domingo, 28 de novembro de 2010

Fuzileiros Navais do Brasil - O Cão Chupando Manga!

As 1300 horas acaba de chegar ao Complexo do Alemão uma Companhia de Infantaria do Corpor de Fuzileiros Navais, sob o comando de um Capitão Tenente (FN). É a primeira vez em que o CFN participa de operação em conjunto com a Polícia do Rio de Janeiro.
Uma saudação e uma continência aos meus irmãos Fuzileiros
ADSUMUS!

Marinha de Guerra do Brasil - Corpo de Fuzileiros Navais

sábado, 20 de novembro de 2010

nalgum lugar em que eu nunca estive



somewhere i have never travelled

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, misteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands

e.e. cummings


nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas


( tradução: Augusto de Campos )





- That's nice.
- Dad.
- Thanks, Dad.
- Thanks, Michael.
And now, a very special moment.
Young lady?
Uh, this isn't in the program,
'cause it's a surprise.
I surprise Rose a lot.
Uh, usually, she hates it.
I think, or I hope...
that she likes this.
It's a poem by e. e. cummings.
For you.

"i carry your heart with me.
"i carry it in my heart.
"i am never without it.
"anywhere i go, you go, my dear.
"and whatever is done by only me...
"is your doing, my darling.
"i fear no fate...
"for you are my fate, my sweet.
"i want no world, for, beautiful...
"you are my world, my true.
"here is the deepest secret no one knows.
"here is the root of the root...
"and the bud of the bud...
"and the sky of the sky
of a tree called life...
"which grows higher
than the soul can hope...
"or mind can hide.
"it is the wonder that's keeping the stars apart.
"i carry your heart.
i carry it in my heart. "


- Mazel tov!
Ah, look at them.
Now, you behave yourself now.
- You'll make sure Ella gets those?
- Mmm. Of course.
- Seriously, you can't keep them.
I wouldn't do that.
He's kinda hot.
Simon.
Not funny yet?
Bye.

"here's the deepest secret no one knows.
"here is the root of the root...
"and the bud of the bud...
and the sky of the sky
of a tree called life. "
"which grows
higher than the soul can hope...
"or mind can hide.
"it is the wonder
that's keeping the stars apart.
"i carry your heart.
i carry it in my heart. "


carrego o teu coração comigo

carrego o teu coração comigo(carrego-o em
meu coração)nunca estou sem ele(onde
eu vou tu vais, querida; e o que é feito
só por mim és tu que fazes, meu amor)
eu não temo
nenhum destino(tu és o meu destino, meu doce)eu não quero
outro mundo (pela tua beleza ser o meu mundo, minha verdade)
e tu és seja o que for que a lua signifique
e o que quer que o sol cante sempre és tu

aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
(a raíz da raíz e o botão do botão
e o céu do céu da árvore chamada vida; a qual cresce
mais alto do que a alma espera ou a mente esconde)
e este é o milagre que mantém as estrelas separadas

carrego o teu coração( carrego-o em meu coração)

(Tradução de J.T.Parreira)



na estrênua brevidade
Vida:
realejos e abril
treva, amigos

eu me lanço rindo.
Nas tintas fio-de-cabelo
da aurora amarela,
no ocaso colorido de mulheres

eu sorrisando
deslizo. Eu
na grande viagem escarlate
nado, dizendomente;

(Você sabe?) o
sim, mundo
é provavelmente feito
de rosas & alô:

(de atélogos e,cinzas)

( tradução: Augusto de Campos )


o
céu
era
açuc ar lu
minoso
comestível
vivos
cravos tímidos
limões
verdes frios s choc
olate
s.

so b,
uma lo
co
mo
tiva c uspi
ndo
vi
o
letas.

( tradução: Augusto de Campos )



minha especialidade é viver - era a legenda
de um homem(que não tinha renda
porque não estava à venda)

olhar à direita - replicaram num segundo
dois bilhões de piolhos púbicos do fundo
de um par de calças(morimbundo)


( tradução: Augusto de Campos )



eu
estou
te pedindo
querida é pra
que mais poderia um
não mas não é o que
claro mas você não parece
entender que eu não posso ser
mais claro a guerra não é o que
imaginamos mas por favor pelo amor de Oh
que diabo sim é verdade que fui
eu mas esse eu não sou eu
você não vê que agora não nem
sequer cristo mas você
precisa compreender
como porque
eu estou
morto

( tradução: Augusto de Campos )



um riso sem um
rosto(um olhar
sem um eu)
cuida

do(não to
que)ou
desaparec
erá semru

ído(na doce
terra)&
ninguém
(inclusive nós

mesmos)
relem
brará
(por uma fra

ção de
um mo
mento)onde
o que como

quando
por que qual
quem
(ou qualquer coisa)


( tradução: Augusto de Campos )



né(comoemsonho)voa

torna
grande cada dim
inuti

vo faz o óbv

io e
str
anho

a

té que
nósmes
mos vi

remos mun

(magic
a
mente)

dos


( tradução: Augusto de Campos )



agora ar é ar e coisa é coisa:traço

nenhum da terra celestial seduz
nossos olhos sem ênfase onde luz

a verdade magnífica do espaço.

Montanhas são montanhas;céus são céus -
e uma tal liberdade nos aquece
que é como se o universo uno,sem véus,

total,de nós(somente nós)viesse

- sim;como se, despertas do torpor
do verão,nossas almas mergulhassem
no branco sono onde se irá depor
toda a curiosidade deste mundo
(com júbilo de amor)imortal e a coragem

de receber do tempo o sonho mais profundo


( tradução: Augusto de Campos )


Falecido aos 67 anos de idade, e. e. cummings pertence à estirpe dos inventores da poesia moderna, ao rol daqueles poucos que realmente transformaram a linguagem poética de nosso tempo, em sintonia com o prospecto de uma civilização cujos crescentes progressos científicos vão abolindo vertiginosamente as fronteira entre a realidade e a ficção.

Abominado por críticos e poetas conservadores , cummings mereceu, em contrapartida, a admiração de escritores do porte de Marianne Moore, William Carlos William, John dos Passos e Ezra Pound.

(comentários de Haroldo de Campos publicado
no livro "poem(a)s" Editora Francisco Alves - 1998)

e. e. cummings: bioflashes

Edward Eastlin Cumrnings, que literariamente sempre assinou E.E. Cummings, ou melhor, e.e. cummings (em caixa baixa), nasceu em 14 de outubro de 1894, em Cambridge, Massachusetts. Estudou em Harvard, de 1911 a 1915, especializando-se em literatura grega.


Voluntário na 1ª Grande Guerra, servindo no corpo de ambulâncias norte-americano na França, passou por uma dura experiência.

Preso, por engano, com o seu amigo Slater Brown, que escrevera cartas que desagradaram ao censor francês, foi enviado a um campo de concentração (La Ferté Macé), em Orne, e ali ficou detido, incomunicável, por três meses, sem qualquer culpa, até ser libertado em dezembro de 1917.

The Enormous Room, publicado em 1922, são as suas memórias do cárcere" em prosa não-convencional; segundo Hemingway, "um clássico". "uma obra que não se parece a nenhuma outra".

Nos anos 20 e, mais tarde, em 1931, visitou Paris, onde morou por algum tempo, e outros países europeus,

dedicando-se à poesia e à pintura.






Em 1923, sai o seu primeiro livro de poemas, Tulips and Chiinneys. Em 1925, publica & e XLI Poems e, no ano seguinte, is 5.

Sua primeira incursão no teatro, Him, estréia em 1928, em Nova Iorque. De Paris, em 1931, Cummings decide conhecer a URSS e parte para Moscou, levando uma carta de apresentação de Aragon para Lília Brik.

O diário dessa viagem constitui Eimi (em grego, "eu sou"), prosa experimental, que veio a ser publicada em 1931. Ainda nesse ano publica W(ViVa), poemas, e faz a sua primeira exposição, lançando CIOPW ("charcoal, ink, oil, pencil, watercolor"), livro de desenhos e pinturas.

Em 1935. escreve Tom, roteiro para um balé inspirado na "Cabana do Pai Tomás", e publica (às expensas de sua mãe) um livro de poemas que os editores haviam recusado: no thanks.

Em 1938, surge a primeira antologia de sua obra poética até então, Collected Poems. Seguem-se, em 1944, mais um livro de poemas, 1X1, e, em 1946, mais urna peça, Santa Claus. Volta à poesia com XAIPE, em 1950, mas a mais completa coleção de seus poemas vem a seir editada em 1954 um grosso volume de quase 500 páginas: Poems 1923-1954. Seu último livro publicado em vida, 95 Poemns, aparece cm 1958.

Cummings foi casado três vezes. A primeira mulher, Elaine Orr, que o desposou em 1918, deu-lhe a única filha, Nancy. Com a segunda mulher, Anne Barton, o poeta se casou em 1927, divorciando-se alguns anos depois. Marion Moorehouse, que conheceu em 1932, seria a grande e definitiva companheira. Desde 1924, ele se instalara em dois cômodos de uma pequena casa alugada em 4 Patchin Place, na Greenwich Village, passando os verões na casa de campo de seus pais, "Joy Farm", em New Hampshire, perto das White Mountains e do Silver Lake. Estas foram, até o fim, as suas residências. Elaine Orr casou-se novamente e foi viver na Inglaterra, levando a filha, a quem ocultou a identidade paterna. Somente quando foi morar nos EUA em 1948 e já tinha 28 anos é que Nancy veio a saber, do próprio Cummings, que ele era seu pai. Richard S. Kennedy conta essa novela. com laivos kafkianos, em sua biografia do poeta, Dreams in the Mirror (1980).


Um autêntico homem sem profissão, Cummings viveu por toda a sua vida dos parcos ganhos de poeta e pintor, a princípio ajudado pelos seus pais e avós, depois pela mulher, Marion, modelo e fotógrafa. Amigo de John dos Passos e de Ezra Pound, foi dos poucos que não abandonaram o autor dos Cantos quando este, acusado de traição ao seu país, foi internado no manicômio judiciário de Washington, o St. Elizabeth’s Hospital. Convidado para proferir conferências em Harvard, de 1952 a 1953, escreveu seis palestras, que intitulou i: six nonlectures (eu: seis nao-conferências), com as quais, descobrindo em si próprio urna extraordinária vocação para a leitura de poemas, percorreu com grande êxito de audiência colégios e universidades.

Essas conferências, gravadas ao vivo, podem ser ouvidas em discos e cassetes do selo Caedmon, assim como um bom número de poemas lidos pelo próprio poeta. Como Dylan Thomas, que não chegou a gravar Vision and Prayer; Cumrnings não deixou registrado em sua voz nenhum dos seus poemas visuais. Sua poesia, no entanto, interessou vivamente a alguns dos maiores músicos desta segunda metade do século, como John Cage, Luciano Berio e Pierre Boulez (e, entre nós, ao jovem Livio Tragtenberg). Técnicas não convencionais de vocalização, corno as que empregam esses compositores, permitem revelar a insólita musicalidade que se oculta nos poemas tipográficos de Cummings, explorando a hipersonoridade de suas microestruturas fônicas.

Cummings morreu em 3 de setembro de 1962, em Madison (New Harnpshire), de um ataque cardíaco. No ano seguinte, sairia uma coleção de seus últimos poemas inéditos: 73 Poems: em 1969, uma importante seleta de suas cartas: Selected Letters, organizada por E. W. Dupee e G. Sladc. Além da biografia citada, não pode deixar de ser referida a anterior, de Charles Norman (The Magic Maker: E. E. Cummings, 1958, reeditada em 1964). Dentre os livros de crítica que tratam de sua poesia, destaca-se o de Norman Friedman, E E Cummings: The Art of His Poetry, 1960.

Augusto de Campos

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Carly Simon, Moonlight Serenade