quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Zen moments, para ler com calma




·        If you come to a fork in the road, take it. ~ Yogi Berra
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·        The future ain't what it used to be. ~ Yogi Berra
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·        "In theory, there is no difference between theory and practice. But in practice, there is." - Yogi Berra
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·        If you don't know where you are going, you'll end up someplace else. Yogi Berra
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·        You are not only responsible for what you say, but also for what you do not say. ~ Martin Luther
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·        «Devem ser evitados os tristes de que tudo se queixam.» Séneca
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·        Love, you know, seeks to make happy rather than to be happy. ~ Ralph Connor
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·        «A vida não é triste. Tem horas tristes» Romain Rolland
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·        Out beyond ideas of wrongdoing and rightdoing, there is a field. I'll meet you there. ~ Rumi
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·        If I'm suffering, it's usually because I am resisting what IS. 
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·        Nothing happens next. This is it. ~ Gahan Wilson
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·        The only Zen you find on the tops of mountains is the Zen you bring up there. ~ Robert M.Pirsig
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·        Be careful how you interpret the world: it is like that. ~ Erich Heller
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·        The only time you run out of chances is when you stop taking them. ~ Patty Labelle
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·        A journey of a thousand miles must begin with a single step. ~ Lao Tzu
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·        In the beginner's mind there are many possibilities, but in the expert's mind there are few. ~ Shunryu Suzuki
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·        I am suffering. Why? Because I want things to be otherwise. Simple. 
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·        Love is the beauty of the soul. ~ St. Augustine
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·        The moment is sanctified by the quality of our attention. 
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·        When your heart speaks, take good notes. ~Judith Campbell
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·        When you have only two pennies left in the world, buy a loaf of bread with one, and a lily with the other. ~ Chinese Proverb
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·        Share your knowledge. It's a way to achieve immortality. ~ Dalai Lama
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·        "Letting go isn’t the end of the world; it’s the beginning of a new life." ~Unknown
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·        True knowledge exists in knowing that you know nothing. ~ Socrates
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·        The tragedy of life is not that it ends so soon, but that we wait so long to begin it. ~ W.M. Lewis
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·        To cure jealousy is to see it for what it is: a dissatisfaction with self. ~ Joan Didion
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·        Whether you think you can or think you can't - you are right. ~Henry Ford
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·        Your current safe boundaries were once unknown frontiers. ~ Anon
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·        Everything in your life is there as a vehicle for your transformation. Use it!. ~ Ram Dass
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·        I was seldom able to see an opportunity until it had ceased to be one ~ Mark Twain
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·        No snowflake ever falls in the wrong place. ~ Zen saying
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·        The kindest thing you can do for someone else is listen without forming an opinion. ~ Lori Deschene
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·        Don't wait for your feelings to change to take the action. Take the action and your feelings will change. ~ Barbara Baron
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·        The best relationship is one in which your love for each other exceeds your need for each other. ~ Dalai Lama
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·        It's not who you are that holds you back, it's who you think you're not. ~ Unknown
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·        Love does not dominate; it cultivates. ~ JW von Goethe
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·        Be careful with what you wish for, you might get it
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·        It takes courage to grow up and become who you really are. ~e.e. cummings
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·        Smile if you want a smile from another face. ~ Dalai Lama
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·        Take that first step. Bravely overcoming one small fear gives you the courage to take on the next. ~ Daisaku Ikeda
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·        When people talk, listen and listen completely. Most people never listen. ~ Ernest Hemingway
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·        Someone's sitting in the shade today because someone planted a tree a long time ago. ~ Warren Buffett
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·        There are no mistakes, no coincidences. All events are blessings given to us to learn from. ~ Elisabeth Kubler-Ross
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·        Our greatness lies not so much in being able to remake the world as in being able to remake ourselves. ~ Gandhi
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·        Hope is the feeling that the feeling you have isn't permanent. ~ Jean Kerr
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·        Be free where you are. ~ Thich Nhat Hanh
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·        Let go of your attachment to being right, and suddenly your mind is more open. ~ Ralph Marston
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·        Perfection is achieved not when there is nothing more to add, but when there is nothing left to take away. ~ A de St. Exupery
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·        There's nothing wrong with having pleasures. It's grasping at them that turns them into a source of pain. ~ Lama Yeshe
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·        When the student is ready, the right teacher will appear. ~ Jim Rohn
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·        When you have brought up kids, there are memories you store directly in your tear ducts. ~ Robert Brault
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Israel e seu muro

O silencio do campo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sacral Nirvana

Amigo - Cidadela, de Antoine de Saint-Exupèry


Amigo é aquele que não julga. Já te disse, é aquele que abre a porta ao vagabundo, à sua muleta, à sua bengala arrumada a um canto, e não lhe pede que dance para julgar como dança.

E se o vagabundo narra a primavera sobre a estrada lá fora, o amigo é aquele que recebe nele a primavera. E, se descreve o horror da fome na aldeia de onde vem, sofre com ele a fome.

Porque já te disse, o amigo, no homem, é aquela parte que é para ti e que te abre uma porta que talvez não abra nunca para outro. E teu amigo é verdadeiro e tudo que diz é verdade, e te ama mesmo que te odeie em alguma outra casa.

E o amigo no templo, a quem graças a Deus abraço e encontro, é aquele que vira para mim o mesmo rosto que o meu, iluminado pelo próprio Deus, pois então foi feita a unidade, mesmo que lá fora ele seja comerciante e eu seja capitão, ou seja jardineiro e eu navegante no mar.

Acima de nossas diferenças, encontrei-o e sou seu amigo. E posso ficar calado junto del,e e nada temer pelos meus jardins interiores, nem pelas minhas montanhas, nem pelas minhas planícies, nem pelos meus desertos, porque seus sapatos não passarão por lá.

Meu amigo, o que recebes de mim com afeto, é o embaixador do meu império interior. E o tratas bem e o fazes sentar e o ouves. E estamos felizes. Alguma vez, ao receber embaixadores, por acaso me viste os afastar ou despedir, só porque lá no fundo do império de onde vêm, a mil dias de marcha do meu, as pessoas se alimentam de iguarias que não me agradam ou porque seus costumes não são os meus? A amizade é, antes de tudo, a trégua e a grande circulação do espírito para além dos detalhes vulgares. E não censuro nada aquele que senta na cabeceira da minha mesa.

Fica sabendo que a hospitalidade, a cortesia e a amizade são encontros do homem interior. Que iria eu fazer no templo de um deus que avaliasse a altura ou a apresentação dos seus fiéis, ou na casa de um amigo que não me aceitasse as muletas e quisesse me fazer dançar, para me julgar?

Hás de encontrar bastantes juízes por esse mundo afora. Se for para te moldar e te endurecer, deixa que este trabalho seja feito por teus inimigos. Eles se incumbirão bem disso, tal como a tempestade que esculpe o cedro. Teu amigo existe para te acolher. Saiba que Deus, quando tu vais ao templo, não te julga, mas te recebe.




Antoine de Saint-Exupéry

Nasceu há cem anos, a 29 de Junho, em Lyon, Antoine de Saint-Exupery, autor de "O Pequeno Príncipe", o livro mais traduzido em todo o mundo, junto com a Bíblia e "O Capital", de Karl Marx. Sua morte, aos 44 anos, em um acidente de aviação, ainda hoje permanece um mistério.

Órfão de tenra idade, Saint-Exupery desde cedo mostra curiosidade pelos aviões e faz seu primeiro vôo aos 12 anos. Com um aproveitamento irregular no Colégio de Jesuítas que freqüentava, tenta a admissão à Escola Naval, mas não consegue, tendo então optado pela arquitetura. Faz o serviço militar em Estrasburgo, no 2º Regimento de Aviação, obtém um brevê, e sofre o primeiro acidente aéreo (seriam mais cinco, ao longo da sua vida, alguns bastante graves, tendo chegado a fraturar o crânio, teve uma comoção cerebral, fraturas múltiplas, e ficou parcialmente paralisado no braço esquerdo).

Trabalha em várias companhias aéreas. O seu primeiro conto, "L'Aviateur" é publicado em 1926. "Courrier Sud", depois adaptado ao cinema, (Saint-Exupery foi ele próprio o dublê do ator principal nas cenas de vôo) sai 2 anos mais tarde. Em 1931 publica o romance, "Vol de Nuit" ("Vôo Noturno"), com prefácio de André Gide, que recebe o prêmio Femina. Tal como sua vida, "Vôo Noturno" mostra-nos um homem em que a coragem era tão natural que dela fazia pouco caso. Nesse mesmo ano casa-se com Consuelo Saucin.

É repórter na Guerra Civil Espanhola em 1937 (como muitos outros intelectuais engajados do seu tempo, como Hemingway ou Orwell) e mobilizado como capitão em 1939, ano em que esboça "Le Petit Prince" ("O Pequeno Príncipe") e publica "Terre des Hommes" ("Terra dos Homens"). Desmobilizado no ano seguinte, passa um mês em Lisboa, de onde parte para Nova Iorque. Em 1942 sai "Pilote de Guerre" ("Piloto de Guerra"), que rapidamente se torna um best-seller. Em 1943 escreve e publica "Lettre à un Otage" e "O Pequeno Príncipe". É promovido a comandante, mas restringem-lhe os vôos devido à idade.

Depois de oito missões na Córsega, mais três do que aquelas que lhe haviam autorizado, em 1944, com a 2ª Grande Guerra quase a terminar, é dado como desaparecido no dia 31 de Julho. Depois de ter decolado nessa manhã, desapareceu na imensidão azul celeste que tanto amara, numa derradeira missão sem regresso. Não se sabe ao certo o local da queda. Um pescador defendeu que foi na Baía de Cassis.

Em 1948 sai postumamente o seu romance "Citadelle" ("Cidadela"). A sua escrita encantou várias gerações. Como diz Urbano Tavares Rodrigues, “(Saint-Exupéry) soube transmitir-nos as grandezas dos espaços aéreos e dos silenciosos desertos, as sensações do piloto na cabine do avião, a pequenez do homem e a sua capacidade de se superar frente ao perigo, perante o infinito ou nas mais duras circunstâncias, como por exemplo, as dos náufragos em terra inóspita, despojados de tudo.”

In Memoriam - Roberto Domingues dos Santos

Muita saudade do Roberto, que partiu hoje.

Dedico meu karma positivo a ele, para que saiba percorrer o caminho da transição sem medo, que não se assuste.

Tudo na vida é passageiro, é transição. Passamos pelos oito bardos, descritos no budismo tibetano, - o nascer é o primeiro, e a morte não é o ultimo. Roberto está a caminho de sua próxima vida. O caminho passa pela Luz Intensa, pelas visões de Anjos e Demônios que são puramente fruto de nossa mente, e que ele certamente saberá ultrapassar.

Estarei de longe ajudando, existem rituais budistas para isso. E certamente ele reviverá como alguém muito bom, pois nesta encarnação só plantou um bom karma, com os amigos, e todos que o conheceram.

A tristeza da perda - a vida fica menor, mais vazia, a partida dos amigos vai encolhendo o mundo... está cada vez menor. Sem eles, sem o Roberto, a alma perde um pedaço.

Ó pedaço arrancado de mim...

Grande amigo, alegre, bem humorado, gentil, sempre um bom astral. Da minha turma já se foram dez, éramos cinqüenta. Os romanos inventaram a palavra dizimar, quando executavam um em cada dez soldados de uma legião que tivesse se acovardado na frente do inimigo. Um era sorteado e os outros nove o matavam.

A privatização das Telecom foi mais cruel com meus irmãos engenheiros da PUC do Rio. Os estrangeiros vieram, demitiram todos os veteranos, nós que com vinte e poucos anos implantamos micro ondas em torres de cem metros na Amazônia, no nordeste, na Bahia, no tronco nordeste, meus amigos que eram o tronco da Embratel, a espinha dorsal, os construtores de Telecom, ligando pessoas, namorados, pais e filhos, palavras de carinho, negócios, nós fomos construtores.

Quando nos formamos o Brasil tinha micro ondas interurbanas somente entre rio e São Paulo e São Paulo e Campinas. Em poucos anos, milhares, centenas de milhares de quilômetros, de canais de voz, de conversas, ligavam o Brasil de ponta a ponta, do Oiapoque ao Chuí.

Estamos pagando um preço alto pelas privatizações, que não foi contabilizado pelos economistas. Afinal, quanto vale uma vida? Quanto vale uma depressão que leva o corpo a atacar a si próprio? Amigos que se foram, sempre com Dignitas, a dignidade dos senadores Romanos.

E a vida nunca mais foi a mesma, sem minha turma da PUC do Rio de Janeiro.

Vivemos a revolução de 64, a guerra do Vietnam, como engenheiros éramos desligados da política, os alunos de Direito é que se preocupavam com a política. Quanto a nós, queríamos construir!!! Construir uma rede nacional de telecom.
E construímos. Isso permanece. É a herança e o legado dos engenheiros da PUC do Rio.

Tenho muito a aprender ainda sobre Compaixão.

Nunca passei por aqui antes

Nem atravessei o mesmo rio duas vezes.

Idas e vindas, o Império e a Copa

Ernesto Cortázar, piano, tocando o tema do filme O Poderoso Chefão. 18h37min no aeroporto de Orlando, o vôo sai para São Paulo às 20h10min, normalmente seria 21h10min, mas hoje é sábado e entramos no horário de verão. Graças ao iPod, com minhas musicas favoritas, o tempo passa rápido.

Ca'nt Take My Eyes Off Of You, década de 80, boas recordações, grandes danças, na época estava entre um casamento e outro, Single Bars, dancing, Travolta, luzes de discoteca, segurança em Washington tive de tirar os sapatos, cinto, moedas, caneta, iPod, carteira, computador, e ainda assim o diabo do detector de metais apita, meu quadril de titânio me faz entrar em um cubículo de vidro, um policial especial vem me “escanear”.

Enquanto ele não chega aguardo uns dois minutos trancado nos vidros, vendo o pessoal passar lá fora, mas tudo bem, é melhor ter um quadril de titânio do que não ter quadril. Are You Lonesome Tonight, com os pianos de Ronnie Aldrich, delicia, terminal da TAM. Voltando à revista, usando um scanner manual verificam meus pés, pernas, cintura, quadril (sim, apitou), etc. etc. Em São Paulo foi o mesmo. Filadélfia o mesmo, o aeroporto tinha cheiro de remédio, o povo está triste, deprimido, muitos idosos que normalmente estariam aposentados, trabalhando em táxis, como Comissários de bordo – gente com mais de 60 anos. Um americano me disse – Que bom encontrar alguém que vem de uma economia vigorosa!

Na ida o vôo entre Washington e Filadélfia – Philly – de onde será que tiraram esse nome? O que será que quer dizer? Tenho de olhar no Google. Mas eu ia dizendo, o vôo foi num avião da Embraer operado pela United, um daqueles pequeninos que faziam Campinas- Rio, com uma fileira de um lado e duas do outro. Orgulhosamente perguntei à moça do portão se sabia onde era feito aquele avião. Ela não sabia, ficou surpresa ao saber que era de minha terra, do Brasil...

No aeroporto de Philly tentei comer algo, tentei um sanduiche de salada de ovos, gosto de chiclete e cheiro de remédio. Joguei fora. Tentei um de peru, o mesmo gosto e o mesmo cheiro. Devem estar colocando mais química para fazer durar mais e perder menos . A senhora do táxi em Philly me diz que o povo já não tem cortesia, roubam laptops do banco de trás dos carros, até o GPS ela esconde para não roubarem. Obama está indo mal, certamente não vai ser reeleito, mas quem será o candidato dos republicanos? Sarah Pallin? A Barbie do Alaska? Não creio.

O Império realmente está acabando. E só para de acabar quando acabar de todo... boa essa, não? Mas foi o que ocorreu com o Império Romano, o Império Britânico, e outros mais.

O vôo de Philly até Orlando duas horas, avião com cheiro de remédio, os Estados Unidos mudaram de cheiro. Não sei o que houve. No avião um jovem negro de cerca de trinta anos com o lado esquerdo paralisado, veterano desta guerra onde os pobres são bucha de canhão para que a recessão continue.

Quatro horas de espera em orlando, mas Frank Sinatra está cantando prá mim, o tempo passa. Enormes aeroportos, onde tenho de pegar um trem dentro do aeroporto para ir do balcão até o embarque no portão 83 –  eu disse oitenta e três... mais de 100 “Gates”.

Sete da noite, o sol se põe, gente cansada do meu lado mas ouço o Poema do Olhar, Miltinho, nem tentem lembrar, é da minha geração, década de 60.

Hora de embarque no avião da TAM, as poltronas são visivelmente menores do que as da companhia americana, a comissária me diz que realmente isso é um fato, “mas a ANAC está providenciando um regulamento para obrigar as empresas brasileiras a melhorar as poltronas”

Duvido...

Na hora de sentar, uma “faina de munição” (termo de Marinha quando algo é complicado e feito às vezes de forma complexa). Uma senhora está uma poltrona na frente do filho de cerca de 15 anos, e a criança tem medo de ficar sozinho – que diabos de educação recebeu para ser tão inseguro? Mas não é meu problema, e no entanto ficamos num impasse, a comissária , a mãe, o filho e um jovem que tem lugar marcado para onde está a mãe... no final ele aceita ficar ao meu lado e a dupla familiar se acomoda, depois de ter provocado uma mini-crise aeronáutica.

As poltronas são ridiculamente pequenas, mas a equipe de comissários é ridiculamente grande, cerca de 30 pessoas (um pequeno exagero aqui, mas deu prá entender). Me entregam aquele estojinho com coisas inúteis que nunca abro e já não sei o que tem dentro, porque deixo no bolso da poltrona. Ou seja, a TAM ainda está no século passado.

Ligo meu iPod e me desligo do mundo, do barulho dos motores Rolls-Royce cada um do tamanho de uma casa. Quando a comissária me pergunta o que quero beber fico com cara de idiota, até perceber que ela não está movendo os lábios silenciosamente, eu é que tenho de tirar os fones do ouvido... ok, suco de laranja.
Jantar no avião, preparado pelo catering de Orlando, com o mesmo gosto de chiclete e cheiro de remédio, mas estou com fome e consigo comer.

Chegada em São Paulo, nosso vôo com 200 pessoas, mais um da Air France com mais 200 e outro da Ibéria com 200, logo fazendo a conta dá 600 pessoas, em um salão onde caberiam 100, em fila única balizada pelos ubíquos “organizadores de fila, aquelas fitinha azuis presas em peças de metal móveis no solo, verdadeiro labirinto, a gente vai e volta vai e volta, vai e volta... Passagem pela Policia Federal para checar o passaporte.

As esteiras de bagagem são projetadas para vôos com 50 pessoas, então fica uma multidão se acotovelando e se apertando, e malas, e carrinhos, e famílias, e crianças que foram ao Disney, caos total. Levo meia hora para conseguir pegar minha mala.

E nem uma só saída do ar condicionado, calor infernal, e a mocinha do Duty Free ainda quer que eu fique mais tempo nesse inferno e vá comprar algo na loja também cheia. No way, my friend....

E as filas continuam. Nada de ar condicionado. Pego minha mala, agora uma fila de 500 pessoas para conseguir passar pela alfândega. Levo mais meia hora para chegar na alfândega, com 500 pessoas na minha frente. A equipe da Policia Federal me deixa passar sem checar minha bagagem.

O motivo é simples – são 500 viajantes, com malas, caixotes, caixas, caixinhas, carrinhos com pirâmides de malas, e a “equipe” da PF é de...

Uma pessoa

No way, my friend....

Finalmente o saguão do aeroporto, quero comer algo, só existe uma lanchonete para esse mundaréu de gente, uma Vienna Express com 8 funcionários atendendo perdidos como cachorro que caiu da mudança. Peço um sanduiche e um suco, tenho de entrar em outra fila para ser atendido, a moça que me atende diz que meu café sai logo, pelo amor de Deus, minha filha, não pedi café, pedi suco, ela confere com a moça do caixa e eu tenho razão, mas a colega me diz que “ela é nova”, e espero mais 15 minutos pelo meu sanduiche que “tem de ser aquecido na chapa”, me dê meu sanduiche frio! Quero é sair daqui!

Na saída do saguão para o estacionamento, o choque do barulho, carros, gritos, gente falando no celular, taxis, ônibus acelerando e freando, uma zona federal, me lembra a África em lugar dos Estados Unidos. O Império agora mudou de cheiro, o Brasil mudou para pior o barulho.

Penso comigo que nem por milagre o Brasil tem ou terá condições de receber os milhares de pessoas que vem para a Copa de 2014 nem para as Olimpíadas, agora tenho certeza que vai ser o maior vexame da História Universal desde a derrota de Roma por Aníbal em 300 AC. Quando o vexame acontecer, vou me mudar para um lugar mais sério, tipo Luxemburgo, Mônaco, sei lá... mas quem tiver um passaporte brasileiro vai virar alvo do ódio mundial por causa da nossa incompetência em organizar algo que não seja desfile de escolas de samba.

O máximo que o Brasil tem condições de organizar é um Campeonato Mundial de Curling. O Curling é um esporte praticado no Canadá, onde jogam uma pedra com cinco quilos no gelo e os caras vão usando vassoura – sim, eu disse vassouras – para enxugar o gelo e a pedra deslizar melhor.

O esporte é praticado no Canadá por alguns canadenses excêntricos e por americanos que moram na fronteira com o Canadá, e que também são excêntricos. Então o campeonato mundial teria dois países, aí dá pra o Brasil organizar... enquanto isso os políticos discutem e ficam negociando a propina da construção dos estádios, e tá tudo parado esperando o resultado das negociações. Ah, a construção dos novos aeroportos também deve estar esperando o termino das altas negociações sobre as contas na Suíça.

Imaginem o aeroporto nessas condições e em lugar de 3 vôos chegando 10 vôos com 2 mil pessoas dentro do salão de checagem de passaporte, ou tentando alucinadamente, desesperadamente, encontrar sua bagagem. Vai ser notícia de primeira pagina no New York Times! Finalmente o Brasil chega à primeira página do Times! E do Le Monde, do Guardian, até do Haaretz de Israel. Sucesso absoluto de Relações Publicas Negativas. Durante 50 anos o número de turistas vindo para o Brasil vai ser controlado em uma prancheta com dez linhas, onde vão anotar os nomes dos dez corajosos que se dispuseram a viajar para cá. Vão até receber medalhas do Ministério do Turismo, onde irão trabalhar cerca de duas mil pessoas para coordenar os dez turistas anuais que vamos receber.

E não tem jeito, amigos. Nem PT nem PSDB vão mudar. Os dois fazem, e fizeram, nos últimos anos, a mesma coisa. Por isso estamos assim. Que Deus proteja o povo, porque dos políticos a gorjeta corre solta