quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A “crise” dos caças da FAB - “Elementar, meu caro Watson...”

Nos últimos meses, a grande imprensa de Rio e São Paulo tem publicado grande número de matérias sobre uma suposta “crise” entre a Aeronáutica e a Presidência da República.

O Governo pretende comprar 36 caças supersônicos a um custo aproximado de 10 Bilhões de dólares, e estão concorrendo o francês Rafale, o sueco Grippen, e o americano F-18 Super Hornet.

Segundo a unanimidade das matérias publicadas no Estadão, Folha de São Paulo, Globo, VEJA, TVGlobo, e outros jornais, estaria ocorrendo a seguinte “crise” – a Aeronáutica realizou uma análise “técnica” e optou pelo Grippen, sueco.

Já o Ministério da Defesa e a Presidência da República, por motivos estratégicos, já teriam decidido pelo Rafale, da francesa Dassault.

Vamos começar a “desmontar” esta suposta crise pelo que existe de mais básico – a Constituição do Brasil.

Segundo a Constituição, o Presidente da República é o Comandante em Chefe das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica.

Vou repetir, para ficar bem claro: Lula é o Chefe do Ministério da Defesa, que por sua vez é o chefe da Aeronáutica.

Me permitam explicar, como Oficial do Corpo de Fuzileiros Navais, o que se entende por “chefe” entre os Militares.

O chefe ouve seus subordinados, avalia a posição de cada um, e solitáriamente toma a decisão. Por ser uma decisão solitária, só ele é responsável.
Uma vez tomada a decisão, ela é cumprida.
Ponto.

Não cabe mais discussão.
Se um subordinado emitir opinião contrária à decisão do chefe, automáticamente está assumindo uma posição de insubordinação, e simplesmente é preso e punido.
Ponto. Está no Regulamento Disciplinar da Aeronáutica (como no da Marinha e no do Exército)

Então, não existe um animal chamado “crise entre um Militar e seu chefe”.

Pode existir insubordinação, seguida automáticamente de punição, que em caso de reincidencia pode chegar à dispensa do serviço ativo.

Ficou claro? Sabe porque este rigor na disciplina entre nós Militares?

Imagine que um Major aviador esteja comandando uma esquadrilha de caças.

Suponha que um esquadrão inimigo esteja se aproximando. O comandante de nossa esquadrilha se comunica com o Controle Estratégico, analisa a posição do inimigo, e decide que toda a sua esquadrilha irá atacá-lo vindo de cima, com o sol por trás, para perturbar a visibilidade do adversário. Agora suponha o seguinte:

Tenente Rogério para Major Hélio – “Major, acho que sua decisão não é a mais adequada, afinal, se fizermos meia volta e fugirmos, nosso risco de perda de vidas é nulo...”
Tenente Alberto para Major Hélio – “Acho mais adequado seguirmos por baixo do inimigo, assim ele não nos pode ver...”
Capitão Carlos – “Acho que o Major tem razão, afinal todo mundo sabe que o Tenente Rogério é um covarde, outro dia até a mulher dele estava se queixando de que ...”
Major Hélio – “Bem, vamos fazer o seguinte, senhores – nós somos uma esquadrilha de 7 caças. Vamos fazer uma votação, e o meu voto será o Voto de Minerva.

Leitor amigo, a essa altura você já entendeu onde quero chegar – os Militares não são e não podem ser uma instituição democrática. Desde que os primeiros faraós conquistaram os primeiros babilônios, funciona uma cadeia hierárquica, claramente definida, onde um e apenas um comandante toma as decisões. Como dizemos na Marinha “Manda quem pode, e obedece quem tem juízo...”

O mesmo raciocinio se aplica nas forças terrestres, navais, etc. Não se pode perder tempo em discussões, votaçòes, etc. Espero que voce tenha entendido porque a Aeronáutica tem - ou deveria ter – em seu DNA o gene da Disciplina.

Então, em primeiro lugar, se a FAB fez um relatório sobre a compra dos caças, não é de sua responsabilidade a escolha – a FAB pode opinar, mas jamais poderia e nem pode decidir. Quem decide é o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo, se o relatório da FAB “vazou”, isso não é “crise” – é indisciplina, caso a própria FAB tenha vazado, ou incompetência, se a Força Aérea deixou vazar “sem querer” – qualquer das hipóteses exige que o Brigadeiro Juniti Saito seja destituído e enviado direto para o chuveiro.
Sem crise.

Resumo desta primeira parte – entre um militar e seus chefes é impossível existir “crise”. OK?

Bem, agora vamos tentar lembrar as histórias de Sherlock Holmes, e descobrir quem está por trás das notícias, artigos, matérias, sobre a famosa crise.

Elementar, meu caro Watson.

Quem se beneficia com a confusão gerada na imprensa e com o desconforto em que foi colocado o Ministério da Defesa e a Presidencia da República? Vamos por partes.

Será que foram os americanos? Certamente que não, já que há meses a imprensa não fala no F-18, e o silencio da imprensa - e da CIA - é claro sinal de que os gringos preferem não vender os aviões a ter de revelar seus preciosos segredos, cláusula exigida pelo edital.

Será que são os franceses que se beneficiam com a confusão? Lula anunciou em Setembro que a escolha está feita, e que vai comprar o Rafale. Logo, qualquer investigador com dois neurônios no cérebro pode ver que aos franceses só interessa que o contrato seja logo assinado, e que não interessa ao Governo da França que o Brasil fique nesta eterna discussão sobre quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete (este era um tema acaloradamente discutido nos mosteiros durante a Idade Média).

Puxa, mas que coincidência – sobram apenas os suecos. Só eles podem se beneficiar dos artigos sobre a “crise”.

Vamos fazer um exercício intelectual – apenas hipotético. Estão em jogo 36 Bilhões de dólares, OK?

Se voce fosse o Presidente da SAAB, fabricante do Gippen, o que voce acharia de gastar uns 5 milhões de dólares em "marketing" para criar confusão sobre o assunto?

A SAAB não tem nada a perder... só tem a ganhar.

Neste nosso exercício hipotético, onde voce gastaria este dinheiro destinado a criar confusão?

Financiando jornais, revistas, rádios, TVs? Boa idéia.Claro que todos nós sabemos que nossa imprensa jamais iria se vender em troca de uns milhõezinhos de dólares em anúncios.

Dando “presentes” a jornalistas? Boa idéia tambem. (Claro que todos nós sabemos que jornalista NUNCA aceita presentes)

Enchendo as revistas, jornais, de fofocas, de notícias "plantadas"? Semeando inverdades? Plantando mentiras?

E melhor de tudo, “vazando” o relatório da Aeronáutica!!!! GOLPE DE MESTRE!!!! Confusão Total, Crise, Brigadeiro dizendo e desdizendo, Ministro dizendo e desdizendo, oficiais dizendo e desdizendo, enfim, um circo armado.

Em vez de todo mundo ficar de bico calado, está todo mundo falando, “vazando”, “armando”, "desmentindo", "desmentindo o desmentido"etc.
Será que eles se expõem a tudo isso por idealismo?
Pense bem – você sabe a resposta.

Para você ficar com uma consciencia limpa, veja agora porque os caças Grippen são aviões de papel (lembre que o dólar é um papel). Segundo o o competente jornalista José Meirelles Passos os aviões da SAAB são mais baratos porque o preço não inclui o armamento e, como até jornalistas do Globo sabem, caça sem arma é igual a aviãzinho de aeromodelismo.
E, mais, lembra o competente José Meirelles Passos, os motores e o software do avião sueco são “made in USA” – ou seja, toda vez que o Brasil precisar mexer numa parafuseta tem que consultar o Pentágono.

Já a compra dos caças franceses inclue sua fabricação no Brasil, transferencia TOTAL de tecnologia, licença para o Brasil exportar para América Latina e África, mais um submarino nuclear, mais uma parceria para entrarmos no Conselho de Segurança da ONU, e outras “cositas” mais, que não podem ser divulgadas.

Portanto, vamos parar de dar atenção a esta “crise” fabricada artificialmente pela SAAB, com farto financiamento dos meios de comunicaçào venais brasileiros.

Vamos apoiar a decisão estratégica do Comandante Supremo da Aeronáutica – vou repetir mais uma vez para ver se agora o Brigadeiro Saito entende:

No Brasil quem manda nas Forças Armadas é o Presidente da República.

Não existe crise.

Fotos extraordinárias ao som de Chopin

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Judaism, Christianity and the Dead Sea Scrolls



The discovery of the Dead Sea Scrolls has revolutionized our picture of the early history of Judaism and of the Jewish background of early Christianity.

With the completion of the publication of the entire scrolls collection, it is now possible to draw significant conclusions from this treasure trove of ancient documents.

This illustrated lecture by Professor Lawrence Schiffman will discuss the discovery of the scrolls, the archaeology of Qumran where the scrolls were unearthed, the nature of the library, and its significance for the study of Judaism, Christianity and their common destiny.

Pinturas de Steve Hanks, o mestre da aquarela

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Se a Telebrás não tivesse sido privatizada a preço de banana, hoje seria uma Petrobrás

Conforme já disse aqui, a Telebrás foi privatizada exclusivamente para angariar fundos para a campanha de reeleição de FHC.

Se a Telebrás tivesse recebido a mesma liberdade que tem a Petrobrás, hoje seria uma empresa brasileira multinacional, e nossas telecomunicações teriam melhor qualidade.

untitled1


Sexta-Feira, 25 de Dezembro de 2009

''PSDB teria vendido a Petrobrás''

Presidente da estatal diz que o Lula salvou a estatal de ter partes vendidas, caso os tucanos vencessem a eleição

Roberval Angelo Schincariol e Tatiana Freitas

Seu orixá é Obaluaiê, o "dono da terra", como revelou à imprensa pela primeira vez nesta entrevista. Mas bem que o baiano José Sérgio Gabrielli poderia ser chamado de "príncipe do mar". Em seus quase quatro anos à frente da Petrobrás, ele anunciou a conquista da autossuficiência brasileira em petróleo (2006); a descoberta do pré-sal (2007-2008); e a consequente listagem da Petrobrás entre as maiores companhias de energia do mundo.

O que para muitos críticos não passa de um golpe de sorte, para Gabrielli, que assumiu a liderança da maior companhia brasileira no lugar de José Eduardo Dutra, em abril de 2006, o sucesso da Petrobrás é fruto de uma política de governo e só foi possível graças à eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e à sua reeleição em 2006. "O presidente Lula fez a diferença", disse em entrevista exclusiva à Agência Estado.

Segundo Gabrielli, se o resultado das eleições tivesse sido outro, com a vitória de José Serra em 2002 ou de Geraldo Alckmin em 2006, a Petrobrás teria tomado outro rumo. "Partes da empresa poderiam ter sido privatizadas."

Mas Gabrielli também acredita no destino. Segundo ele, "há muita sorte em encontrar petróleo". Mas não apenas isso. "Você não perfura um poço a 300 quilômetros de distância da costa e a milhares de metros de profundidade apenas confiando que Deus é brasileiro." Afinal, de acordo com a crença, Obaluaiê foi adotado e criado por Iemanjá, a "rainha do mar". A seguir, os principais trechos da entrevista:

A "Foreing Policy" publicou uma matéria recentemente questionando o novo marco regulatório do pré-sal, principalmente no que diz respeito à participação do Estado na Petrobrás. Citando os dois possíveis candidatos mais em evidência, a revista afirma que se o governador José Serra vencer as eleições presidenciais de 2010, ele vai tentar reverter isso. Já se a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sair vencedora, as empresas internacionais terão de recorrer à Justiça. O que o sr. tem a dizer sobre isso?

Que a Foreing Policy, uma revista americana, é uma think-tank liberal que tenta influenciar a opinião pública. Uma crítica sobre a presença do Estado em uma empresa vinda da Foreing Policy é normal. O contrário é que seria novidade. Acredito que a proposta do governo para o pré-sal claramente aumenta o papel do Estado. E isso é necessário e importante porque essa é a tendência mundial. E sempre foi na área do petróleo, que é um produto essencialmente vital e estratégico para a vida moderna.

Mas há exceções, como...

Os Estados Unidos não estão ausentes da indústria do petróleo. O Estado americano pode não estar diretamente produzindo, mas está atuando fortemente via estoque regulador, via estímulo às suas empresas, via regulações. No caso brasileiro, me parece que a nova regulação reflete uma realidade distinta da antiga regulação. São diferenças importantes. A primeira é o acesso a capitais. Na década de 90, tínhamos um problema para termos acesso a capitais que hoje não existe. A outra é o acesso à tecnologia. Hoje a Petrobrás, em águas profundas, é a empresa que tem maior mobilização tecnológica e conhecimento, e opera 22% da produção de águas profundas no mundo.

Mas isso não é fruto de um longo processo?

Sim, vem num processo. Primeiro tem um processo de melhoria das condições macroeconômicas. Depois, do controle da tecnologia. E, terceiro, o risco da área exploratória é muito baixo. Hoje você tem essa situação bastante distinta. Anteriormente era uma lei voltada a ajudar e permitir que as empresas privadas capturassem todos os ganhos da atividade do petróleo.

O sr. acredita que se o presidente Lula não tivesse sido eleito em 2002 e reeleito em 2006, a Petrobrás teria chegado ao pré-sal no momento em que chegou?

Essa pergunta é difícil de responder diretamente. Eu diria o seguinte: até 2003, a Petrobrás estava sendo preparada para ter um conjunto de atividades com muita eficiência em vários ramos e com pouco ganho no sistema como um todo e estava sendo inibida no crescimento do seu portfólio de exploração. A partir de 2003, os investimentos aumentam, a Petrobrás tem uma participação mais ativa nos leilões, redefine sua organização interna de forma a ter um fortalecimento das atividades corporativas no conjunto da companhia e acelera a renovação de seus quadros. Isso foi uma mudança de orientação política na Petrobrás. Se seria possível atingir sucesso com a política anterior é difícil dizer. Agora, que o sucesso atual depende das mudanças feitas, isso é certo. Evidentemente que há muita sorte em encontrar petróleo. Mas apenas sorte não é suficiente. Você não perfura um poço a 300 km de distância da costa e a milhares de metros de profundidade só confiando que Deus é brasileiro.

Se o resultado da eleição tivesse sido outro, qual caminho o sr. acha que Petrobrás teria tomado?

Só posso reafirmar que a Petrobrás estava a caminho de se transformar numa empresa muito eficiente separadamente e que perderia a capacidade de integração entre as diversas áreas da companhia. Teria investimento e crescimento menores do que teve. Provavelmente teria menos preocupação com o controle nacional, portanto teria menos impacto no estímulo da indústria brasileira. Teria focado suas atividades em setores diferentes do que foram focados. E o resultado disso é difícil especular qual seria. Seria uma empresa diferente do que é hoje.

O sr. acha que ela poderia ter sido privatizada, por exemplo?

Como um todo, acho difícil. Mas partes dela poderiam (ter sido privatizadas). Seria difícil uma privatização total da Petrobrás, mas partes dela, sim.

untitled3

Pelo atual valor de mercado, de cerca de US$ 200 bilhões, a Petrobrás é maior que muitos países da América do Sul. Quais sãos os planos da empresa para investimentos internacionais, principalmente nos países vizinhos?

Dos US$ 174 bilhões em investimentos (até 2013), US$ 16 bilhões estão reservados para a área internacional. A maior parte dessa quantia vai para os Estados Unidos. Nós temos nos Estados Unidos 270 blocos exploratórios no Golfo do México e uma refinaria. A nossa maior produção adicional internacional vem da Nigéria. Nosso investimento na América do Sul é em portfólio. Estamos crescendo na distribuição. Compramos redes de distribuição no Paraguai, Uruguai, Chile e Colômbia. Estamos concentrando nos investimentos na Argentina na área de exploração. Estamos iniciando atividades exploratórias no Uruguai. Estamos em processo de avaliação de descobertas de gás no Peru, atividades exploratórias na Colômbia. Basicamente nosso investimento na América Latina é um investimento de manutenção de nosso portfólio.

A saída do Irã foi realmente por motivos puramente técnicos como garante a Petrobrás?

Nós não saímos do Irã ainda. Tínhamos dois poços lá e o contrato terminou. Não entendo por que essa preocupação tão grande com o Irã. Ninguém da indústria do petróleo em sã consciência pode negar que o Irã é uma das maiores áreas de reservas de petróleo no mundo.

Nesse caso, é exatamente por isso a preocupação com o Irã...

Nós vamos manter nossa presença no Irã, mesmo que sem atividade prevista no país. Os poços que perfuramos estavam secos. Não encontramos nada. Paciência.

E para o Iraque, agora que as coisas parecem mais calmas por lá, a Petrobrás tem algum plano?

Não temos absolutamente nada no Iraque. Eles têm lá as preferências deles. O Iraque tem contrato de serviço. E isso não interessa à Petrobrás.

A preocupação mundial com as mudanças climáticas não poderia inviabilizar o pesado investimento atual da empresa no pré-sal a longo prazo, tendo em vista que os países buscam combustíveis considerados limpos para substituir o petróleo?

Com um crescimento da demanda de apenas 1% ao ano em média até 2030, como preveem as pesquisas, haverá a necessidade de se adicionar entre 55 milhões e 65 milhões de barris por dia de produção. E isso praticamente para manter o consumo atual.

Mesmo considerando a entrada de combustíveis limpos?

Sim. Por quê? Porque a economia vai crescer mais que 1% em média. E todo esse crescimento adicional leva em conta os novos combustíveis. De onde vem essa necessidade de 55 milhões a 65 milhões de barris? Do declínio da produção atual. Como há o declínio, haverá a possibilidade de repor esse petróleo.

Não se corre o risco de o preço do petróleo cair muito bem lá na frente com sua possível substituição?

Não. A nossa visão é a de que o petróleo vai cair, sim, mas em termos relativos. Hoje o petróleo representa cerca de 33% da matriz mundial. Lá por 2030, a commodity representará 28%. E quem vai substituir, na nossa visão? O carvão.

O carvão?

Sim, infelizmente, o carvão. E, consequentemente, em 2030, carvão, petróleo e gás natural vão continuar fornecendo 2/3 da matriz energética mundial.

Em quase 20 anos, nenhuma mudança?

Não. Para se ter ideia, os biocombustíveis terão aumento extraordinário neste período. Eles crescerão cerca de 100%.

Isso é uma boa notícia.

Você acha? Eles sairão de 0,4% da matriz energética para 0,9%. Grande diferença!

No blog da Petrobrás, o sr. reclama em um vídeo que os jornalistas perderam o interesse em perguntar sobre os biocombustíveis após o pré-sal...

(Risos) Isso porque vamos investir US$ 2,8 bilhões em biocombustíveis até 2013. Nossa capacidade de biodiesel dobrou. Tínhamos três usinas, com produção de cerca de 300 milhões de metros cúbicos, o que dobrará já no próximo ano. Estamos entrando no etanol, com a compra de participação em outras empresas.

Quais empresas?

Até o momento não temos nenhuma participação em etanol. Queremos comprar empresas o mais breve possível.

O sr. poderia fazer um balanço da Petrobrás nos últimos sete anos de administração petista?

untitled4A Petrobrás valia cerca de US$ 14 bilhões em 2003 e hoje vale cerca de US$ 210 bilhões. Hoje, temos um portfólio exploratório em crescimento no Brasil. A Petrobrás tem hoje 46% da sua força de trabalho com menos de nove anos de casa e 53% com mais de 19 anos. Houve uma renovação da força de trabalho dentro da empresa. A Petrobrás fortaleceu a sua estrutura corporativa. Entrou fortemente na área de biocombustíveis. Montou e consolidou a estrutura de gás natural no País. Em 2002 investia US$ 200 milhões por ano em refino. Hoje esse valor é mensal. Ampliou o market-share na BR (distribuidora). Comprou a Liquigás. É hoje a sexta maior empresa de energia do mundo e a segunda maior em petróleo, só perdendo para a Esso. Resumindo: um sucesso!

O sr. afirma então que a Petrobrás é o que é hoje por causa do presidente Lula?

O presidente Lula fez diferença (pausa). Acho que depende muito da orientação do governo, mas se a Petrobrás não tivesse capacidade de fazer, não seria o que é hoje. Mas o orientação clara do governo foi essa. A política de conteúdo nacional renovou a indústria do País. Temos hoje, com relação aos nossos investimentos, 74% de participação brasileira.

O governo vem sendo acusado pela oposição de usar o pré-sal como arma política para 2010...

A oposição tem de criticar sempre. Faz parte da democracia.

O sr. tem algum interesse político?

Não serei candidato, não pretendo ser candidato. Já fui candidato. A última vez em 1990.

untitled5
Nicola Pamplona

Depois de um susto em 2008, o Brasil retomou a autossuficiência na produção de petróleo este ano e tende a se consolidar como grande exportador nos próximos anos. A Petrobrás já ultrapassou a marca de 500 mil barris de petróleo exportados por dia e é hoje a sexta maior vendedora de petróleo para o mercado norte-americano. O crescimento das exportações vai provocar mudanças na área de comércio exterior de petróleo derivados da companhia.

A retomada da autossuficiência é fruto do crescimento da produção nacional, em torno de 7%, sem acompanhamento equivalente do mercado de combustíveis - que deve fechar o ano com alta de apenas 2%. Em 2008, dois anos após a conquista da autossuficiência, o Brasil voltou a ser importador líquido de petróleo e derivados, com cerca de 3 milhões de barris a mais do que os 158 milhões de barris exportados, movimento causado pelo aquecimento da economia.

Este ano, dados coletados até agora pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que haverá grande folga nas exportações. Até outubro, o Brasil exportou 241, 1 milhões de barris de petróleo e derivados, uma média de 795,9 mil barris por dia. As importações somaram 202,8 milhões de barris, ou 669,3 mil barris por dia. O bom desempenho foi provocado pela alta de 41,4% nas exportações de petróleo cru, que chegaram a 534 mil barris por dia.

Já as importações de petróleo e derivados caíram durante o ano, em 6,2% e 15,5%, respectivamente. O Brasil é importador de petróleo leve, que é misturado ao pesado óleo nacional nas refinarias para a produção de combustíveis de maior valor, como gasolina e diesel. As importações de petróleo cru somam 398 mil barris por dia, em média, nos dez meses do ano.

"Contando apenas o petróleo cru, o Brasil será expressivamente autossuficiente em 2010", diz o analista de petróleo da consultoria Tendências, Walter de Vitto, lembrando que há novos projetos de produção em desenvolvimento, como Parque das Conchas e Frade - que já estão em operação, mas atingem a capacidade máxima no ano que vem -, Cachalote e Tupi. Essas duas últimas terão, somadas, capacidade para produzir 200 mil barris por dia.

"Vamos ter um crescimento muito significativo de produção. O mercado vai crescer também, mas em menor escala. Essa é uma tendência geral daqui pra frente", concorda o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Segundo ele, a Petrobrás fechará 2009 com superávit financeiro em sua balança comercial de petróleo, o primeiro na história da companhia - até setembro, o saldo positivo soma US$ 1,8 bilhão.

Costa diz que o petróleo brasileiro já não tem tanta diferença de preço em relação ao petróleo importado pelo País, de melhor qualidade. Isso porque os cortes de produção da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep) e problemas de produção no México e na Venezuela reduziram a disponibilidade de petróleo pesado no mercado internacional. "O petróleo pesado valorizou. O mundo precisa dele para produzir óleo combustível, bunker, asfalto."

Até pouco tempo atrás, a marca Marlim era sinônimo de petróleo brasileiro no mercado externo. Maior campo produtor do País até o ano passado, Marlim está perdendo espaço para Roncador (os dois estão na Bacia de Campos), que após a entrada das plataformas P-52 e P-54 tem a maior produção entre os campos brasileiros. Costa diz que a empresa tem vendido grandes volumes de Roncador no mercado internacional.

O aumento das exportações já levou a empresa a iniciar uma reformulação em sua área de trading, com capacitação de pessoal e reavaliação da logística e de procedimentos, diz Costa. "A gente vai sair de uma posição compradora para posição vendedora. E obviamente é mais complicado vender do que comprar", comenta. A estatal conta hoje com escritórios em Houston, Londres, Pequim e Cingapura, além de uma unidade no Japão, mais voltada para o etanol.

Por outro lado, o novo cenário expõe uma lacuna nos investimentos históricos no setor de petróleo brasileiro. "A capacidade de refino está no limite. Toda a capacidade adicional de petróleo terá de ser colocada no mercado externo", diz Vitto, da Tendências. Hoje, o Brasil tem capacidade para refinar 1,85 milhão de barris por dia. Na média do ano, a produção nacional de petróleo da Petrobrás está em 2 milhões de barris por dia.

A Petrobrás tem quatro grandes refinarias projetadas, mas a primeira delas, em Pernambuco, só deve começar a operar em 2012. Já a refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) inicia operações em 2013. As duas foram projetadas antes da confirmação do pré-sal e, por isso, planejadas para processar o óleo pesado da Bacia de Campos.

Sobrevoando a França

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Collor fala dos bastidores do impeachment


O ex-presidente conta o que passou pela cabeça no momento da parovação do impeachmente pela Câmara dos Deputados e quando percebeu que tinha perdido a capacidade de mobilizar a população.


O ex-presidente conta o que passou pela cabeça no momento da parovação do impeachmente pela Câmara dos Deputados e quando percebeu que tinha perdido a capacidade de mobilizar a população.


Participante da cúpula da campanha presidencial de 1989, que elegeu Collor, Cleto Falcão abriu a caixa preta e revelou detalhes. Dentre eles, os 52 milhóes de dólares que sobraram da campanha.


O pernambucano Ney Maranhão afirmou que estava com um revólver colt anaconda calibre 44. O ex-senador fez a escolta e apoiou o ex-presidente Fernando Collor de Mello até o dia do afastamento.

Fotos fantásticas