quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dallari: “Decisão de Gilmar Mendes prova que ele não tinha condições de ser ministro do STF”

Atualização às 16h55: Gilmar Mendes devolveu o processo e o julgamento foi retomado nessa tarde. Por 8 votos a 2, o STF derrubou a exigência de dois documentos para votar. Será necessário apresentar um mas com foto. Gilmar Mendes e Carlos Peluso votaram contra.

por Conceição Lemes

Ontem à tarde os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram para julgar a ação direta de inconstitucionalidade (ADI), reivindicando o fim da exigência da apresentação de dois documentos para votar nas eleições do próximo domingo.

O placar estava 7 a 0. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor. Foi quando o ministrro Gilmar Mendes pediu vista do processo, e o julgamento interrompido.

Mais tarde circulou a informação de que a decisão de Mendes foi após conversar com o candidato José Serra (PSDB), que lhe telefonou.

Reportagem publicada hoje pela Folha confirma a conversa, testemunhada pelos repórteres. A Folha divulga na primeira página: “Após ligação de Serra, Mendes para julgamento de ação do PT”. Segundo a matéria, Serra chamou Gilmar de “meu presidente”.

Conversamos agora por telefone com o jurista Dalmo Dallari, professor emérito da Faculdade de Direito da USP, sobre os dois fatos.

Viomundo –O que o senhor achou da decisão do Gilmar Mendes?

Dalmo Dallari – Lamentável, não importa com que ele tivesse conversado. Do ponto jurídico, é uma decisão totalmente desprovida de fundamento. Seguramente causou prejuízo imenso à instituição. Foi péssimo para a imagem do STF.

Viomundo — O pedido de vistas do processo ocorre quando há alguma dúvida a ser dirimida. Havia alguma?

Dalmo Dallari -- Razão jurídica, nenhuma. Razão extra, não sei.

Viomundo — O que ocorrerá agora?

Dalmo Dallari – A repercussão foi tão negativa que possivelmente ele devolverá até amanhã o processo para o STF.

Viomundo — O ministro Gilmar Mendes conversou com o candidato Serra antes de tomar a decisão. Qual a implicação jurídica disso?

Dalmo Dallari – Eu vi as reportagens, elas insinuam a conversa. Mas, eu como advogado, raciocino em cima de provas. Só depois de tê-las é que posso me manifestar.

Viomundo — Em 2002, o senhor fez um artigo, publicado originalmente na Folha de S. Paulo, criticando a indicação de Gilmar Mendes para o STF. O senhor disse que ele “degrada o Judiciário”. E agora?

Dalmo Dallari – A decisão de ontem demonstra que eu tinha razão. Ele não tinha condições de ser ministro do STF. Hoje estou convencido de que ele não tem a seriedade e imparciliadade indispensáveis para um juiz.

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Veja abaixo matéria publicada aqui no blog em 20/09/08

O sr. gilmar mendes está claramente criando factóides e ocupando espaço na mídia. E a mídia se deixa levar.
Todos os dias ele dá alguma declaração retumbante, ou controversa, e assim vai ocupando espaços. Ganhando mais poder pessoal, interferindo com a nossa já ineficiente polícia, e desviando a atenção de todos do foco das investigações da PF, Daniel Dantas.

Para conhecer melhor o passado e a má reputação de mendes, basta ler o artigo do Professor Dalmo de Abreu Dallari a seu respeito quando ele foi indicado para o stf em 2002.



No dia 8 de maio de 2002 quando o sr. gilmar mendes foi indicado para o stf, o Jurista Dalmo de Abreu Dallari publicou artigo em que declarava que "A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha".

Dalmo de Abreu Dallari é professor aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e ligado tradicionalmente ao Partido dos Trabalhadores.
Entre suas principais obras destaca-se Elementos de Teoria Geral do Estado. Mais recentemente, em 2001, publicou obra pioneira acerca de perspectivas do Estado para o futuro - intitulando-a de O Futuro do Estado - trata do conceito de Estado mundial, do mundo sem Estados, dos chamados Super-Estados e dos múltiplos Estados do Bem-Estar.
Em 1996 tornou-se o professor catédrático da UNESCO na cadeira de Educação para a Paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância, criada na Universidade de São Paulo, tendo participado de seu primeiro Congresso em 1998.

gilmar mendes foi indicado para o stf porquê na época era advogado geral da união, subordinado ao Presidente Fernando Henrique Cardoso, e conforme o artigo de Dallari, "especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo."

Leia na Wikipédia a biografia de mendes e a revolta que sua indicação para o stf provocou no meio jurídico - clique agui

ABAIXO, A ÍNTEGRA DO ARTIGO DO PROFESSOR DALLARI A RESPEITO DA INDICAÇÃO DE GILMAR MENDES.

Para ler o original do artigo do Prof. Dallari, basta clicar aqui



SÃO PAULO, QUARTA-FEIRA, 08 DE MAIO DE 2002
TENDÊNCIAS/DEBATES
SUBSTITUIÇÃO NO STF

Degradação do Judiciário
DALMO DE ABREU DALLARI

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.

Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.


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A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada ________________________________________________________________________________________________________


É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio judiciário".

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no "Informe", veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado "Manicômio Judiciário" e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que "não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo".

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na "indústria de liminares".

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista "Época" (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou "ação entre amigos". É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

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Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).

Correa acusa oposição de tentar derrubá-lo com golpe de Estado

Presidente diz considerar dissolução do Congresso em meio a protestos de militares


30 de setembro de 2010 | 14h 38

QUITO - O presidente Rafael Correa acusou nesta quinta-feira, 30, setores da oposição ligados ao ex-presidente Lucio Gutierrez de tentar derrubá-lo com um golpe de Estado. Militares e policiais tomaram quarteis, o aeroporto internacional de Quito e o Congresso em protestos contra uma reforma aprovada pela Assembleia Nacional que retira benefícios das forças de segurança.

Mapa localiza as cidades equatorianas
onde ocorreram os principais protestos.
(Foto: Arte G1)

"É uma tentativa de golpe de Estado da oposição e são certos grupos infiltrados nas Forças Armadas e na Polícia que sempre estiveram lá, basicamente grupos da Sociedade Patriótica", disse Correa referindo-se ao partido de Gutierrez.

"É claríssimo de onde vem essa tentativa de desestabilizar o país. É impressionante ainda a covardia. Eles vêm com máscaras, golpeiam e jogam bombas de gás lacrimogêneo contra o presidente", denunciou o presidente.

Correa ainda acusou os militares de tentarem invadir o seu quarto do hospital, para onde foi levado após uma bomba de gás atingi-lo na perna. "Estão tentando invadir aqui, o meu quarto. Se algo acontecer comigo, a responsabilidade é deles. Eu só queri dizer que meu amor pelo país é infinito", disse.

O presidente ainda confirmou que considera dissolver o Congresso. Segundo a nova Constituição equatoriana, aprovada há dois anos, o presidente pode declarar impasse político e solicitar ao Judiciário a dissolução do Parlamento para resolvê-lo.

Centenas de pessoas se reuniram nesta em frente ao palácio presidencial de Carondelet, em Quito, para apoiar Correa ante os protestos. Os manifestantes agrediram cinco agentes policiais em frente ao palácio. Os oficiais, porém, não protestavam e apenas acompanhavam autoridades governamentais, segundo testemunhas.

A manifestação que reuniu partidários de Correa ocorre em reação aos protestos que centenas de policiais e militares que ocuparam um dos principais quartéis e o aeroporto internacional de Quito.

Aos gritos de "Correa, amigo, o povo está contigo", centena de pessoas expressaram seu apoio ao chefe de Estado, que foi ao quartel ocupado em Quito e advertiu os militares que não cederia e não desistiria das reformas.

O presidente Rafael Correa propôs ao Congresso uma lei de austeridade para diminuir a burocracia estatal e cortar privilégios de alguns setores do funcionalismo. Deputados do próprio partido do presidente, a Aliança para o País, são contrários à reforma.

OEA se reúne em caráter de emergência para debater crise no Equador


Insulza adianta que órgão está do lado do presidente Rafael Correa
30 de setembro de 2010 | 14h 50

Agência Estado

SANTIAGO - O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reunirá de forma extraordinária nas próximas horas para tratar dos protestos que tomaram conta do Equador, disse nesta quinta-feira, 30, o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza.

Em entrevista ao canal estatal chileno TVN, Insulza adiantou que depois da reunião do comitê da OEA haverá uma declaração de apoio ao presidente do Equador, Rafael Correa. "É muito lamentável, mas temos confiança que o governo do Equador vai controlar a situação", disse Insulza. Ele não descartou viajar ao Equador "se for necessário, mas é uma decisão que será tomada mais tarde".

Militares e policiais tomaram o Congresso, o aeroporto de Quito e vários quartéis do país em protestos contra reformas pretendidas por Correa quando aos benefícios recebidos pelo efetivo das forças de segurança. Correa acusou a oposição de tentar derrubá-lo com um golpe de Estado.

Apoio

A Argentina declarou apoiar Correa e expressou sua "confiança na institucionalidade democrática do país irmão e na autoridade política do presidente constitucional para encontrar o melhor caminho em defesa dos interesses do povo e do governo equatorianos", informou um comunicado da chancelaria de Buenos Aires.

O secretário-geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul), o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, expressou seu "firme compromisso e a mais absoluta solidariedade" com Correa. Kirchner lamentou "a tentativa de sublevação da ordem constitucional de setores corporativos das forças de segurança" e disse que "nenhuma nação sul-americana pode tolerar governos eleitos democraticamente que sejam ameaçados por setores que não querem perder privilégios".

O governo da Espanha também expressou seu total apoio ao presidente equatoriano. A chancelaria espanhola difundiu um comunicado no qual expressa o apoio às autoridades legítimas e instituições democráticas equatorianas e condena "qualquer ruptura da legalidade constitucional".

Governo do Equador declara estado de emergência

30 de setembro de 2010 | 16h 04

AE - Agência Estado


O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que os amplos protestos que ocorrem no país hoje são uma tentativa da oposição desestabilizar o seu governo. Ele afirmou que uma tentativa de golpe de Estado está em curso e que recebeu apoio dos presidentes do Chile, do Peru e da Venezuela, além do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza. Correa falou de um hospital, para onde foi levado após ter inalado gás lacrimogêneo enquanto tentava falar com policiais em greve. Logo após os comentários de Correa, o governo equatoriano declarou estado de emergência.

"Nós não deixaremos a ordem constitucional ser rompida. Nada irá parar a revolução cidadã", disse Correa. Mais cedo, policiais e militares da Força Aérea entraram em greve e começaram os protestos contra o governo após o Congresso ter aprovado uma lei que pode afetar os benefícios a policiais e militares. As manifestações rapidamente se alastraram para outras regiões do Equador, levando a bloqueios nas rodovias, tumultos, saques nos supermercados e roubos a bancos.

"É claro que essa é uma tentativa de desestabilizar o governo", disse Correa. Enquanto isso, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Florêncio Ruiz, apelou à polícia para que cesse imediatamente os protestos, os quais ele disse poderão levar a um "banho de sangue". Correa também afirmou mais cedo que considera seriamente dissolver o Congresso. Isso significaria que ele teria que convocar novas eleições. As informações são da Dow Jones.


Correa declara estado de exceção


Equador é tomado por protestos de militares contra corte de benefícios; presidente acusa golpe de Estado


30 de setembro de 2010 | 15h 43

AE-AP - Agência Estado

QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, decretou nesta quinta-feira, 30, estado de exceção em todo o país por cinco dias para frear um protesto de militares e policiais que considerou como uma tentativa de golpe de Estado.

Veja também:
Radar Global: acompanhe a crise minuto a minuto
Galeria de fotos: veja imagens dos protestos

"Uma vez que setores da polícia abandonaram irresponsavelmente seu trabalho, tivemos de declarar o estado de exceção", disse o ministro de Segurança Doméstica, Miguel Carnaval, a jornalistas.

Correa afirmou hoje que há uma tentativa de golpe em andamento. Ele qualificou os distúrbios no país como "uma tentativa de golpe da oposição". Centenas de policiais e alguns militares protestam contra uma nova lei que corta benefícios das forças de segurança.

Os manifestantes tomaram o Congresso e o controle do principal aeroporto internacional da capital, Quito, provocando a suspensão de voos. Rodovias foram bloqueadas e houve relatos de distúrbios e até roubos de bancos. Outros setores do funcionalismo também afetados pela nova lei se uniram aos protestos, incluindo os estudantes. Apesar disso, não há relatos de violência séria contra o governo.

O líder equatoriano disse estar "praticamente sequestrado" em um hospital da capital. Correa foi hospitalizado por causa dos efeitos do gás lacrimogêneo, após tentar se dirigir aos manifestantes em um quartel de Quito. "Se vocês querem matar o presidente, aqui está ele. Matem-me!", disse, recusando-se a recuar na nova lei.

Falando por telefone da sala de um hospital onde ele disse estar recebendo medicação intravenosa para se recuperar, Correa qualificou os distúrbios como golpe. O presidente afirmou que "a história irá julgá-los (os manifestantes)". "Eu convoco a polícia patriótica a se submeter" à liderança do presidente, afirmou.

Escolas e lojas foram fechadas por causa da falta de proteção policial. Há relatos de saques em algumas cidades do país, incluindo na capital, onde pelo menos dois bancos foram saqueados, e na cidade costeira de Guayaquil. O principal jornal do país, El Universo, informa que houve assaltos em supermercados e roubos por causa da ausência da polícia.

Apoio

Dezenas de partidários de Correa marcharam até o centro de Quito a fim de demonstrar apoio ao presidente. Um país tradicionalmente instável, o Equador vivia em um período de relativa paz e estabilidade desde a posse de Correa, em 2007. Economista com estudos nos Estados Unidos, Correa é de esquerda e próximo ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Após falar com Serra, Mendes para sessão do STF


Ministro do STF adiou julgamento que pode derrubar exigência de dois documentos na hora de votar, pedida pelo PT

Candidato e ministro negam conversa, que foi presenciada pela Folha; julgamento sobre se lei vale continuará hoje

MOACYR LOPES JUNIOR
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

Após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo.

A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista (mais prazo para análise), adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT). A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menos escolaridade.

A lei foi aprovada com apoio do PT e depois sancionada por Lula, sem vetos.

"MEU PRESIDENTE"
Ontem, após pedir que o assessor ligasse para o ministro, Serra recebeu um celular das mãos de um ajudante de ordens, que o informou que Mendes estava na linha.

Ao telefone, Serra cumprimentou o interlocutor como "meu presidente". Durante a conversa, caminhou pelo auditório. Após desligar, brincou com os jornalistas: "O que estão xeretando?"

Depois, por meio de suas assessorias, Serra e Mendes negaram a existência da conversa.

Para tucanos, a exigência da apresentação de dois documentos pode aumentar a abstenção nas faixas de menor escolaridade.

Temendo o impacto sobre essa fatia do eleitorado, o PT entrou com a ação pedindo a derrubada da exigência.

O resultado do julgamento já está praticamente definido, mas o seu final depende agora de Mendes.

Se o Supremo não julgar a ação a tempo das eleições, no próximo domingo, continuará valendo a exigência.

À Folha, o ministro disse que pretende apresentar seu voto na sessão de hoje.

CONSENSO
Antes da interrupção, foi consenso entro os ministros que votaram que o eleitor não pode ser proibido de votar pelo fato de não possuir ou ter perdido o título.

Votaram assim a relatora da ação, ministra Ellen Gracie, e os colegas José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello.

Para eles, o título, por si só, não garante que não ocorram fraudes. Argumentam ainda que os dados do eleitor já estão presentes, tanto na sessão, quanto na urna em que ele vota, sendo suficiente apenas a apresentação do documento com foto.

"A apresentação do título não é tão indispensável quanto a do documento com foto", disse Ellen Gracie.
O ministro Marco Aurélio afirmou que ele próprio teve de confirmar se tinha seu título de eleitor. "Procurei em minha residência o meu título", disse. "Felizmente, sou minimamente organizado."

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos foi definida em setembro de 2009, quando o Congresso Nacional aprovou uma minirreforma eleitoral.

O PT resolveu entrar com a ação direta de inconstitucionalidade semana passada por temer que a nova exigência provoque aumento nas abstenções.

O advogado do PT, José Gerardo Grossi, afirmou que a exigência de dois documentos para o voto é um "excesso". "Parece que já temos um sistema suficientemente seguro para que se exija mais segurança", disse.

Baixaria Suprema ! Serra liga para Gilmar. Impeachment !

Publicado em 30/09/2010

Quem será o “meu presidente” ?

A Folha (*) divulga na primeira página informação estarrecedora: “Após ligação de Serra, Mendes para julgamento de ação do PT”.

Perto das 14 horas, o jenio ligou para Gilmar Dantas (**) – clique aqui para ler o post “Gilmar dá “HC” a Serra”.

Serra chamou Gilmar de “meu presidente” !

À tarde, com o placar de 7 a 0, Gilmar Dantas – clique aqui para ver que até a Globo agora se refere a ele como Gilmar Dantas rotineiramente – Gilmar interrompeu a votação do Supremo que ia suprimir a exigência de dois documentos para votar.

Ou seja, Gilmar suspendeu uma decisão para atender a interesses eleitorais de Serra.

É o Golpe do Judiciário.

A hondurização do sistema político brasileiro.

A biografia de Gilmar já está maculada por um telefonema: o tal do grampo sem áudio.

Cadê o áudio, Dr Corrêa ?

Agora, esse telefonema e a sub-sequente decisão ofendem o Supremo, na sua essência.

O Supremo já vai mal das pernas.

Dois HCs Canguru, em 48 horas, a um passador de bola apanhado no ato de passar bola.

O perdão aos torturadores do regime militar.

O impasse da Ficha Limpa.

E, agora, segundo a insuspeita Folha (*), uma decisão que pode macular o processo eleitoral e o Supremo – , por causa uma chicana de cupinchas: “meu presidente !”.

O Supremo não vai fazer nada diante dessa chicana ?

O Supremo é Juiz ou é parte ?

O Presidente do Supremo não vai dar uma explicação à Nação ?

Gilmar será capaz de desmoralizar o Supremo tal qual se desmoralizou ?

O Supremo é Gilmar ?

(Em tempo: quem mandou o Gilmar para o Supremo ? Ele, o Príncipe dos Sociólogos, o Farol de Alexandria, FHC. Gilmar foi a pior das heranças do neoliberalismo cardosiano.)

O professor Wanderley Guilherme dos Santos publica hoje na pág. A5, no Valor, artigo excelente – “Repartição da renda faz sua última eleição”.

E explica com profundidade e, é claro, mais argúcia, o que este ordinário blogueiro tinha sugerido, num post: eleitor da Dilma vai votar no Berlusconi, sem uma Ley de Medios.

O Professor Wanderley observa que a “a nova classe média tende ao conservadorismo por entender que existem limites à mobilidade social existente”.

Ele sustenta também que essa é a ultima, agonizante, aventura Golpista do PiG (***).

E oferece uma explicação muito interessante: o PiG (***) prega ao vento, porque não arranca mais os militares dos quartéis.

E, sem os militares Golpistas, o Golpe do PiG (***) não existe.

Boa, Wanderley !

Mas, Wanderley observa, no fim do brilhante artigo: “o poder desestabilizador se concentra, hoje, nesse fóssil institucional que é a Justiça Eleitoral”.

Não é a dra Cureau, que tentou calar o Blog dos Amigos do Presidente, e a Carta Capital, quando mereceu essa exemplar resposta do Mino.

O problema está num degrau bem acima da dra Cureau, não é, Wanderley ?

Está no Gilmar Dantas (**) e nesse telefone desavergonhado.

Mas, isso tem conserto.

O novo Senado pode votar o impeachment do Gilmar.

E devolvê-lo ao instituto Fernando Henrique Cardoso, como professor de Ética.

Em tempo: na mesma página do Valor, Maria Inês Nassif escreve outro excelente artigo: “Uma democracia sem adjetivos vai às urnas”. Não perca. O amigo navegante vai reconstituir, lá, as promessas irresponsáveis que o Serra fez na campanha: asfaltar a Transamazônica, um salário mínimo de R$ 600, 13º. para o Bolsa Família, e abono de 10% para os aposentados. Ele diz qualquer coisa, não é Inês ?


Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Como fala sua excelência!

Edgar Degas, Mestre do Impressionismo

Edgar Hilaire Germain de Gas ou Edgar Degas (Paris, 19 de Julho de 1834 — Paris, 27 de Setembro de 1917) foi um gravurista, pintor e escultor francês. Embora seja muito conhecido pelas suas pinturas, maioritariamente de carisma impressionista, é igualmente relembrado como gravurista. Muitos dos seus trabalhos conservam-se hoje no Museu de Orsay, na cidade de Paris, onde o artista nasceu e faleceu.

Degas era apaixonado pela graça e leveza das bailarinas, e elas foram seu principal tema nas pinturas, escultura, gravura. Ele adorava observá-las ensaiando, dançando, e imortazilou-as em seus quadros.
Você vê abaixo alguns deles, para apreciar toda a arte e a paixão de Degas pelas bailarinas.

Para "entrar no clima" clique aqui para ouvir a valsa do Balé "A Bela Adormecida" do genial compositor russo Pyotr Il'yich Tchaikovsky (7 de Maio de 1840 - 6 de Novembro de 1893).
enquanto admira os quadros de Degas.






O Gânster e o Aeroporto de Chicago

História número um
Muitos anos atrás, Al Capone possuía virtualmente Chicago. Capone não era famoso por nenhum ato heróico. Era notório por empastar a cidade com tudo relativo a contrabando, bebida, prostituição e assassinatos. Capone tinha um advogado apelidado "Easy Eddie". Era seu advogado por um excelente motivo. Eddie era muito bom! Na realidade, sua habilidade, manobrando no cipoal legal, manteve Al Capone fora da prisão por muito tempo.

Para mostrar seu apreço, Capone lhe pagava muito bem. Não só o dinheiro era muito, como Eddie também tinha vantagens especiais. Por exemplo, ele e a família moravam em uma mansão protegida, com todas as conveniências possíveis. A propriedade era tão grande que ocupava um quarteirão inteiro em Chicago. Eddie vivia a vida da alta roda de Chicago, mostrando pouca preocupação com as atrocidades que ocorriam à sua volta.

No entanto, Easy Eddie tinha um ponto fraco. Ele tinha um filho a quem amava afetuosamente. Eddie cuidava para que seu jovem filho tivesse o melhor de tudo: roupas, carros e uma excelente educação. Nada era poupado. Preço não era objeção.

E, apesar do seu envolvimento com o crime organizado, Eddie tentou lhe ensinar o que era certo e o que era errado. Eddie queria que seu filho se tornasse um homem melhor do que ele. Mesmo assim, com toda a sua riqueza e influência, havia duas coisas que ele não podia dar ao filho: ele não podia transmitir-lhe um bom nome ou um bom exemplo.

Um dia, o Easy Eddie chegou a uma decisão difícil. Easy Eddie tentou corrigir as injustiças de que tinha participado.

Decidiu que iria às autoridades e contaria a verdade sobre Al "Scarface" Capone, limpando o seu nome manchado e oferecendo ao filho alguma semelhança de integridade.
Para fazer isto, ele teria que testemunhar contra a quadrilha, e sabia que o preço seria muito alto. Ainda assim, ele testemunhou. Em um ano, a vida de Easy Eddie terminou em um tiroteio em uma rua de Chicago.

Mas aos olhos dele, ele tinha dado ao filho o maior presente que poderia oferecer, ao maior preço que poderia pagar.
A polícia recolheu em seus bolsos um poema, recortado de uma revista.

O poema:
"O relógio de vida recebe corda apenas uma vez e nenhum homem tem o poder de decidir quando os ponteiros pararão, se mais cedo ou mais tarde. Agora é o único tempo que você possui. Viva, ame e trabalhe com vontade. Não ponha nenhuma esperança no tempo, pois o relógio pode parar a qualquer momento."



História número dois

A Segunda Guerra Mundial produziu muitos heróis. Um deles foi o Comandante Butch O'Hare. Ele era um piloto de caça, operando no porta-aviões Lexington, no Pacífico Sul. Um dia, o seu esquadrão foi enviado em uma missão. Quando já estavam voando, ele notou pelo medidor de combustível que alguém tinha esquecido de encher completamente os tanques. Ele não teria combustível suficiente para completar a missão e retornar ao navio.

O líder do vôo o instruiu a voltar ao porta-aviões. Relutantemente, ele saiu da formação e iniciou a volta à frota. Quando estava voltando ao navio-mãe viu algo que fez seu sangue gelar: um esquadrão de aviões japoneses voava na direção da frota americana.

Com os caças americanos afastados da frota, ela ficaria indefesa ao ataque. Ele não podia alcançar seu esquadrão nem avisar a frota da aproximação do perigo. Havia apenas uma coisa a fazer. Ele teria que desviá-los da frota de alguma maneira.

Afastando todos os pensamentos sobre a sua segurança pessoal, ele mergulhou sobre a formação de aviões japoneses. Seus canhões de calibre 50 mm., montados nas asas, disparavam enquanto ele atacava um surpreso avião inimigo e em seguida outro.

Butch costurou dentro e fora da formação, agora rompida e incendiou tantos aviões quanto possível, até que sua munição finalmente acabou. Ainda assim, ele continuou a agressão. Mergulhava na direção dos aviões, tentando destruir e danificar tantos aviões inimigos quanto possível, tornando-os impróprios para voar. Finalmente, o exasperado esquadrão japonês partiu em outra direção.

Profundamente aliviado Butch O'Hare e o seu avião danificado se dirigiram para o porta-aviões. Logo à sua chegada ele informou seus superiores sobre o acontecido. O filme da máquina fotográfica montada no avião contou a história com detalhes. Mostrou a extensão da ousadia de Butch em atacar o esquadrão japonês para proteger a frota.
Na realidade, ele tinha destruído cinco aeronaves inimigas.

Isto ocorreu no dia 20 de fevereiro de 1942, e por aquela ação Butch se tornou o primeiro Ás da Marinha na 2ª Guerra Mundial, e o primeiro Aviador Naval a receber a Medalha Congressional de Honra . No ano seguinte Butch morreu em combate aéreo com 29 anos de idade. Sua cidade natal não permitiria que a memória deste herói da 2ª Guerra desaparecesse, e hoje, o Aeroporto O'Hare, o principal de Chicago, tem esse nome em tributo à coragem deste grande homem.
Assim, se porventura você passar no O'Hare International, pense nele e vá ao Museu em homenagem a Butch, veja a sua estátua e a Medalha de Honra. Fica situado entre os Terminais 1 e 2.


O que têm estas duas histórias de comum entre elas?
Butch O'Hare era o filho de Easy Eddie.
Nós somos o espelho para nossos filhos. 

De passagem


Um jovem estudante ocidental estava no Japão e resolveu conhecer um respeitado Mestre Zen, para aprender algumas lições sobre a vida.

Chegando á casa do Mestre, olhou assustado os poucos pertences ali presentes.

Um banco, uma cama, uma mesa, tudo muito simples.

Então perguntou ao Mestre: "O Sr. só tem isso?"

"Sim, possuo o suficiente."

E, olhando para a maleta do jovem, o sábio pergunta:

"E você, só trouxe isso?"

"Sim, o suficiente, mas eu estou só de passagem", diz o jovem.

"Eu também, estou só de passagem", respondeu o sábio.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ibope e Sensus indicam eleição de Dilma no 1o turno

Raymond Colitt e Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - A candidata governista à Presidência, Dilma Rousseff (PT), ainda tem uma boa chance de vencer a eleição presidencial no primeiro turno, no próximo domingo, apesar de escândalos recentes que afetaram sua campanha, mostraram duas pesquisas divulgadas nesta quarta-feira.

Os dois levantamentos mostraram Dilma confortavelmente acima dos 50 por cento dos votos válidos, que ela precisa para evitar um segundo turno no dia 31 de outubro contra José Serra (PSDB) e para se tornar a primeira mulher presidente do Brasil.

A ex-ministra-chefe da Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu 3 pontos percentuais na pesquisa realizada pelo instituto Sensus, para 47,5 por cento. Ela, no entanto, ainda tem 54,7 por cento dos votos válidos, quando são excluídos os brancos e nulos, de acordo com o levantamento, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT)

Dilma aparece com 55 por cento dos votos válidos em uma outra pesquisa, realizada pelo Ibope por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mesmo patamar em que estava na pesquisa deste instituto na semana passada

Serra, ex-governador de São Paulo, não conseguiu tirar vantagem da perda de fôlego de Dilma e perdeu 1 ponto percentual, para 27 por cento no levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e registrou 25,6 por cento na sondagem do Sensus.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, candidata do PV, que tem poucas chances de chegar a um eventual segundo turno, ficou com a maioria dos votos perdidos pelos adversários nas pesquisas recentes. Ela subiu quase 3 pontos, para 11,6 por cento na pesquisa Sensus, e 1 ponto, para 13 por cento, no Ibope.

Dilma, que aos 62 anos disputa sua primeira eleição, tem se aproveitado da popularidade de Lula e do bom momento econômico para liderar em todas as pesquisas.

De acordo com o Sensus, somente 4 por cento dos eleitores desaprovam o governo Lula, numa sinalização da batalha enfrentada por Serra nesta eleição.

Dilma viu sua vantagem ser reduzida recentemente, em meio a denúncias de corrupção que levaram à demissão de sua ex-assessora Erenice Guerra do comando da Casa Civil.

EFEITO DE ESCÂNDALOS PERDEM FORÇA

Os 55 por cento dos votos válidos para Dilma representam 6,3 milhões de votos acima da marca dos 50 por cento, segundo o diretor do Sensus, Ricardo Guedes. Para ele, os efeitos de denúncias de corrupção é limitado e é improvável que anule a vantagem de Dilma.

"Um tipo de fadiga da corrupção está se estabelecendo", disse Guedes, acrescentando que os eleitores de menor renda e de menor escolaridade estão decididos em seu apoio a Dilma por conta das medidas adotadas no governo Lula que agudaram a tirar milhões de pessoas da pobreza.

Rafael Lucchesi, diretor da CNI, faz raciocínio semelhante. "(O caso Erenice) pode ter tido um impacto grande na opinião pública, mas não se refletiu objetivamente no quadro eleitoral."

Uma pesquisa do Datafolha divulgada na terça-feira mostrou perda de apoio a Dilma na classe média, aumentando as chances de a eleição ser decidida no segundo turno .

As duas pesquisas divulgadas nesta quarta-feira mostram que Dilma venceria Serra facilmente num eventual segundo turno, com vantagem de cerca de 20 pontos percentuais.

O Ibope ouviu 3.010 pessoas entre os dias 25 e 27 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais. O Sensus entrevistou 2 mil pessoas entre os dias 26 e 28 de setembro e a margem de erro de seu levantamento é de 2,2 pontos percentuais.

Me diga como acabou assim?

É a dúvida dos tucanos às vésperas daquela que pode ser a maior derrota da história do partido. O PSDB avalia onde errou e busca um caminho para a reconstrução




Alan Rodrigues


PROMESSAS Na reta final, Serra abandonou a austeridade fiscal
 e disse que vai ampliar o salário mínimo e o Bolsa Família

Se as pesquisas de intenção de voto para presidente da República forem confirmadas nas urnas no domingo 3, o candidato do PSDB, José Serra, sairá da disputa eleitoral bem menor do que entrou. Em dois meses de campanha – e pouco mais de 40 dias de horário eleitoral gratuito – os institutos de pesquisa indicam que o tucano perdeu mais de 15 milhões de eleitores. Em 30 de junho, um dia antes do início oficial da campanha, Serra aparecia empatado com Dilma Rousseff, com 35% das intenções de voto, segundo o Ibope. Na pesquisa de 17 de setembro, Serra equilibra-se em 25%, enquanto sua concorrente é a preferida por mais de 50% dos eleitores. Para os especialistas em eleições, o bom momento econômico e a alta popularidade do presidente Lula não são suficientes para explicar como os tucanos conseguiram perder quase 190 mil votos por dia, desde o início oficial da corrida pelo Planalto. “O PSDB não se preparou para o pós-Lula”, diz o cientista político Marcos Figueiredo, diretor do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj). “Foram muitos os erros. Um papel vexatório”, afirma o sociólogo Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise. “O Serra não soube e não sabe o que falar para o eleitor”, diz.

Reservadamente, os tucanos começaram a juntar os cacos da campanha e já catalogam a sucessão de erros cometidos nessa corrida eleitoral para analisar o porquê de Serra sucumbir novamente diante do PT e de Lula. Para a cúpula da legenda, três problemas graves foram identificados: uma malfadada política de alianças, na qual o PSDB não conseguiu ampliar suas composições; o mau tratamento dispensado aos antigos parceiros, como a atabalhoada escolha do vice ; além, é claro, da própria escolha de Serra como o candidato do partido. Nos últimos dias essa tem sido a principal justificativa ouvida no ninho tucano para explicar o desastre que se avizinha. O cientista político Alberto Carlos Almeida faz coro aos que atribuem à escolha de Serra o começo da derrota. “O erro foi ele ser candidato. Serra faz parte de uma elite política antiga e prepotente.”

Serra tentou ser oposição, depois afirmou que daria continuidade ao governo Lula
 e por fim garantiu que seria a solução para uma crise econômica que só ele vê

Sem uma bandeira definida e despencando nas pesquisas, Serra já na largada da campanha imprimiu a marca do terror. Como a estratégia não funcionou, ele partiu para um ataque esquizofrênico como se tivesse perdido o próprio eixo. Em entrevista na quarta-feira 22, Serra afirmou ser a única “alternativa a esse estado de crise absoluta”. Porém, o tucano esqueceu de explicar que o Brasil não está em crise. Ele foi além. Na mesma entrevista, o tucano declarou que “o País passa por um processo de desindustrialização.” Também aqui, trata-se de uma afirmação sem nexo com a realidade, já que as indústrias estão investindo e crescendo. Mais do que isso, a cada dia novas empresas estão surgindo. “O Serra está fazendo tudo errado”, entende o cientista político Gaudêncio Torquato. “Ele está atirando para tudo que é lado, mas isso não surte efeito”, diz Torquato. Para Marcos Figueiredo, diretor do Iuperj, “os erros de Serra são fruto da falta de compreensão política da população brasileira do pós-Lula”.

Na reta final da corrida eleitoral, ao que tudo indica, Serra abandonou de vez o que ele próprio admitia como sua principal qualidade: ter nervos de aço para enfrentar a campanha. O tucano partiu para um populismo escrachado e equivocado ao prometer um pacote de bondades sociais para tentar conquistar o eleitorado de baixa renda e os aposentados. Ele prometeu, primeiro, um salário mínimo de R$ 600, depois anunciou que iria ampliar em dois milhões o número de beneficiários e instituir a décima terceira parcela do Bolsa Família. Por fim, propagandeou que assim que chegar ao Palácio do Planalto irá reajustar em 10% o salário dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quando questionado de onde ele tiraria o dinheiro para viabilizar tantas promessas, uma vez que o orçamento de 2011 já está aprovado, Serra tergiversa e diz que o valor da previdência no Orçamento da União para o próximo ano está subestimado. “Existem muitas gorduras”, avalia o candidato.



A pergunta que fica é se Serra está simplesmente blefando. Pode ser, já que suas propostas gerariam custo de mais de R$ 50 bilhões aos cofres públicos. Só os gastos com aposentadorias e pensões, atualmente estimados em R$ 278 bilhões, teriam um impacto de mais de R$ 27 bilhões nos cofres da Previdência. “Ele está fazendo um leilão de propostas. Essa é a prova do desespero total, uma campanha sem pé nem cabeça”, diz o cientista político Marcos Figueiredo. Entre os aliados já há quem critique a campanha publicamente. “Cometemos erros primatas e não primários”, explica o ex-senador Guilherme Palmeira (DEM-AL). “Passamos oito anos de governo Lula feito baratas tontas. Ora puxando o saco do governo, ora batendo a esmo”, avalia o ex-senador. À Istoé, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sentenciou: “A campanha de Serra não está sintonizada com o Brasil.”

Diante desse quadro fica uma pergunta: para onde vai Serra, aos 68 anos? Os caciques paulistas do PSDB já vislumbram que o tucano poderá disputar a Prefeitura de São Paulo, em 2012. Enquanto isso, outras lideranças nacionais da legenda, como Aécio Neves, Tasso Jeiressati e Sérgio Guerra começam a articular o que eles vêm chamando de refundação do partido. “O PSDB precisará passar por um processo de renovação”, disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) a menos de duas semanas das eleições. Com os paulistas enfraquecidos, o novo núcleo duro do PSDB planeja um partido mais crítico e aguerrido, capaz de ampliar suas alianças e ficar menos atrelado ao conservadorismo dos Democratas.

Reflexões de um eleitor indignado

ESCRITO POR FREI BETTO
24-SET-2010

Miro a propaganda eleitoral na TV, ouço-a no rádio. E me pergunto: em que galáxia habito? Fico a me perguntar se o desfile mórbido de candidatos difere muito da apresentação dos gladiadores prestes a disputar o direito à vida no Coliseu de Roma.

São tantas ofensas, tantas promessas inconsistentes, tantas ofensas à língua pátria, que chego a preferir um passeio pelo zoológico, onde se pode apreciar, de jaula em jaula, a variedade de animais, sem o incômodo de escutar tanta bobagem.

Claro que incontáveis aparelhos de TV e rádio desligados no horário eleitoral significam um recado óbvio: reforma política já! Como não virá imediatamente, tudo indica que, de novo, a partir de 2011 veremos a nossa representação política – nas Assembléias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado – integrada por figuras respeitáveis, competentes, éticas, ombro a ombro com o besteirol: políticos eleitos, não pelo que representam como promotores do bem comum, e sim pela fama na mídia, no esporte, na esbórnia, na exuberância das nádegas e no escracho geral.

Pobre Brasil! A culpa é de quem? Do eleitor? Discordo. A culpa é dos partidos que aceitam filiações irresponsáveis, funcionam como legenda de aluguel, abrem as portas aos arrecadadores de votos, meros candidatos-iscas para robustecer a bancada partidária no Poder Legislativo. Não importa se o eleito não fala lé com cré. Importa é ter amealhado votos em quantidade.

Isso revela algo muito grave: os partidos cada vez menos representam uma parte ou segmento da sociedade. Representam a si mesmos. Viraram clubes políticos destinados a beneficiar seus sócios. Vivem descolados da base social, gabam-se de não ter ideologia, apenas interesses e, em tudo que fazem, buscam, em primeiro lugar, reforçar o próprio poder. E funcionam na base da ação entre amigos, pois quem se elege trata de nomear quem não se elegeu para um cargo público bem remunerado.

O Brasil precisa, sim, urgentemente, de uma reforma de seu sistema político. Não basta mudar as regras do jogo. Faz-se necessário modificar a atual cultura política, fundada no compadrio e nepotismo (como pode uma ministra incorporar familiares na máquina do governo?), no tráfico de influências, no uso dos recursos do Estado para benefício próprio.

Quem se faz representar em nosso poder legislativo? A elite, o agronegócio, os lobbies de armas e bebidas alcoólicas, da devastação da Amazônia e da abertura irresponsável do país ao capital estrangeiro. Esta é a minoria da população, poderosa, mas minoria.

Quem representa os sem terra e os sem teto? Quem representa os que padecem a falta de saúde e educação? Quem representa os povos indígenas, as pessoas com necessidades especiais, os jovens e idosos? Quem representa os movimentos populares?

Introduzir uma nova cultura política é criar mecanismos de controle civil do poder público, de modo a inibir a corrupção, punir os que agem ao arrepio das leis e combater tudo isso que, na estrutura socioeconômica brasileira, favorece e fortalece diferentes formas de desigualdades.

A revogabilidade de mandatos, mormente em casos de corrupção comprovada, deveria figurar como princípio pétreo em nosso sistema político. Por que permitir que uma mesma pessoa possa, indefinidamente, candidatar-se, perpetuando-se na política? Ninguém deveria ter o direito a mais de dois mandatos sucessivos na mesma função.

Para avançar rumo à democracia participativa, o Brasil precisa reformular seu sistema de comunicação, de modo a possibilitar o acesso dos setores populares à livre expressão; promover plebiscitos e consultas populares; adotar o financiamento público de campanhas eleitorais; criar mecanismos de controle social das políticas econômicas e do orçamento. Por que não há representação sindical na direção do Banco Central?

Como falar em democracia se, em plena campanha presidencial, apenas quatro candidatos têm direito a participar dos debates na TV? E os demais? Foram legal e legitimamente indicados por seus partidos. Não importa que sejam partidos nanicos. Uma democracia não se faz sem isonomia. O eleitor tem o direito de conhecer as propostas de todos que são oficialmente candidatos a funções executivas.

Desde o fim da ditadura, em 1985, a democracia se aprimorou muito no Brasil. Contudo, não se julga um país pela perfeição de suas leis, e sim pela aplicação dessas mesmas leis. A aprovação da Ficha Limpa demonstra que a sociedade civil organizada e mobilizada pode mais do que ela mesma crê. É hora de não apenas ouvir o que têm a propor os candidatos, mas de os movimentos sociais e congêneres apresentarem a eles suas propostas e sugestões.

Autoridade é o povo, de quem os políticos são meros servidores.

Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. 

As leis de Murphy atualizadas



LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA
Nada é tão fácil quanto parece e nem tão difícil quanto à explicação do
manual.
LEI DA ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO
Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.

LEI DA PROCURA INDIRETA
O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra. Você Sempre
encontra aquilo que não está procurando.

LEI DA TELEFONIA
Quando te ligam:
Se você tem caneta, não tem papel.
Se tiver papel, não tem caneta.
Se tiver ambos, ninguém te liga.
Quando você ligar para um número de telefone errado, ele nunca estará
ocupado.
PARÁGRAFO ÚNICO: Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o
telefone.

LEI DA GRAVIDADE
Se você consegue manter a cabeça enquanto a sua volta todos estão
perdendo a deles, provavelmente você não está a par da gravidade da situação.

LEI DA EXPERIÊNCIA
Só sabe a profundidade da poça quem cai nela.

REGULAMENTAÇÃO DO ESPECIALISTA
Especialista é aquele cara que sabe cada vez mais sobre cada vez menos.
Superespecialista é aquele que sabe absolutamente tudo sobre
absolutamente nada.

GUIA PRÁTICO PARA CIÊNCIA MODERNA
Se mexer, pertence à Biologia.
Se feder, pertence à Química.
Se não funcionar, pertence à Física.
Se ninguém entende, é Matemática.
Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.

LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS
80% do exame final será baseado na única aula que você perdeu, baseada
no único livro que você não leu.
Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer
senão estudar a matéria dele.
PARÁGRAFO ÚNICO: A citação mais valiosa para a sua redação será aquela
que você não consegue lembrar o nome do autor.

LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA
Se tiver escrito "Tamanho Único" é porque não serve em ninguém.

LEI DA QUEDA LIVRE
Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provocará mais
destruição do que se deixássemos o objeto cair naturalmente.

LEI DAS FILAS E ENGARRAFAMENTOS
A fila ao lado sempre anda mais rapidamente.
PARÁGRAFO ÚNICO: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais
rápida.

LEI DO ESPARADRAPO
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não desgruda.

LEI DA VIDA
Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada. Tudo
que é bom na vida é: ilegal, imoral ou engorda.

LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS
Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Portugal descobre o Brasil, de novo!

publicada domingo, 26/09/2010 às 23:42 e atualizada domingo, 26/09/2010 às 23:39

Flamarion Maués é quem nos avisa – de Lisboa, onde vive agora – que Portugal voltou a descobrir o Brasil. É um Brasil novo, que os brasileiros de São Paulo, Rio e Brasília desconhecem. Flamarion sugere a leitura de ótima reportagem publicada na imprensa portuguesa:

“Envio o link de uma matéria publicada hoje no jornal Público, de Lisboa, um dos mais importantes de Portugal, sobre o Brasil de Lula (http://www.publico.pt/Mundo/brasil-em-aracuai-a-gente-levantou-a-cabeca_1457960?all=1). A matéria, da jornalista Alexandra Lucas Coelho, é a primeira de uma série, e descreve as transformações no país a partir das mudanças em uma pequena cidade (Araçuaí) do Vale do Jequitinhonha, no sertão de Minas Gerais.

É interessante pois mostra como os oito anos dos dois governos de Lula e do PT mudaram a vida das pessoas mais pobres e lhes deram um sentido de dignidade que não havia – e podem trazer mudanças fundamentais a médio prazo. São matérias difíceis de ver na nossa imprensa e que permitem entender porque a Dilma deve vencer no primeiro turno.

Além disso, a mesma edição traz artigos sobre a política externa brasileira e sobre os problemas que o país ainda tem que enfrentar (http://www.publico.pt/Mundo/brasil-reforma-ou-revolucao_1457961).”

Reportagem - Do grande sertão a São Paulo (I)

Brasil: Em Araçuaí, a gente levantou a cabeça


26.09.2010 - 07:58 

Por Alexandra Lucas Coelho, em Araçuaí (sertão de Minas Gerais)

O povo rebenta o corpo a cortar cana. E quando não é isso, é o garimpo, vida dura. O que é que Lula mudou?


"Vamos ver se ela [Dilma Rousseff] vai seguir o mandato de Lula"
(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
O nome de Lira chegou longe. Lá na Alemanha, lá na Bélgica, lá nos Estados Unidos. E vem gente do lá-longe ver Lira aqui, em Araçuaí. Não tem avião, não, só carro mesmo, 700 quilómetros desde Belo Horizonte, asfalto e terra vermelha. Araçuaí é sertão mineiro, chão de garimpo e secura, muito minério e pouco alimento. As fazendas são de gado e todo o governo era dos coronéis. Voto do povo? Assim: os coronéis botavam o povo em camiões para votar mandado. Prefeito da cidade era filho de coronel. Até hoje, as ruas de Araçuaí têm nome de coronel. Sabem onde mora Lira? Na rua Coronel Inácio Murta.

É uma calçadinha de pedra, subindo o morro. "Eu nasci nessa rua", diz Lira - Maria Lira Marques Borges, artesã e cantora, 64 anos, sangue negro e índio, duas tranças. "A minha mãe já usava trança." E na longa história de Lira ninguém a pega sem trança.

Tem muita canção nessa história, mas vamos deixá-la para outro dia. O nosso tema hoje é a eleição do próximo domingo, como vê-la daqui, Araçuaí, coração do Vale do Jequitinhonha. Até há bem pouco, falar Jequitinhonha no Brasil era falar de pobreza.

Lira, filha de sapateiro e lavadeira, aprendeu com a mãe a cantar e a moldar barro no tempo em que as pessoas tinham vergonha do que sabiam, acostumadas a baixar a cabeça. Pobre não tinha arte. Se hoje as artes do Jequitinhonha, sobretudo cerâmica e música, têm fama além do Brasil, foi porque Lira as resgatou com o etnólogo Frei Chico, nome prezado em toda a terra mineira.

E isso ajudou Araçuaí a levantar a cabeça no meio da pobreza.

"Aqui nesse morro não tinha calçamento e luz só até meia-noite", conta ela. "A luz dava três sinais e no último ia embora. Ficávamos com querosene. Não tinha água encanada. Para fazer esta casa aqui, a gente carregou água na cabeça indo no rio. Existe uma riqueza da cultura, e também o coração bom da gente, que ainda vive melhor que nos grandes centros porque conhece o outro. Mas não pode negar que existe essa pobreza. Senão, não havia isso da saída para cortar cana."

É a grande migração de Araçuaí. Todos os anos, entre Março e Novembro, um mundo de gente desce para sul, para as plantações de cana-de-açúcar no estado de São Paulo. "Os ônibus das empresas vêm buscar as pessoas." Os recrutadores são conhecidos como "gatos", e levam pais e filhos. "Só o peso que eles pegam estoura com essa parte." Lira põe as mãos no peito. "Porque cortam a cana, e jogam para trás, então vão deformando toda a coluna."

Vai aos poucos

Uma vez, o coral que Lira e Frei Chico fundaram foi convidado a cantar para os migrantes da cana. "Quando a gente entra no estado de São Paulo e vê essas plantações, parece o mar. Aí a gente cantou num polidesportivo, e eles começaram a levantar os braços, dizendo: "Nós somos de Virgem da Lapa [povoação vizinha de Araçuaí], nós somos de Araçuaí..." E foi aquele chóróró. Choravam eles e nós. A vida deles lá é muito afastada. Eles brigam muito, pegam coisa um do outro porque ganham pouco. Tudo o que têm de comprar é na mão do patrão. Tenho dois sobrinhos que foram para cortar cana e contam que eles põem um remédio na comida para engordar. Isso faz da pessoa um porco."

Esse é o passado-ainda-presente de Araçuaí, gente que para comer tem de migrar mais de metade do ano, e rebenta com o corpo. E quando não é isso, é andar no garimpo.

Então Lula-85-por-cento-de-popularidade não chegou aqui? Chegou. Desde Belo Horizonte, toda a gente parece ter um ganho para contar. É a mocinha na rodoviária que foi mãe aos 13, e hoje tem 23, e vive com a ajuda da Bolsa Família, criada por Lula. É o cobrador do ônibus, que está com 30, e alugou a casa com o empréstimo Minha Bolsa-Minha Vida, criado por Lula. E chegando a Araçuaí, mesmo quem não vai votar por ele não nega o ganho, a começar por Lira: "A vida aqui melhorou. E presidente igual a Lula a gente nunca teve, não."

No tempo em que o PT foi fundado em Araçuaí, "nem se podia falar no nome do partido". A primeira líder local foi Lira, e quando quis trazer Lula cá teve de passar por interrogatório na delegacia até conseguir licença para o comício. "Depois procurei as pessoas que tinham dom de falar para irem no palanque, e quando chegou o dia tínhamos umas 200 e poucas. Muita gente tinha medo de se filiar." Isto era o Brasil no começo dos anos 80. Agora o PT é o superpoder. Mas contas feitas, o que é que Lula fez? "Eu admiro esse jogo de cintura que ele tem, de lidar com as pessoas e a gente ver o resultado: terras para os índios, habitação para aqueles que não têm casa, a gente vê que vai aos poucos. Tem golpe também dentro do PT. Aquele "pêtêzinho" de base não tem mais. Entrou muita gente que acaba sujando. Em Lula, eu confio. O que esse homem tem lutado não está no gibi."

Mas a candidata do PT agora é Dilma Rousseff, não exactamente Lula. É Dilma que corre contra José Serra (o social-democrata do PSDB), e Marina Silva (a ex-petista em subida nas sondagens de quem toda a gente por aqui parece falar com simpatia). "Eu estou com esperança na Dilma. Tenho muito admiração pela Marina, mas acho que ainda não é a vez dela. E se a gente vê que ela não consegue ganhar, é melhor votar na Dilma. Com esse trabalho que fez com o Lula, a Dilma tem uma visão boa dos problemas. Vamos ver se ela consegue. Lula vai ajudar."

Geração pós-cana

Dilma não é Dilma, é a candidata de Lula. Tal como os candidatos locais não são eles mesmos. Por exemplo, na rua principal de Araçuaí esta casa aberta, cheia de cartazes locais do PT. O título é: "O senador do Lula." Tem nome próprio, o homem, Pimentel, mas isso é um detalhe. E se agora começarmos a falar em Lula aos dois moços que estão a pregar os cartazes num painel, o entusiasmo é com onomatopeia: "Uhhhhh, com certeza!, Lula é muito popular", diz o mulato Isaías, 26 anos, boné e t-shirt de um clube universitário de Nova Iorque. Já Dilma, passo atrás, contenção: "Vamos ver se ela vai seguir o mandato de Lula. Com Lula o emprego cresceu muito, vamos ver se ela vai fazer mais. Tem gente parada aqui. Precisa muito de emprego." E o outro, Thales, 21 anos, boné e t-shirt vermelha com a estrela do PT, acrescenta: "Para a gente não ter de ir para o corte de cana."

Já foram?

"Eu fui dois anos", diz Isaías. "Tem de acordar três da manhã, fazer comida, para estar às sete a cortar. E largávamos às três, quatro da tarde, sempre com sol. Sofri. Não aconselho a ninguém." Ganhava 800 reais por mês, cerca de 350 euros. Como tem as costas? "Não fiquei mal porque foram só dois anos. Mas o meu irmão foi oito anos e está acabado. Tem negócio de coração e coluna. A cana gasta muito."

"Está previsto para 2014 acabar com o corte de cana", diz Thales. Lula disse que era humilhante e que esse trabalho tinha de ser feito por máquinas. Thales e Isaías gostaram de ouvir. E na vida de Isaías, que já é casado, há mais esse ganho: "A minha esposa pega a Bolsa Família, 90 reais por mês [40 euros]."

Esta rua principal de Araçuaí - 42 mil almas - tem passeio alto, sombra de árvore, venda de seco-e-molhado, todo o mundo tu-cá-tu-lá: "Tudo jóia?" Quase não passa carro e parece não haver desconhecidos.

Mas no espaço de um quarteirão há dois centros que também ajudam a levantar a cabeça.

O primeiro, Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, tem várias acções no vale do Jequitinhonha, incluindo um projecto para impedir que os homens vão para o corte de cana: fazer com que possam produzir e vender alimentos onde vivem. E aqui mesmo, na cidade, o centro montou um espaço para crianças dos seis aos 14 anos, alternando com a escola. Se as crianças estão na escola de manhã, vêm para aqui à tarde, e vice-versa. Entra-se por um jardim, que leva a um átrio e depois a um salão gigante, todo decorado com bonecos de pano e desperdícios. "A gente procura materiais alternativos, folhas, panos, restos", explica a directora, Paula, barrigão de jovem grávida. Não se trata apenas de entreter as crianças. "Trabalhamos auto-estima, socialização, dinamismo." Os problemas que existem aqui."A maioria das crianças são pobres, estão com as avós ou mães solteiras. Algumas nem conhecem o pai. E o desafio é que os pais se apropriem do aprendizado dos filhos." Um exemplo? "Alimentação. Servimos almoço para os que saem no fim da manhã e para os que chegam no começo da tarde. E aqui eles não comem fritura, e comem legumes sem tóxicos." Outro exemplo, violência familiar. "Há crianças agressivas e isso é o resultado do que vivem em casa. O que podemos fazer é trabalhar com os pais em rodas de conversa." Entre as 180 crianças que aqui estão, algumas vieram encaminhadas pelo Conselho Tutelar, que lida com abusos infantis.

Há 10 anos que Paula aqui trabalha. É a época Lula, e através das crianças é possível ver o que mudou ou não. "Eu vejo que as famílias começaram a ter uma estrutura melhor, com a Bolsa Família." Estamos a falar de 40 ou 65 euros mensais, dependendo da família, não parece muito. "Mas há famílias que não tinham ganho nenhum. Para quem não tinha nada faz muita diferença."

Não é discurso de quem depende do governo, porque este centro vive de mecenas como a Petrobrás. E longe da rua principal, num bairro mais pobre, o discurso de Geralda Soares vai no mesmo sentido.

Pedagoga formada na universidade de Belo Horizonte, aos 58 anos ela tem toda uma vida de trabalho com os indígenas. As reformas de Lula, acredita, "mudaram a vida das pessoas, muitas que nem tinham o que comer". E é uma mudança radical. "Até na cabeça. As pessoas sentem-se valorizadas. Pobre não entrava em banco, não tinha uma televisão, uma geladeira, não via os filhos ir para a escola. Só a Bolsa Família ou o Auxílio Gás faz as pessoas alimentarem-se melhor, e um dos critérios da Bolsa Família é manter o filho na escola. Então há uma pressão sobre os pais, os filhos trazem informação para casa. O financiamento da agricultura familiar melhorou a vida dos trabalhadores rurais. A escola diferenciada para os indígenas foi implementada por Lula. Hoje, eles podem ser alfabetizados na língua deles." A corrupção, acha Geralda, "é da máquina dominante", mas no fim de tudo tem isto: "Lula abriu janelas por onde se pode enxergar mais longe. O povo antes não tinha uma perspectiva."

Garimpeiros de agora

"Toda a região do Jequitinhonha tem mais de 70 municípios, cerca de 900 mil pessoas, que vivem sem indústria, mas temos grandes jazidas minerais", diz José Pereira, fundador do outro centro cultural na rua principal, o Luz da Lua.

Durante anos, os pobres garimparam. Depois entraram grandes empresas, e o garimpo ficou semiclandestino.

"Araçuaí tem a maior reserva de lítio do Brasil, explorada por uma empresa de São Paulo, que trata o minério numa região perto da Baía livre de impostos, e assim beneficia outra região." Agora, no governo de Lula, "a licença deles foi renovada por mais 15 anos", quando "a única riqueza que isso gera para Araçuaí é empregar cerca de 200 homens". José Pereira acha que "a contrapartida devia ser maior", por exemplo, mecenato local. "Apoiar teatro tem 100 por cento de isenção no Brasil, quem investe, recupera a totalidade. Mas nunca consegui meter isso na cabeça deles. Estão lá em São Paulo." O pequeno garimpo é um mercado paralelo.

"Os caras que vêm comprar as pedras ficam lá na rodoviária", conta José Pereira. "Depois ouve-se: "Ó, saiu um caldeirão de pedra." Isso é quando o garimpeiro "embamburra"." Ou seja, encontra pedra. "Tenho um tio que ia para a lavra dele." Lavra é mina. "Levava comida, cachaça, e no final de semana ia ver a família."

Foi assim que fez durante muitos anos Zé da Estrada. Hoje é tão famoso na região que basta dizer ao taxista: "Casa de Zé da Estrada." E depois a casa é como a gruta de Alibabá: toneladas de pedras semipreciosas e preciosas, de todas as cores, em prateleiras, em baldes, em bacias, no chão. "De Lisboa temos uns três fregueses", diz Zé da Estrada, "60 e poucos anos". Já imaginam como a história dele não vai caber aqui. Tornou-se comerciante: agora tem quem garimpe para ele.

Mas ainda há espaço para contar que Bruno, o filho mais novo, 25 anos e peso de lutador de sumo, levou o PÚBLICO pelo sertão, 40 quilómetros de estrada, desvio para duas minas. E de caminho explicou porque vai votar em Serra. "O PT rouba de mais. Nunca eu vi." E Lula? "Não gosto, não. Não adianta dar o peixe, é preciso dar a cana. Hoje, você quer contratar um garimpeiro por 400, 500 reais [170, 215 euros] por mês, mais uma cesta-base de supermercado, e mesmo assim eles não querem. Porque a mulher tem Bolsa Família, Auxílio Gás, auxílio de casa, tudo." Ou seja, Bruno não vai votar em Lula porque ele dá de mais e o salário barato do garimpo já não atrai. "Se você der dinheiro às pessoas elas nunca vão querer trabalhar. Acostuma elas de jeito ruim." Bruno também não concorda com as máquinas para o corte de cana. "Assim vai acabar com o serviço dos caras. Lula falou que é humilhante. Não é, não. É um modo de vida honesto." É o chamado ponto de vista do patrão.

Quem tem medo da democracia?

26/09/2010

O momento mais trágico da história brasileira – o do golpe de 1964 e da instauração do pior regime político que o Brasil já teve, a ditadura militar – foi o momento da verdade da democracia. O momento revelou quem estava a favor e quem estava contra a democracia. E quem pregava e apoiava a ditadura. Foi um divisor definitivo de águas. O resto são palavras que o vento leva. A posição diante da ditadura e da democracia, na hora em que não havia outra alternativa, em que a democracia estava em risco grave – como se viu depois - foi decisiva para definir que é democrata e quem é ditatorial no Brasil.


Toda a velha imprensa, que segue ai – FSP, Globo, Estadão, Veja – pregou e apoiou o golpe militar, compactuou com a destruição da democracia no Brasil e enriqueceu com isso. Compactuou inclusive com a destruição da Última Hora, o único jornal que sempre resistiu à ditadura. O mesmo aconteceu com a maior parte da elite política da época - uma parte da qual ainda anda por aí, quase todos dando continuidade ao mesmo papel de inimigos da democracia, mesmo se disfarçados de democratas.

A história contemporânea é continuação daquela circunstância e da ditadura que ela instaurou. Se o amplo apoio ao governo Lula provêm, no essencial, em ter, pela primeira vez, diminuído a desigualdade, a injustiça e a exclusão social no Brasil, isto se deve, em grande parte, à monstruosa desigualdade que o modelo implantado pela ditadura – fundado na liberdade total ao capital e no arrocho dos salários, acompanhado da intervenção em todos os sindicatos – promoveu.

Da mesma forma que a polarização atual da política brasileira se centra de novo em torno da alternativa democracia/ditadura. Como naquela época, ambos os lados dizem falar em nome da democracia. Como naquela época, toda aquela imprensa e parte da elite política tradicional, falam da democracia – que eles mesmos ajudaram a massacrar ao pregar e apoiar a instauração da ditadura no Brasil –, mas representam a antidemocracia, representam os interesses tradicionais das elites, que resistem à imensa democratização por que passa o Brasil.

O golpe de 1964 foi realizado para evitar a continuidade de um processo de ampla democratização por que passava o Brasil. A política econômica do governo Jango, a extensão da sindicalização – aos funcionários públicos, aos trabalhadores rurais -, as lutas populares por mais direitos, o começo de reforma agrária, incorporavam crescentes setores populares a direitos essências. Mas isso não era funcional aos interesses das elites dirigentes, comprometidas com interesses econômicos voltados para o consumo das camadas mais ricas da sociedade – a indústria automobilística era o eixo da economia – e para a exportação, em detrimento do mercado interno de consumo popular.

O golpe e a ditadura militar fizeram um mal profundo para o Brasil, mas favoreceram o capitalismo fundado nas grandes corporações nacionais e internacionais, que lucraram como nunca – entre elas os próprios grupos econômicos da mídia. A gritaria de que a democracia estava em perigo, em 1964, serviu para acobertar a ditadura e o regime mais antipopular que já tivemos.

Agora o quadro se repete, já não mais como tragédia, mas como farsa. Vivemos de novo um processo de ampla e profunda democratização da sociedade brasileira. Dezenas de milhões de brasileiros, que nunca haviam tido acesso aos bens mínimos à sobrevivência, adquirem o direito de tê-los, para viver com um mínimo de dignidade. O mercado interno de consumo popular passou a ser elemento integrante essencial do modelo econômico.

A sociedade brasileira, que era a mais desigual da América Latina - que, por sua vez, é o continente mais desigual do mundo -, pela primeira vez, começou a ser menos desigual, menos injusta. Isso incomoda às elites conservadoras brasileiras. Já não podem dispor do Estado brasileiro – e das empresas estatais – como sempre dispuseram. Os donos de jornais, rádios e TVs, já não têm um presidente da república que almoce e jante com eles, com todas as promiscuidades decorrentes daí.

Sentem que o poder se lhes escapa das mãos. Que um presidente – nordestino e operário de origem – conquistou um prestigio e um apoio popular, apesar deles. Tem medo do povo. Quando se dão conta da democratização que começou a acontecer, logo retomam os seus fantasmas da guerra fria e gritam que a democracia está em perigo, quando o que está em perigo são os seus privilégios.

São os mesmos que confundiam seus privilégios com democracia – porque assimilavam democracia com regime que protegia seus interesses -, que agora tem medo da democracia, porque sentem que perdem privilégios. Privilégios de serem os únicos formadores de opinião publica, de serem os que filtravam quem podia ocupar a presidência republica e os outros cargos públicos importantes. Privilégios de terem acesso exclusivo a viajar, a comprar certos bens, a ir ao teatro. Privilégios de decidir as políticas governamentais, de eleger e destituir presidentes.

O que está em perigo são os privilégios das minorias. O que está em desenvolvimento no Brasil é o mais amplo processo de democratização que o país já conheceu. Um processo que apenas começa, que tem que quebrar o monopólio do dinheiro (poder do capital financeiro), da terra (poder dos latifundiários) e o poder da palavra (poder da mídia monopolista), entre outros, para que nos tornemos realmente um país justo, solidário e soberano.

Quem tem medo da democracia? As elites que sempre detiveram privilégios, que agora começam a perdê-los. O povo, os que têm consciência social, democrática, não tem nada a temer. Tem um mundo – o outro mundo possível – a ganhar.

A onda vermelha

De cima a baixo no País, o eleitor apoia a continuidade e tende a garantir uma quase inédita maioria governista no Congresso

Octávio Costa e Sérgio Pardellas


SEM PARAR Eleitores de todas as classes sociais mostram desejo de continuidade

Na esteira da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, uma onda vermelha está tomando conta do País. No início da corrida eleitoral, essa imagem foi cunhada pelos estrategistas da campanha do PT para motivar a militância. Mas, agora, tornou-se realidade. As pesquisas de opinião revelam a supremacia dos candidatos governistas na maioria dos Estados, o que poderá garantir a um eventual governo Dilma ampla maioria na Câmara e no Senado. Surfando numa maré mais favorável do que aquela que levou o ex-metalúrgico Lula ao Palácio do Planalto em 2002, os candidatos da base aliada aos governos estaduais lideram as eleições em 19 das 27 unidades da Federação. Na disputa pelas cadeiras do Senado, a onda vermelha é tão volumosa que deverá eleger 58 dos 81 representantes e deixar sem mandato quadros históricos da oposição. Na Câmara, os partidos governistas devem conquistar 401 dos 513 assentos.
“Acho que vamos assistir a uma vitória esmagadora dos partidos da coalizão do governo”, prevê o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, Geraldo Monteiro.

MAIORIA
Sólido apoio no Congresso pode facilitar a aprovação
das reformas estruturais de que o País necessita

Não bastasse a liderança em 21 Estados, Dilma está na frente de José Serra (PSDB) em locais em que Lula foi derrotado pela oposição em 2006. Apesar da oscilação registrada na última semana, a ex-ministra está perto da vitória em antigos redutos oposicionistas como São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Na maioria dos Estados em que ela lidera as pesquisas, os candidatos que apoia também estão na dianteira. Bons exemplos são o Rio de Janeiro e a Bahia, onde os governadores Sérgio Cabral (PMDB) e Jaques Wagner (PT) são favoritos para se reeleger no primeiro turno. Como exceções aparecem Minas Gerais, com Antonio Anastasia (PSDB) na liderança, e São Paulo, onde Geraldo Alckmin (PSDB) supera Aloizio Mercadante (PT). No Paraná, a onda vermelha já proporcionou uma grande virada. As últimas pesquisas mostram que o tucano Beto Richa, antes favorito ao governo, perdeu o primeiro lugar para Osmar Dias (PDT). Reviravoltas também têm ocorrido na disputa para o Senado. Até então cotado para uma das vagas do Rio, Cesar Maia (DEM) foi ultrapassado pelo ex-prefeito de Nova Iguaçu Lind berg Farias (PT). No Amazonas, Arthur Virgílio perdeu o segundo lugar para Vanessa Grazziotin (PCdoB). Em Pernambuco, Marco Maciel (DEM), segundo colocado atrás de Humberto Costa (PT), foi ultrapassado por Armando Monteiro Neto (PTB).

A inédita sintonia fina entre Executivo e Legislativo, a partir de 2011, trará benefícios para o Brasil. Caso se confirme a sólida maioria no Congresso do possível futuro governo Dilma Rous seff, o Brasil terá finalmente a chance de aprovar as mudanças estruturais que se fazem necessárias há anos, como as reformas política e tributária. “A agenda congressual a partir do ano que vem exigirá a votação das reformas. Com maioria no Legislativo e vontade política, será possível avançar nessas questões”, afirma David Fleischer, cientista político da UnB. Outro aspecto importante é a possibilidade da formação de uma concertação política, composta por partidos aliados chancelados pelo desejo popular. Desde a redemocratização do País, os governos construíram suas maiorias pelas artes do fisiologismo e das políticas do toma-lá-dá-cá, numa espécie de balcão de negócios em pleno Congresso. Nesse novo cenário, queiram ou não, deputados e senadores serão levados a participar de uma ação conjunta, na qual é de esperar que os objetivos políticos se sobreponham à visão patrimonialista do mandato.

APOIO Participação de Lula na campanha de Dilma incomodou a oposição

Há quem afirme que a concentração de poder nas mãos do Executivo, com o Legislativo dócil à vontade do Planalto, pode permitir uma recaída autoritária. O temor não se justifica. Não há ambiente no Brasil para esse tipo de surto. As instituições são sólidas e democráticas, e não há espaço para mudanças constitucionais em benefício de um partido, como aconteceu na história do México, onde o PRI controlou a vida política por 71 anos, graças ao domínio da máquina pública. “O que aconteceu no México foi muito diferente. O PRI chegou ao poder quando a economia mexicana, a sociedade e os políticos eram muito rudimentares e eles forjaram instituições para guiar o desenvolvimento em todas as áreas. Já o PT emergiu no momento em que a economia e as instituições já estavam consolidadas”, compara o brasilianista Peter Hakim, presidente do Interamerican Dialog.

MINORIA No Largo de São Francisco (SP), menos de 100 pessoas lançam o manifesto

Contrariando todas as evidências, intelectuais e setores da elite, em São Paulo divulgaram, na semana passada, um manifesto em defesa da democracia e da liberdade de expressão. Um dia depois, o Clube Militar, no Rio de Janeiro, instituição marcada pelo apoio ao antigo regime de exceção que infernizou o País por 20 anos, promovia um inusitado painel de debates para discutir também supostos riscos à democracia no País. Tanto o documento do grupo de intelectuais quanto os debates dos militares ficaram a um passo de questionar a própria legitimidade da eleição de Dilma, em razão da participação do presidente Lula na campanha. Ambos não levaram em conta que a legitimidade brota das urnas. Embora o eleitor manifeste maciçamente sua intenção de votar pela continuidade das políticas oficiais, a opinião pública não vem sendo espelhada na ação de alguns agentes do processo político. O que parece ter sido esquecido no manifesto oposicionista de tendências golpistas é que a democracia é exercida pelo voto.

EQUÍVOCO
Um manifesto oportunista tentou passar a mensagem de que
há uma ameaça à democracia. Esqueceu que a legitimidade vem pelo voto

O temor de uma vaga autoritária por parte do governo é deslocado da realidade. Não reflete o momento que o Brasil vive. Não há sinais concretos de que o presidente Lula tenha atentado contra a liberdade de imprensa. Ele vem fazendo apenas críticas pontuais, direito que não pode ser negado a qualquer cidadão, muito menos ao presidente. De resto, desde a luta contra a ditadura, Lula mostrou-se defensor intransigente das liberdades democráticas. “É incrível como as pessoas ficam empurrando o Lula para o chavismo, quando ele tem permanentemente se recusado a cruzar essa fronteira”, rebate o ex-ministro Delfim Netto, com a ironia de sempre. Delfim tem razão. A não ser que o observador da cena nacional, assustado com a onda vermelha, queira ver chifre em cabeça de cavalo.

Censura nas Artes

TUDO COBERTO Obra de artista argentino com os candidatos é retirada da Bienal de SP

A interdição de uma obra antes da inauguração da 29ª Bienal de São Paulo não foi o primeiro nem será o último caso de polêmica gerada em seus pavilhões. Desde que a Bienal é a Bienal, é o lugar propício para os boicotes, as intervenções, os questionamentos às instituições. Talvez exatamente pela imensa repercussão de tudo aquilo que é produzido dentro de seus monumentais nove mil metros quadrados de arquitetura modernista. Em uma Bienal que elege a política como tema não poderia ser diferente. Especialmente
em época eleitoral.

O vespeiro da vez é a obra “El alma no piensa sin imagen”, do argentino Roberto Jacoby, vedada da 29ª Bienal por fazer propaganda à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República.
Os dois grandes painéis com as fotos de Dilma e Serra tiveram repercussão pública imediata, mas, por recomendação do Ministério Público Federal, depois de consulta efetuada pela própria Fundação Bienal, foram cobertos três dias antes da inauguração da mostra.
“Pela primeira vez na história, a crise que os países centrais provocam não é paga pelos países periféricos. Lula é a figura política mais importante do mundo. É mais importante que Obama”, disse Jacoby para justificar sua instalação-comitê. Com pôsteres, palco, equipamento para conferências e cerca de 25 cabos eleitorais que atendiam pelo título de Brigada Argentina por Dilma, a obra efetivamente configurava um comitê. “Ele havia nos dito que faria uma campanha fictícia”, diz o curador Agnaldo Farias. “Ele sabia que seria interditado. Esse é um caso de projeto feito para ser barrado.”
Paula Alzugaray