palestina; para esses, o apoio ilimitado, sem regras ou critério, que os EUA dão a Israel, destruiu a ‘nação’ palestina e está destruindo o povo palestino. O desejo da CIA de confiar em “operadores locais” não é muito diferente da fé que os britânicos depositavam em seus sepoys indianos, na véspera do Motim: os regimentos locais “deles” jamais se oporiam ao império inglês, os oficiais “deles” continuariam leais. Exatamente o contrário do que aconteceu. [...]

O Duomo de Milão

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Irã por dentro - Inside Iran - Em Inglês



What Do We Really Know About The Islamic Republic of Iran?

Video Report By Rageh Omaar

Rageh Omaar embarks on a unique journey inside what he describes as one of the most misunderstood countries in the world, looking at the country through the eyes of people rarely heard - ordinary Iranians.

It took a year of wrangling to get permission to film inside Iran but the result is an amazing portrayal of an energetic and vibrant country that is completely different to the usual images seen in the media.

Iêmen vira peão-chave do xadrez diplomático

Quarta-Feira, 06 de Janeiro de 2010

Simon Tisdall*

Ainda não está claro até que ponto o presidente Barack Obama considera a possibilidade de intervir no Iêmen, mas não há dúvida de que os EUA intensificarão seu envolvimento no país. O problema é que a questão iemenita não pode ser tratada com uma política de isolamento. A proposta de Obama de garantir o sul do Península Arábica sob sua proteção pode desestabilizar a região como um todo, como ocorreu depois das invasões do Afeganistão e do Iraque. Obama é muitas coisas, mas não um Lawrence das Arábias.

Como seu colega Hamid Karzai, do Afeganistão, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, não é o mais confiável nem o mais entusiástico dos aliados. Seu poder é contestado por facções tribais do norte e sul do país. Para Saleh, a Al-Qaeda não é particularmente ameaçadora. O que ele mais teme é ser tachado de títere dos EUA.

E, como o presidente Asif Ali Zardari, do Paquistão, cujo governo foi desestabilizado pelos ataques americanos lançados do outro lado da fronteira, Saleh tem boas razões para minimizar o grau de cumplicidade de seu governo. As forças dos EUA ajudaram e em muitos casos participaram diretamente de incursões aéreas iemenitas contra supostos campos de treinamento da Al-Qaeda. A Arábia Saudita também realiza operações no território iemenita.

O envolvimento saudita é um dos aspectos do efeito cascata que a questão iemenita provocaria. Ele desperta mais um fantasma da era George W. Bush: a perspectiva de introduzir tropas americanas nesse país, sejam elas forças especiais, paramilitares da CIA, ou civis, arrastando-as para uma guerra por procuração com o arqui-inimigo de Riad, o Irã. Teerã apoiou milícias xiitas no Iraque ocupado e agora é acusada do mesmo tipo de ingerência em seu apoio aos rebeldes houthis no Iêmen.

Segundo a imprensa árabe, em novembro, membros da Guarda Revolucionária do Irã e do Hezbollah reuniram-se com líderes houthis para discutir a escalada do conflito na fronteira iemenita-saudita. Além disso, o Irã estaria contrabandeando armas para grupos do Iêmen e da Somália via Golfo de Áden.

As implicações do envolvimento direto dos EUA nessas intrigas regionais são preocupantes. Desafiar o Irã no Iêmen não facilitaria o objetivo mais importante do Ocidente: garantir um acordo nuclear com Teerã. Aprofundar o envolvimento saudita no Iêmen poderia ainda frustrar os esforços de Riad para promover a reconciliação entre o Fatah e o Hamas e, desse modo, facilitar um acordo árabe-israelense - um dos principais objetivos de Obama.

O impacto negativo da internacionalização dos múltiplos conflitos do Iêmen para os países vizinhos do Chifre da África também deveria fazer com que Washington parasse um pouco para pensar. A milícia islâmica al-Shabaab da Somália anunciou na semana passada que enviará reforços ao Iêmen se os EUA decidirem atacá-lo.

A decisão sobre um novo front na guerra ao terror é delicada. Com a atual situação, não levará muito para que se desencadeie uma intervenção americana e, assim, uma nova tempestade no deserto.

* Simon Tisdall é analista de questões do Oriente Médio

Cabo Horn

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Jeffrey Cole aponta as novas tendências da era digital



O que acontecerá com os meios de comunicação de hoje? Os jornais estão com os dias contados? Para o especialista Jeffrey Cole, os jornais estão sumindo aos poucos e a TV crescerá muito no futuro.

O incrível poder de Daniel Dantas

Daniel Dantas é o Grande Mestre da corrupção no Brasil.

Compra juizes, promotores, advogados, delegados, empresários, executivos.

Usa sua enorme fortuna para livrar-se de processos e investigações.

Mas são tantas as falcatruas de Dantas, que algum dia ele finalmente será preso e irá pagar pelos seus crimes - Al Capone conseguiu livrar-se de dezenas de processos, andava livre pelas ruas de Chicago. Até que foi preso por uma pequena falha na sua declaração do Imposto de Renda.


São Paulo, terça-feira, 05 de janeiro de 2010

Dantas consegue paralisar ação judicial do Caso Kroll

Processo é suspenso por juíza federal de SP até que a Itália remeta documentos

Foi a 3ª vitória recente do banqueiro na Justiça; ele é acusado de contratar a empresa que espionou tele e ministros do governo


RUBENS VALENTE DA REPORTAGEM LOCAL

O banqueiro Daniel Dantas obteve nova vitória no Judiciário no final de 2009: a suspensão da principal ação judicial originada da Operação Chacal. Desencadeada em 2004 pela Polícia Federal, a Chacal acusou Dantas de espionar executivos da Telecom Italia.
À época, a Brasil Telecom, então controlada pelo banqueiro, contratou a empresa norte-americana Kroll. Segundo a PF, a Kroll também espionou autoridades do governo Lula, como o ex-presidente do Banco do Brasil Cassio Casseb e o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo).

A investigação resultou em uma ação penal que tramita desde 2005 na 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, agora suspensa. Dantas é réu, assim como outras 15 pessoas.

A suspensão foi decidida no dia 3 de dezembro, mas não divulgada pela Justiça Federal. A juíza Adriana Freisleben de Zanetti, da 5ª Vara, acolheu pedido de Dantas e dos demais réus e suspendeu o processo da Chacal até que cheguem da Itália documentos que os advogados do banqueiro dizem ser imprescindíveis para sua defesa.

No dia 17, Dantas havia conseguido, em decisão do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Arnaldo Esteves Lima, suspender todos os processos derivados da Operação Satiagraha, deflagrada em julho de 2008, que tramitam na 6ª Vara Federal Criminal paulista.

Uma terceira vitória de Dantas, no mesmo mês, foi a decisão do ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, que ordenou o recolhimento das provas da Satiagraha. Elas foram levadas, de caminhão, de São Paulo a Brasília, onde permaneciam até ontem.

Anexo sigiloso
Na ação do caso Kroll, a juíza resolveu suspendê-la depois que os advogados de Dantas pediram a criação de um anexo, sigiloso, supostamente formado por parte da documentação vinda da Itália.
A medida causou dúvidas em uma audiência realizada no início de dezembro. Advogados de outros réus no processo passaram a exigir acesso aos novos papéis. A juíza então decidiu que "o material [os documentos italianos] é importante para determinar os limites dos depoimentos dos ofendidos, eis que extraída dos histriônicos episódios da audiência, e possível ameaça à regra que garante aos depoentes o privilégio contra a autoincriminação".

Não há prazo previsto para a chegada dos documentos. O acesso aos papéis dependerá de um acordo de cooperação internacional entre Brasil e Itália, sob responsabilidade do Ministério da Justiça. Na prática, a decisão pode atrasar o processo por meses ou anos.

O caso já dura quatro anos sem decisão. Em julho de 2004, a Folha revelou a contratação da Kroll para espionagem. Naquele momento, Dantas estava em disputa com a Telecom Italia e membros do governo Lula, aos quais atribuía culpa pelos problemas que vinha enfrentando com os fundos de pensão, controlados por empresas estatais -seus sócios em empresas de telefonia que haviam sido privatizadas pelo governo na década de 90.

Em outubro de 2004, a PF desencadeou em São Paulo, Rio e Brasília a Operação Chacal, que resultou no indiciamento de Dantas, da ex-executiva da BrT Carla Cico e dos demais acusados, incluindo funcionários e diretores da Kroll no Brasil e no Reino Unido.

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Procuradoria da República diz que não vai recorrer da decisão

DA REPORTAGEM LOCAL

O Ministério Público Federal informou ontem que não pretende recorrer da decisão da juíza da 5ª Vara Federal Criminal, que ordenou a suspensão da ação penal derivada da Operação Chacal, paralisando o caso.

Procurada pela Folha para que comentasse o assunto, a assessoria de comunicação da Procuradoria da República informou que a suspensão "é por tempo determinado" -até a chegada dos documentos.

Segundo a assessoria, os procuradores que atuam no caso informaram que caberá à PGR (Procuradoria-Geral da República) verificar o trâmite entre Brasil e Itália. A Procuradoria informou que só emitirá juízo sobre o conteúdo dos documentos italianos quando conseguir acesso a eles.

Os advogados do banqueiro Daniel Dantas afirmaram que os documentos da Itália "invalidam por completo a Operação Chacal", mas disseram estar impossibilitados, pelo sigilo, de explicar melhor a afirmação.

Desde que a Operação Chacal foi desencadeada, tanto a Kroll quanto a Brasil Telecom negam participação em ilegalidades. Dantas tem tentado vincular a atuação da Kroll a uma ação de espionagem que teria tido origem em seus desafetos na Telecom Itália.

Paralelamente ao caso brasileiro, a Procuradoria de Milão abriu uma investigação que, segundo os defensores de Dantas, teria apreendido documentos que demonstrariam uma investigação italiana sobre a Brasil Telecom. Dantas chegou a comparecer à Justiça de Milão para dar um depoimento.

O banqueiro e seus advogados alegam que o processo brasileiro só pode ser julgado depois que as supostas "provas" contidas no processo italiano cheguem ao Brasil. (RV)